Capítulo 6 · 9 min de leitura
Tradução por IA — aguardando revisão nativa
A Humildade na Vida Diária
“Se alguém diz: 'Eu amo a Deus,” e odeia a seu irmão, é mentiroso; pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu.” 1 João 4:20.
Que pensamento solene, que o nosso amor a Deus será medido pelo nosso convívio de todos os dias com os homens e pelo amor que nele se manifesta. O nosso amor a Deus se revelará uma ilusão, a menos que a sua verdade seja provada ao resistir à prova da vida diária com os nossos semelhantes. Assim é também com a nossa humildade. É fácil pensar que nos humilhamos diante de Deus, mas a humildade para com os homens será a única prova suficiente de que a nossa humildade diante de Deus é real. É isto que revela que a humildade fez em nós a sua morada e se tornou a nossa própria natureza: que, de fato, como Cristo, nos aniquilamos a nós mesmos. Quando, na presença de Deus, a humildade de coração se tornou, não uma postura com que Lhe oramos, mas o próprio espírito da nossa vida, ela se manifestará em todo o nosso porte para com os nossos irmãos.
A lição é de profundo alcance; a única humildade que é realmente nossa não é a que procuramos mostrar diante de Deus em oração, mas a que levamos conosco, e praticamos, na nossa conduta ordinária.
As insignificâncias da vida diária são a importância e as provas da eternidade, porque provam qual é o espírito que nos possui. É nos nossos momentos mais desprevenidos que realmente mostramos e vemos o que somos.
Para conhecer um homem humilde, para saber como um homem humilde se comporta, é preciso segui-lo no curso comum da vida diária. Não é isto o que Jesus ensinou? Foi quando os discípulos disputavam quem seria o maior, quando Ele viu como os fariseus amavam o primeiro lugar nas festas e as primeiras cadeiras nas sinagogas, quando lhes dera o exemplo de lhes lavar os pés, que ensinou as Suas lições de humildade.
A humildade diante de Deus nada é, se não for provada na humildade diante dos homens. Assim é também no ensino de Paulo. Aos Romanos escreve: “Preferindo-vos uns aos outros em honra.” (Romanos 12:10); “Não sejais altivos, mas acomodai-vos aos humildes. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos.” Romanos 12:16.
“Não sejas sábio a teus próprios olhos” Provérbios 3:7. Aos Coríntios: “O amor,” e não há amor sem a humildade como sua raiz, “ não é invejoso, não se vangloria, não se ensoberbece. “ 1 Coríntios 13:4.
Aos Gálatas: “Não nos tornemos presunçosos, provocando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.” Aos Efésios, imediatamente depois dos três maravilhosos capítulos sobre a vida celestial: “ com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor “; “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.”
Aos Filipenses: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade considerai os outros superiores a vós mesmos.” Filipenses 2:3. “Haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.” Filipenses 2:5 “esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” Filipenses 2:7.
Aos Colossenses: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de compaixão, de benignidade, humildade, mansidão e longanimidade, suportando-vos uns aos outros e, se alguém tiver queixa contra outro, perdoando-vos uns aos outros; como o Senhor vos perdoou” Colossenses 3:12-13.
É na nossa relação uns com os outros, no nosso trato uns com os outros, que a verdadeira humildade de mente e o coração de humildade se hão de ver. A nossa humildade diante de Deus não tem valor, mas prepara-nos para revelar a humildade de Jesus aos nossos semelhantes. Estudemos a humildade na vida diária à luz destas palavras.
O homem humilde procura em todo o tempo agir segundo a regra: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade considerai os outros superiores a vós mesmos.” Filipenses 2:3. Muitas vezes se faz a pergunta: como podemos considerar os outros melhores do que nós mesmos, quando vemos que estão muito abaixo de nós em sabedoria e em santidade, em dons naturais ou na graça recebida? A pergunta prova desde logo quão pouco entendemos o que é a verdadeira humildade de mente.
A verdadeira humildade vem quando, na luz de Deus, nos vimos a nós mesmos como nada, consentimos em desfazer-nos do eu e lançá-lo fora, para deixar que Deus seja tudo. A alma que assim fez, e pode dizer: assim me perdi ao encontrar-Te, já não se compara com os outros. Renunciou para sempre a todo pensamento do eu na presença de Deus. Encontra os seus semelhantes como quem nada é e nada busca para si. Esta alma é serva de Deus e, por amor dEle, serva de todos.
Um servo fiel pode ser mais sábio do que o senhor, e contudo conservar o verdadeiro espírito e porte de servo. O homem humilde olha para cada filho de Deus, ainda o mais fraco e o mais indigno, e honra-o e prefere-o em honra como filho de um Rei. O espírito dAquele que lavou os pés dos discípulos faz que seja para nós uma alegria ser de fato os menores, ser servos uns dos outros. O homem humilde não sente ciúme nem inveja. Pode louvar a Deus quando outros são preferidos e abençoados antes dele.
Pode suportar ouvir os outros serem louvados e ele mesmo ficar esquecido, porque na presença de Deus aprendeu a dizer com Paulo: “Nada sou.” Recebeu o espírito de Jesus, que não Se agradou a Si mesmo e não buscou a Sua própria honra, como o espírito da sua vida. No meio do que se consideram as tentações à impaciência e à suscetibilidade, aos pensamentos duros e às palavras ásperas, que vêm das faltas e dos pecados dos irmãos cristãos, o homem humilde traz no coração a exortação tantas vezes repetida e mostra-a na sua vida: “suportando-vos uns aos outros e, se alguém tiver queixa contra outro, perdoando-vos uns aos outros; como o Senhor vos perdoou” Aprendeu que, ao revestir-se do Senhor Jesus, se revestiu do coração de compaixão, benignidade, humildade, mansidão e longanimidade.
Jesus tomou o lugar do eu, e é possível perdoar como Jesus perdoou. A sua humildade não consiste meramente em pensamentos ou palavras de autodepreciação, mas, como diz Paulo, num “coração de humildade,” rodeado de compaixão e benignidade, de mansidão e longanimidade, a doce e humilde brandura reconhecida como a marca do Cordeiro de Deus.
Na busca das mais altas experiências da vida cristã, o crente corre muitas vezes o perigo de visar, e de nelas se regozijar, o que se poderia chamar as virtudes mais humanas, as viris, tais como a ousadia, a alegria, o desprezo do mundo, o zelo e o sacrifício de si. Mesmo os antigos estoicos as ensinaram e praticaram.
As graças mais profundas e mais brandas, as mais divinas e mais celestiais, aquelas que Jesus primeiro ensinou na terra porque as trouxe do céu, aquelas que estão mais distintamente ligadas à Sua cruz e à morte do eu, a pobreza de espírito, a mansidão, a humildade, o rebaixamento de si, mal são lembradas ou estimadas. Portanto, revistamo-nos de um coração de compaixão, benignidade, humildade, mansidão e longanimidade, e provemos a nossa semelhança com Cristo, não somente no nosso zelo por salvar os perdidos, mas antes de tudo no nosso convívio com os irmãos, suportando-nos e perdoando-nos uns aos outros, como também o Senhor nos perdoou.
Irmãos cristãos, estudemos o retrato bíblico do homem humilde. E perguntemos aos nossos irmãos e ao mundo se reconhecem em nós a semelhança com o original. Não nos contentemos com nada menos do que tomar cada um destes textos como a promessa do que Deus operará em nós, como a revelação em palavras do que o Espírito de Jesus fará nascer dentro de nós. E que cada falha e cada falta simplesmente nos leve a voltar-nos, humilde e mansamente, para o manso e humilde Cordeiro de Deus, na certeza de que, onde Ele está entronizado no coração, a Sua humildade e brandura serão uma das correntes de água viva que fluem de dentro de nós.
“Eu conhecia Jesus, e Ele era muito precioso à minha alma, mas encontrava em mim algo que não se conservava doce, paciente e bondoso. Fiz o que pude para o dominar, mas ali estava. Roguei a Jesus que fizesse algo por mim e, quando Lhe entreguei a minha vontade, Ele veio ao meu coração, tirou tudo o que não queria ser doce, bondoso e paciente, e então fechou a porta.” George Foxe.
Repito o que já disse antes. Sinto profundamente que temos muito pouca noção do quanto a Igreja sofre pela falta da humildade divina, o nada que abre lugar para que Deus prove o Seu poder. Não faz muito tempo que um cristão, de espírito humilde e amoroso, conhecedor de não poucas estações missionárias de várias sociedades, exprimiu a sua profunda tristeza por, em alguns casos, faltar tristemente o espírito de amor e de tolerância. Homens e mulheres que na Europa podiam escolher cada um o seu próprio círculo de amigos, postos em estreita convivência com outros de índole pouco afim, acham difícil suportar, amar e guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz. E os que deviam ser cooperadores da alegria uns dos outros tornaram-se um estorvo e um cansaço. Isto pela falta da humildade que se tem a si mesma por nada, que se alegra em tornar-se e em ser tida como a menor, e que somente busca, como Jesus, ser o servo, o ajudador e o consolador dos outros, ainda dos mais baixos e mais indignos.
E ainda: por que é que homens que alegremente se entregaram por Cristo acham tão difícil entregar-se pelos seus irmãos? Não terá a Igreja culpa nisto? Tão pouco tem ela ensinado aos seus filhos que a humildade de Cristo é a primeira das virtudes, a melhor de todas as graças e poderes do Espírito.
Tão pouco tem a Igreja provado que uma humildade semelhante à de Cristo é o que ela, como Cristo, põe e prega em primeiro lugar, como o que é verdadeiramente necessário, e possível também. Mas não desanimemos. Que a descoberta da falta desta graça nos incite a maiores expectativas da parte de Deus. Olhemos para cada irmão que nos prova ou nos irrita como o meio de graça de Deus, o instrumento de Deus para a nossa purificação, para o exercício da humildade que Jesus, nossa Vida, respira dentro de nós. E tenhamos tal fé no Tudo de Deus e no nada do eu que, sendo nada aos nossos próprios olhos, possamos, no poder de Deus, buscar somente servir-nos uns aos outros em amor.