Capítulo 14 · 5 min de leitura
Jesus - O Curador
Pecados geracionais Ao longo dos meus anos de aconselhamento, aprendi que as feridas que atrapalham os meus pacientes no seu andar com o Senhor muitas vezes têm causas que remontam a muitos anos atrás. Às vezes há indícios de uma linha de feridas semelhantes atravessando várias gerações anteriores. É uma verdade bíblica que “os pecados dos pais podem vir sobre os filhos até a terceira e a quarta geração” (Êxodo 20:5).
Além disso, havia um impedimento para que os filhos de união ilegítima entrassem em plena comunhão com a congregação do Senhor “até a décima geração” (Deuteronômio 23:2)! São juízos do Antigo Testamento que mostram como o pecado pode afetar não apenas o pecador, mas muitos dos seus descendentes. Graças a Deus, Jesus veio remover a maldição do pecado e nos libertar dos seus efeitos; portanto, não precisamos continuar presos às feridas do pecado dos nossos pais.
O Senhor quer que andemos livres, mas como podemos soltar aqueles que causaram as feridas, se eles já morreram? Se não podemos soltá-los, podemos nós mesmos ser soltos? São perguntas desse tipo que me fazem com frequência, quando os aconselhados reconhecem as feridas do passado e os padrões do presente. Não cremos que orar pelos mortos mude de alguma forma a posição deles diante de Deus, o Grande Juiz; portanto, infelizmente não podemos abrir para eles o reino dos céus.
Ainda que não possamos usar a chave do Reino que nos foi dada, o Senhor mesmo assim nos libertará pela cura que Ele comprou no Calvário, pois foi “pelas suas feridas que fomos sarados” (Isaías 53:5).
Memórias escondidas Sempre que aconselho alguém, começamos pedindo ao Espírito Santo que dirija os nossos pensamentos. Queremos que Ele nos revele as áreas da alma onde possam existir feridas.
Nunca deixa de me espantar (embora não devesse) a frequência com que voltam à tona, como uma enxurrada, lembranças de acontecimentos havia muito esquecidos! Numa ocasião eu aconselhava uma senhora de meia-idade que enfrentava alguns problemas de relacionamento. Sem motivo aparente, ela começou a soluçar baixinho.
Minha assistente, Debbie, aproximou-se e a abraçou, e nesse momento a aconselhada começou a chorar de modo incontrolável.
Debbie a acolheu no colo e a abraçou como uma mãe abraçaria uma criancinha. Depois de alguns instantes de lágrimas profundamente emocionadas, a paciente começou a golpear Debbie com os punhos, gritando: “Por que você fez isso? Por que você fez isso?”
Quando se acalmou, ela nos contou que pensava estar batendo na mãe por ter jogado fora a sua boneca de pano preferida, quando tinha apenas quatro anos! A menininha havia carregado aquela ferida por mais de 40 anos, mesmo sem se lembrar dela! Estivera sepultada no subconsciente.
Muitas vezes pacientes voltaram para me contar que se lembraram de repente de algum acontecimento traumático do passado. Não presumo automaticamente que todas essas lembranças sejam exatas. Há hoje um grande perigo, porque muitas pessoas querem culpar os outros por pecados imaginários do passado e querem se eximir da culpa por fraquezas e atitudes presentes.
Não é esse o meu propósito ao escrever este livro. Quero ver as pessoas assumirem a responsabilidade pelos próprios atos, usarem a chave do reino dos céus, libertarem a si mesmas e soltarem aqueles que possam tê-las ferido. Ambos são vítimas de Satanás — ambos precisam ser libertos. A recriminação nunca produz liberdade; só o perdão produz!
O mesmo ontem, hoje e para sempre À medida que o Espírito Santo revela as feridas, precisamos tomar tempo para apresentá-las diante do Senhor, buscando o seu toque de cura.
Ele é o “alfa e o ômega, o princípio e o fim” (Apocalipse 1:8). Ele é “o mesmo ontem, hoje e eternamente” (Hebreus 13:8). Ele conhece a sua ferida — Ele estava lá quando aconteceu — e chorou por você. Quando apresentamos a Ele a ferida, com perdão para quem a causou, Ele começa a curar e a restaurar a alma. Ainda que não possamos soltar aquele que nos feriu, o Senhor é fiel para nos curar e nos libertar.
A carta Depois que o paciente e eu conversamos e ele reconheceu as mágoas, as feridas e os padrões, eu o convido a escrever uma carta à pessoa que o feriu, descrevendo a ferida percebida e a dor que ela causou. Eu o incentivo a expressar os seus sentimentos e anseios.
“Se ao menos você entendesse o quanto me machucou quando… Ah, como eu queria ouvir você me dizer que me amava!”
A carta pode ser bem detalhada, porque não será enviada. Seu propósito é trazer à superfície todos os sentimentos e dores do subconsciente. Quando chega a hora do perdão e da libertação (quando possível), essa carta se torna o “contrato” do perdão. “Você está disposto a perdoar tudo o que escreveu aqui?”, pergunto. Então, quando tenho a certeza de que a pessoa compreendeu plenamente o que ensinei e de que perdoou (e soltou) de verdade o ofensor, eu a convido a destruir a carta, anotando o local e a data desse ato. Em seguida, incentivo-a a orar bênçãos sobre o seu ofensor, caso ele ainda esteja vivo.
Para completar a sua libertação, soube de pessoas que levaram a carta a um cemitério da cidade, onde espalharam as cinzas e colocaram flores sobre o túmulo do falecido. Para algumas, foi a primeira vez que realmente choraram a morte de um familiar, às vezes de um dos pais, e conheceram o toque de cura que se segue ao verdadeiro luto.
O nosso ato consciente de perdão quebra o poder de Satanás.
À medida que o Senhor realiza a sua obra de cura em nossa vida, aprendemos a andar no poder do seu Espírito.
Quando vestimos toda a armadura de Deus, o inimigo descobre que não há em nossa vida nenhuma área de fraqueza pela qual possa nos atrapalhar na batalha.
É claro que o perdão não é um evento único, nem sequer um compromisso de sete vezes. Como Jesus ensinou a Pedro, é uma exigência de “setenta vezes sete” (Mateus 18:22). Em outras palavras, devemos manter uma atitude contínua de perdão.
Precisamos estar sempre prontos a nos reconciliar com aqueles cujos atos ou palavras possam criar uma divisão entre nós. É preciso reconhecer que pode muito bem haver necessidade de um tempo para “esfriar a cabeça”, mas não há desculpa para uma animosidade permanente.
Que sejamos tão comprometidos em usar a chave que está em nossas mãos que venhamos a ser conhecidos como “pacificadores”, aqueles que são chamados filhos de Deus (Mateus 5:9).