Capítulo 7 · 4 min de leitura
Tradução por IA — aguardando revisão nativa
Pela Graça por Meio da Fé
"Pela graça vocês foram salvos, por meio da fé" (Efésios 2:8).
CREIO SER BOM desviar-me um pouco para o lado, a fim de pedir ao meu leitor que observe com adoração a nascente da nossa salvação, que é a graça de Deus. "Pela graça vocês foram salvos." Porque Deus é gracioso, os homens pecadores são perdoados, convertidos, purificados e salvos. Não é por causa de coisa alguma que haja neles, ou que algum dia possa haver neles, que são salvos; mas por causa do amor infinito, da bondade, da piedade, da compaixão, da misericórdia e da graça de Deus. Detenha-se, pois, por um momento, junto à nascente. Contemple o puro rio da água da vida, que procede do trono de Deus e do Cordeiro!
Que abismo é a graça de Deus! Quem pode medir a sua largura? Quem pode sondar a sua profundidade? Como todos os demais atributos divinos, ela é infinita. Deus está cheio de amor, pois "Deus é amor." Deus está cheio de bondade; o próprio nome "God" (Deus) é a forma abreviada de "good" (bom). Bondade e amor sem limites entram na própria essência da Divindade. É porque "a sua misericórdia dura para sempre" que os homens não são destruídos; é porque "as suas compaixões não falham" que os pecadores são trazidos a Ele e perdoados.
Lembre-se disto; do contrário, você pode cair em erro por fixar tanto a mente na fé, que é o canal da salvação, a ponto de esquecer a graça, que é a fonte e a origem da própria fé. A fé é obra da graça de Deus em nós. Ninguém pode dizer que Jesus é o Cristo senão pelo Espírito Santo. "Ninguém vem a mim," diz Jesus, "se o Pai que me enviou não o atrair." De modo que a fé, que é vir a Cristo, é o resultado do atrair divino. A graça é a primeira e a última causa motriz da salvação; e a fé, por mais essencial que seja, é apenas uma parte importante da maquinaria que a graça emprega. Somos salvos "por meio da fé," mas a salvação é "pela graça." Proclame essas palavras como que com a trombeta do arcanjo: "Pela graça vocês foram salvos." Que boas novas para os que não merecem!
A fé ocupa a posição de um canal ou de um conduto. A graça é a fonte e a corrente; a fé é o aqueduto ao longo do qual a torrente da misericórdia desce para saciar os sedentos filhos dos homens. É uma grande pena quando o aqueduto está quebrado. É um triste espetáculo ver ao redor de Roma os muitos nobres aquedutos que já não conduzem água para dentro da cidade, porque os arcos estão quebrados e as maravilhosas estruturas jazem em ruínas. O aqueduto precisa ser mantido inteiro para conduzir a corrente; e, do mesmo modo, a fé precisa ser verdadeira e sólida, subindo direto até Deus e descendo direto até nós, para que se torne um útil canal de misericórdia para as nossas almas.
Ainda assim, lembro-lhe outra vez que a fé é apenas o canal ou o aqueduto, e não a nascente, e não devemos olhar tanto para ela a ponto de exaltá-la acima da fonte divina de toda bênção, que reside na graça de Deus. Nunca faça um Cristo da sua fé, nem pense nela como se fosse a fonte independente da sua salvação. A nossa vida se encontra em "olhar para Jesus," não em olhar para a nossa própria fé. Pela fé todas as coisas se tornam possíveis para nós; contudo o poder não está na fé, mas no Deus em quem a fé se apoia. A graça é o poderoso motor, e a fé é a corrente pela qual o carro da alma é ligado à grande força motriz. A justiça da fé não é a excelência moral da fé, mas a justiça de Jesus Cristo, que a fé agarra e se apropria. A paz interior da alma não deriva da contemplação da nossa própria fé; mas vem-nos daquele que é a nossa paz, de cuja orla da veste a fé toca, e dele sai virtude para a alma.
Veja, então, caro amigo, que a fraqueza da sua fé não o destruirá. Uma mão trêmula pode receber um dom de ouro. A salvação do Senhor pode chegar a nós ainda que tenhamos apenas fé como um grão de mostarda. O poder está na graça de Deus, e não na nossa fé. Grandes mensagens podem ser enviadas por fios delgados, e o testemunho do Espírito Santo, que dá paz, pode alcançar o coração por meio de uma fé semelhante a um fio, que parece quase incapaz de sustentar o próprio peso. Pense mais naquele para quem você olha do que no próprio olhar. Você precisa desviar o olhar até do seu próprio olhar, e não ver nada senão Jesus, e a graça de Deus revelada nele.