Retrato de Gareth Evans

Biografia e livros de Gareth Evans

n. 1938·4 livros

Vejo tantas estações, ou ‘pedras de travessia’, na minha vida, que conduziram a experiências mais profundas com o Senhor e sem as quais eu não teria a história que quero contar. Cada pedra levou à seguinte, sendo cada…
Gareth Evans
Ainda não conhece Gareth Evans? Comece por Ele Sustém os Meus Amanhãs Todas as obras · 11 h 5 min de leitura

Gareth Evans nasceu em 1938 em Merthyr Tydfil, entre os vales carvoeiros do sul do País de Gales, e é difícil imaginar uma vida que tenha ido tão longe desse ponto de partida. Professor de física e pastor, capelão num navio de misericórdia diante da África Ocidental e mestre da Bíblia em cinco continentes, ele passou mais de seis décadas vivendo uma única convicção — a de que o Senhor que salvou um menino galês também tem em Suas mãos cada um dos seus amanhãs. Descreve-se simplesmente como um adorador, e a sua vida, no modo como ele mesmo a conta, como uma sucessão de pedras de travessia postas por Deus, uma de cada vez.

Vejo tantas estações, ou ‘pedras de travessia’, na minha vida, que conduziram a experiências mais profundas com o Senhor e sem as quais eu não teria a história que quero contar. Cada pedra levou à seguinte, sendo cada uma delas uma intervenção direta do Senhor nos meus planos.

— Gareth Evans

Uma infância nos vales galeses

Gareth era filho de Cyril Evans, um homem da RAF na Segunda Guerra Mundial, lembrado pela sua voz de cantor e pelo seu amor ao críquete, e de Ethel Evans, pianista talentosa que se entregou à construção de um lar. Música, esporte e histórias corriam na família, como correm no próprio País de Gales — uma terra famosa por seus oradores eloquentes e seus pregadores fervorosos. Aos oito anos, Gareth mudou-se para a casa do avô, em Bonvilston, perto de Cardiff, e aos onze entrou na Cowbridge Grammar School, a segunda escola mais antiga do País de Gales, uma comunidade de cerca de trezentos meninos. Ali, o menino que amava o ciclismo, o futebol, as histórias e a música mostrou ter também uma cabeça excepcional para a matemática. Compartilhou aqueles anos com uma irmã mais nova, Barbara, que hoje vive na Austrália.

Então, quando Gareth tinha treze anos, a dor entrou em casa: sua mãe morreu de um prolapso cardíaco, deixando um vazio numa família muito unida. Seu pai, que nunca voltou a casar-se, assumiu de forma admirável o peso de sustentar os filhos e confiou ao filho responsabilidades acima da sua idade. O luto empurrou o menino para uma independência precoce — e, silenciosamente, para o formato do homem que viria a ser: um introvertido, como ele descobriu, mas com um dom surpreendente para conversas significativas com todo tipo de gente.

“O que você fará com o Senhor Jesus Cristo?”

Gareth cresceu num lar anglicano, à vontade com o ethos cristão, mas ainda não tomado por ele. A virada veio aos dezesseis anos, através das reuniões de jovens das sextas-feiras à noite conduzidas por Betty Bishop, cristã devota e fundadora de um ministério infantil — noites animadas de cânticos, questionários bíblicos e pregadores convidados. Certa noite, a srta. Bishop lhe fez a pergunta diretamente: “Diga-me, Gareth, o que você fará com o Senhor Jesus Cristo?” Por cinco semanas ele fugiu dela, enquanto observava a devoção autêntica dos jovens à sua volta e sentia a presença viva de Cristo pressionando-o. Então um amigo chamado David trouxe a notícia de que um jovem pregador chamado Austin — rosto conhecido dos tempos de escola — falaria numa capela ali perto. Vinte jovens foram, Gareth entre eles. Ao final, Austin fixou nele um olhar decidido e lhe fez exatamente a pergunta da qual vinha fugindo: “Diga-me, Gareth, o que você fará com o Senhor Jesus Cristo?”

O Espírito de Deus veio sobre mim e, naquele momento, eu soube que Jesus me amava e que eu era um filho de Deus. Naquele momento, algo nasceu dentro de mim.

— Gareth Evans

A nova fé tornou-se o alicerce da sua identidade, e ele a abraçou com ousadia entre os amigos e na escola. A escola dominical do sr. Collins, o chefe do correio local, lançou os seus fundamentos; o seu primeiro pastor, Wynne Lewis — um homem com, nas palavras de Gareth, “um fogo ardendo nas entranhas” —, acendeu o seu zelo; e a igreja Elim de Bridgend, com o seu grupo de jovens adultos, os Elim Crusaders, firmou-o na Palavra. “Fui abençoado por ter bons mestres que amavam o Senhor e a Sua Palavra”, recorda ele. “Eu começava a descobrir as riquezas da nossa herança em Cristo e descobri o fruto do Seu Espírito.” Na universidade, hospedou-se na casa de Donald Evans, que passou do instituto bíblico e do ministério pastoral a tornar-se uma das maiores autoridades do mundo em ética médica — prova viva de que a fé e o estudo rigoroso podem caminhar juntos. E foi o pai de Donald, o sr. Aubrey Evans, de Swansea, quem deu a Gareth o conselho que o acompanha desde então: que os que seguem de longe ainda conseguem ver o Senhor, mas os que dão um passo à frente da Luz do mundo já não conseguem vê-Lo, e se descobrem caminhando na própria sombra. Daquela palavra nasceu o lema da sua vida: “Andarei com Jesus, não à frente dele nem ficando para trás.”

O cientista na sala de aula

Da Cowbridge Grammar School, onde cursou matemática pura, matemática aplicada e física no nível avançado, Gareth seguiu para a Universidade de Swansea, para o bacharelado com honras em Física, ao qual acrescentou um Diploma de Educação. Swansea lhe deu algo melhor do que um diploma: ali conheceu Anne, uma jovem secretária dedicada cuja mãe pertencia ao grupo de oração de Rees Howells, e cujo profundo caráter cristão ele veio a estimar. Ficaram noivos no dia da formatura dele e casaram-se um ano depois, em 15 de julho de 1961. O pai de Anne, um dedicado ministro norueguês do Evangelho, tornou-se outra fonte na vida de Gareth; os dois compartilhavam o amor pelos escritos devocionais de A. W. Tozer e Watchman Nee, que mantinham aceso o fogo do Espírito.

Nas duas décadas seguintes, o púlpito de Gareth foi uma sala de aula, e as disciplinas do laboratório — precisão, paciência, a recusa de contentar-se com respostas vagas — viriam mais tarde a dar ao seu ensino bíblico a clareza que o caracteriza. Começou na Kenfig Comprehensive School, ensinando física no nível avançado. “Nunca entendi como consegui aquela vaga”, diz ele. “Deve ter sido mais um dos compromissos marcados pelo Senhor, porque foi uma oportunidade que eu jamais busquei.” No terceiro ano veio um convite para a Windsor Boys School, na Alemanha, uma escola com mais de quinhentos filhos de militares — o que fez de Gareth, notavelmente, o professor mais jovem já contratado pelo Ministério da Defesa, apesar de não ter cumprido o serviço militar obrigatório nem os cinco anos de experiência que tais cargos normalmente exigiam. “Deus consegue passar por cima até dos regulamentos do exército!”, ri ele. Seguiram-se transferências para Hamm, na Alemanha Ocidental, e depois para Hong Kong, com o serviço educacional do Exército Britânico; e em todo lugar em que ensinou, ele também testemunhou, fundando Uniões Cristãs ou grupos semelhantes em cada escola. Em Hong Kong, uniu-se a Jackie Pullinger no seu trabalho entre dependentes de drogas, aventurando-se na cidade murada de Kowloon para participar de uma classe bíblica no ‘covil do dragão’; ele e Anne visitavam todo mês um orfanato no interior para falar às crianças a respeito de Jesus; conduzia estudos bíblicos semanais, sediados pelo missionário veterano John Bechtel, para até trinta soldados britânicos, incluindo gurkhas nepaleses; e chegou a integrar um coro chinês, arriscando partes solo numa cantata de Páscoa cantada em cantonês.

De volta ao País de Gales em 1969, Gareth tornou-se chefe do departamento de física da Ogmore Grammar School, liderou a sua união cristã e conduziu as reuniões escolares, enquanto servia numa equipe seleta de professores de física na Universidade de Cardiff que elaborava um novo currículo de nível avançado. Em casa, Anne começou uma comunhão de adolescentes que se espalhou por igrejas de toda a região de Bridgend; dela nasceram um jornal juvenil, um coro de trinta vozes que cantava cantatas de Páscoa e de Natal em salões, capelas e prisões, acampamentos de verão, noites de jovens nos fins de semana, ações comunitárias e programas da ACM. Em agosto de 1975 a família emigrou para o Canadá, onde Gareth chefiou o departamento de física da Toronto French School e depois o departamento de ciências da Toronto Hebrew Academy — uma escola judaica ortodoxa em que treinou o time de futebol até a sua primeira temporada vitoriosa e compartilhou o Evangelho tanto com os alunos quanto com o rabino-chefe.

De professor a pastor

A Hebrew Academy foi a última pedra de travessia da sua carreira docente. Quando o pastor da sua igreja renunciou, Gareth foi convidado a falar na despedida, e dois ex-pastores lhe disseram francamente que o seu lugar era no ministério. Depois de orar, e com o apoio irrestrito de Anne, ele deixou o magistério para tornar-se pastor da Aliança Cristã e Missionária. Na Hazelglen Fellowship, em Kitchener, Ontário, pastoreou a congregação, liderou os jovens, serviu como capelão de estudantes cristãos malaios numa universidade local, conduziu seminários e dirigiu acampamentos de verão em Toronto. Em março de 1983 veio um convite para a Ilha de Vancouver e, em setembro de 1984, ele foi instalado como pastor da Victoria Alliance Church, onde serviu por oito anos — e onde ele e Anne fizeram o seu lar desde então. Tudo isso, note-se, sem um único dia de seminário teológico: o Senhor havia formado o Seu mestre em salas de aula, coros e bases militares.

Mar adentro

Em setembro de 1990 chegou uma virada imprevista: uma doença súbita que colocou Gareth aos cuidados de uma clínica do sono na Universidade da Colúmbia Britânica e o afastou do ritmo do ministério por dois anos. Sem se abater, receitou a si mesmo exercícios e leitura voraz para manter vivos o espírito e a mente — e então o telefone tocou de novo. Foi convidado a servir a bordo do navio de misericórdia M/V Anastasis, atuando na África Ocidental. Ainda não plenamente restabelecido, Gareth e Anne partiram assim mesmo, juntando-se ao navio em Roterdã, em maio de 1991, como capelães. Junto com os demais missionários, tornaram-se construtores de esperança — escolas, alas hospitalares, clínicas, fontes de água potável, latrinas higiênicas erguidas contra doenças mortais —, mas a alegria mais profunda de Gareth estava nas almas que tocavam. Ministrou a missionários e pastores em seminários e conferências semanais, instruiu mais de 150 líderes de igreja em Serra Leoa, levou o seu ensino à Guiné, à Costa do Marfim e ao Senegal francófonos, e ministrou numa conferência de pastores de uma semana na Nigéria.

Até os confins da terra

Quando Gareth e Anne deixaram o Anastasis no fim de 1994, não deixaram a vida itinerante que ele havia aberto. Janeiro de 1995 encontrou Gareth dirigindo a escola de verão da Capernwray Bible School, em Moss Vale, perto de Sydney, na Austrália, com alunos vindos do mundo inteiro. Os convites se multiplicaram, muitos deles de líderes da JOCUM, ansiosos por sua ajuda nas Escolas de Treinamento de Discipulado: México em fevereiro de 1996, com uma conferência de pastores de dois dias e ainda um seminário sobre casamento; JOCUM Fortaleza, no nordeste do Brasil, em agosto daquele ano, e novamente em 1997 e 1998; um retiro de homens, com cerca de setenta participantes de uma igreja batista em Kelowna; Baixa Califórnia, Reino Unido, Índia, Nepal e Brasil em 1998; um ano inteiro pregando pelas igrejas de Victoria em 1999. O novo milênio trouxe um convite de Ade Ajala para um novo ministério na Nigéria, uma segunda viagem à Índia em 2001 — a Chennai, no sul — e, em 2002, ministério dentro e fora do país, abrangendo Haiti, Manitoba, Reino Unido, Portland, Fortaleza e Austrália. Olhando para trás, ele consegue traçar as décadas como capítulos: soldados gurkhas em Hong Kong nos anos sessenta, os jovens de Bridgend nos anos setenta, a Academia Judaica de Toronto nos anos oitenta, conferências de pastores na África Ocidental nos anos noventa. Três vezes nessa longa caminhada, recorda ele, ouviu audivelmente o Espírito Santo falar-lhe.

Em setembro de 2003 a provação voltou a visitá-lo, quando uma cirurgia rotineira de hérnia de hiato o deixou numa fraqueza prolongada. Mais uma vez, ele se recusou a desperdiçar o deserto.

O contador de histórias à sua escrivaninha

De todo esse ensino nasceram os seus livros. Gareth veste o manto de contador de histórias, e a sua escrita é pausada, simples e pastoral, voltada para a igreja que sofre — crentes desgastados pelo sofrimento ou pela decepção, que precisam ser lembrados de que Deus tem os seus amanhãs em Suas mãos. Títulos como He Holds My Tomorrows, The Key in My Hand, Stepping Stones, Soar Like the Eagle e Feasting at the Table conduzem o leitor lentamente pelas Escrituras, unindo a exposição cuidadosa ao encorajamento de um homem que pastoreou congregações reais em meio a dificuldades reais.

Alguns dariam até a Hebreus 11 o título de “Heróis da Fé”. Eu não vejo heróis ali.

— Gareth Evans, He Holds My Tomorrows

Essa única frase abre uma janela para toda a sua abordagem. Para Gareth, os grandes exemplos de fé não são gigantes espirituais a serem admirados de uma distância segura, mas pessoas comuns e falhas que simplesmente creram na palavra de Deus — o que significa que a fé delas é uma fé que o leitor pode de fato partilhar. É a nota à qual ele retorna repetidas vezes: a fé é prática, a fé é tanto para os fracos quanto para os fortes, e é vivida um passo obediente de cada vez.

A família continua sendo a pedra angular de tudo isso. O Senhor abençoou Gareth e Anne com três filhas — Corinne, nascida no País de Gales, e Andrea e Lynette, nascidas em Hamm, na Alemanha Ocidental — e, com o tempo, com oito netos e catorze bisnetos, além dos incontáveis filhos e jovens que geraram na fé. Hoje, já não preso a um único púlpito, Gareth ministra em grande parte através do seu site, onde os seus devocionais, livros e poemas reúnem a sabedoria de uma jornada ampla para os dispersos e os isolados. Continua a carregar um peso especial pelos jovens — discipulá-los e prepará-los para a maturidade em Cristo — e a andar, ainda hoje, segundo o lema que lhe foi dado há muito tempo em Swansea: não à frente de Jesus, nem ficando para trás, mas com Ele, uma pedra de travessia de cada vez.