A Abnegação de Deus ·Uma Descoberta, Não uma Conquista

Capítulo 27 · 6 min de leitura

Tradução por IA — aguardando revisão nativa

Uma Descoberta, Não uma Conquista

De novo quero deixar isto absolutamente claro mais uma vez: o que me sobreveio foi uma descoberta, não uma conquista. Não me tornei de repente uma mulher melhor. Simplesmente compreendi que Cristo era um Salvador muito melhor do que eu jamais imaginara. Eu não era mais capaz de vencer as minhas tentações do que antes — mas havia descoberto que Ele era capaz, e que estava disposto, a vencê-las por mim. Não tinha mais sabedoria nem justiça próprias, mas enfim aprendera que Ele podia realmente tornar-se para mim — exatamente como declarou o Apóstolo — sabedoria, justiça, santificação e redenção.

Jamais esquecerei a primeira vez em que descobri que isto não era apenas um belo dito, mas um fato real e prático.

Não muito depois de eu começar a apreender a plenitude da salvação de Cristo, soube que uma pessoa particularmente hostil a mim vinha hospedar-se em nossa casa por duas semanas. Ela sempre fora provocadora e difícil. À medida que a data se aproximava, tive a certeza de que, para tratá-la de maneira semelhante à de Cristo, eu precisaria de muito mais paciência do que normalmente possuía.

Sendo ainda nova na vida de fé, supus que o único modo de obter paciência bastante era lutar por ela em oração. Meus dias eram ocupados demais, de modo que resolvi dedicar uma noite inteira a essa luta espiritual. Depois que a família se recolheu, fechei-me no meu quarto, levei comigo um prato de biscoitos para o caso de sentir fome, e ajoelhei-me junto à cama, preparada para uma batalha que durasse a noite toda. Sentia-me quase heroica, pois longas horas de oração sempre me haviam exaurido; mas, visto que eu precisava desesperadamente de um armazém de paciência, julguei ser aquele o único modo de consegui-lo. Esperava que algo como um grande “bloco” de paciência fosse depositado no meu coração— uma reserva da qual eu pudesse quebrar pedaços sempre que precisasse.

Mas, mal os meus joelhos tocaram o chão, fulgurou na minha mente a Escritura familiar: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção… para que aquele que se gloria, se glorie no Senhor.”

“Sim!”, exclamei interiormente. “E isso certamente há de incluir também a paciência!”

Imediatamente levantei-me dos joelhos com absoluta confiança de que eu não precisava adquirir de antemão um estoque de paciência. Em vez disso, podia simplesmente olhar para o Senhor em busca de um suprimento presente sempre que surgisse a necessidade. Vi Cristo como um vasto e inesgotável armazém, sempre aberto, sempre cheio — oferecendo exatamente a graça requerida no exato momento em que era requerida. E de súbito pareceu-me absurdo andar por aí com pacotes de graça nos meus bolsos espirituais, os quais — ainda que eu conseguisse ajuntá-los — estariam extraviados justamente no momento em que mais deles precisasse.

Naturalmente, aquela fé foi plenamente atendida. Minha visitante mostrou-se ainda mais irritante do que de costume e, contudo, a paciência vinha a mim momento a momento — sempre exatamente o bastante para o momento presente.

Mais maravilhosa ainda do que a própria paciência era a descoberta que eu havia feito: o armazém da graça de Deus está sempre aberto, e os Seus suprimentos estão sempre à disposição dos Seus filhos.

Alguns talvez chamassem a minha paciência de “conquista”. Mas eu nada havia conquistado. Simplesmente descobrira o suprimento de Deus e lançara mão dele pela fé, hora após hora, conforme cada hora requeria.

Reduzida à sua forma mais simples, a minha descoberta era esta: em Cristo há um suprimento perfeito para toda necessidade, e a fé é o único canal pelo qual esse suprimento flui. O esforço não pode trazê-lo. A luta não pode trazê-lo. A preocupação e a agonia não podem trazê-lo. A fé sempre trará. A fé sempre traz.

Parece uma compreensão tão simples — pensar-se-ia que qualquer crente que lê a Bíblia a teria imediatamente. Mas eu não a tinha, nem mesmo depois de nove anos de estudo cuidadoso e de sincero empenho. E, quando enfim a descobri, ela revolucionou a minha vida.

Não havia nisso nada de misterioso. Não era algo acrescentado ao evangelho— era o verdadeiro sentido do evangelho. Cristo veio, segundo a Escritura, para realizar certas coisas; a minha descoberta foi simplesmente que se podia realmente confiar que Ele as realizasse. E, se isto é verdade, então certamente os que desejam ver essas coisas realizadas devem entregá-las Àquele que tomou sobre si a obra.

Para mim, isto parecia — e ainda parece — não alguma extraordinária conquista espiritual, mas simples e prático bom senso. Quando contrato um construtor para edificar uma casa, é porque ele sabe construir e eu não sei. Não considero que entregar-lhe a obra seja alguma grande “conquista” da minha parte — é apenas sensato. Se chego a um rio caudaloso e encontro uma ponte, não considero atravessá-la uma proeza — apenas me aproveito daquilo que foi providenciado.

Por essa razão, prefiro muito mais a palavra dádivas à palavra conquistas. As conquistas implicam a minha própria obra e o meu próprio esforço; mas as graças cristãs são dádivas gratuitas de Deus. Os que “reinam em vida” não são os que se elevam a grandes alturas pelos seus próprios esforços, mas os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça. Se Deus não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele gratuitamente todas as coisas?

Descobrir que todas as coisas são verdadeiramente nossas não é uma conquista — é uma descoberta magnífica. E qualquer alma que descobrisse tais riquezas careceria profundamente de bom senso se não tomasse posse de tudo aquilo de que precisa.

Nenhum anjo poderia descrever plenamente o que essa descoberta significou para mim. Mas basta dizer que a vida foi transformada. Onde outrora reinavam a derrota e o fracasso, a vitória e o triunfo tornaram-se a minha experiência diária e horária — sempre que eu escolhia lançar mão deles pela fé. Já não era escrava do pecado, forçada a obedecer-lhe mesmo quando o odiava, mas havia entrado na liberdade que Cristo dá, já não presa às velhas cadeias.

Eu me julgara feliz antes, mas agora a minha alegria estava acima de toda palavra. Às vezes parecia-me que nem o próprio Céu poderia oferecer muito mais. Contudo, essa alegria não tinha raiz em mim mesma, nem em qualquer realização minha — pois eu não tinha nenhuma. Era alegria no Senhor.

Compreendi, enfim, as palavras do profeta: “Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer.”

Eu não tinha em mim mesma sabedoria alguma, força alguma, riqueza alguma — mas estava aprendendo a conhecer o Senhor, e Nele podia gloriar-me de todo o coração.

“Onde está, logo, a jactância?”, pergunta o Apóstolo.

“É excluída… pela lei da fé.”

Uma alma que não tem conquistas não pode gloriar-se em si mesma; e uma alma que tudo recebe gratuitamente do Senhor não pode deixar de gloriar-se Nele.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé… e isto não vem de vós… não vem das obras, para que ninguém se glorie.”

“Não conquistaram a terra pela sua espada, nem o seu braço os salvou; mas a tua destra, ó Senhor, e a luz do teu rosto.”

Esta era a minha experiência. E de todo o coração eu podia repetir com o salmista: “Em Deus nos gloriamos todo o dia, e louvamos o seu Nome para sempre.”

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A Abnegação de Deus Hannah Whitall Smith

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