Poder Através da Oração ·A Letra Mata

Capítulo 3 · 6 min de leitura

Tradução por IA — aguardando revisão nativa

A Letra Mata

Durante essa enfermidade, fui levado a examinar a minha vida em relação à eternidade mais de perto do que fizera quando gozava de saúde. Nesse exame, quanto ao cumprimento dos meus deveres para com os meus semelhantes — como homem, como ministro cristão e como oficial da Igreja —, fiquei aprovado pela minha própria consciência; mas, em relação ao meu Redentor e Salvador, o resultado foi outro. As minhas retribuições de gratidão e de obediência amorosa não guardam proporção alguma com as minhas obrigações para com aquele que me redimiu, preservou e sustentou através das vicissitudes da vida, desde a infância até a velhice. A frieza do meu amor por aquele que primeiro me amou e que tanto fez por mim me esmagou e me deixou perturbado; e, para completar o meu caráter indigno, eu não só deixara de aproveitar a graça que me foi dada na medida do meu dever e do meu privilégio, mas, por falta desse aproveitamento, havia, em meio a inquietantes cuidados e labores, declinado do meu primeiro zelo e do meu primeiro amor. Fiquei confuso, humilhei-me, implorei misericórdia e renovei o meu pacto de me esforçar e de me dedicar sem reservas ao Senhor.—Bispo McKendree

A pregação que mata pode ser, e muitas vezes é, ortodoxa — dogmática e inviolavelmente ortodoxa. Nós amamos a ortodoxia. Ela é boa. É o que há de melhor. É o ensino límpido e bem-definido da Palavra de Deus, os troféus conquistados pela verdade em seu embate com o erro, os diques que a fé ergueu contra as cheias devastadoras da descrença ou da incredulidade, sejam elas sinceras ou temerárias; mas a ortodoxia, clara e dura como o cristal, desconfiada e combativa, pode não passar da letra bem-moldada, bem-nomeada e bem-decorada — a letra que mata. Nada é tão morto quanto uma ortodoxia morta, morta demais para especular, morta demais para pensar, estudar ou orar.

A pregação que mata pode ter perspicácia e domínio de princípios, pode ser erudita e de gosto crítico, pode conhecer cada minúcia da etimologia e da gramática da letra, pode ser capaz de aparar a letra até o seu padrão perfeito e de iluminá-la como se iluminam Platão e Cícero, pode estudá-la como um advogado estuda os seus manuais para redigir a petição ou defender a causa — e, ainda assim, ser como uma geada, uma geada mortal. A pregação da letra pode ser eloquente, esmaltada de poesia e retórica, salpicada de oração, temperada com sensacionalismo, iluminada pelo gênio — e, contudo, tudo isso não passa das guarnições maciças ou sóbrias e caras, das flores raras e belas que enfeitam o caixão de um cadáver. A pregação que mata pode ser destituída de erudição, sem qualquer frescor de pensamento ou de sentimento, revestida de generalidades insossas ou de particularidades vazias, de estilo irregular e desleixado, que não recende nem ao quarto secreto nem ao gabinete de estudo, sem o adorno do pensamento, da expressão ou da oração. Sob uma pregação assim, quão vasta e completa é a desolação! Quão profunda a morte espiritual!

Essa pregação da letra lida com a superfície e a sombra das coisas, e não com as coisas em si. Ela não penetra a parte interior. Não tem percepção profunda nem domínio firme da vida oculta da Palavra de Deus. É fiel ao exterior, mas o exterior é a casca que precisa ser quebrada e atravessada para se chegar à amêndoa. A letra pode ser vestida de modo a atrair e a estar na moda, mas a atração não é para Deus, nem a moda é para o céu. A falha está no pregador. Deus não o formou. Ele nunca esteve nas mãos de Deus como o barro na mão do oleiro. Andou ocupado com o sermão — com o seu conteúdo e o seu acabamento, com a sua força de atração e de impacto —; mas as coisas profundas de Deus nunca foram por ele buscadas, estudadas, sondadas, experimentadas. Ele nunca esteve diante do “trono alto e sublime”, nunca ouviu o cântico dos serafins, nunca viu a visão nem sentiu o ímpeto daquela santidade tremenda, para clamar, em total abandono e desespero, sob o peso da fraqueza e da culpa, e ter a sua vida renovada, o seu coração tocado, purificado, inflamado pela brasa viva do altar de Deus. O seu ministério pode atrair pessoas para ele, para a Igreja, para a forma e a cerimônia; mas nenhuma atração verdadeira para Deus, nenhuma comunhão doce, santa e divina é despertada. A Igreja foi ornamentada, mas não edificada; agradada, mas não santificada. A vida está sufocada; há um frio no ar do verão; o solo está ressequido. A cidade do nosso Deus torna-se a cidade dos mortos; a Igreja, um cemitério, e não um exército em ordem de batalha. O louvor e a oração são abafados; a adoração está morta. O pregador e a pregação ajudaram o pecado, não a santidade; povoaram o inferno, não o céu.

A pregação que mata é uma pregação sem oração. Sem oração, o pregador cria morte, e não vida. O pregador que é débil na oração é débil nas forças que dão vida. O pregador que aposentou a oração como elemento visível e largamente predominante em seu próprio caráter despojou a sua pregação do seu característico poder vivificante. Existe, e sempre existirá, a oração profissional, mas a oração profissional ajuda a pregação a fazer a sua obra mortal. A oração profissional gela e mata tanto a pregação quanto a oração. Boa parte da devoção frouxa e das atitudes preguiçosas e irreverentes na oração congregacional se deve à oração profissional no púlpito. Longas, prolixas, secas e vazias são as orações em muitos púlpitos. Sem unção nem coração, elas caem como uma geada mortal sobre todas as graças da adoração. São orações que semeiam a morte. Todo vestígio de devoção pereceu sob o seu bafo. Quanto mais mortas, mais longas se tornam. É oportuno um apelo por uma oração breve, viva, uma oração que brote de fato do coração, uma oração feita pelo Espírito Santo — direta, específica, ardente, simples e cheia de unção no púlpito. Uma escola para ensinar os pregadores a orar, como Deus considera a oração, seria mais proveitosa para a verdadeira piedade, a verdadeira adoração e a verdadeira pregação do que todas as escolas de teologia.

Pare! Detenha-se! Reflita! Onde estamos? O que estamos fazendo? Pregando para matar? Orando para matar? Orando a Deus! ao grande Deus, o Criador de todos os mundos, o Juiz de todos os homens! Quanta reverência! Quanta simplicidade! Quanta sinceridade! Quanta verdade no íntimo é exigida! Quão verdadeiros precisamos ser! Quão sinceros de coração! A oração a Deus, o mais nobre exercício, o mais elevado esforço do homem, a coisa mais real! Não haveremos de descartar para sempre a maldita pregação que mata e a oração que mata, e de fazer a coisa verdadeira, a coisa mais poderosa — a oração que de fato ora, a pregação que gera vida —, trazendo a mais poderosa força a atuar sobre o céu e a terra e recorrendo ao tesouro inesgotável e aberto de Deus para a necessidade e a mendicância do homem?

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Poder Através da Oração E. M. Bounds

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