Sermão · 5 min de leitura · Avançado

O Poder da Quietude

Retrato de A. B. Simpson A. B. Simpson

Texto

1 Reis 19:12

Tradução por IA — aguardando revisão nativa

Era “uma voz mansa e delicada”, ou o som de uma quietude suave. Haverá em todo o coro alguma nota de música tão poderosa quanto a pausa enfática? Haverá em todo o Saltério palavra mais eloquente do que esta única palavra, Selá (Pausa)? Haverá algo mais emocionante e temível do que o silêncio que precede o irromper da tempestade, e a estranha quietude que parece descer sobre toda a natureza antes de algum fenômeno ou convulsão sobrenatural? Haverá algo que possa tocar os nossos corações como o poder da quietude?

Doce Quietude

A mais doce bênção que Cristo nos traz é o descanso sabático da alma, do qual o sábado da criação foi o tipo. Há, para o coração que cessar de si mesmo, “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”; uma quietude e confiança, que é a fonte de toda a força; uma doce paz, “que nada pode ofender”. Há, no mais profundo centro da alma do crente, uma câmara de paz onde Deus habita, e onde, se tão somente entrarmos e silenciarmos todo o outro som, podemos ouvir a sua “voz mansa”.

Há uns vinte anos, um amigo colocou em minhas mãos um pequeno livro, que se tornou um dos pontos decisivos da minha vida. Chamava-se “Verdadeira Paz”, e era uma antiga mensagem medieval. Tinha um só pensamento, e era este: que Deus estava esperando nas profundezas do meu ser para falar comigo, se eu apenas me aquietasse o bastante para ouvir a sua voz

A Quietude Desafiada

Pensei que isso seria coisa muito fácil, e assim comecei a aquietar-me. Mas mal havia começado, um pandemônio de vozes chegou aos meus ouvidos, mil notas clamorosas de fora e de dentro, até que eu nada podia ouvir senão aquele ruído e estrondo. Algumas delas eram as minhas próprias perguntas, algumas os meus próprios cuidados, e algumas eram as minhas próprias orações. Outras eram as sugestões do tentador e as vozes vindas do tumulto do mundo. Nunca antes pareceu haver tantas coisas a fazer, a dizer, a pensar. Em todas as direções eu era empurrado e puxado, e saudado com aclamações ruidosas e inquietação indizível. Parecia-me necessário escutar algumas delas e responder; mas Deus disse: “Aquietem-se, e saibam que eu sou Deus”.

O Deus da Quietude

Veio então o conflito dos pensamentos para o dia seguinte, com os seus deveres e cuidados. Mas Deus disse: “Aquietem-se”. E, enquanto eu escutava, e lentamente aprendia a obedecer, e fechava os meus ouvidos a todo som, descobri, depois de algum tempo, que quando as outras vozes cessavam, ou eu cessava de ouvi-las e de atendê-las, havia uma voz mansa e delicada nas profundezas do meu ser que começava a falar com inexprimível ternura, poder e consolo. Enquanto eu escutava, ela se tornou para mim a voz da oração, e a voz da sabedoria, e a voz do dever, e eu não precisava pensar com tanto esforço, mas aquela “voz mansa e delicada” do Espírito Santo no meu coração era a oração de Deus na minha alma secreta; era a resposta de Deus a todas as minhas perguntas; era a vida e a força de Deus para a alma e para o corpo, e tornou-se a substância de todo o conhecimento, e de toda a oração, e de toda a bênção; pois era o próprio DEUS vivo como a minha vida e o meu tudo.

Não podemos atravessar a vida fortes e revigorados em trens expressos constantes, com dez minutos para o almoço; mas precisamos ter horas de quietude, lugares secretos do Altíssimo, tempos de espera no Senhor, quando renovamos as nossas forças, e aprendemos a subir com asas como águias, e então voltamos para correr e não nos cansarmos, e para caminhar e não desfalecermos.

O Caminho da Quietude

A melhor coisa a respeito desta quietude é que ela dá a Deus a oportunidade de agir. “Aquele que entrou no seu descanso, ele mesmo também descansou das suas obras, assim como Deus descansou das suas.” Quando cessamos das nossas obras, Deus opera em nós; quando cessamos dos nossos pensamentos, os pensamentos de Deus entram em nós; quando nos aquietamos das nossas atividades inquietas, “é Deus quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar, para o seu bom agrado”, e a nós resta apenas manifestá-lo.

Amados! Tomemos a sua quietude; habitemos no “esconderijo do Altíssimo”; entremos em Deus e no seu eterno descanso; silenciemos os outros sons, e então poderemos ouvir a “voz mansa e delicada”.

Há ainda outra espécie de quietude: a quietude que deixa Deus agir por nós, enquanto nos calamos; a quietude que cessa da contenda, e da autojustificação, e dos expedientes da prudência e da previdência, e deixa que Deus proveja e responda à palavra rude e ao golpe cruel, no seu próprio amor fiel e infalível. Quantas vezes perdemos a intervenção de Deus por tomarmos a nós mesmos a nossa causa e lutarmos em nossa própria defesa.

Não há em toda a Bíblia espetáculo tão sublime quanto o Salvador silencioso, que nada respondia aos homens que o difamavam, e a quem ele poderia ter prostrado a seus pés com um só olhar de poder divino, ou uma só palavra de repreensão ardente. Mas ele os deixou fazer o seu pior, e permaneceu no poder da quietude — o santo Cordeiro de Deus.

Que Deus nos conceda este poder silencioso, esta poderosa entrega de si mesmo, este espírito vencido, que nos fará “mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”. Que a nossa voz e a nossa vida falem como a “voz mansa e delicada” de Horebe, e como o “som de uma quietude suave”. Então, depois que o calor e a contenda da terra tiverem passado, os homens se lembrarão do orvalho da manhã, da luz suave e do sol, da brisa da tarde, do Cordeiro do Calvário, e da suave, santa e celestial Pomba.

Escrituras neste sermão 1 Reis 19:12