Sermão · 32 min de leitura· 1855 · Moderado

A Primeira Oração de Paulo

Retrato de Charles H. Spurgeon Charles H. Spurgeon

Texto

Atos 9:11

Tradução por IA — aguardando revisão nativa

“Porque eis que ele está orando”—Atos 9:11.

DEUS tem muitos e variados métodos de apagar a perseguição. Ele não permitirá que a sua igreja seja ferida pelos seus inimigos, nem esmagada e vencida pelos seus adversários; e nunca lhe faltam meios para desviar o caminho dos ímpios, ou mesmo para virá-lo inteiramente de cabeça para baixo. De dois modos costuma ele alcançar o seu fim: às vezes pela confusão do perseguidor, e outras vezes de maneira mais bem-aventurada, pela sua conversão. Às vezes, ele confunde e desconcerta os seus inimigos; faz endoidecer o adivinho; deixa que o homem que se levanta contra ele seja inteiramente destruído, permite que ele avance para a sua própria ruína, e então, por fim, volta-se em triunfante escárnio contra o homem que esperava dizer aha! aha! à igreja de Deus. Mas em outras ocasiões, como neste caso, ele converte o perseguidor. Assim, transforma o inimigo em amigo; faz do homem que era um guerreiro contra o evangelho um soldado a favor dele. Das trevas ele faz brotar a luz; do que come ele tira o mel; sim, de corações de pedra ele levanta filhos a Abraão. Assim foi com Saulo. Um fanático mais furioso é impossível conceber. Ele fora salpicado com o sangue de Estêvão, quando o apedrejaram até a morte; tão zeloso e diligente era ele na sua crueldade, que os homens que o apedrejavam deixaram as suas vestes aos cuidados de um jovem chamado Saulo. Vivendo em Jerusalém, na escola de Gamaliel, entrava constantemente em contato com os discípulos do Homem de Nazaré; ria-se deles, injuriava-os quando passavam pela rua; obtinha decretos contra eles e os entregava à morte; e agora, como ponto culminante, este lobisomem, tendo provado o sangue, torna-se sobremaneira enfurecido, resolve ir a Damasco, para saciar-se com o sangue de homens e mulheres; para prender os cristãos e trazê-los a Jerusalém, ali para sofrerem o que ele considerava justo castigo pela sua heresia e pelo abandono da sua antiga religião. Mas oh, quão maravilhoso foi o poder de Deus! Jesus detém este homem na sua louca carreira; justamente quando, de lança em riste, ele se arremessava contra Cristo. Cristo o encontrou, derrubou-o do cavalo, lançou-o por terra e o interrogou: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Então, graciosamente, removeu-lhe o coração rebelde — deu-lhe um coração novo e um espírito reto — mudou-lhe o alvo e o propósito — conduziu-o a Damasco — deixou-o prostrado por três dias e três noites — falou-lhe — fez soar murmúrios místicos pelos seus ouvidos — pôs-lhe em fogo toda a alma; e quando por fim ele se ergueu daquele transe de três dias e começou a orar, foi então que Jesus desceu do céu, veio numa visão a Ananias e disse: “Levanta-te, e vai à rua que se chama Direita, e pergunta na casa de Judas por um chamado Saulo, de Tarso; porque, eis que ele está orando.”

Primeiro, o nosso texto foi um anúncio; “Eis que ele está orando.” Em segundo lugar, foi um argumento; “Porque, eis que ele está orando.” Depois, para concluir, procuraremos fazer uma aplicação do nosso texto aos vossos corações. Ainda que a aplicação seja obra de Deus somente, confiamos em que ele se agradará de fazer essa aplicação enquanto a palavra é pregada nesta manhã.

I. Primeiro, aqui havia UM ANÚNCIO; “Ide à casa de Saulo de Tarso; porque eis que ele está orando.” Sem preâmbulo algum, permiti que eu diga que este foi o anúncio de um fato que foi notado no céu; que foi motivo de alegria para os anjos; que foi motivo de espanto para Ananias; e que foi uma novidade para o próprio Saulo.

Foi o anúncio de um fato que foi notado no céu. O pobre Saulo fora levado a clamar por misericórdia, e no instante em que começou a orar, Deus começou a ouvir. Não notais, ao ler o capítulo, quanta atenção Deus dispensou a Saulo? Ele sabia a rua onde ele morava: “Vai à rua que se chama Direita.” Sabia a casa onde ele residia: “pergunta na casa de Judas.” Sabia o seu nome: era Saulo. Sabia o lugar de onde ele vinha: “Pergunta por Saulo de Tarso.” E sabia que ele havia orado. “Eis que ele está orando.” Oh! É um fato glorioso que as orações são notadas no céu. O pobre pecador de coração quebrantado, subindo com dificuldade ao seu quarto, dobra ali os joelhos, mas só consegue proferir o seu lamento na linguagem entrecortada dos suspiros e das lágrimas. Eis! Aquele gemido fez vibrar de música todas as harpas do céu; aquela lágrima foi recolhida por Deus e posta no lacrimatório do céu, para ali ser perpetuamente guardada. O suplicante, a quem o temor impede as palavras, será perfeitamente compreendido pelo Altíssimo. Talvez ele derrame apenas uma apressada lágrima; mas “a oração é o cair de uma lágrima.” As lágrimas são os diamantes do céu; os suspiros são parte da música do trono de Jeová; pois, ainda que as orações sejam

“A mais singela forma de fala

Que lábios de criança podem tentar;”

assim são também os

“Mais sublimes acordes que alcançam A Majestade nas alturas.”

Permiti que eu me detenha um momento neste pensamento. As orações são notadas no céu. Oh! Sei bem qual é o caso de muitos de vós. Pensais: “Se eu me voltar para Deus, se eu o buscar, por certo sou um ser tão insignificante, tão culpado e vil, que não se pode imaginar que ele viesse a dar-me atenção alguma.” Meus amigos, não acalenteis ideias tão pagãs. O nosso Deus não é um deus que se assenta num perpétuo sonho; nem se envolve em trevas tão espessas que não possa ver; não é como Baal, que não ouve. É verdade que talvez não repare nas batalhas; não se importa com a pompa e o aparato dos reis; não presta ouvidos ao fragor da música marcial; não considera o triunfo e o orgulho do homem; mas onde quer que haja um coração transbordante de tristeza, onde quer que haja um olho banhado de lágrimas, onde quer que haja um lábio a tremer de angústia, onde quer que haja um gemido profundo ou um suspiro penitente, o ouvido de Jeová está bem aberto; ele o registra no arquivo da sua memória; ele guarda as nossas orações, como pétalas de rosa, entre as páginas do seu livro de recordações, e quando por fim o volume for aberto, dali há de subir uma preciosa fragrância. Oh! Pobre pecador, do caráter mais negro e mais vil, as tuas orações são ouvidas, e ainda agora Deus disse de ti: “Eis que ele está orando.” Onde foi — num celeiro? Onde foi — no gabinete? Foi junto ao teu leito nesta manhã, ou nesta sala? Estás agora erguendo os olhos ao céu? Fala, pobre coração; ouvi eu ainda há pouco os teus lábios murmurarem: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador?” Digo-te, pecador, há uma coisa que ultrapassa o telégrafo. Sabeis que hoje podemos enviar uma mensagem e receber resposta em poucos momentos; mas leio na Bíblia de algo mais veloz que o fluido elétrico. “Antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei.” Assim, pois, pobre pecador, tu és notado; sim, tu és ouvido por aquele que está assentado no trono.

De novo; este foi o anúncio de um fato que causou alegria no céu. O nosso texto é prefaciado com “Eis”, pois, sem dúvida, o próprio Salvador o contemplou com alegria. Uma só vez lemos de um sorriso pousado no semblante de Jesus, quando, erguendo os olhos ao céu, ele exclamou: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos; sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” O pastor das nossas almas alegra-se com a visão das suas ovelhas seguramente recolhidas; triunfa em espírito quando traz de volta um desgarrado. Imagino que, quando ele proferiu estas palavras a Ananias, um dos sorrisos do Paraíso deve ter brilhado nos seus olhos. “Eis”, ganhei o coração do meu inimigo, salvei o meu perseguidor, e neste momento ele dobra o joelho ante o meu escabelo, “eis que ele está orando.” O próprio Jesus entoou o cântico, regozijando-se com cânticos sobre o novo convertido. Jesus Cristo alegrou-se, e regozijou-se mais por aquela ovelha perdida do que pelas noventa e nove que não se desgarraram. E os anjos também se regozijaram. Ora, quando um dos eleitos de Deus nasce, os anjos põem-se ao redor do seu berço. Ele cresce, e corre para o pecado: os anjos o seguem, acompanhando-o por todo o seu caminho; contemplam com tristeza os seus muitos desvios; a formosa Peri deixa cair uma lágrima sempre que aquele ente amado peca. Dali a pouco, o homem é trazido para debaixo do som do evangelho. O anjo diz: “Eis que ele começa a ouvir.” Ele espera um pouco, a palavra penetra-lhe o coração, uma lágrima lhe corre pela face, e por fim ele clama do mais íntimo da sua alma: “Ó Deus, tem misericórdia de mim!” Vede! O anjo bate as asas, sobe voando ao céu e diz: “Irmãos anjos, ouvi-me: ‘Eis que ele está orando.’” Então põem a repicar os sinos do céu; celebram um júbilo na glória; de novo bradam com vozes alegres, pois em verdade vos digo: “há alegria no céu entre os anjos de Deus por um pecador que se arrepende.” Eles nos observam até que oremos, e quando oramos, dizem: “Eis que ele está orando.”

Além disso, meus caros amigos, pode haver no céu outros espíritos que se regozijam, além dos anjos. Refiro-me aos nossos amigos que nos precederam. Não tenho muitos parentes no céu, mas tenho uma a quem amo ternamente, a qual, não duvido, muitas vezes orou por mim, pois cuidou de mim quando eu era criança e me criou durante parte da minha infância, e agora ela se assenta diante do trono na glória — arrebatada de súbito. Imagino que ela olhou para o seu querido neto, e, ao vê-lo nos caminhos do pecado, do vício e da loucura, não pôde olhar com tristeza, pois não há lágrimas nos olhos dos glorificados; não pôde olhar com pesar, porque eles não podem conhecer tal sentimento diante do trono de Deus; mas ah! naquele momento em que, pela graça soberana, fui constrangido a orar, quando, a sós, dobrei os joelhos e lutei, quer-me parecer que a vejo dizendo: “Eis que ele está orando; eis que ele está orando.” Oh! posso imaginar o seu semblante. Por um instante ela pareceu ter dois céus, uma dupla bem-aventurança, um céu em mim tanto quanto em si mesma — quando pôde dizer: “Eis que ele está orando.” Ah! jovem, ali está a tua mãe a caminhar pelas ruas de ouro. Ela te contempla neste momento. Ela cuidou de ti; no seu seio te reclinaste quando ainda eras criança, e ela te consagrou a Jesus Cristo. Do céu, ela te tem observado com aquela intensa solicitude que é compatível com a felicidade; nesta manhã ela te contempla. Que dizes, jovem? Diz-te Cristo pelo seu Espírito, no teu coração: “Vem a mim?” Deixas cair a lágrima do arrependimento? Quer-me parecer que vejo a tua mãe a clamar: “Eis que ele está orando.” Mais uma vez ela se inclina diante do trono de Deus e diz: “Graças te dou, ó tu, sempre gracioso, que aquele que foi meu filho na terra, tornou-se agora teu filho na luz.”

Mas, se há no céu alguém que se regozija mais que outro pela conversão de um pecador, é um ministro, um dos verdadeiros ministros de Deus. Ó meus ouvintes, pouco imaginais quanto os verdadeiros ministros de Deus amam as vossas almas. Talvez penseis que é trabalho fácil estar aqui de pé e pregar-vos. Deus sabe que, se fosse só isso, seria trabalho fácil; mas quando pensamos que, ao falar-vos, a vossa salvação ou a vossa perdição, em certa medida, depende do que dizemos — quando refletimos que, se formos atalaias infiéis, Deus pedirá o vosso sangue das nossas mãos — ó, bom Deus! Quando reflito em que preguei a milhares durante a minha vida, a muitos milhares, e talvez tenha dito muitas coisas que não deveria ter dito, isso me sobressalta, faz-me estremecer e tremer diante da responsabilidade. Lutero dizia que podia enfrentar os seus inimigos, mas não conseguia subir os degraus do seu púlpito sem que os joelhos lhe batessem um contra o outro. Pregar não é brincadeira de criança; não é coisa que se faça sem labor e ansiedade; é obra solene; é obra tremenda, se a considerardes na sua relação com a eternidade. Ah! Como o ministro de Deus ora por vós! Se pudésseis ter escutado sob o beiral da janela do seu quarto, tê-lo-íeis ouvido gemer todas as noites de domingo por causa dos seus sermões, porque não havia falado com maior efeito; tê-lo-íeis ouvido a rogar a Deus: “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?” Ah, quando ele vos observar do seu repouso no céu — quando vos vir orando, como baterá as mãos e dirá: “Eis o filho que me deste! Eis que ele ora.” Estou certo de que, quando vemos alguém trazido ao conhecimento do Senhor, sentimo-nos muito como quem salvou um semelhante de afogar-se. Há um pobre homem na enchente; vai afundando, submerge, há de afogar-se; mas eu me lanço, agarro-o com firmeza, ergo-o para a margem e o deito no chão; vem o médico; olha para ele, põe-lhe a mão em cima e diz: “Receio que esteja morto.” Aplicamos todos os meios que estão ao nosso alcance, e fazemos tudo quanto podemos para restaurar-lhe a vida. Sinto que fui o libertador daquele homem, e oh, como me inclino e ponho o ouvido junto à sua boca! Por fim, exclamo: “Ele respira! Ele respira!” Que prazer há nesse pensamento! Ele respira; ainda há vida. Assim, quando achamos um homem orando, bradamos — ele respira; não está morto, está vivo; pois enquanto um homem ora, não está morto em ofensas e pecados, mas foi trazido à vida, foi vivificado pelo poder do Espírito. “Eis que ele está orando.” Esta foi notícia jubilosa no céu, além de ser notada por Deus.

Depois, em seguida, este foi um acontecimento sumamente espantoso para os homens. Ananias ergueu ambas as mãos, tomado de assombro. “Ó meu Senhor, eu teria pensado que qualquer um oraria, menos aquele homem! Será possível?” Não sei como é com os outros ministros, mas às vezes olho para tais e tais pessoas na congregação e digo: “Bem, são muito promissores; creio que os ganharei. Confio em que há uma obra em andamento, e espero em breve ouvi-los contar o que o Senhor fez pelas suas almas.” Em breve, talvez, nada mais vejo deles, e os perco de vista por completo; mas, em lugar disso, o meu bom Mestre me envia um de quem eu não tinha esperança alguma — um proscrito, um beberrão, um réprobo, para louvor da glória da sua graça. Então ergo as mãos de assombro, pensando: “De qualquer um eu teria pensado, menos de ti.” Lembro-me de uma circunstância que ocorreu há pouco tempo. Havia um pobre homem de uns sessenta anos de idade; fora um rude marinheiro, tido como um dos piores homens de toda a aldeia; tinha por costume beber, e parecia deliciar-se justamente quando praguejava e blasfemava. Entrou, contudo, na capela, certo dia de sábado, quando alguém muito aparentado comigo pregava do texto acerca de Jesus a chorar sobre Jerusalém. E o pobre homem pensou: “Como! terá Jesus Cristo alguma vez chorado sobre um miserável como eu?” Julgava-se mau demais para que Cristo se importasse com ele. Por fim aproximou-se do ministro e disse: “Senhor, sessenta anos naveguei sob o estandarte do diabo; é tempo de eu ter um novo dono; quero afundar o velho navio e submergi-lo de vez! então terei um novo, e navegarei sob as cores do Príncipe Emanuel.” Desde aquele momento, aquele homem tem sido pessoa de oração, andando diante de Deus em toda a sinceridade. Contudo, era o último homem em quem se poderia ter pensado. De algum modo, Deus escolhe os últimos homens; não faz caso do diamante, mas apanha os seixos, pois é poderoso para, “de pedras, levantar filhos a Abraão.” Deus é mais sábio que o químico: não somente refina o ouro, mas transmuta o metal vil em joias preciosas; toma os mais imundos e os mais vis, e os molda em seres gloriosos, faz deles santos, ao passo que eram pecadores, e os santifica, ao passo que eram impuros.

A conversão de Saulo foi coisa estranha; mas, amados, foi mais estranha do que o fato de eu e vós termos chegado a ser cristãos? Deixai-me perguntar-vos: se alguém vos tivesse dito, poucos anos atrás, que pertenceríeis a uma igreja e seríeis contados entre os filhos de Deus, que teríeis respondido? “Que disparate e tolice! Não sou desses metodistas hipócritas; não vou ter religião nenhuma; gosto de pensar e fazer o que bem me apraz.” Não dissemos assim, eu e vós? E como, afinal, viemos parar aqui? Quando olhamos para a mudança que se operou em nós, parece um sonho. Deus deixou muitos, nas nossas famílias, que eram melhores do que nós, e por que nos escolheu a nós? Oh! não é coisa estranha? Não poderíamos erguer as mãos de assombro, como Ananias fez, e dizer: “Eis, eis, eis: é um milagre na terra, uma maravilha no céu?”

A última coisa que tenho a dizer aqui é esta — este fato foi uma novidade para o próprio Saulo. “Eis que ele está orando.” Que há de novo nisso? Saulo costumava subir ao templo duas vezes ao dia, à hora da oração. Se pudésseis tê-lo acompanhado, tê-lo-íeis ouvido falar formosamente, em palavras como estas: “Senhor, graças te dou porque não sou como os demais homens; não sou extorquidor, nem publicano; jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo;” e assim por diante. Oh! Poderíeis tê-lo encontrado a derramar uma bela oração diante do trono de Deus. E, no entanto, está escrito: “Eis que ele está orando.” Como! Nunca havia ele orado antes? Não, nunca. Tudo quanto fizera antes de nada valeu; não era oração. Ouvi falar de um velho senhor que, quando criança, fora ensinado a orar: “Rogo a Deus que abençoe meu pai e minha mãe”, e continuou orando a mesma coisa por setenta anos, quando os seus pais ambos já eram mortos. Depois disso, aprouve a Deus, na sua infinita misericórdia, tocar-lhe o coração, e foi levado a ver que, não obstante a sua constância às fórmulas, não havia orado coisa alguma; muitas vezes recitava as suas orações, mas nunca orava. Assim foi com Saulo. Havia proferido as suas grandiloquentes orações, mas todas de nada valiam. Havia orado as suas longas orações por pretensão; tudo fora um fracasso. Agora vem uma verdadeira súplica, e está dito: “Eis que ele está orando.” Vedes aquele homem a tentar obter audiência do seu Criador? Como se põe de pé! Fala latim e versos brancos diante do trono do Todo-Poderoso; mas Deus permanece em serena indiferença, sem prestar atenção alguma. Então o homem tenta um estilo diferente; arranja um livro, e dobrando de novo o joelho, ora numa deliciosa fórmula a melhor oração antiga que jamais se pôde compor; mas o Altíssimo desdenha os seus vazios formalismos. Por fim, a pobre criatura lança fora o livro, esquece os seus versos brancos e diz: “Ó Senhor, ouve, por amor de Cristo.” “Ouvi-o”, diz Deus, “eu o ouvi.” Ali está a misericórdia que buscaste. Uma oração sincera vale mais que dez mil fórmulas. Uma oração vinda da alma vale mais que uma miríade de frias leituras. Quanto às orações que brotam apenas da boca e da cabeça, Deus as abomina; ele ama as que vêm do fundo do coração. Talvez eu fosse atrevido se dissesse que há centenas aqui nesta manhã que nunca oraram uma só vez na vida. Há alguns de vós que nunca oraram. Ali está um jovem que, ao despedir-se dos pais, lhes disse que sempre cumpriria a sua fórmula de oração toda manhã e toda noite. Mas envergonhou-se, e a abandonou. Pois bem, jovem, que farás quando chegares a morrer? Terás “a senha às portas da morte”? “Entrarás no céu pela oração”? Não, não entrarás; serás lançado para longe da sua presença, e serás rejeitado.

II. Em segundo lugar, temos aqui UM ARGUMENTO. “Porque, eis que ele está orando.” Foi um argumento, em primeiro lugar, a favor da segurança de Ananias. O pobre Ananias temia ir a Saulo; parecia-lhe que era muito como entrar numa cova de leões. “Se eu for à sua casa”, pensava ele, “no instante em que me vir, me levará logo a Jerusalém, pois sou um dos discípulos de Cristo; não ouso ir.” Deus diz: “Eis que ele está orando.” “Ora”, diz Ananias, “isso me basta. Se ele é homem de oração, não me fará mal; se é homem de verdadeira devoção, estou seguro.” Ficai certos de que sempre podeis confiar num homem de oração. Não sei como é, mas até os homens ímpios sempre prestam reverência a um cristão sincero. Um patrão gosta, afinal, de ter um servo que ora; ainda que ele mesmo não faça caso da religião, gosta de ter um servo piedoso, e confia nele mais que em qualquer outro. É verdade que há alguns dos vossos pretensos homens de oração que não têm neles a mínima oração. Mas sempre que encontrardes um homem que realmente ora, confiai-lhe ouro incontável; pois, se ele realmente ora, não precisais temê-lo. Aquele que se comunica com Deus em segredo, pode ser confiado em público. Sempre me sinto seguro com um homem que é visitante do propiciatório. Ouvi certa anedota de dois cavalheiros que viajavam juntos, algures na Suíça. Dali a pouco chegaram ao meio das florestas; e sabeis as histórias sombrias que o povo conta acerca das hospedarias de lá, quão perigoso é pernoitar nelas. Um deles, um incrédulo, disse ao outro, que era cristão: “Não gosto nada de parar aqui; é deveras muito perigoso.” “Ora”, disse o outro, “experimentemos.” Entraram, pois, numa casa; mas parecia tão suspeita que nenhum dos dois gostou dela; e pensaram que prefeririam estar em casa, na Inglaterra. Dali a pouco, o hospedeiro disse: “Cavalheiros, sempre leio e oro com a minha família antes de recolher-me; permitis que o faça esta noite?” “Sim”, disseram eles, “com o maior prazer.” Quando subiram, o incrédulo disse: “Já não tenho medo algum.” “Por quê?” perguntou o cristão. “Porque o nosso anfitrião orou.” “Oh!”, disse o outro, “então parece que, afinal, dás algum valor à religião; porque um homem ora, podes dormir na casa dele.” E foi maravilhoso como ambos dormiram. Doces sonhos tiveram, pois sentiam que, onde a casa fora coberta pela oração e murada pela devoção, não se poderia achar homem vivo que lhes fizesse dano. Este, pois, foi um argumento para Ananias, de que podia ir com segurança à casa de Saulo.

Mas mais que isto. Aqui havia um argumento a favor da sinceridade de Paulo. A oração feita em secreto é uma das melhores e mais seguras provas da religião sincera. Se Jesus houvesse dito a Ananias: “Eis que ele prega”, Ananias teria dito: “isso ele pode fazer, e ainda assim ser um enganador.” Se houvesse dito: “Ele foi a uma reunião da igreja”, Ananias teria dito: “Ele pode entrar ali como lobo em pele de cordeiro.” Mas quando ele disse: “Eis que ele ora”, isso foi argumento bastante. Vem um jovem e me conta o que sentiu e o que tem feito. Por fim eu digo: “ajoelha-te e ora.” “Preferiria muito não fazê-lo.” “Não importa, hás de orar.” Cai de joelhos, mal tem uma palavra a dizer; começa a gemer e a chorar, e ali permanece de joelhos até que por fim balbucia: “Senhor, tem misericórdia de mim, pecador; sou o maior dos pecadores; tem misericórdia de mim!” Então fico um pouco mais satisfeito, e digo: “Não me importei com toda a tua conversa, queria as tuas orações.” Mas oh! se eu pudesse segui-lo até a sua casa; se pudesse vê-lo ir orar a sós, então me sentiria certo; pois aquele que ora em particular é um verdadeiro cristão. A mera leitura de um livro de devoção diária não te provará filho de Deus; se oras em particular, então tens uma religião sincera; um pouco de religião, se sincera, vale mais que montanhas de aparência. A piedade do lar é a melhor piedade. Ou o orar te fará abandonar o pecado, ou o pecar te fará abandonar a oração. A oração no coração prova a realidade da conversão. Um homem pode ser sincero, mas sinceramente errado. Paulo estava sinceramente certo. “Eis que ele está orando” foi o melhor argumento de que a sua religião era verdadeira. Se alguém me pedisse um resumo da religião cristã, eu diria que está naquela única palavra — “oração.” Se me perguntassem: “Que abrange toda a experiência cristã?” eu responderia: “oração.” Um homem há de ter sido convencido do pecado antes de poder orar; há de ter tido alguma esperança de que havia misericórdia para ele antes de poder orar. De fato, todas as virtudes cristãs estão encerradas naquela palavra, oração. Dizei-me tão somente que sois homens de oração, e eu responderei prontamente: “Senhor, não tenho dúvida alguma da realidade, tanto quanto da sinceridade, da vossa religião.”

Mas um pensamento mais, e deixarei este assunto. Foi uma prova da eleição deste homem, pois lemos logo em seguida: “Eis que ele é um vaso escolhido.” Muitas vezes encontro pessoas que se atormentam sem necessidade com a doutrina da eleição. De quando em quando recebo uma carta de um ou de outro, censurando-me por pregar a eleição. Toda a resposta que posso dar é: “Ali está, na Bíblia; ide perguntar ao meu Mestre por que a pôs ali. Não posso evitá-lo. Sou apenas um servo, e vos transmito a mensagem do alto. Se eu fosse um lacaio, não alteraria à porta a mensagem do meu senhor. Sucede que sou um embaixador do céu, e não ouso alterar a mensagem que recebi. Se está errada, mandai queixa ao quartel-general. Ali está, e não posso alterá-la.” Isto de explicação me seja permitido dizer. Alguns dizem: “Como posso descobrir se sou dos eleitos de Deus? Receio não ser dos eleitos de Deus.” Oras tu? Se de ti se pode dizer: “Eis que ele está orando”, também se pode dizer: “Eis que ele é um vaso escolhido.” Tens fé? Se tens, és eleito. Estas são as marcas da eleição. Se não tens nenhuma delas, não tens fundamento para concluir que pertences ao povo peculiar de Deus. Tens desejo de crer? Tens ânsia de amar a Cristo? Tens a milionésima parte de um desejo de vir a Cristo? E é um desejo prático? Leva-te ele a oferecer fervorosa e lacrimosa súplica? Se sim, nunca temas a não eleição; pois todo aquele que ora com sinceridade foi ordenado por Deus antes da fundação do mundo, para que fosse santo e irrepreensível diante de Cristo em amor.

III. Agora a APLICAÇÃO. Uma palavra ou duas convosco, meus caros amigos, antes que eu vos despeça nesta manhã. Lamento não poder entrar melhor no assunto; mas o meu glorioso Mestre exige de cada um de nós segundo o que temos, e não segundo o que não temos. Estou profundamente consciente de que falho em incutir a verdade tão solenemente quanto deveria; contudo, “a minha obra está com Deus, e o meu juízo com o meu Deus”, e o último dia há de revelar que o meu erro esteve no discernimento, mas não na sincera afeição pelas almas.

Primeiro, permiti que me dirija aos filhos de Deus. Não vedes, meus caros irmãos, que a melhor marca de sermos filhos de Deus se encontra na nossa devoção? “Eis que ele está orando.” Pois bem, não se segue então, como consequência natural, que quanto mais formos achados em oração, tanto mais brilhantes serão as nossas provas? Talvez tenhais perdido a vossa prova nesta manhã; não sabeis se sois ou não filhos de Deus; eu vos direi onde perdestes a vossa confiança — perdeste-la no teu gabinete. Falo do que tenho sentido. Muitas vezes me afastei de Deus — nunca, bem o sei, a ponto de cair definitivamente, mas muitas vezes perdi aquele doce sabor do seu amor de que outrora desfrutava. Tive de clamar:

“Aquelas horas de paz que outrora tive,

Quão doce ainda a sua lembrança!

Mas deixaram um vazio dolorido,

Que o mundo jamais preencherá.”

Subi à casa de Deus para pregar, sem fogo nem energia alguma; li a Bíblia, e sobre ela não havia luz alguma; procurei ter comunhão com Deus, mas tudo foi um fracasso. Direi onde isso começou? Começou no meu gabinete. Eu havia deixado, em certa medida, de orar. Aqui estou de pé, e confesso as minhas faltas; reconheço que, sempre que me aparto de Deus, é ali que isso começa. Ó cristãos, quereis ser felizes? Sede constantes na oração. Quereis ser vitoriosos? Sede constantes na oração.

“Refreando a oração, cessamos de lutar,

A oração faz reluzir a armadura do cristão.”

A Sra. Berry costumava dizer: “Nem por mil mundos me deixaria arrancar do meu gabinete.” O Sr. Jay dizia: “Se os doze apóstolos vivessem perto de vós, e tivésseis acesso a eles, se esse convívio vos afastasse do gabinete, eles seriam um verdadeiro dano às vossas almas.” A oração é o navio que traz a casa a mais rica carga. É o solo que produz a mais abundante colheita. Irmão, quando te levantas de manhã, os teus negócios te apertam de tal modo que, com uma palavra ou duas às pressas, desces ao mundo, e à noite, esgotado e cansado, dás a Deus as sobras do dia. A consequência é que não tens comunhão alguma com ele. A razão por que não temos hoje mais verdadeira religião é que não temos mais oração. Senhores, não faço bom juízo das igrejas dos dias de hoje que não oram. Vou de capela em capela por toda esta grande metrópole e vejo congregações bastante boas e numerosas; mas vou às suas reuniões de oração numa noite qualquer de semana, e vejo apenas uma dúzia de pessoas. Poderá Deus abençoar-nos, poderá derramar sobre nós o seu Espírito, enquanto tais coisas existem? Poderia, mas não seria segundo a ordem das suas dispensações, pois ele diz: “Quando Sião está de parto, dá à luz filhos.” Ide às vossas igrejas e capelas com este pensamento: que precisais de mais oração. Muitos de vós nada tendes que fazer aqui nesta manhã. Deveríeis estar nos vossos próprios lugares de culto. Não quero furtar o povo de outras capelas; há bastantes para ouvir-me sem eles. Mas, ainda que tenhais pecado nesta manhã, ouvi, enquanto aqui estais, o mais proveitosamente possível. Ide para casa e dizei ao vosso ministro: “Senhor, precisamos de mais oração.” Instai o povo a orar mais. Fazei uma reunião de oração, ainda que a tenhais só para vós; e se vos perguntarem quantos estavam presentes, podeis dizer: “Quatro.” “Quatro! Como assim?” “Ora, estava eu, e Deus Pai, Deus Filho, e Deus Espírito Santo; e tivemos juntos uma rica e verdadeira comunhão.” Precisamos de um derramamento de verdadeira devoção, ou então, que será de muitas das nossas igrejas? Ó! Queira Deus despertar-nos a todos, e incitar-nos a orar, pois quando oramos, seremos vitoriosos. Gostaria de tomar-vos nesta manhã, como Sansão fez às raposas, atar-vos os archotes da oração e enviar-vos por entre as searas de trigo, até que consumísseis tudo com fogo. Gostaria de provocar um grande incêndio com as minhas próprias palavras, e pôr em fogo todas as igrejas, até que tudo fumegasse e subisse como um sacrifício diante do trono de Deus. Se orais, tendes prova de que sois cristãos; quanto menos orais, menos razão tendes para crer no vosso cristianismo; e se de todo negligenciastes a oração, então cessastes de respirar, e podeis recear que jamais tenhais respirado.

E agora, a minha última palavra é para os ímpios. Ó senhores! bem quisera estar em qualquer outro lugar, menos aqui; pois, se é obra solene dirigir-me aos piedosos, quanto mais quando venho tratar convosco. Tememos, por um lado, de vos falar de tal modo que vos leve a confiar na vossa própria força; enquanto, por outro lado, estremecemos de vos embalar no sono da preguiça e da falsa segurança. Creio que a maioria de nós sente certa dificuldade quanto à maneira mais adequada de pregar-vos — não que duvidemos de que o evangelho deva ser pregado — mas o nosso desejo é fazê-lo de tal modo que ganhemos as vossas almas. Sinto-me como uma atalaia que, ao guardar uma cidade, é vencida pelo sono; com quanto empenho se esforça por despertar, enquanto a debilidade quer subjugá-la. A lembrança da sua responsabilidade a reanima. Não lhe falta a vontade, mas o poder; e assim espero que todos os atalaias do Senhor estejam ansiosos por ser fiéis, e, ao mesmo tempo, conheçam a sua imperfeição. Em verdade, o ministro de Cristo sentir-se-á como o velho guarda do farol de Eddystone; a vida se lhe esvaía depressa, mas, reunindo todas as forças, arrastou-se mais uma vez ao redor para acender as luzes antes de morrer. Oh, queira o Espírito Santo capacitar-nos a manter aceso o fogo do farol, para vos advertir dos rochedos, dos baixios e das areias movediças que vos cercam, e possamos sempre guiar-vos a Jesus, e não ao livre-arbítrio ou ao mérito da criatura. Se os meus amigos soubessem com quanta ansiedade tenho buscado a direção divina no importante assunto de pregar aos pecadores, não sentiriam o que alguns deles sentem, quando imaginam que me dirijo a eles de modo errado. Quero fazer o que Deus me ordena, e se ele me manda falar aos ossos secos para que vivam, hei de fazê-lo, ainda que isso não agrade a outros; do contrário, seria condenado na minha própria consciência, e condenado por Deus. Agora, com toda a solenidade que o homem pode reunir, permiti que eu diga que uma alma sem oração é uma alma sem Cristo. Como vive o Senhor, vós que nunca orastes estais sem Deus, sem esperança, e alheios à comunidade de Israel. Vós que nunca sabeis o que é um gemido, ou uma lágrima que cai, sois destituídos da piedade vital. Deixai-me perguntar-vos, senhores, se alguma vez pensastes em que estado terrível vos achais? Estais longe de Deus, e por isso Deus está irado convosco; pois “Deus se ira contra o ímpio todos os dias.” Ó pecador! Ergue os olhos e contempla o semblante franzido de Deus, pois ele está irado contigo. E rogo-vos, pelo amor que tendes a vós mesmos, que por um momento apenas contempleis o que será de vós, se, vivendo como viveis, ao fim vierdes a morrer sem oração. Não penseis que uma só oração no vosso leito de morte vos salvará. A oração do leito de morte é geralmente uma farsa do leito de morte, e não vale nada; é uma moeda que não tine no céu, mas foi cunhada pela hipocrisia, e feita de metal vil. Tomai cuidado, senhores. Deixai-me perguntar-vos: se nunca orastes, que fareis? Bom fora para vós que a morte fosse um sono eterno; mas não é. Se vos achardes no inferno, oh, os tormentos e as dores! Mas não hei de dilacerar os vossos sentimentos tentando descrevê-los. Queira Deus conceder que jamais sintais os tormentos dos perdidos. Imaginai tão somente aquele pobre desgraçado nas chamas que diz: “Ó, por uma só gota de água, para refrescar a minha língua ressequida!” Vede como a língua lhe pende de entre os lábios em chagas! Como lhe escoria e queima o céu da boca, como se fosse um tição. Vede-o a clamar por uma gota de água. Não hei de pintar a cena. Baste-me concluir dizendo que o inferno dos infernos será para ti, pobre pecador, este único e terrível pensamento: o de que há de ser para sempre. Erguerás os olhos ali ao trono de Deus, e estará escrito “para sempre!” Quando os condenados sacudirem os ferros ardentes dos seus tormentos, dirão “para sempre!” Quando uivarem, o eco bradará “para sempre!”

“‘Para sempre’ está escrito nos seus potros de tortura,

‘Para sempre’ nas suas cadeias;

‘Para sempre’ arde no fogo,

‘Para sempre’ para sempre reina.

Pensamento lúgubre! “Se eu ao menos pudesse sair, então seria feliz. Se houvesse esperança de libertação, então poderia ter paz; mas estou aqui para sempre!” Senhores, se quiserdes escapar dos tormentos eternos, se quiserdes ser achados entre o número dos bem-aventurados, o caminho para o céu só se pode achar pela oração — pela oração a Jesus, pela oração pelo Espírito, pela súplica no seu propiciatório. “Convertei-vos, convertei-vos, por que morrereis, ó casa de Israel? Vivo eu, diz o Senhor, não tenho prazer na morte do que morre, mas antes em que se converta a mim e viva.” “O Senhor é misericordioso e cheio de compaixão.” Vamos a ele e digamos: “Ele sarará as nossas apostasias, amar-nos-á livremente e nos perdoará graciosamente, por amor do nome do seu Filho.” Oh! se eu apenas ganhar uma só alma hoje, voltarei para casa contente. Se eu apenas ganhar vinte, então me regozijarei. Quantas mais eu tiver, tantas mais coroas usarei. Usarei! Não, hei de tomá-las todas de uma vez, e lançá-las aos pés de Jesus, e dizer: “Não a nós, mas ao teu nome seja toda a glória, para sempre.”

“A oração foi designada a levar

As bênçãos que Deus quer conceder;

Enquanto viverem, orem os cristãos,

Pois só enquanto oram, vivem eles.

“E ainda jazerás em silêncio,

Quando Cristo espera a tua oração?

Ó minha alma, tens um amigo nas alturas,

Levanta-te, e prova ali o teu interesse.

“É a oração que sustém a alma fraca,

Ainda que o pensar se quebre e a língua vacile;

Ora, se podes, ou se não podes falar,

E ora com fé no nome de Jesus.”

Escrituras neste sermão Atos 9:11

Domínio público. Texto de origem de a edição original.