Capítulo 11 · 6 min de leitura

A Nossa Resposta

A prioridade de Deus é a prioridade de Satanás!

Disso podemos ter certeza! Sejam quais forem os propósitos de Deus para a humanidade, Satanás fará o máximo para atrapalhar essa obra. Se o desejo do Senhor é que os crentes vivam em unidade, o inimigo trabalha muito para impedir essa unidade.

Quando estudamos a Bíblia, fica bem evidente que os relacionamentos estão no alto da lista de prioridades de Deus. Ele nos criou para si mesmo e uns para os outros. De capa a capa, a Bíblia enfatiza relacionamento: do homem com Deus e do homem com o homem.

Em Gênesis, Deus criou o homem à sua própria imagem — para que tivessem comunhão juntos (1 João 1:3). Depois, para o homem, criou a mulher, porque “não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2:18).

Mais tarde, escolheu um homem do qual viria uma nação especial. Chamou a si mesmo de “o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó”, tornando-se Pai e esposo dos descendentes deles.

Satanás fez tudo o que pôde para romper esses relacionamentos — com muita ajuda dos próprios homens! Saiba que ainda hoje ele trabalha freneticamente para afastar os homens de Deus, desfazer famílias e destruir os judeus.

O Antigo Testamento termina com uma promessa maravilhosa a respeito dos relacionamentos: “Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição de destruição total” (Malaquias 4:6).

A ênfase do Novo Testamento é a mesma do Antigo, com a responsabilidade adicional, para os crentes, de estarem em unidade como fundamento do seu testemunho.

Grandes trechos do Novo Testamento enfatizam essa verdade, terminando com o convite do último capítulo: “E o Espírito e a noiva dizem: ‘Vem!’” (Apocalipse 22:17). “Noiva”, assim como “Corpo”, é uma palavra de relacionamento!

Feridas disfuncionais Se o Senhor quer amadurecer um homem ou uma mulher para que se torne um poderoso guerreiro, eficaz na batalha contra o mal, o inimigo tentará “aleijar” esse soldado antes mesmo de ele entrar no exército como recruta.

Satanás não é onisciente e, portanto, não conhece o seu futuro. Também não é onipresente, para lutar com você a cada instante; por isso precisa usar táticas de “guerrilha” na batalha, com os seus soldados (os demônios) agindo por tentativa e erro. Os “acertos” evidentes aparecem na alta proporção de pessoas classificadas como vindas de famílias “disfuncionais”.

Conselheiros, tanto seculares quanto cristãos, passam muitas horas tentando ensinar as pessoas a lidar com as suas feridas — a sua disfunção. Esperam levar os pacientes a um estado de “manutenção”, no qual aprendem a usar com eficácia as “muletas” que os conselheiros lhes oferecem. Por exemplo, a meta dos Alcoólicos Anônimos é capacitar os seus membros a manter a sobriedade, e não levá-los à cura.

Infelizmente, muitos conselheiros cristãos adotaram métodos e ferramentas do mundo para lidar com essas feridas, raramente levando as pessoas ao lugar de cura que Jesus conquistou na cruz. “Pelas suas feridas fomos sarados” (Isaías 53:5).

As artimanhas de Satanás ferem muitos que nunca chegarão sequer a entrar no exército contra ele, pois jamais se apropriarão da salvação que lhes é oferecida em Cristo. Contudo, quando alguém é reconhecido como parte do Corpo de Cristo, então Satanás concentra os seus esforços nessa pessoa, sobretudo se ela começar a partir para a ofensiva contra ele.

O ministério da reconciliação Jesus veio derrotar o poder de Satanás na vida dos homens. NEle, o nosso novo relacionamento deveria manifestar-se na nossa unidade como crentes: como um só Corpo. Satanás não tem poder para destruir essa unidade nem esses relacionamentos, mas, por ignorância, carnalidade e pelas feridas não saradas da nossa alma, nós lhe demos fortalezas.

O que podemos fazer para corrigir essa situação? É claro que podemos orar! Afinal, sem a ajuda e a direção do Espírito Santo nada podemos fazer! Precisamos perceber, porém, que o Pai raramente responderá à oração naquelas áreas em que Ele já nos deu autoridade e responsabilidade. A responsabilidade pela reconciliação entre as pessoas não é mais dEle: é nossa. “E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação; isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2 Coríntios 5:18-19).

Precisamos lidar com as nossas ofensas, procurar compreender as nossas “feridas” e usar princípios bíblicos para obter cura, restauração e reconciliação. Se você está ferido, espero que esta parte do livro lhe dê alguma ajuda para levá-lo a um lugar de inteireza em Cristo, sabendo, como Davi soube, que “Ele restaura a alma” (Salmo 23:3) e que aqueles “a quem o Filho libertar, verdadeiramente serão livres” (João 8:36).

A ovelha ofendida Aos que são conselheiros, presbíteros ou pastores, quero dizer que este é o seu ministério. Uma passagem das Escrituras que muito me confronta como pastor e conselheiro está em Mateus 18. Todo o contexto desse capítulo trata de ofensa, restauração, reconciliação e perdão.

Sinto-me especialmente confrontado pelo relato de Mateus sobre a parábola do pastor e das cem ovelhas, onde está escrito: “Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se desgarrar, não deixará ele as noventa e nove nos montes e irá em busca da que se desgarrou? E, se acontecer achá-la, em verdade vos digo que maior alegria terá por ela do que pelas noventa e nove que nunca se desgarraram” (Mateus 18:12-14).

É uma ovelha que deixou o aprisco, não um bode. No Novo Testamento, os crentes são normalmente chamados de “ovelhas”, ao passo que a palavra “bode” é usada para os não crentes.

Essa figura retrata o crente que se ofendeu e saiu da igreja, possivelmente com um pouco de veneno pronto para ser espalhado a quem quiser ouvir. Todos nós já vimos isso acontecer nas nossas congregações, e muitas vezes ficamos tentados a esfregar as mãos dizendo: “Até que enfim! Que homem insuportável!” Em vez disso, somos exortados a ir atrás daquela ovelha, buscando compreendê-la e cuidar dela sem condenação, confiando que o Senhor trará reconciliação e restauração. Se fizéssemos isso, talvez tivéssemos muito menos “homens insuportáveis” nas nossas igrejas!

Às vezes a ovelha vai embora profundamente ferida. Lembro-me de uma jovem que veio até mim muito machucada, porque os líderes do seu “ministério” a haviam disciplinado depois de receberem alguns relatos ruins a respeito dela; ninguém, porém, se dispunha a lhe dizer o que os relatos diziam. Fui falar com os líderes dela, e o seu principal juiz me disse que estavam “deixando que ela cozinhasse no próprio caldo, para aprender a lição”. Eu disse àquele líder, que se considerava pastor, que não temos permissão para tratar as ovelhas dessa maneira.

“Se uma ovelha fica presa num espinheiro, tenho de me arrastar para dentro dele a fim de libertá-la, ainda que me arranhe nos espinhos e talvez seja mordido pela ovelha machucada. Depois derramo azeite e vinho e ato as feridas, antes de soltar a ovelha com a advertência de não voltar a entrar num espinheiro. Se ouço o balido de novo e vejo a ovelha em outro espinheiro pouco tempo depois, repito o processo. E assim continua, com mais advertências e talvez o uso de uma corda; o que eu nunca posso fazer é ficar do lado de fora do espinheiro, sacudir o dedo e dizer: ‘Bem feito!

Cozinhe no seu próprio caldo!’ O Grande Pastor não me deu tal permissão quando me chamou para servir como subpastor!”

Aquela jovem foi desligada daquele ministério, embora eu tivesse mostrado com clareza aos seus líderes que os relatos contra ela se baseavam numa mentira! Não é de admirar que ela tenha ficado tão gravemente ferida e precisado de um longo acompanhamento profissional!

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