Capítulo 5 · 4 min de leitura · 5 min de escuta
A Colina da Dificuldade e a Casa Formosa
“…deixemos também todo peso e o pecado que tão de perto nos envolve, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta.” — Hebreus 12:1
Livre do fardo e praticamente voando, Cristão chega ao pé de uma colina íngreme chamada Dificuldade. Lá embaixo há uma fonte (ele bebe) e, o que é importante, dois outros caminhos que se desviam pelos lados — um chamado Perigo, outro chamado Destruição. O caminho estreito vai direto para cima. Dois outros viajantes, Formalista e Hipocrisia, pegam os caminhos fáceis pelos lados e nunca mais se ouve falar deles. Cristão começa a subir, e Bunyan descreve isso lindamente: ele “passou de correr a andar, e de andar a trepar sobre as mãos e os joelhos”.
Primeira lição, e ela é para quem achou que seguir a Deus ia ser uma euforia permanente: logo depois do topo da montanha vem a subida difícil. A alegria na Cruz foi real. Só que não era a jornada inteira. E os dois desvios são a tentação constante — sempre existe uma rota com cara de mais fácil que evita a parte íngreme. Só que ela não leva aonde você está indo. Difícil-mas-certo ganha de fácil-mas-errado todas as vezes, e Bunyan deixa isso claro de um jeito brutal: os homens que pegaram o caminho fácil sumiram.
Na metade da subida há um lugar de descanso com sombra, construído pelo Senhor da colina para viajantes cansados. Cristão se senta, tira o rolo, lê, relaxa — e cai num sono pesado, e o rolo escorrega da mão dele. Ele acorda tarde, sobe a colina às pressas, em pânico, depois procura o rolo para se consolar e ele sumiu. Ele tem que descer todo o caminho de volta, morrendo de arrependimento, procurando o rolo — “Quantos passos dei em vão!” Ele o encontra, graças a Deus, mas perdeu horas e tem que subir o mesmo trecho três vezes.
Essa aqui é dolorosamente fácil de entender. Descanso é bom — Deus construiu o lugar de descanso. Mas existe uma diferença entre descansar e ir deslizando para o desleixo. Cristão não peca de um jeito dramático; ele só fica confortável e descuidado e perde a certeza (aquele rolo é o que diz que ele pertence e o que o faz entrar na Cidade). A lição não é “nunca descanse”. É que baixar a guarda numa fase fácil pode custar mais caro do que qualquer fase difícil, e você vai gastar tempo de verdade subindo de novo um terreno que já tinha percorrido. E repare na graça: ele perdeu o rolo, mas não o perdeu para sempre. Ele voltou, se arrependeu e o encontrou.
Perto do topo ele encontra dois homens correndo no sentido errado — Tímido e Desconfiado — que dizem que há leões mais adiante e que ele deveria voltar. Cristão fica com medo de verdade. Mas ele pensa bem: voltar significa morte certa, seguir em frente significa só medo da morte, com vida além dela. “Ainda assim, avançarei.” Quando chega aos leões, ele vê que estão acorrentados (embora os dois covardes nunca tenham chegado perto o bastante para perceber). Metade das coisas que fazem as pessoas desistir são leões acorrentados — reais o bastante para rugir, mas incapazes de alcançar você de fato. Os homens assustados nunca descobriram isso porque deram meia-volta cedo demais.
No topo fica a Casa Formosa, construída exatamente para isso — um lugar para viajantes cansados. Cristão é recebido por pessoas chamadas Discrição, Piedade, Prudência e Caridade, alimentado, questionado com gentileza e hospedado num quarto chamado Paz, cuja janela se abre para o nascer do sol. Elas lhe mostram um arsenal cheio de armas e armaduras, e o vestem da cabeça aos pés com elas antes de ele partir — porque conseguem ver o que está vindo no vale lá embaixo.
Este é o retrato da verdadeira amizade cristã e da igreja no seu melhor: um lugar para ser conhecido de verdade, reabastecido, lembrado de quem você é e equipado antes do próximo trecho difícil. Cristão não desce ao vale sozinho e desarmado. Ele vai descansado, conhecido e de armadura. Isso não é luxo. No próximo capítulo, é o único motivo de ele sobreviver.
Uma coisa para fazer: encontre a sua Casa Formosa antes de precisar dela, não depois. Escolha aquele lugar ou grupo de pessoas onde você pode ser conhecido de verdade — não a versão de você que faz pose — e vá até lá de propósito esta semana, principalmente se você anda se afastando. Se puder evitar, não entre no vale sozinho. Arme-se primeiro.
Perguntas para pensar
Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.
Como Cristão perde o rolo na Colina da Dificuldade, e quanto isso custa a ele?
Ele descansa no caramanchão, cai no sono e o rolo escorrega da mão dele. Ele tem que descer de volta para encontrá-lo, perdendo horas e subindo o mesmo trecho três vezes.
O que os leões acorrentados representam?
Coisas que fazem as pessoas desistir — reais o bastante para rugir, mas incapazes de alcançar você. Tímido e Desconfiado voltaram cedo demais para descobrir que os leões estavam acorrentados.
Onde fica a sua “Casa Formosa” — um lugar ou pessoas com quem você pode ser conhecido de verdade? Como você poderia ir até lá de propósito?
O capítulo retrata a igreja e a amizade verdadeira como um lugar para ser conhecido, reabastecido e armado antes do próximo trecho difícil. Encontre esse lugar antes de precisar dele, principalmente se você anda se afastando.
Capítulo 5 concluído
A Colina da Dificuldade e a Casa Formosa