Capítulo 12 · 14 min de leitura · 18 min de escuta
Os avivamentos nascem na oração
Que o seu coração esteja muito voltado para os avivamentos da religião. Nunca se esqueça de que as igrejas até hoje existiram e prosperaram por meio de avivamentos; e de que, se hão de existir e prosperar no futuro, terá de ser pela mesma causa que desde o princípio tem sido a sua glória e a sua defesa.—Joel Hawes
Se algum ministro consegue se dar por satisfeito sem conversões, não terá conversões.—C. H. Spurgeon
Não creio que meus desejos por um avivamento tenham sido alguma vez nem metade tão fortes quanto deveriam ser; nem vejo como um ministro pode deixar de viver numa “febre constante” quando seu Mestre é desonrado e almas são destruídas de tantas maneiras.—Edward Payson
Certa vez, um santo idoso foi ter com o pastor à noite e disse: “Vamos ter um avivamento.” Perguntaram-lhe como sabia disso. Sua resposta foi: “Fui ao estábulo cuidar do meu gado duas horas atrás, e ali o Senhor me manteve em oração até agora há pouco. E sinto que vamos ser avivados.” Foi o começo de um avivamento.—H. C. Fish
Já se disse que a história dos avivamentos é a história da religião, e ninguém pode estudar essa história sem se impressionar com a poderosa influência deles sobre o destino da raça humana. Olhar para trás e acompanhar o progresso do Reino Divino na terra é rever períodos de avivamento que vieram como chuvas refrescantes sobre a terra seca e sedenta, fazendo o deserto florescer como a rosa e trazendo novas eras de vida e atividade espiritual justamente quando a Igreja havia caído sob a influência da apatia dos tempos e precisava ser despertada para um novo senso de seu dever e de sua responsabilidade. “De certo ponto de vista, e não o menos importante”, escreve o diretor Lindsay em “The Church and the Ministry in the Early Centuries”, “a história da Igreja flui de um tempo de avivamento a outro, e, quer tomemos os despertamentos na antiga Igreja católica, na medieval ou na moderna, eles sempre foram obra de homens especialmente dotados do poder de ver e declarar os segredos da mais profunda vida cristã, e o efeito de sua obra sempre foi proporcional à receptividade espiritual da geração à qual falaram.”
Como Deus, desde o princípio, tem agido de forma destacada por meio de avivamentos, não se pode negar o fato de que os avivamentos fazem parte do plano Divino. O Reino de nosso Senhor tem avançado em grande medida por meio de épocas especiais de realização graciosa e rápida da obra de conversão, e pode-se inferir, portanto, que os meios pelos quais Deus agiu em outros tempos serão empregados em nosso tempo para produzir resultados semelhantes. “A conversão silenciosa de um pecador após outro, sob o ministério comum do Evangelho”, diz um autor que escreveu sobre o assunto, “deve sempre ser vista com sentimentos de satisfação e gratidão pelos ministros e discípulos de Cristo; mas uma manifestação periódica da conversão simultânea de milhares também é desejável, por ser apropriada para oferecer uma demonstração visível e impressionante de que Deus fez esse mesmo Jesus, que foi rejeitado e crucificado, Senhor e Cristo; e de que, em virtude de Sua Mediação Divina, Ele assumiu o cetro real da supremacia universal, e “deve reinar até que tenha colocado todos os seus inimigos debaixo dos seus pés.” É, portanto, razoável esperar que, de tempos em tempos, Ele repita aquilo que no dia de Pentecostes constituiu a prova conclusiva e suprema de Sua messianidade e soberania; e que, ao fazê-lo, sobressalte as almas adormecidas dos mundanos descuidados, conquiste o ouvido atento dos não convertidos e, de modo notável, interrompa aqueles sonhos brilhantes de glória terrena, grandeza, riqueza, poder e felicidade que a multidão rebelde e esquecida de Deus acalenta com tanto carinho. Tal derramamento do Espírito Santo constitui ao mesmo tempo uma prova demonstrativa da plenitude e da aceitação de Sua única oferta de Si mesmo como sacrifício pelo pecado, e um “penhor” profético da certeza de que Ele “aparecerá uma segunda vez, não para lidar com o pecado, mas para salvar”, para julgar o mundo com justiça.”
E que os avivamentos devem ser esperados, procedendo, como procedem, do uso correto dos meios apropriados, é um fato que precisa de não pouca ênfase nestes dias, em que o material é exaltado à custa do espiritual e em que os padrões éticos são tidos como supremos. Que um avivamento não é um milagre foi ensinado com vigor por Charles G. Finney. Poderia haver, dizia ele, um milagre entre as suas causas antecedentes, ou não. Os apóstolos empregavam milagres simplesmente como um meio de chamar a atenção para a sua mensagem e de estabelecer a sua autoridade Divina. “Mas o milagre não era o avivamento. O milagre era uma coisa; o avivamento que o seguia era outra bem diferente. Os avivamentos nos dias dos apóstolos estavam ligados a milagres, mas não eram milagres.” Todos os avivamentos dependem de Deus, mas nos avivamentos, como em outras coisas, Ele convida e requer a ajuda do homem, e o resultado pleno é obtido quando há cooperação entre o Divino e o humano. Em outras palavras, para usar uma frase conhecida, só Deus pode salvar o mundo, mas Deus não pode salvar o mundo sozinho. Deus e o homem se unem para a tarefa, e a resposta do Divino é invariavelmente proporcional ao desejo e ao esforço do humano.
Sendo, pois, necessária essa cooperação, qual é o dever que nós, como cooperadores de Deus, precisamos assumir? Antes de tudo, e o mais importante de tudo — o ponto que desejamos enfatizar especialmente —, devemos nos entregar à oração. “Os avivamentos”, como nos lembra o dr. J. Wilbur Chapman, “nascem na oração. Quando Wesley orou, a Inglaterra foi avivada; quando Knox orou, a Escócia foi renovada; quando os professores da Escola Dominical de Tannybrook oraram, 11.000 jovens foram acrescentados à Igreja em um ano. Noites inteiras de oração sempre foram seguidas por dias inteiros de ganho de almas.”
Quando a igreja de D. L. Moody em Chicago jazia em cinzas, ele foi à Inglaterra, em 1872, não para pregar, mas para ouvir outros pregarem enquanto sua nova igreja era construída. Num domingo de manhã, foi convencido a pregar num púlpito de Londres. Mas, por alguma razão, faltava a atmosfera espiritual. Ele confessou depois que nunca tivera tanta dificuldade para pregar em toda a sua vida. Tudo estava perfeitamente morto, e, enquanto tentava pregar em vão, disse a si mesmo: “Que tolo eu fui em aceitar pregar! Vim aqui para ouvir, e aqui estou eu pregando.” Então lhe veio o pensamento terrível de que teria de pregar de novo à noite, e só o fato de ter dado a promessa de fazê-lo o manteve fiel ao compromisso. Mas, quando o sr. Moody subiu ao púlpito à noite e encarou a congregação lotada, percebeu uma atmosfera nova. “Os poderes de um mundo invisível pareciam ter caído sobre o auditório.” Ao se aproximar do fim do sermão, sentiu-se encorajado a fazer um convite e, ao concluir, disse: “Se há aqui um homem ou uma mulher que queira aceitar Jesus Cristo esta noite, por favor, fique de pé.” Imediatamente cerca de 500 pessoas se levantaram. Pensando que devia haver algum engano, pediu que as pessoas se sentassem e então, para que não houvesse nenhum mal-entendido possível, repetiu o convite, formulando-o em termos ainda mais definidos e difíceis. De novo o mesmo número se levantou. Ainda pensando que algo devia estar errado, o sr. Moody pediu pela segunda vez que os homens e mulheres de pé se sentassem e então convidou todos os que realmente pretendiam aceitar a Cristo a passar para a sacristia. Bem umas 500 pessoas fizeram como se pedia, e esse foi o começo de um avivamento naquela igreja e naquela vizinhança, que trouxe o sr. Moody de volta de Dublin, poucos dias depois, para ajudar na maravilhosa obra de Deus.
A continuação, porém, precisa ser contada, ou o nosso propósito ao relatar o episódio ficará frustrado. Quando o sr. Moody pregou no culto da manhã, havia na congregação uma mulher que tinha uma irmã inválida. Ao voltar para casa, contou à inválida que o pregador tinha sido um certo sr. Moody, de Chicago, e, ao ouvir isso, ela empalideceu. “O quê?”, disse ela, “o sr. Moody, de Chicago! Li sobre ele algum tempo atrás num jornal americano, e tenho orado para que Deus o envie a Londres, e à nossa igreja. Se eu soubesse que ele ia pregar esta manhã, não teria tomado café. Teria passado todo o tempo em oração. Agora, irmã, saia do quarto, tranque a porta, não me mande almoço; não importa quem venha, não deixe ninguém me ver. Vou passar a tarde inteira em oração.” E assim, enquanto o sr. Moody estava no púlpito que pela manhã fora como uma câmara de gelo, a santa acamada o sustentava diante de Deus, e Deus, que sempre se deleita em responder à oração, derramou o Seu Espírito com grande poder.
O Deus dos avivamentos, que respondeu à oração de Sua filha pelo sr. Moody, está disposto a ouvir e a responder às orações fiéis e cheias de fé do Seu povo hoje. Onde quer que as condições de Deus sejam cumpridas, ali o avivamento certamente cairá. O professor Thos. Nicholson, do Cornell College, EUA, relata uma experiência em seu primeiro circuito que imprime de novo a velha lição do lugar da oração na obra de Deus.
Não houvera avivamento naquele circuito havia anos, e as coisas não eram espiritualmente promissoras. Durante mais de quatro semanas o pastor pregara fielmente, visitara de casa em casa, nas lojas, nas oficinas e em lugares afastados, e fizera tudo o que podia. Na quinta segunda-feira à noite, muitos dos membros oficiais estavam nas reuniões de suas sociedades fraternas, e só um punhado de gente estava na igreja.
Daquela reunião o pastor foi para casa abatido, mas não desesperado. Resolveu passar aquela noite em oração. “Trancando a porta, ele tomou a Bíblia e o hinário e começou a buscar o Senhor com mais diligência, embora as reuniões já tivessem sido objeto de horas de oração fervorosa. Só Deus sabe a ansiedade e o estudo fiel e cheio de oração daquela noite. Perto do amanhecer veio uma grande paz e a plena certeza de que Deus certamente abençoaria o plano que havia sido decidido, e foi escolhido um texto que ele tinha certeza de vir do Senhor. Deixando-se cair na cama, o pastor dormiu cerca de duas horas, depois se levantou, tomou um café às pressas e foi a uns quinze quilômetros dali, ao outro extremo do circuito, visitar alguns doentes. O dia todo a certeza foi aumentando.
“Ao anoitecer começou uma chuva torrencial, as estradas ficaram pesadas, e chegamos em casa molhados, sem jantar e um pouco atrasados, só para encontrar a igreja sem fogo aceso, as luzes apagadas e nenhum sinal de culto. O zelador concluíra que a chuva impediria o culto. Mudamos a ordem, tocamos o sino e nos preparamos para a batalha. Três rapazes formavam a congregação, mas naquela ‘plena certeza’ o pastor entregou a mensagem que fora conquistada em oração na noite anterior, com tanto fervor e tanta plenitude como se a casa estivesse lotada, e depois fez um apelo pessoal a cada rapaz, um por um. Dois se renderam e deram testemunho antes do fim da reunião.
“O pastor cansado foi para um doce descanso e, na manhã seguinte, levantando-se um pouco mais tarde que de costume, soube que um dos rapazes estava indo de loja em loja por toda a cidade, contando a sua maravilhosa libertação e exortando o povo à salvação. Noite após noite houve conversões, até que em duas semanas ouvimos 144 pessoas testemunharem em quarenta e cinco minutos. Todos os três pontos daquele circuito viram um incêndio de avivamento naquele inverno, e família após família entrou na igreja, até que o número de membros mais que triplicou.
“Daquela reunião, um convertido é hoje pastor bem-sucedido na Conferência de Michigan, outra é esposa de um dos nossos melhores pastores, e um terceiro esteve no ministério por vários anos e depois passou para outra denominação, onde é fiel até hoje. Provavelmente nenhum dos membros jamais soube da noite de oração do pastor, mas ele crê verdadeiramente que Deus, de algum modo, faz pelo homem que assim ora o que não faz pelo homem que não ora, e tem certeza de que ‘mais coisas são operadas pela oração do que este mundo sonha.’”
Todos os verdadeiros avivamentos nasceram na oração. Quando o povo de Deus fica tão preocupado com o estado da religião que se prostra com o rosto em terra dia e noite em súplica fervorosa, a bênção certamente cairá.
É a mesma coisa ao longo de todos os séculos. Todo avivamento de que temos algum registro foi banhado em oração. Tome-se, por exemplo, o maravilhoso avivamento em Shotts (Escócia), em 1630. Tendo-se tornado amplamente conhecido que vários dos ministros, então perseguidos, tomariam parte numa assembleia solene, um vasto ajuntamento de pessoas piedosas reuniu-se nessa ocasião, vindo de todas as partes do país, e vários dias foram passados em oração coletiva, como preparação para o culto. À noite, em vez de se recolher para descansar, a multidão dividiu-se em pequenos grupos e passou a noite inteira em súplica e louvor. A segunda-feira foi consagrada às ações de graças, prática então pouco comum, e mostrou-se o grande dia da festa. Depois de muita insistência, John Livingston, capelão da condessa de Wigtown, um jovem ainda não ordenado, concordou em pregar. Ele tinha passado a noite em oração e conversa espiritual — mas, à medida que se aproximava a hora da reunião, seu coração desfaleceu diante do pensamento de falar a tantos santos idosos e experientes, e ele chegou a fugir do dever que assumira. Mas, justamente quando a igreja de Shotts desaparecia de sua vista, aquelas palavras, “Acaso fui alguma vez um deserto estéril ou uma terra de densas trevas?”, impuseram-se à sua mente com tal força que o obrigaram a voltar à obra.
Tomou por texto Ezequiel 36:25, 26 e discorreu com grande poder por cerca de duas horas. Acredita-se que quinhentas conversões tenham ocorrido sob aquele único sermão, assim precedido de oração. “Foi a semeadura de uma semente por todo o Clydesdale, de modo que muitos dos cristãos mais eminentes daquela região podiam datar a sua conversão, ou alguma notável confirmação do seu estado, daquele dia.”
De Richard Baxter já se disse que “manchava as paredes do seu escritório com o hálito da oração; e, depois de ser assim ungido com a unção do Espírito Santo, enviou um rio de água viva sobre Kidderminster.” Whitefield certa vez orou assim: “Ó Senhor, dá-me almas ou toma a minha alma.” Depois de muita súplica no quarto de oração, “certa vez ele foi à feira do Diabo e arrancou mais de mil almas da pata do leão num único dia.”
O sr. Finney diz: “Conheci certa vez um ministro que teve avivamento catorze invernos seguidos. Eu não sabia como explicar isso até que vi um dos membros de sua igreja levantar-se numa reunião de oração e fazer uma confissão. “Irmãos”, disse ele, “há muito tenho o hábito de orar todo sábado à noite até depois da meia-noite pela descida do Espírito Santo entre nós. E agora, irmãos (e ele começou a chorar), confesso que deixei de fazer isso por duas ou três semanas.” O segredo estava revelado. Aquele ministro tinha uma igreja que orava.”
E assim poderíamos continuar multiplicando ilustração sobre ilustração para mostrar o lugar da oração no avivamento e demonstrar que todo movimento poderoso do Espírito de Deus teve sua fonte no quarto de oração. A lição de tudo isso é esta: como cooperadores de Deus, devemos nos considerar responsáveis, em não pequena medida, pelas condições que prevalecem ao nosso redor hoje. Preocupa-nos a frieza da Igreja? Entristece-nos a falta de conversões? A nossa alma se volta para Deus em clamores à meia-noite pelo derramamento do Seu Espírito?
Se não, parte da culpa está à nossa porta. Se fizermos a nossa parte, Deus fará a Sua. Ao nosso redor há um mundo perdido no pecado; acima de nós há um Deus disposto e poderoso para salvar; cabe a nós construir a ponte que liga o céu e a terra, e a oração é o instrumento poderoso que realiza essa obra.
E assim o velho clamor chega até nós com voz insistente: “Orem, irmãos, orem.”
Capítulo 12 concluído
Os avivamentos nascem na oração