Sermão · 32 min de leitura· 1858 · Avançado

Constrangei-os a Entrar

Retrato de Charles H. Spurgeon Charles H. Spurgeon

Texto

Lucas 14:23

Tradução por IA — aguardando revisão nativa

Em resumo

Impaciente demais para uma introdução — a ordem é obrigar a entrar, e Spurgeon pretende obedecê-la no próprio sermão. Ele avança em duas partes: primeiro, encontra o ouvinte, nomeando por sua vez o beberrão, o moralista e o desesperado; depois, pressiona-os com tudo, menos com a força. E termina entregando o desfecho ao seu Mestre.

“Obrigue-os a entrar.” — Lucas 14:23.

SINTO tamanha pressa de sair e obedecer a este mandamento esta manhã, obrigando a entrar aqueles que agora se demoram pelos caminhos e valados, que não posso esperar por uma introdução; devo pôr-me imediatamente à obra.

Ouçam, pois, ó vocês que são estranhos à verdade como ela está em Jesus — ouçam, então, a mensagem que tenho a trazer-lhes. Vocês caíram, caíram em seu pai Adão; caíram também em si mesmos, por seu pecado diário e sua constante iniquidade; provocaram a ira do Altíssimo; e tão certamente como pecaram, também certamente Deus os punirá se persistirem na iniquidade, pois o Senhor é um Deus de justiça, e de modo algum inocentará o culpado. Mas será que não ouviram? Não lhes foi dito há muito aos ouvidos que Deus, em sua infinita misericórdia, concebeu um caminho pelo qual, sem qualquer ofensa à sua honra, ele pode ter misericórdia de vocês, os culpados e indignos? É a vocês que falo; e a minha voz se dirige a vocês, ó filhos dos homens; Jesus Cristo, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, desceu do céu e foi feito à semelhança da carne pecaminosa. Gerado pelo Espírito Santo, nasceu da virgem Maria; viveu neste mundo uma vida de santidade exemplar e do mais profundo sofrimento, até que enfim se entregou para morrer por nossos pecados, “o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus.” E agora o plano da salvação é simplesmente declarado a vocês — “Todo aquele que crê no Senhor Jesus Cristo será salvo.” Para vocês que violaram todos os preceitos de Deus, desprezaram a sua misericórdia e desafiaram a sua vingança, ainda há misericórdia anunciada, pois “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” “Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal;” “aquele que vem a ele, de modo nenhum o lançará fora, pois também pode salvar perfeitamente os que por meio dele se chegam a Deus, visto que vive sempre para interceder por nós.” Ora, tudo o que Deus lhes pede — e isto ele mesmo lhes concede — é que simplesmente olhem para o seu Filho que sangra e morre, e confiem as suas almas nas mãos daquele cujo nome, somente ele, pode salvar da morte e do inferno. Não é coisa admirável que a proclamação deste evangelho não receba o consentimento unânime dos homens? Seria de esperar que, tão logo isto fosse pregado — “Que todo aquele que crê terá a vida eterna” —, cada um de vocês, “lançando fora cada qual os seus pecados e as suas iniquidades”, se apegasse a Jesus Cristo e olhasse unicamente para a sua cruz. Mas, ai! tamanho é o mal desesperado da nossa natureza, tamanha a perniciosa depravação do nosso caráter, que esta mensagem é desprezada, o convite para a festa do evangelho é rejeitado, e há muitos de vocês que são hoje inimigos de Deus por obras más — inimigos do Deus que hoje lhes prega a Cristo, inimigos daquele que enviou o seu Filho para dar a vida em resgate por muitos. Estranho, digo eu, que assim seja; contudo, é o que de fato ocorre, e daí a necessidade do mandamento do texto: “Obrigue-os a entrar.”

Filhos de Deus, vocês que creram, terei pouco ou nada a lhes dizer esta manhã; vou direto à minha tarefa — vou atrás daqueles que não querem vir, os que estão pelas veredas e valados; e, indo Deus comigo, é meu dever agora cumprir este mandamento: “Obrigue-os a entrar.”

Primeiro, devo encontrá-lo; em segundo lugar, porei mãos à obra para obrigá-lo a entrar.

I. Primeiro, devo ENCONTRÁ-LO. Se lerem os versículos que precedem o texto, encontrarão uma ampliação deste mandamento: “Saia depressa pelas ruas e becos da cidade, e traga para cá os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos”; e, depois, “Saia pelos caminhos”, traga os vagabundos, os salteadores, “e pelos valados”, traga aqueles que não têm onde repousar a cabeça e se deitam sob as sebes para descansar — traga-os também, e “obrigue-os a entrar”. Sim, eu os vejo esta manhã, vocês que são pobres. Devo obrigar vocês a entrar. Vocês são pobres em circunstâncias, mas isso não é barreira alguma para o reino dos céus, pois Deus não excluiu da sua graça o homem que treme em farrapos e está sem pão. Aliás, se alguma distinção se faz, ela é a favor de vocês, e para o seu bem — “A vocês foi enviada a palavra desta salvação”; “aos pobres é anunciado o evangelho.” Mas devo falar especialmente a vocês que são pobres, espiritualmente. Vocês não têm fé, não têm virtude, não têm nenhuma boa obra, não têm graça e, pobreza ainda pior, não têm esperança. Ah, o meu Mestre enviou a vocês um gracioso convite. Venham, sejam bem-vindos à festa de casamento do seu amor. “Quem quiser, venha e receba de graça da água da vida.” Venham; devo lançar mão de vocês, ainda que estejam manchados da mais imunda sujeira, ainda que nada tenham senão trapos sobre as costas, ainda que a sua própria justiça se tenha tornado como panos imundos — mesmo assim devo lançar mão de vocês, convidá-los primeiro, e até obrigá-los a entrar.

E agora os vejo novamente. Vocês não são apenas pobres, mas são também aleijados. Houve um tempo em que vocês pensavam poder realizar a própria salvação sem a ajuda de Deus, em que podiam praticar boas obras, cumprir cerimônias e chegar ao céu por si mesmos; mas agora estão aleijados: a espada da lei cortou-lhes as mãos, e já não podem trabalhar; vocês dizem, com amarga tristeza —

“A melhor realização das minhas mãos

Não ousa comparecer diante do teu trono.”

Perderam agora todo o poder de obedecer à lei; sentem que, quando querem fazer o bem, o mal está presente em vocês. Estão aleijados; abandonaram, como esperança perdida, toda tentativa de salvar-se a si mesmos, porque estão aleijados e já não têm braços. Mas estão em situação ainda pior, pois, se não podiam abrir caminho para o céu pelo trabalho, ainda assim poderiam ali caminhar pela estrada da fé; mas estão aleijados tanto dos pés como das mãos; sentem que não podem crer, que não podem se arrepender, que não podem obedecer às condições do evangelho. Sentem-se totalmente arruinados, impotentes em tudo para fazer qualquer coisa que agrade a Deus. De fato, vocês estão clamando —

“Ah, se eu ao menos pudesse crer,

Então tudo seria fácil;

Eu quereria, mas não posso; Senhor, socorre-me,

Pois de ti há de vir o meu auxílio.”

Também a vocês fui enviado. Diante de vocês é que devo erguer o estandarte manchado de sangue da cruz; a vocês devo pregar este evangelho: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”; e a vocês devo clamar: “Quem quiser, venha e receba de graça da água da vida.”

Há ainda outra classe. Vocês estão claudicantes. Vocês claudicam entre duas opiniões. Às vezes estão seriamente inclinados; noutras, a frivolidade do mundo os arrasta para longe. O pouco progresso que fazem na religião não passa de um manquejar. Têm um pouco de força, mas tão pouca que só avançam com muito custo. Ah, irmão que claudica, também a você é enviada a palavra desta salvação. Embora vacile entre duas opiniões, o Mestre me envia a você com esta mensagem: “Até quando ficareis claudicando entre duas opiniões? Se o Senhor é Deus, segui-o; mas, se é Baal, segui a ele.” Considere os seus caminhos; ponha a sua casa em ordem, porque você morrerá e não viverá. Por isso mesmo, prepara-te para te encontrares com o teu Deus, ó Israel! Não claudique mais, mas decida-se por Deus e pela sua verdade.

E ainda vejo outra classe — os cegos. Sim, vocês que não conseguem ver a si mesmos, que se julgam bons quando estão cheios de mal, que chamam o amargo de doce e o doce de amargo, as trevas de luz e a luz de trevas; a vocês fui enviado. Vocês, almas cegas que não veem o seu estado perdido, que não creem que o pecado seja tão extremamente pecaminoso como de fato é, e que não se deixam persuadir de que Deus é um Deus justo e reto — a vocês fui enviado. Também a vocês que não conseguem ver o Salvador, que não veem nele beleza alguma que os faça desejá-lo; que não veem excelência na virtude, nem glória na religião, nem felicidade em servir a Deus, nem deleite em ser seus filhos — a vocês, igualmente, fui enviado. Sim, a quem não sou enviado, se tomo o meu texto? Pois ele vai além disto: não só apresenta uma descrição específica, para que cada caso particular seja alcançado, mas depois faz uma varredura geral e diz: “Saia pelos caminhos e valados.” Aqui incluímos homens de toda classe e condição — o senhor sobre o seu cavalo na estrada, a mulher atarefada em seus afazeres, o ladrão à espreita do viajante — todos estes estão na estrada, e todos devem ser obrigados a entrar; e lá longe, junto às sebes, jazem algumas pobres almas cujos refúgios de mentiras foram varridos, e que buscam, e não encontram, algum pequeno abrigo para a cabeça cansada — também a vocês somos enviados esta manhã. Este é o mandamento universal: obrigue-os a entrar.

Agora, tendo descrito o caráter de cada um, faço uma pausa para contemplar o trabalho hercúleo que tenho diante de mim. Bem disse Melâncton: “O velho Adão era forte demais para o jovem Melâncton.” Tanto poderia uma criancinha tentar dominar um Sansão como eu procuro conduzir um pecador à cruz de Cristo. E, ainda assim, o meu Mestre me manda a essa missão. Eis que vejo diante de mim a grande montanha da depravação humana e da estólida indiferença; mas, pela fé, exclamo: “Quem és tu, ó grande montanha? Diante de Zorobabel te tornarás uma planície.” Diz o meu Mestre: obrigue-os a entrar? Então, ainda que o pecador seja como Sansão e eu uma criança, hei de conduzi-lo por um fio. Se Deus diz que se faça, se eu o empreendo pela fé, há de ser feito; e se, com o coração gemente, em luta e em pranto, eu procuro assim hoje obrigar os pecadores a virem a Cristo, as doces compulsões do Espírito Santo acompanharão cada palavra, e alguns, de fato, serão obrigados a entrar.

II. E agora à obra — diretamente à obra. Homens e mulheres não convertidos, não reconciliados, não regenerados, devo OBRIGÁ-LOS A ENTRAR. Permitam-me, antes de tudo, abordá-los nos caminhos do pecado e dizer-lhes mais uma vez a minha missão. O Rei do céu envia-lhes esta manhã um gracioso convite. Ele diz: “Vivo eu, diz o Senhor, não tenho prazer na morte do que morre, mas antes em que ele se converta a mim e viva”; “Vinde, pois, e arrazoemos juntos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, tornar-se-ão como a lã; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, ficarão mais brancos que a neve.” Caro irmão, alegra-me o coração pensar que tenho tão boas novas para lhes contar; e, no entanto, confesso que a minha alma está pesada, porque vejo que vocês não as consideram boas novas, mas se desviam delas e não lhes dão o devido apreço. Permitam-me contar-lhes o que o Rei fez por vocês. Ele conhecia a culpa de vocês, previu que se arruinariam a si mesmos. Sabia que a sua justiça exigiria o sangue de vocês; e, para que essa dificuldade fosse superada, para que a sua justiça recebesse o que lhe é plenamente devido e vocês ainda pudessem ser salvos, Jesus Cristo morreu. Fixem por um momento este quadro. Veem ali aquele homem de joelhos no jardim do Getsêmani, suando gotas de sangue. Vejam agora este outro: veem aquele sofredor miserável amarrado a uma coluna e açoitado com terríveis flagelos, até que os ossos dos ombros aparecem como ilhas brancas em meio a um mar de sangue. Vejam ainda este terceiro quadro: é o mesmo homem pendurado na cruz, com as mãos estendidas e os pés bem cravados, morrendo, gemendo, sangrando; pareceu-me que o quadro falava e dizia: “Está consumado.” Ora, tudo isto fez Jesus Cristo de Nazaré para que Deus, em coerência com a sua justiça, pudesse perdoar o pecado; e a mensagem para vocês esta manhã é esta: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo.” Isto é, confia nele, renuncia às tuas obras e aos teus caminhos, e põe o teu coração somente neste homem, que se entregou pelos pecadores.

Pois bem, irmão, já lhe entreguei a mensagem; que dizes a ela? Você se afasta? Diz-me que ela nada significa para você; que não pode ouvi-la; que me ouvirá mais tarde; mas hoje seguirá o seu caminho e cuidará da sua lavoura e do seu comércio. Detenha-se, irmão! Não me mandaram apenas dizer-lhe e depois ir tratar dos meus assuntos. Não; foi-me mandado obrigá-lo a entrar; e permita-me observar-lhe, antes de prosseguir, que há uma coisa que posso afirmar — e Deus me é testemunha esta manhã — que estou deveras empenhado no meu desejo de que você atenda a este mandamento de Deus. Você pode desprezar a sua própria salvação, mas eu não a desprezo; você pode ir embora e esquecer o que ouvir, mas há de lembrar-se de que as coisas que agora digo me custaram muitos gemidos antes que eu viesse aqui proferi-las. É o mais íntimo da minha alma que fala a você, meu pobre irmão, quando lhe suplico, por aquele que vive e esteve morto, e vive para todo o sempre, que considere a mensagem do meu Senhor, que ele me manda agora dirigir-lhe.

Mas você a rejeita com desdém? Ainda a recusa? Então devo mudar de tom por um instante. Não me limitarei a lhe transmitir a mensagem e a convidá-lo, como faço, com toda a seriedade e sincero afeto — irei mais longe. Pecador, em nome de Deus eu lhe ordeno que se arrependa e creia. Você me pergunta de onde vem a minha autoridade? Sou um embaixador do céu. Minhas credenciais, algumas secretas, guardadas no meu próprio coração; outras, patentes diante de vocês neste dia, nos selos do meu ministério — sentados e de pé neste salão, onde Deus me tem dado muitas almas por recompensa. Visto que Deus, o Eterno, me confiou a incumbência de pregar o seu evangelho, eu lhe ordeno que creia no Senhor Jesus Cristo; não pela minha própria autoridade, mas pela autoridade daquele que disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”; e que a isto acrescentou esta solene sanção: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” Rejeite a minha mensagem, e lembre-se: “Aquele que rejeitava a lei de Moisés morria sem misericórdia, com base no depoimento de duas ou três testemunhas; de quanto mais severo castigo julgais vós ser merecedor aquele que pisou aos pés o Filho de Deus?” Um embaixador não deve colocar-se abaixo daquele com quem trata, pois estamos em posição mais alta. Se o ministro decide assumir a sua devida posição, cingido da onipotência de Deus e ungido com a sua santa unção, cabe-lhe ordenar aos homens e falar com toda a autoridade, obrigando-os a entrar: “ordena, exorta, repreende, com toda a longanimidade.”

Mas você se afasta e diz que não aceita ordens? Então mudarei de novo o meu tom. Se isso não adianta, todos os outros meios serão tentados. Meu irmão, venho a você com fala simples, e eu o exorto a fugir para Cristo. Ó meu irmão, você sabe quão amoroso é esse Cristo? Deixe-me contar-lhe, do fundo da minha alma, o que sei dele. Eu também outrora o desprezei. Ele bateu à porta do meu coração e eu me recusei a abri-la. Veio a mim inúmeras vezes, manhã após manhã, noite após noite; tocou-me na consciência e falou-me pelo seu Espírito; e quando, por fim, os trovões da lei prevaleceram na minha consciência, julguei que Cristo era cruel e insensível. Ah, jamais poderei perdoar-me por ter pensado tão mal dele. Mas que acolhida cheia de amor recebi quando fui a ele! Pensei que me fosse ferir, mas a sua mão não estava cerrada em ira, e sim aberta de par em par em misericórdia. Tinha por certo que os seus olhos lançariam sobre mim relâmpagos de furor; em vez disso, porém, estavam cheios de lágrimas. Ele lançou-se ao meu pescoço e me beijou; tirou de mim os meus farrapos, revestiu-me da sua justiça e fez a minha alma cantar bem alto de alegria; enquanto na casa do meu coração e na casa da sua igreja havia música e dança, porque o seu filho, que estava perdido, foi achado, e o que estava morto reviveu. Exorto-o, pois, a olhar para Jesus Cristo e a ser iluminado. Pecador, você jamais se arrependerá — eu me faço fiador do meu Mestre de que você jamais se arrependerá disso — não haverá em você suspiro algum de querer voltar ao seu estado de condenação; você sairá do Egito, entrará na terra prometida e a encontrará a manar leite e mel. Pesadas você achará as provações da vida cristã, mas descobrirá que a graça as tornará leves. E, quanto às alegrias e delícias de ser filho de Deus, se eu hoje minto, você me acusará disso nos dias vindouros. Se provar e ver que o Senhor é bom, não temo dizer que você o achará não apenas bom, mas melhor do que lábios humanos jamais poderão descrever.

Não sei que argumentos empregar com você. Apelo ao seu próprio interesse. Ó meu pobre amigo, não seria melhor para você reconciliar-se com o Deus do céu do que ser seu inimigo? Que ganha você opondo-se a Deus? É mais feliz por ser inimigo dele? Responda, você que busca o prazer: encontrou delícias nessa taça? Responda-me, homem que confia na própria justiça: encontrou, em todas as suas obras, onde pousar a planta do pé? Ó você que anda a tentar estabelecer a sua própria justiça, ordeno-lhe: deixe a consciência falar. Achou que fosse um caminho feliz? Ah, meu amigo: “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me com atenção, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleitará com finos manjares.” Exorto-o, por tudo o que é sagrado e solene, por tudo o que é importante e eterno: fujam para salvar a vida, não olhem para trás, não parem em toda esta planície, não parem enquanto não experimentarem e não tiverem parte no sangue de Jesus Cristo, aquele sangue que nos purifica de todo pecado. Ainda está frio e indiferente? Não me deixará o cego conduzi-lo ao banquete? Não porá o meu irmão aleijado a mão sobre o meu ombro, permitindo que eu o ajude a chegar à festa? Não me deixará o pobre caminhar lado a lado com ele? Terei de usar palavras mais fortes? Terei de usar alguma outra compulsão para obrigá-lo a entrar? Pecadores, de uma coisa estou resolvido esta manhã: se não forem salvos, ficarão sem desculpa. Vocês, desde os de cabelos grisalhos até a tenra idade da infância, se hoje não se apegarem a Cristo, o sangue de vocês cairá sobre a própria cabeça. Se há no homem poder para trazer o seu semelhante (como há, quando o homem é ajudado pelo Espírito Santo), esse poder será exercido esta manhã, com a ajuda de Deus. Venha! Não me deixarei deter por suas recusas; se a minha exortação falhar, hei de recorrer a outra coisa. Meu irmão, eu lhe suplico, suplico-lhe, detenha-se e reflita. Sabe o que está rejeitando esta manhã? Está rejeitando a Cristo, o seu único Salvador. “Ninguém pode pôr outro fundamento”; “não há debaixo do céu nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos.” Meu irmão, não suporto que você faça isso, pois me lembro daquilo que você esquece: vem chegando o dia em que você desejará ter um Salvador. Não tardará que se acabem meses penosos e a sua força comece a declinar; o seu pulso lhe faltará, o seu vigor se irá, e você e o sombrio monstro — a morte — terão de encarar-se face a face. Que fará você nas cheias do Jordão sem um Salvador? Leitos de morte são coisas duras sem o Senhor Jesus Cristo. É terrível morrer, seja como for; quem tem a melhor esperança e a fé mais triunfante descobre que a morte não é coisa de que se ria. É pavoroso passar do visível ao invisível, do mortal ao imortal, do tempo à eternidade; e você achará difícil atravessar os portões de ferro da morte sem as doces asas dos anjos que o conduzam aos umbrais dos céus. Será duro morrer sem Cristo. Não consigo deixar de pensar em você. Vejo-o cometendo suicídio esta manhã, e imagino-me de pé junto à sua cama, ouvindo os seus clamores e sabendo que você está morrendo sem esperança. Isso eu não suporto. Já me vejo agora junto ao seu caixão, olhando para o seu rosto frio como o barro, e dizendo: “Este homem desprezou a Cristo e negligenciou a grande salvação.” Penso em que lágrimas amargas hei de chorar então, se pensar que fui infiel a você; e como aqueles olhos, cerrados para sempre na morte, parecerão repreender-me e dizer: “Pastor, eu frequentei o salão de concertos, mas você não foi sincero comigo; você me divertiu, você me pregou, mas não pleiteou comigo. Você não sabia o que Paulo quis dizer quando afirmou: ‘Como se Deus por nós vos exortasse, nós vos rogamos, em nome de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.’”

Suplico-lhe que deixe esta mensagem entrar no seu coração por outra razão ainda. Imagino-me de pé diante do tribunal de Deus. Tão certo como vive o Senhor, o dia do juízo está chegando. Você crê nisso? Você não é um incrédulo; a sua consciência não lhe permitiria duvidar das Escrituras. Talvez você tenha fingido duvidar, mas não consegue. Você sente que há de haver um dia em que Deus julgará o mundo com justiça. Vejo você de pé no meio daquela multidão, e o olhar de Deus está fixo em você. Parece-lhe que ele não olha para nenhum outro lugar, mas somente para você; e ele o chama à sua presença, lê os seus pecados e exclama: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno do inferno!” Meu ouvinte, não suporto imaginá-lo naquela situação; parece que cada fio de cabelo da minha cabeça se arrepia ao pensar que um só dos meus ouvintes seja condenado. Você se imaginará naquela situação? A palavra foi proferida: “Apartai-vos de mim, malditos.” Você vê o abismo escancarar-se para tragá-lo? Você ouve os gritos e os uivos dos que o precederam naquele eterno lago de tormento? Em vez de descrever a cena, dirijo-me a você com as palavras do profeta inspirado e digo: “Quem dentre nós habitará com o fogo devorador? Quem dentre nós habitará com as labaredas eternas?” Ó meu irmão, não posso deixar que você repila assim a religião; não, penso no que vem depois da morte. Eu seria destituído de toda humanidade se visse alguém prestes a envenenar-se e não lhe arrancasse a taça das mãos; ou se visse outro prestes a lançar-se da Ponte de Londres e não o impedisse; e seria pior que um demônio se não lhe suplicasse agora, com todo amor, bondade e fervor, que “se apegue à vida eterna”, que “trabalhe, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna.”

Algum hipercalvinista me diria que erro ao proceder assim. Não posso evitá-lo. Tenho de fazê-lo. Visto que hei de comparecer, enfim, diante do meu Juiz, sinto que não desempenharei plenamente o meu ministério se não suplicar, com muitas lágrimas, que sejam salvos, que olhem para Jesus Cristo e recebam a sua gloriosa salvação. Mas será que isso não adianta? Serão todas as nossas súplicas perdidas com você? Você faz ouvidos moucos? Então mudo mais uma vez o meu tom. Pecador, tenho pleiteado com você como um homem pleiteia com o seu amigo; e, se fosse pela minha própria vida, não poderia falar esta manhã com mais fervor do que falo a respeito da sua. Eu senti fervor pela minha própria alma, mas nem um pouco mais do que sinto esta manhã pelas almas da minha congregação; e por isso, se vocês afastarem estas súplicas, tenho ainda outra coisa: — devo ameaçar você. Nem sempre você terá advertências como estas. Vem chegando um dia em que se calará a voz de todo pregador do evangelho, ao menos para você; pois o seu ouvido estará frio na morte. Já não haverá ameaça alguma; haverá o cumprimento da ameaça. Não haverá promessa, nem proclamações de perdão e de misericórdia; nem sangue que fale de paz; mas você estará na terra onde o sábado é de todo tragado por noites eternas de miséria, e onde as pregações do evangelho são proibidas porque de nada valeriam. Ordeno-lhe, pois: escute esta voz que agora se dirige à sua consciência; pois, do contrário, Deus lhe falará na sua ira e lhe dirá no ardor do seu desagrado: “Chamei, e vós recusastes; estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção; também eu me rirei na vossa calamidade; zombarei quando vier o vosso pavor.” Pecador, ameaço-o outra vez. Lembre-se: é bem curto o tempo em que talvez você possa ouvir estas advertências. Você imagina que a sua vida será longa, mas sabe quão curta ela é? Já tentou pensar em quão frágil você é? Você já viu um corpo depois de dissecado pelo anatomista? Já viu maravilha tão grande como o corpo humano?

“Estranho é que uma harpa de mil cordas

Se conserve afinada por tanto tempo.”

Basta que uma dessas cordas se retorça, basta que um bocado de comida desça pelo caminho errado, e você pode morrer. O menor acaso, como o chamamos, pode lançá-lo veloz à morte, quando Deus o quiser. Homens fortes foram mortos pelo mais ínfimo e leve acidente, e o mesmo pode acontecer com você. Na capela, na casa de Deus, homens caíram mortos. Quantas vezes ouvimos falar de homens que tombam nas nossas ruas — rolando do tempo para a eternidade por algum golpe repentino. E tem você certeza de que esse seu coração está bem sadio? Circula o sangue com toda a precisão? Tem plena certeza disso? E, mesmo que assim seja, por quanto tempo? Ah, talvez haja aqui alguns que nunca verão o dia de Natal; pode ser que a ordem já tenha saído: “Põe a tua casa em ordem, porque morrerás e não viverás.” De toda esta vasta congregação, eu poderia dizer com exatidão quantos estarão mortos dentro de um ano; certo é, porém, que todos nós nunca mais tornaremos a nos reunir numa só assembleia. Alguns desta imensa multidão, talvez uns dois ou três, partirão antes que o ano-novo seja anunciado. Lembro-lhe, pois, meu irmão, que ou a porta da salvação pode fechar-se, ou você pode estar longe do lugar onde se ergue a porta da misericórdia. Venha, então; deixe que a ameaça tenha força sobre você. Não ameaço por querer alarmar sem motivo, mas na esperança de que a ameaça de um irmão o impila ao lugar onde Deus preparou a festa do evangelho. E agora, devo eu me afastar sem esperança? Terei esgotado tudo o que posso dizer? Não, virei a você outra vez. Diga-me, meu irmão, o que é que o mantém afastado de Cristo. Ouço um dizer: “Ah, senhor, é porque me sinto culpado demais.” Isso não pode ser, meu amigo, isso não pode ser. “Mas, senhor, eu sou o principal dos pecadores.” Amigo, você não é. O principal dos pecadores morreu e foi para o céu há muitos anos; chamava-se Saulo de Tarso, mais tarde chamado Paulo, o apóstolo. Ele era o principal dos pecadores, e sei que falava a verdade. “Não”, você ainda insiste, “eu sou vil demais.” Você não pode ser mais vil do que o principal dos pecadores. Você deve ser, no mínimo, o segundo pior. Mesmo supondo que seja o pior dos vivos, você é o segundo pior, pois ele foi o principal. Mas suponha que você seja o pior: não é essa a própria razão pela qual deveria vir a Cristo? Quanto pior está um homem, mais razão tem de ir ao hospital ou ao médico. Quanto mais pobre você é, mais razão tem de aceitar a caridade de outro. Ora, Cristo não quer mérito algum seu. Ele dá de graça. Quanto pior você é, mais bem-vindo é. Mas deixe-me fazer-lhe uma pergunta: você acha que algum dia ficará melhor mantendo-se longe de Cristo? Se acha, ainda sabe muito pouco a respeito do caminho da salvação. Não, senhor; quanto mais você demora, pior ficará; a sua esperança se enfraquecerá, o seu desespero se fortalecerá; o prego com que Satanás o pregou ao chão será cravado com mais firmeza, e você ficará mais sem esperança do que nunca. Venha, eu lhe suplico; recorde que nada se ganha com a demora, mas que pela demora tudo se pode perder. “Mas”, exclama outro, “sinto que não consigo crer.” Não, meu amigo, e você nunca crerá se olhar primeiro para o seu crer. Lembre-se: não vim convidá-lo à fé, mas vim convidá-lo a Cristo. Mas você diz: “Qual é a diferença?” Ora, apenas esta: se você começa dizendo ‘quero crer em algo’, nunca o faz. A sua primeira indagação, porém, deve ser: ‘Que coisa é esta em que devo crer?’ Então a fé virá como consequência dessa busca. O nosso primeiro assunto não tem a ver com a fé, mas com Cristo. Venha, eu lhe suplico, ao monte do Calvário, e veja a cruz. Contemple o Filho de Deus, aquele que fez os céus e a terra, morrendo pelos seus pecados. Olhe para ele: não há nele poder para salvar? Olhe para o seu rosto tão cheio de compaixão. Não há amor no seu coração que o mostre disposto a salvar? Sim, pecador, a visão de Cristo o ajudará a crer. Não creia primeiro, para depois ir a Cristo, ou então a sua fé será coisa sem valor; vá a Cristo sem fé alguma, e lance-se sobre ele, afunde ou nade. Mas ouço outro clamar: “Ah, senhor, o senhor não sabe quantas vezes fui convidado, há quanto tempo tenho rejeitado o Senhor.” Não sei, nem quero saber; tudo o que sei é que o meu Mestre me enviou para obrigá-lo a entrar; portanto, venha agora mesmo. Você pode ter rejeitado mil convites; não faça deste o milésimo primeiro. Você tem ido à casa de Deus, e só tem ficado endurecido pelo evangelho. Mas não vejo uma lágrima no seu olho? Venha, meu irmão, não se endureça com o sermão desta manhã. Ó Espírito do Deus vivo, vem e derrete este coração, que nunca foi derretido, e obriga-o a entrar! Não posso deixá-lo prosseguir com desculpas tão vãs como essa; se você viveu tantos anos desprezando a Cristo, há outras tantas razões pelas quais agora não deveria desprezá-lo. Mas terei ouvido você sussurrar que este não era um momento oportuno? Então, que devo dizer-lhe? Quando chegará esse momento oportuno? Chegará quando você estiver no inferno? Será oportuno aquele momento? Chegará quando você estiver no leito de morte, com o estertor na garganta — chegará então? Ou quando o suor ardente lhe abrasar a fronte; e, depois, quando ali estiver o suor frio e viscoso, serão esses momentos oportunos? Quando as dores o dilacerarem e você estiver à beira do túmulo? Não, senhor: esta manhã é o momento oportuno. Que Deus assim o faça. Lembre-se de que não tenho autoridade para pedir-lhe que venha a Cristo amanhã. O Mestre não lhe deu convite algum para vir a ele na próxima terça-feira. O convite é: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação”, pois o Espírito diz “hoje”. “Vinde agora e arrazoemos juntos”; por que adiá-lo? Talvez seja a última advertência que você jamais receberá. Adie-o, e você pode nunca mais chorar numa capela. Pode nunca mais ter um discurso tão fervoroso dirigido a você. Pode nunca mais ser suplicado como eu lhe suplicaria agora. Você pode ir embora, e Deus pode dizer: “Ele está entregue aos ídolos; deixa-o.” Ele lançará as rédeas sobre o seu pescoço; e então, note bem: o seu rumo é certo, mas é certa condenação e rápida destruição.

E agora, mais uma vez: será tudo em vão? Não virá você agora a Cristo? Então, que mais posso fazer? Resta-me apenas um último recurso, e ele será tentado. É-me permitido chorar por você; é-me consentido orar por você. Você desprezará o apelo, se quiser; rirá do pregador; chamá-lo-á de fanático, se assim o desejar; ele não o repreenderá, não apresentará acusação alguma contra você diante do grande Juiz. A sua ofensa, no que a ele toca, está perdoada antes mesmo de cometida; mas você há de lembrar que a mensagem que rejeita esta manhã é a mensagem de alguém que o ama, e que ela lhe é entregue também pelos lábios de alguém que o ama. Você recordará que pode jogar fora a sua alma com o diabo, que pode, com indiferença, julgar isso coisa sem importância; mas há ao menos um que está deveras empenhado pela sua alma, um que, antes de vir para cá, lutou com o seu Deus por forças para pregar a você, e que, quando tiver partido deste lugar, não esquecerá os seus ouvintes desta manhã. Digo outra vez: quando nos faltam palavras, podemos dar lágrimas — pois palavras e lágrimas são as armas com que os ministros do evangelho obrigam os homens a entrar. Você não sabe, e suponho que não poderia crer, quão preocupado se sente pela sua congregação, e especialmente por alguns dela, o homem que Deus chamou ao ministério. Ouvi ainda outro dia falar de um jovem que aqui esteve por muito tempo, e a esperança de seu pai era que ele fosse levado a Cristo. Ele, porém, travou amizade com um incrédulo; e agora descuida do seu trabalho e vive num curso diário de pecado. Vi o pobre rosto abatido de seu pai; não lhe pedi que me contasse ele mesmo a história, pois senti que seria remexer numa dor e abrir uma ferida; receio, às vezes, que os cabelos grisalhos daquele bom homem sejam levados com tristeza à sepultura. Jovens, vocês não oram por si mesmos, mas as suas mães lutam por vocês. Vocês não pensam nas próprias almas, mas a angústia de seus pais se exerce por vocês. Tenho estado em reuniões de oração em que ouvi os filhos de Deus orarem, e não poderiam ter orado com mais fervor e mais intensa angústia se cada um deles estivesse buscando a salvação da própria alma. E não é estranho que estejamos prontos a mover céus e terra pela salvação de vocês, e que, ainda assim, vocês não tenham pensamento algum por si mesmos, nem consideração alguma pelas coisas eternas?

Agora, volto-me por um momento para alguns dos presentes. Há aqui alguns de vocês que são membros de igrejas cristãs, que fazem profissão de religião, mas — a menos que eu esteja enganado a seu respeito, e ficarei feliz se estiver — a sua profissão é uma mentira. Vocês não vivem à altura dela, vocês a desonram; são capazes de viver na prática constante de se ausentarem da casa de Deus, quando não em pecados piores que esse. Ora, pergunto a vocês que não adornam a doutrina de Deus, seu Salvador: imaginam que podem chamar-me de seu pastor e, ainda assim, que a minha alma não pode tremer por vocês e chorar por vocês em segredo? Repito: talvez pouco lhes importe como maculam as vestes do seu cristianismo, mas isso muito importa aos ocultos de Deus, que suspiram, clamam e gemem pelas iniquidades dos que professam em Sião.

Restará então ao ministro algo mais além do choro e da oração? Sim, resta ainda uma coisa. Deus deu aos seus servos, não o poder de regenerar, mas algo semelhante a isso. É impossível a qualquer homem regenerar o seu próximo; e, contudo, como nascem os homens para Deus? Não diz o apóstolo, de certo homem, que o gerou nas suas prisões? Ora, o ministro tem um poder que Deus lhe deu, para ser tido tanto por pai como por mãe daqueles que nascem para Deus, pois o apóstolo disse que sofria dores de parto pelas almas, até que Cristo fosse formado nelas. Que podemos fazer, então? Podemos agora apelar ao Espírito. Sei que preguei o evangelho, e que o preguei com fervor; desafio o meu Mestre a honrar a sua própria promessa. Ele disse que ela não voltará para mim vazia, e não voltará. Está nas mãos dele, não nas minhas. Eu não posso obrigá-lo, mas tu, ó Espírito de Deus, que tens a chave do coração, tu podes obrigar. Você já reparou que, naquele capítulo do Apocalipse onde se diz “Eis que estou à porta e bato”, alguns versículos antes a mesma pessoa é descrita como aquele que tem a chave de Davi? De modo que, se o bater não bastar, ele tem a chave e pode entrar, e entrará. Ora, se o bater de um ministro fervoroso não prevalecer com você esta manhã, resta ainda aquela secreta abertura do coração pelo Espírito, de modo que você será obrigado a entrar.

Julguei ser meu dever trabalhar com você como se eu mesmo tivesse de fazê-lo; agora ponho tudo nas mãos do meu Mestre. Não pode ser da sua vontade que passemos por dores de parto e, ainda assim, não geremos filhos espirituais. Isso cabe a ele; ele é o senhor do coração, e o dia há de revelar que alguns de vocês, constrangidos pela graça soberana, se tornaram cativos voluntários do Jesus que a tudo vence, e lhe renderam o coração por meio do sermão desta manhã.

[O Sr. Spurgeon concluiu com uma anedota muito interessante, mas, como a sua inclusão tornaria o sermão longo demais para uma edição de um pêni, os editores decidiram imprimi-la como um dos “New Park Street Tracts”.]

Escrituras neste sermão Lucas 14:23

Domínio público. Texto de origem de a edição original.