Sermão · 17 min de leitura· 1741 · Moderado

O Quase Cristão

Retrato de John Wesley John Wesley

Texto

Atos 26:28

Tradução por IA — aguardando revisão nativa

Em resumo

O sermão de Oxford de Wesley sobre a diferença entre o quase cristão e o cristão por completo — a forma exterior de piedade, sincera à sua maneira, contraposta ao amor de Deus e do próximo e à fé que opera pelo amor.

“Por pouco me persuades a me tornar cristão.”

E MUITOS são os que chegam até este ponto: desde que a religião cristã existe no mundo, tem havido, em toda época e em toda nação, muitos que quase se persuadiram a ser cristãos. Mas, visto que de nada vale diante de Deus ir somente até este ponto, cumpre-nos sobremaneira considerar,

Primeiro. O que está implicado em ser quase,

Segundo. O que está implicado em ser completamente, um cristão.

I. (I.) 1. Ora, no ser quase um cristão está implicada, em primeiro lugar, a honestidade pagã. Ninguém, suponho, porá isto em dúvida; sobretudo porque, por honestidade pagã, não entendo aqui apenas aquela que se recomenda nos escritos de seus filósofos, mas a que os pagãos comuns esperavam uns dos outros, e que muitos deles de fato praticavam. Pelas regras dessa honestidade, eram ensinados a que não deviam ser injustos; a não tomar os bens do próximo, quer por roubo, quer por furto; a não oprimir o pobre, nem usar de extorsão contra ninguém; a não enganar nem passar para trás o pobre ou o rico, em qualquer negócio que com eles tivessem; a não defraudar homem algum de seu direito; e, se possível, a nada dever a ninguém.

2. Outrossim: os pagãos comuns admitiam que se devia algum respeito à verdade, tanto quanto à justiça. E, por conseguinte, tinham em abominação não só aquele que era perjuro, que chamava Deus por testemunha de uma mentira, mas também aquele que era tido por caluniador do próximo, que falsamente acusava a alguém. E, na verdade, em pouco melhor conta tinham os mentirosos deliberados de toda espécie, considerando-os a vergonha do gênero humano e a praga da sociedade.

3. E ainda: havia certa espécie de amor e de auxílio que esperavam uns dos outros. Esperavam todo o auxílio que alguém pudesse prestar a outrem, sem prejuízo próprio. E isto estendiam não apenas àqueles pequenos ofícios de humanidade que se prestam sem despesa nem trabalho, mas também a alimentar o faminto, se tinham alimento de sobra; a vestir o nu com suas próprias roupas supérfluas; e, de modo geral, a dar, a quem quer que necessitasse, aquelas coisas de que eles próprios não necessitavam. Até este ponto, na conta mais baixa que dela se faça, chegava a honestidade pagã; a primeira coisa implicada no ser quase um cristão.

(II.) 4. Uma segunda coisa implicada no ser quase um cristão é ter uma forma de piedade — daquela piedade que é prescrita no evangelho de Cristo — ter a aparência exterior de um verdadeiro cristão. Assim, o quase cristão nada faz do que o evangelho proíbe. Não toma o nome de Deus em vão; bendiz, e não amaldiçoa; absolutamente não jura, mas o seu falar é: sim, sim; não, não. Não profana o dia do Senhor, nem consente que seja profanado, nem mesmo pelo estrangeiro que está dentro de suas portas. Não só evita todo adultério, fornicação e impureza consumados, mas toda palavra ou olhar que, direta ou indiretamente, a isso conduza; e ainda toda palavra ociosa, abstendo-se da detração, da maledicência, da bisbilhotice, da difamação, e de “toda conversa tola e gracejo frívolo” — eutrapelia, uma espécie de virtude na conta do moralista pagão; — em suma, de toda conversação que não seja “boa para a necessária edificação” e que, por conseguinte, “entristece o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”.

5. Abstém-se do “vinho em que há dissolução”; das orgias e da gula. Evita, quanto está ao seu alcance, toda contenda e discórdia, esforçando-se continuamente por viver em paz com todos os homens. E, se sofre alguma injustiça, não se vinga a si mesmo, nem paga o mal com o mal. Não é maldizente, nem provocador, nem escarnecedor, quer das faltas, quer das enfermidades do próximo. Não fere, magoa nem entristece, de propósito, homem algum; mas em todas as coisas age e fala por aquela regra singela: “Tudo o que não quiseres que te façam, não o faças tu a outrem”.

6. E, no praticar o bem, não se limita a ofícios de bondade fáceis e sem custo, mas trabalha e padece pelo proveito de muitos, para que por todos os meios possa salvar alguns. Apesar da fadiga ou da dor, “tudo quanto a sua mão encontra para fazer, ele o faz com todo o seu vigor”; seja pelos amigos, seja pelos inimigos; pelos maus ou pelos bons. Pois, não sendo “preguiçoso” nisto, nem em negócio algum, conforme “tem oportunidade”, faz o “bem”, toda sorte de bem, “a todos os homens”; e às suas almas tanto quanto aos seus corpos. Repreende os ímpios, instrui os ignorantes, firma os vacilantes, aviva os bons e consola os aflitos. Trabalha por despertar os que dormem; por conduzir aqueles a quem Deus já despertou à “fonte aberta para o pecado e para a impureza”, a fim de que nela se lavem e fiquem limpos; e por incitar os que são salvos pela fé a adornarem o evangelho de Cristo em todas as coisas.

7. Aquele que tem a forma de piedade usa também os meios da graça; sim, todos eles, e em todas as ocasiões. Frequenta constantemente a casa de Deus; e isto não à maneira de alguns, que entram na presença do Altíssimo, ou carregados de ouro e de vestes custosas, ou em toda a vã ostentação do traje, e que, quer pelas suas cortesias inoportunas de uns para com os outros, quer pela alegria impertinente de seu comportamento, renunciam a toda pretensão tanto à forma quanto ao poder da piedade. Prouvera a Deus que não houvesse, nem mesmo entre nós, quem incorra na mesma condenação! — os que entram nesta casa, quiçá, olhando de um lado para outro, ou com todos os sinais da mais apática e descuidada indiferença, ainda que às vezes pareçam dirigir a Deus uma oração pedindo a sua bênção sobre aquilo que estão iniciando; os que, durante aquele temível culto, ou estão adormecidos, ou reclinados na postura mais cômoda para isso; ou, como se supusessem que Deus estivesse adormecido, conversam uns com os outros, ou olham em redor, como quem de todo nada tem que fazer. Que nem estes sejam acusados de ter a forma de piedade. Não; aquele que tem ao menos isto porta-se com seriedade e atenção em cada parte daquele solene culto. Mais particularmente, quando se aproxima da mesa do Senhor, não é com um comportamento leviano ou descuidado, mas com um ar, um gesto e um porte que nada mais dizem senão: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!”.

8. A isto, se acrescentarmos o uso constante da oração em família, por parte daqueles que são chefes de família, e o reservar tempos para dirigir-se a Deus em particular, com uma diária seriedade de conduta; aquele que uniformemente pratica esta religião exterior tem a forma de piedade. Apenas uma coisa mais é necessária para que seja quase um cristão, e essa coisa é a sinceridade.

(III.) 9. Por sinceridade entendo um princípio real e interior de religião, do qual procedem estas ações exteriores. E, na verdade, se não temos isto, não temos nem a honestidade pagã; não, nem sequer tanto dela quanto baste para satisfazer a exigência de um poeta pagão epicurista. Até este pobre desgraçado, em seus intervalos de sobriedade, é capaz de testemunhar:

Oderunt peccare boni, virtutis amore;

Oderunt peccare mali, formidine poenae.

[Os homens bons evitam o pecado pelo amor à virtude;

Os homens perversos evitam o pecado pelo temor do castigo.]

De modo que, se um homem se abstém de praticar o mal somente para evitar o castigo, Non pasces in cruce corvos, [Não serás enforcado.], diz o pagão; então, “já tens o teu galardão”. Mas nem mesmo ele admitirá que um homem tão inofensivo como este seja sequer um bom pagão. Se, pois, algum homem, pelo mesmo motivo — a saber, evitar o castigo, evitar a perda de seus amigos, ou de seu lucro, ou de sua reputação — não só se abstiver de praticar o mal, mas também fizer todo o bem que se possa imaginar; sim, e usar todos os meios da graça; ainda assim não poderíamos, com propriedade alguma, dizer que este homem é sequer quase um cristão. Se não tem melhor princípio no coração, não passa de um hipócrita por inteiro.

10. A sinceridade, portanto, está necessariamente implicada no ser quase um cristão; um propósito real de servir a Deus, um desejo sincero de fazer a sua vontade. Está necessariamente implicado que o homem tenha o intento sincero de agradar a Deus em todas as coisas; em toda a sua conversação; em todas as suas ações; em tudo o que faz ou deixa de fazer. Este propósito, se alguém é quase um cristão, percorre todo o teor de sua vida. Este é o princípio motor, tanto no seu praticar o bem, como no seu abster-se do mal e no seu uso das ordenanças de Deus.

11. Mas aqui perguntar-se-á, provavelmente: “Será possível que algum homem vivente chegue tão longe quanto isto e, não obstante, seja somente quase um cristão?” Que mais do que isto pode estar implicado em ser um cristão por completo? Respondo, em primeiro lugar, que é possível ir tão longe e ainda assim ser apenas quase um cristão — o que aprendo não só dos oráculos de Deus, mas também do seguro testemunho da experiência.

12. Irmãos, grande é a “minha ousadia para convosco a este respeito”. E “perdoai-me este agravo”, se proclamo do alto dos telhados a minha própria loucura, por amor de vós e do evangelho. — Permiti-me, pois, falar livremente de mim mesmo, como se falasse de outro homem. Contento-me em ser abatido, para que vós sejais exaltados, e em tornar-me ainda mais vil para a glória do meu Senhor.

13. Assim procedi durante muitos anos, como muitos deste lugar podem testemunhar; empregando diligência em evitar todo o mal e em ter uma consciência sem ofensa; remindo o tempo; aproveitando toda oportunidade de fazer todo o bem a todos os homens; usando constante e cuidadosamente todos os meios de graça, públicos e privados; buscando uma firme seriedade de conduta, em todo tempo e em todo lugar; e — Deus é a minha testemunha, diante de quem estou — fazendo tudo isto com sinceridade; tendo um propósito real de servir a Deus; um desejo sincero de fazer a sua vontade em todas as coisas; de agradar àquele que me chamara a “combater o bom combate” e a “lançar mão da vida eterna”. Contudo, a minha própria consciência me dá testemunho no Espírito Santo de que, durante todo este tempo, eu era apenas quase um cristão.

II. Se se perguntar: “Que mais do que isto está implicado em ser completamente um cristão?”, respondo:

(I.) 1. Primeiro. O amor de Deus. Pois assim diz a sua palavra: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças”. Tal é este amor, que se apossa de todo o coração, que arrebata todos os afetos, que enche toda a capacidade da alma e emprega a mais ampla extensão de todas as suas faculdades. Aquele que assim ama o Senhor seu Deus, o seu espírito continuamente “se alegra em Deus seu Salvador”. O seu deleite está no Senhor, seu Senhor e seu Tudo, a quem “em tudo dá graças. Todo o seu desejo é para com Deus e para com a lembrança do seu nome”. O seu coração clama sem cessar: “A quem tenho eu nos céus senão a ti? E na terra nada mais desejo além de ti”. Deveras, que poderá ele desejar além de Deus? Não o mundo, nem as coisas do mundo; pois está “crucificado para o mundo, e o mundo crucificado para ele”. Está crucificado para “o desejo da carne, o desejo dos olhos e a soberba da vida”. Sim, está morto para a soberba de toda espécie; pois “o amor não se ensoberbece”, mas aquele que, “permanecendo no amor, permanece em Deus, e Deus nele”, é menos que nada aos seus próprios olhos.

(II.) 2. A segunda coisa implicada em ser completamente um cristão é o amor ao nosso próximo. Pois assim disse o nosso Senhor nestas palavras: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Se alguém perguntar: “Quem é o meu próximo?”, respondemos: Todo homem no mundo; todo filho daquele que é o Pai dos espíritos de toda carne. Nem podemos, de modo algum, excetuar os nossos inimigos, ou os inimigos de Deus e de suas próprias almas. Mas todo cristão ama também a estes como a si mesmo, sim, “como Cristo nos amou”. Aquele que quiser compreender mais plenamente que espécie de amor é este, considere a descrição que dele faz São Paulo. Ele é “paciente e benigno”. “Não é invejoso.” Não é temerário nem apressado em julgar. “Não se ensoberbece”, mas faz daquele que ama o menor, o servo de todos. O amor “não se porta com indecência”, mas faz-se “tudo para todos”. “Não busca os seus próprios interesses”, mas somente o bem dos outros, para que sejam salvos. “O amor não se irrita.” Expulsa a ira, e quem a tem carece de amor. “Não suspeita mal. Não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade. Tudo encobre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

(III.) 3. Há ainda mais uma coisa que pode ser considerada à parte, embora, na realidade, não possa estar separada das precedentes, e que está implicada em ser completamente um cristão; e essa é o fundamento de tudo, a saber, a fé. Coisas mui excelentes se dizem dela por todos os oráculos de Deus. “Todo aquele”, diz o discípulo amado, “que crê é nascido de Deus.” “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que creem no seu nome.” E “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé”. Sim, o próprio Senhor declara: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; e não entra em condenação, mas passou da morte para a vida”.

4. Mas aqui ninguém engane a sua própria alma. “Cumpre notar diligentemente que a fé que não produz arrependimento, e amor, e todas as boas obras, não é aquela fé reta e viva, mas uma fé morta e diabólica. Pois até os demônios creem que Cristo nasceu de uma virgem; que operou toda sorte de milagres, declarando-se verdadeiro Deus; que, por amor de nós, sofreu uma morte dolorosíssima, para nos remir da morte eterna; que ressurgiu ao terceiro dia; que subiu ao céu e está assentado à direita do Pai, e que, no fim do mundo, virá outra vez julgar tanto os vivos como os mortos. Nestes artigos da nossa fé os demônios creem, e assim creem em tudo o que está escrito no Antigo e no Novo Testamento. E, contudo, apesar de toda esta fé, não passam de demônios. Permanecem ainda no seu estado condenável, carecendo da verdadeira fé cristã.” [Homilia sobre a Salvação do Homem.]

5. “A justa e verdadeira fé cristã” (para prosseguir com as palavras da nossa própria Igreja) “é não só crer que a Sagrada Escritura e os Artigos da nossa Fé são verdadeiros, mas também ter uma segura certeza e confiança de que, por Cristo, seremos salvos da condenação eterna. É uma segura certeza e confiança que o homem tem em Deus, de que, pelos merecimentos de Cristo, os seus pecados são perdoados, e ele reconciliado com o favor de Deus; do que decorre um coração amoroso, para obedecer aos seus mandamentos.”

6. Ora, todo aquele que tem esta fé, que “purifica o coração” (pelo poder de Deus, que nele habita) da “soberba, da ira, da concupiscência, de toda injustiça”, de “toda imundícia da carne e do espírito”; que o enche de um amor mais forte que a morte, tanto para com Deus como para com toda a humanidade; amor que faz as obras de Deus, gloriando-se em gastar-se e deixar-se gastar por todos os homens, e que suporta com alegria não só o vitupério de Cristo — o ser escarnecido, desprezado e odiado por todos os homens —, mas tudo o que a sabedoria de Deus permite que a malícia dos homens ou dos demônios lhe inflija; — todo aquele que tem esta fé que assim opera pelo amor não é apenas quase, mas completamente, um cristão.

7. Mas quem são as testemunhas vivas destas coisas? Suplico-vos, irmãos, como na presença daquele Deus diante de quem “o inferno e a perdição estão descobertos — quanto mais os corações dos filhos dos homens?” —, que cada um de vós pergunte ao seu próprio coração: “Estou eu nesse número? Pratico eu a justiça, a misericórdia e a verdade tanto quanto até as regras da honestidade pagã o exigem? E, se assim é, tenho eu ao menos a aparência exterior de um cristão? a forma de piedade? Abstenho-me do mal — de tudo quanto é proibido na Palavra escrita de Deus? Faço eu, todo o bem que a minha mão encontra para fazer, com todo o meu vigor? Uso eu seriamente todas as ordenanças de Deus em todas as ocasiões? E tudo isto é feito com o intento e o desejo sinceros de agradar a Deus em todas as coisas?”

8. Não estarão muitos de vós conscientes de que nunca chegastes tão longe; de que não fostes sequer quase um cristão; de que não atingistes o padrão da honestidade pagã; ao menos, não a forma da piedade cristã? — muito menos viu Deus sinceridade em vós, um propósito real de lhe agradar em todas as coisas. Nunca sequer intentastes consagrar todas as vossas palavras e obras, os vossos negócios, estudos e diversões, para a glória dele. Nunca sequer projetastes ou desejastes que tudo quanto fizésseis fosse feito “em nome do Senhor Jesus”, e, como tal, fosse “um sacrifício espiritual, agradável a Deus por Cristo”.

9. Mas, ainda que os tivésseis, acaso bons propósitos e bons desejos fazem um cristão? De modo algum, a menos que sejam levados a bom efeito. “O inferno está calçado”, diz alguém, “de boas intenções.” A grande questão de todas, pois, ainda permanece. Está o amor de Deus derramado no vosso coração? Podeis clamar: “Meu Deus, e meu Tudo”? Nada desejais senão a ele? Sois felizes em Deus? É ele a vossa glória, o vosso deleite, a vossa coroa de exultação? E está este mandamento escrito no vosso coração: “Que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão”? Amais, então, o vosso próximo como a vós mesmos? Amais a todo homem, mesmo os vossos inimigos, mesmo os inimigos de Deus, como à vossa própria alma? como Cristo vos amou? Sim, crês tu que Cristo te amou e a si mesmo se entregou por ti? Tens fé no seu sangue? Crês que o Cordeiro de Deus tirou os teus pecados e os lançou como uma pedra nas profundezas do mar? que apagou a escritura de dívida que era contra ti, tirando-a do meio, cravando-a na sua cruz? Tens, deveras, a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos teus pecados? E dá o seu Espírito testemunho com o teu espírito de que és filho de Deus?

10. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que agora está no meio de nós, sabe que, se algum homem morrer sem esta fé e este amor, melhor lhe fora não haver nascido. Desperta, pois, tu que dormes, e invoca o teu Deus; invoca-o enquanto se pode achar. Não o deixes repousar, até que faça passar diante de ti a sua “bondade”; até que te proclame o nome do Senhor: “O Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e clemente, longânimo e grande em bondade e verdade, que guarda a misericórdia para milhares, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado.” Ninguém te persuada, com palavras vãs, a deter-te aquém deste prêmio da tua vocação celestial. Antes, clama a ele dia e noite — aquele que, “quando ainda éramos sem força, morreu pelos ímpios” —, até que saibas em quem tens crido e possas dizer: “Meu Senhor, e meu Deus!” Lembra-te de “orar sempre e nunca desfalecer”, até que também tu possas levantar a tua mão ao céu e declarar àquele que vive pelos séculos dos séculos: “Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo”.

11. Possamos todos assim experimentar o que é ser, não apenas quase, mas completamente cristãos; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Jesus; sabendo que temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo; alegrando-nos na esperança da glória de Deus; e tendo o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado!

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Domínio público. Texto de origem de a edição original.