Capítulo 10 · 24 min de leitura
Como Trabalhar para Deus com Êxito
"Filho, vai trabalhar hoje na vinha." Mateus 21:28 "Obriga as pessoas a entrar, para que a minha casa se encha." Lucas 14:23 Vou falar de algumas qualificações indispensáveis para um trabalho bem-sucedido; e digo, em primeiro lugar, que existem certas leis que governam o êxito no reino da graça, assim como no reino da natureza, e você precisa estudar essas leis e adaptar-se a elas. De nada adiantaria o lavrador espalhar a semente sobre o chão duro ou sobre um solo já ocupado. É preciso arar, gradear e lançar a semente com cuidado, na medida certa e no tempo certo; depois é preciso regar, arrancar o mato e esperar a colheita. E o mesmo vale para as coisas divinas. Oh! um dia haveremos de descobrir que as leis do reino espiritual são tão certas e infalíveis na sua operação quanto as leis do reino natural — e talvez muito mais; mas, pela cegueira, pela lentidão e pela incredulidade do nosso coração, não conseguimos, ou não quisemos, descobri-las. As pessoas se levantam, agitam-se de um lado para o outro e esperam poder trabalhar para Deus sem nenhum pensamento, nenhum cuidado, nenhum esforço. Para aprender uma profissão terrena, dão anos de trabalho e de reflexão; mas, no trabalho para Deus, não parecem achar que vale a pena dar-se ao trabalho de pensar e ponderar, de planejar e experimentar, de tentar meios, de orar e lutar com Deus por sabedoria. Oh, não: não querem esse incômodo. Depois fracassam, desanimam e desistem.
Ora, meus amigos, não é assim que se começa a trabalhar para Deus. Comece quando quiser — comece agora mesmo —, mas comece do jeito certo. Comece orando muito para que Ele lhe mostre como fazer e o equipe para a obra; e comece com um espírito humilde, submisso e disposto a aprender.
Estude o Novo Testamento com atenção especial a esse ponto e você ficará surpreso com a luz crescente que cada página lhe dará. Verá que Deus o considera absolutamente responsável por cada porção de capacidade e de influência que Ele lhe deu; que Ele espera que você empregue para Ele cada momento do seu tempo, cada faculdade do seu ser, cada partícula da sua influência e cada centavo do seu dinheiro.
Quando você receber essa luz, ela será um guia admirável em todos os outros pormenores e áreas da sua vida. Estude os seus planos. Como os homens, na guerra terrena, estudam planos de estratégia e adotam todo tipo de medida para surpreender o inimigo! Mas, infelizmente, que pouco cuidado e que pouca atenção o povo de Deus dedica a ganhar almas — e, no entanto, ganhar almas é um trabalho muito mais árduo do que tomar cidades.
Quantas vezes fiquei espantada com a presunção de pessoas que talvez nunca tenham dedicado uma hora seguida de reflexão, em toda a vida, aos melhores meios de realizar determinado trabalho, e mesmo assim emitem de imediato uma opinião sobre métodos e medidas que foram testados e comprovados na vida de alguns dos obreiros de Deus mais bem-sucedidos. Dizem: "Ah! eu não acredito nisso." "Ah! isso é tudo bobagem, ridículo, errado!" — enquanto, talvez, as pessoas que eles condenam vêm suplicando, chorando, estudando, experimentando, quase derramando o sangue do coração para tentar descobrir os melhores meios de ganhar almas para Cristo.
Nunca esquecerei o choque que senti certa vez, numa grande reunião de cristãos, quando um senhor que ocupava uma posição de algum destaque estava anunciando um hino cuja estrofe falava de passar uma hora vigiando com Jesus. Ele parou no meio do hino e disse algo assim: "Receio que aqui sejamos de fato culpados. Não sei se posso dizer que alguma vez, na minha vida, vigiei uma hora seguida com Jesus." Nunca me esquecerei disso. Meu rosto ardeu de vergonha. Eu disse: "Oh, meu Deus, se estes são os líderes, não precisamos nos admirar com o povo."
Um homem em tal posição atrever-se a dizer isso! Que o Senhor tenha misericórdia dele. Não admira que a obra do Senhor seja feita de forma tão desastrada! Digo que quem quiser ter êxito em ganhar almas precisa vigiar não apenas dias, mas noites. Precisa muito do Espírito Santo, pois continua sendo verdade: "Esta casta não pode sair senão por meio de oração e jejum."
Hoje em dia nos tornamos mais sábios do que o nosso Senhor; mas eu lhe digo: o caminho é o mesmo de sempre, e, se você quiser derramar águas vivas sobre as almas, seja em público, seja em particular, terá de beber muito na fonte, e essas águas terão de estar bem à mão para jorrar! Se não for assim, a sua fala será como o bronze que soa ou o címbalo que retine. Oh! minha alma chora lágrimas de sangue ao pensar no esforço mal dirigido que será feito neste mesmo domingo cristão. Muito trabalho — mas quão pouco resulta dele? Tudo porque é tolhido, arruinado e mal dirigido, por falta de reflexão, de oração e de um olhar único voltado para a salvação das almas. Que Deus nos desperte para isso e nos torne dispostos a pensar, a trabalhar, a aprender, a lutar e a sacrificar, para que possamos fazê-lo.
Depois, a segunda qualificação para um trabalho bem-sucedido é o poder de fazer a verdade chegar ao coração.
Não de entregá-la! Quem dera essa palavra nunca tivesse sido inventada em ligação com o trabalho cristão.
"Entregar" a verdade, ora essa — isso não está na Bíblia! Não, não; não é entregá-la, é cravá-la; é fazê-la entrar, fazê-la ser sentida. Esse é o seu trabalho — não apenas dizê-la, não apenas colocá-la calma e delicadamente diante das pessoas. Aí está justamente a diferença entre um ministério que se consome a si mesmo, com a alma carregada, cheio do Espírito Santo e bem-sucedido, e uma coisa descuidada, despreocupada e cômoda, que simplesmente recita a verdade como quem repete uma lição e vai para casa sem se considerar minimamente responsável pelas consequências. Aí está toda a diferença, tanto no trabalho público quanto no pessoal. Deus o tornou responsável não por entregar a verdade, mas por fazê-la entrar — fazê-la chegar ao alvo, fixá-la na consciência como um ferro em brasa, como uma flecha vinda direto do trono dEle; e Ele colocou à sua disposição o poder de fazer isso — e, se você não fizer, haverá sangue nas suas roupas! Oh! esse jeito refinado de apresentar a verdade! Como Deus o detesta! "Por favor, queridos amigos, os senhores poderiam escutar? Por favor, os senhores se converteriam? Querem vir a Jesus? Ou preferem que leiamos isto, aquilo e mais aquilo?" — tão parecido com a pregação apostólica quanto as trevas se parecem com a luz.
Deus diz: "Vá e faça: obrigue-os a entrar. Esse é o seu trabalho. Não me importo com os meios pelos quais você o faz, desde que sejam lícitos."
"Use exatamente a mesma diligência, o mesmo empenho e a mesma determinação que usaria se estivesse resolutamente decidido a levar adiante qualquer projeto humano, e tenha sempre a certeza de que estarei com você até o fim do mundo.
Nunca duvide da minha presença quando você estiver empenhado nos meus negócios. Estarei com você e farei com que você tenha êxito." Faça isso — que o Senhor nos ajude a fazer a verdade chegar ao alvo!
Foi assim com Paulo, e foi assim com Jesus. Paulo diz: "Conhecendo, pois, o temor do Senhor, persuadimos os homens." Oh! que belo vislumbre isso nos dá do ministério.
Por que você persuade os homens, Paulo? "Porque conheço o terror do Senhor que está para vir, e porque assim julgamos: se um morreu por todos, logo todos estavam mortos. Por isso, persuado os homens." Ele não desistia depois de ter colocado a verdade diante deles.
Ele os carregava no coração e diz: "Por espaço de três anos, não cessei de admoestar a cada um, noite e dia, com lágrimas." Ele fazia a verdade entrar com lágrimas, tanto quanto a cravava com a sua lógica, a sua eloquência e o poder do Espírito Santo nele. Faça a verdade entrar — faça as suas palavras serem sentidas; não fale às pessoas daquele jeito mole e sem vida que não deixa marca alguma — faça com que elas saibam. Se você não tem Espírito Santo suficiente para isso, vá para o seu quarto de oração até ter, e então venha cravar a Palavra na consciência delas como espada de dois gumes, que separa a alma do espírito.
A segunda coisa indispensável ao êxito é a simplicidade — a naturalidade ao apresentar a verdade.
Você não precisa apenas fazer a verdade chegar ao alvo; para isso, precisa apresentá-la de modo simples e natural. Se me pedissem para resumir numa palavra aquilo que considero o maior obstáculo ao êxito da Verdade divina, mesmo quando pronunciada por pessoas sinceras e verdadeiras, eu diria: rigidez. Parece que, no instante em que tocam no assunto da religião, as pessoas assumem outro tom, outro olhar, outros modos — em suma, tornam-se artificiais.
Às vezes as pessoas vêm a mim e dizem: "Ah! eu daria o mundo para ser natural, mas adquiri esse jeito de falar com as pessoas. Parece que não consigo ser natural. A senhora pode me ajudar?" E eu digo: "Sim, posso ajudá-lo com este conselho: decida, com a ajuda de Deus, que vai quebrar o pescoço dessa escravidão. Vou lhe dizer como começar. Comece pela sua família. Interrompa no meio de uma conversa sobre assuntos terrenos e comece a falar da alma deles, ou da sua própria experiência, ou caia de joelhos e comece a orar." "Ah! mas isso seria uma quebra tão brusca." Não deveria ser uma quebra falar com o seu Pai. Se você estiver no espírito disso, não haverá quebra alguma. Isso o ajudará mais do que qualquer outra coisa. Decida que vai vencer esse ar de santidade afetada, que é a maldição de boa parte da religião dos nossos dias.
O que queremos é humanidade santificada, não santidade afetada. Você deve falar com os seus amigos sobre religião do mesmo jeito que fala com eles sobre as coisas da terra. Se um amigo está em dificuldades e procura você, você não começa a falar em rodeios sobre os princípios gerais pelos quais os homens alcançam prosperidade e sobre os tristes enganos dos que não a alcançaram; você vai direto ao ponto e, se sente algo por ele, pega-o pelo braço, ou põe a sua mão na dele, e diz: "Meu caro, sinto muito por você; há alguma coisa em que eu possa ajudar?"
Se você tem um amigo acometido de uma doença fatal, e você percebe e ele não, você não começa a discursar sobre o poder das doenças e sobre como as pessoas podem conservar a saúde; você diz: "Meu caro, receio que essa tosse seca seja mais séria do que você pensa, e esse rubor no seu rosto é mau sinal. Temo que você esteja doente — permita que eu o aconselhe a procurar um médico." É assim que as pessoas falam sobre as coisas da terra. Pois faça exatamente assim com as coisas espirituais. Se o seu amigo está espiritualmente falido, diga-lhe isso. Diga-lhe para onde está indo, que o dia do acerto de contas vem chegando, que muito em breve ele estará na prisão de Deus e que, se o credor um dia o agarrar e o encerrar ali, ele não sairá enquanto não pagar o último centavo. Se o seu amigo tem uma doença espiritual, diga-lhe isso, e trate com ele de forma tão direta e tão séria quanto trataria a respeito do corpo dele. Diga-lhe que você está orando por ele; e a própria preocupação que ele vir nos seus olhos vai despertá-lo, e ele começará a achar que já é tempo de se preocupar consigo mesmo. Procure alcançar esse modo simples, espontâneo e natural de falar com as pessoas sobre a alma delas. Creio que, se todos os cristãos verdadeiros alcançassem isso e o praticassem, este país seria sacudido de ponta a ponta!
Em terceiro lugar, você precisa ser fervoroso — desesperadamente fervoroso, eu diria.
E, de fato, amigos, fixem isto como uma verdade: você nunca fará outra alma perceber a realidade das coisas eternas além do ponto em que você mesmo as percebe. Você gerará na alma de quem o ouve exatamente o grau de percepção que o Espírito de Deus deu a você, e nada mais; portanto, se você está num estado sonolento, cômodo, meio adormecido, só gerará o mesmo tipo de percepção nas almas que o ouvem. Você precisa estar bem desperto, ágil, vivo, sentindo profunda simpatia pela verdade que anuncia — ou ela não produzirá resultado algum.
Aqui está a razão de termos tantos filhos espirituais natimortos, sem nervo, raquíticos e sem poder. Nascem de pais meio mortos, de uma espécie de religião sentimental que não pega a alma, que não tem profundidade de terra, nem firmeza, nem poder — e o resultado é uma safra doentia de convertidos sentimentais. Oh! que o Senhor nos dê um cristianismo real, robusto, vivo, resistente, cheio de zelo e de fé, que traga ao reino de Deus filhos vigorosos e bem formados, cheios de vida e de energia, em vez desses pobres fantasmas sentimentais que ficam saltitando à nossa volta. Oh!
amigos, nós mesmos precisamos dessa percepção viva. Se a tivermos, iremos gerá-la em outros. Oh! agarre-se a Deus. Peça a Ele que o batize com o seu Espírito "até que o zelo da sua casa o consuma".
Esse Espírito abrirá caminho a fogo através de todos os obstáculos de carne e sangue, de formalidades, de conveniências e de respeitabilidades — de morte e de podridão de toda espécie! Ele abrirá caminho queimando e produzirá resultados vivos e marcantes no coração daqueles a quem você fala. Fervor — um fervor tal que chega ao desespero, como o de Paulo, que considerou todas as coisas como escória; sim, e que nem sequer teve a própria vida por preciosa. Esse era o segredo. Ele não teve por preciosa a sua vida, nem nada que compõe a vida — liberdade, prazer, desfrute, amigos, reputação, conforto —, tudo sobre o altar, tudo na balança. Nada disso teve por precioso, para que pudesse ganhar a perfeição, a plenitude de Cristo na sua própria alma, e a salvação das almas ao seu redor.
Oh! que motivo de riso para o inferno é um professante leviano, frívolo, acomodado, morno. Oh! que vergonha e que enigma para os anjos no céu, e que supremo desgosto para Deus.
"Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!
Assim, porque és morno, e nem frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca." — Apocalipse 3:15-16 Oh! o que será isso? Falam em vergonha! Pense nisso! Vergonha! Alguns de vocês sentem vergonha de ir às ruas por Deus. Sentem vergonha quando algumas pessoas os veem se ajoelhar aqui! Pense em ser vomitado da boca de Deus diante do universo reunido. O que será isso? Com a ajuda de Deus, eu quero evitar isso. Prefiro ser pendurada com Jesus na cruz, entre dois ladrões, a suportar tal vergonha. "Quem dera fosses frio ou quente!"
Alguns de vocês dizem nas suas cartas que vão ter essa inteireza de coração. Dizem que abandonaram tudo e que estão se consagrando a uma vida de trabalho. Pois então: sejam quentes. Sei que vocês vão queimar os dedos dos fariseus. Não faz mal. Sei que vocês vão atear fogo às consciências deles, como as raposas de Sansão atearam fogo às plantações. Não faz mal. Sejam quentes. Deus gosta de santos quentes. Decidam que vão ser quentes. Vão chamá-los de loucos — chamaram Paulo assim.
Vão chamá-los de fanáticos e dizer: "Este sujeito é o perturbador de Israel"; mas vocês devem responder: "Não sou eu, e sim vós e a casa de vosso pai, porque abandonastes os mandamentos do Senhor." Devolvam a acusação. Gente quente nunca é problema para gente quente. Quanto mais quentes somos, mais nos aproximamos e mais nos amamos uns aos outros. São os frios que se incomodam com os quentes. Que o Senhor os ajude a serem QUENTES.
Outra condição indispensável é a entrega de todas as nossas forças.
Não pode haver reservas. "Maldito aquele que retém a sua espada do sangue." Essa maldição repousa hoje sobre a cristandade. Oh! eles até enfiam a espada um pouquinho, mas não a levam até o âmago. Não ousam tirar sangue — os soldados desta época —, nem por nada. Não ousam tocar ninguém no ponto vivo porque, infelizmente, estão olhando para si mesmos e pensando no que as pessoas dirão deles, em vez de pensar no que Deus dirá deles. Você não pode ter medo de sangue, se quiser ser um verdadeiro guerreiro do Senhor Jesus Cristo. Não pode ter medo de dizer, se for preciso: "Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira vindoura?" Não pode ter medo de dizer, se for preciso: "Fizestes da casa de meu Pai um covil de ladrões" — se com isso você salvar alguns deles.
Oh! essa maldita bajulação; eu ia dizer: esse maldito medo de enfrentar a desaprovação do mundo — esse maldito chamar bem ao mal e mal ao bem, como se Deus fosse igualzinho a nós. Você acha que Ele não enxerga através dessa farsa vil? Oh! meus amigos, se não melhorarmos neste ponto, Ele virá em juízo dentro de pouco tempo, e então descobriremos a diferença entre o precioso e o vil, se não a descobrirmos antes. Se você quer ser um obreiro bem-sucedido, precisa decidir, logo de saída, que será crucificado.
Como um querido ministro disse certa vez a alguém que discutia com ele por ser tão duro no púlpito: "Não me importo." "Ah!", respondeu o outro, "e o senhor não sabe o que aconteceu com o 'Não me importo'?"
"Sei", disse ele, "foi crucificado, e eu estou pronto para ser crucificado ao lado dele." Quando você estiver do lado certo, não se importe. O máximo que podem fazer é crucificá-lo, e logo estará terminado; e então, diz a Bíblia, "se sofremos, também com ele reinaremos, e juntamente seremos glorificados". Já seria coisa admirável ser glorificado sozinho; mas, oh, pense em ser glorificado juntamente com Ele!
Um senhor disse há pouco tempo: "Tenho pensado muito na glória. É uma coisa admirável — essa glória que há de vir. Valeria a pena uma pessoa passar a vida inteira sentada num monte de lixo para obtê-la." Olhei para ele e pensei: talvez o senhor esteja mais perto dela do que imagina — e talvez eu também esteja. Ah! é coisa admirável, essa glória que há de vir. Estejamos, pois, dispostos a sofrer com Ele e por Ele. Decida logo no começo que será crucificado, e então tudo ficará fácil.
Além disso, o abandono completo de si mesmo é condição para um trabalho bem-sucedido.
É assim em tudo. O que você pensaria de um soldado que vivesse calculando quanto aquilo ia lhe custar, quando poderia voltar para casa, ou se valia o sacrifício? Você diria: "Ele não serve para o Exército. Queremos gente que entre para vencer, custe o que custar." Pois Deus quer homens e mulheres que entrem para vencer, que creiam na vitória, que saibam que têm poder para vencer e que considerem todas as coisas perda em comparação com a vitória. Você quer êxito? Se não chegar a isso primeiro, nunca o alcançará.
Em quarto lugar: você precisa abrir mão, chutar para longe, pisar aos pés tudo o que atrapalha.
A reputação. Talvez haja alguns ministros aqui. Havia alguns no domingo passado, e havia alguns no domingo anterior. Alguns de vocês me escreveram, outros conversaram comigo. Vocês dizem: "Seria um rompimento completo com o meu círculo." Exatamente. Alguns dizem: "A senhora entende: a consequência inevitável de erguer esse padrão elevado seria enfiar a espada, sem parar, em alguns dos seus melhores ouvintes e dos seus melhores amigos." Exatamente; isso é dar a sua espada ao sangue.
Você não acharia grande coisa tirar o sangue de um inimigo — é o sangue dos seus amigos que é a prova! Sei bem como é; passei por isso. Fiquei nesse ponto muito tempo, certa vez. Era a minha própria ferida. O diabo dizia: "Se você começar a pregar, vão chamá-la de mulher atrevida", e eu sentia que era quase preferível ir para o inferno a ouvir isso a meu respeito. Ele dizia: "Vão colocá-la nos jornais e dizer todo tipo de coisa grosseira e vulgar a seu respeito"; e só Deus sabe o que isso significou para a minha alma. Mas lutei e batalhei com isso por muito tempo, até que por fim disse: "Senhor, não me importo com o que me chamem — eu me entrego a Ti para ganhar almas." Já me arrependi disso alguma vez? Algum dia me arrependerei? Não; Ele cuidará da sua reputação. Entregue-a a Ele, meu irmão.
Os escribas e os fariseus nunca tiveram nada de bom a dizer sobre Jesus vindo em carne. Abra mão da sua reputação — siga-O. Se for preciso, decida ir atrás dEle até o Getsêmani, até o Gólgota e a cruz. Não faz mal — siga-O. Abra mão da sua reputação.
Depois, os seus hábitos. Que vergonha sentirão alguns de vocês, que deixaram as meras frivolidades da moda e da sociedade se colocarem no caminho da sua consagração a Cristo; e, no entanto, quem age assim diz que é cristão. Eu não sei; não consigo acreditar. Tem a bebida: querem seu copo de vinho. Muito bem, você pode ter o seu copo; mas não terá o vinho do reino. Cristãos professos se vestem como as prostitutas de Paris. Muito bem; mas não serão a noiva do Cordeiro. Ele não andará com elas pelas ruas, nem se sentará à mesma mesa.
Você pode ir a festas onde dizem que só há gente religiosa, mas onde você sabe que corre todo tipo de fofoca e de conversa fiada sem Cristo — coisas que você teria enorme vergonha de o Mestre ouvir, e das quais você sai sem nenhum apetite para a oração. Você pode ir a tudo isso, mas eu o desafio a ter o Espírito Santo ao mesmo tempo. Não vou parar para discutir; EU SÓ SEI QUE VOCÊ NÃO CONSEGUE. Tudo isso terá de ser posto de lado e abandonado. Você diz: "Esse é um ponto doloroso." Sim; eu sei que isso é enfiar a espada até tirar sangue.
Em quinto lugar: você precisa consagrar o seu dinheiro para ser usado por Deus.
Ouvi certa vez um velho santo veterano dizer — e na hora achei exagero: "Considero o uso do dinheiro a prova mais segura do caráter de uma pessoa." Pensei: não, certamente a maneira como ele trata a esposa e os filhos é prova mais segura do que essa; mas vivi o bastante para passar a crer no ponto de vista dele. Veja, então, como a experiência humana confirma a sabedoria divina: "o amor ao dinheiro é raiz de toda espécie de males". E assim é, de uma forma ou de outra. Deus nunca usa ninguém de modo significativo enquanto essa pessoa não tiver entregado o seu dinheiro. Estou apenas declarando um fato. Sabemos que é assim, pela experiência e pela história do povo de Deus.
Você precisa abandonar o dinheiro como objetivo: guardá-lo por si mesmo, ou para satisfazer os seus propósitos egoístas ou os dos seus filhos — tudo tem de ser entregue a Deus, a quem pertence, e inteiramente usado no serviço dEle. Se você quer ser um obreiro bem-sucedido em favor das almas, terá de fazer isso logo à entrada. Entregue o seu dinheiro ao Senhor. Se achar certo guardar uma parte, guarde-a para usá-la por Ele à medida que caminha; e seja tão rigoroso consigo mesmo, diante do seu Pai celestial, quanto seria com o seu secretário ou o seu funcionário em relação a você — e então tudo estará bem.
É um caminho estreito e difícil. Tremo por vocês que têm dinheiro, e me alegro por não ter; mas, já que vocês o têm, dou-lhes o melhor conselho que conheço. É coisa terrível tê-lo, mas a melhor saída é consagrá-lo e usá-lo para a glória dEle; e, se você não fizer isso, ele corroerá a sua alma como uma doença. Para a sua natureza espiritual ele será o que um câncer é para o seu corpo. As palavras são de Paulo, não minhas.
Preciso dizer uma palavra sobre a recompensa.
Vocês acham que eu vivo os empurrando para a ação. Sim, porque vocês precisam disso. O Senhor sabe que não os encontro fazendo demais. De alguns de vocês tenho sincera vergonha. Alguns precisam tanto ser empurrados que deveriam agradecer a Deus por essa disciplina. Paulo pergunta: "Irei a vós com vara?" Com algumas pessoas ele foi obrigado a fazer isso. Não é tarefa invejável; mas não ousamos, quando Deus nos dá um trabalho a fazer, esquivar-nos dele. Mas há um lado luminoso — há a recompensa.
"O quê!", você diz, "Ele paga?" Sim, um bom salário — medida recalcada, sacudida! Ele diz: "Aquele que se lembra do pobre (você acha que Ele se refere só ao corpo do pobre?), dele me lembrarei; eu lhe farei a cama (que alusão terna!) na sua enfermidade." Ele a arrumará; espalhará as suas penas sobre os travesseiros como nenhuma enfermeira da terra, nem mesmo a esposa mais carinhosa, seria capaz de fazer. "Eu lhe farei a cama na sua enfermidade." Você vai precisar dEle nessa hora, irmão! Alguns de vocês são muito independentes agora, mas vão precisar dEle nessa hora. "Eu lhe farei a cama na enfermidade. Porei debaixo dele os meus braços eternos." Ele fará com que você triunfe nas águas da morte. Isso será grandioso, não será? Ele lhe dará uma entrada triunfante no seu reino — a vocês que saíram, com solicitude amorosa e simpatia inquieta, para trabalhar pelas almas dos seus semelhantes. Ele lhes proporcionará uma entrada abundante e, depois — o quê? Ele lhes dará filhos; e a mulher estéril terá mais filhos do que aquela que tem marido.
Oh! neste ponto o mundo inteiro é igual. Todo homem e toda mulher querem filhos. Eles são, de modo especial, herança do Senhor. Nada compensa a falta de filhos. Os pais mais pobres, morando na cabana mais humilde, não lhe venderiam os seus filhos; e o rico, com vinte mil por ano, daria tudo por um filho ou por uma filha, quando não pode tê-los. Todo ser humano quer filhos. Pois bem: o Senhor lhe dará filhos. Uma mãe — mesmo uma mãe santa — creio que não consegue deixar de sentir prazer, ou melhor, alegria e gratidão, quando mostra aos amigos filhos bons, obedientes e piedosos. Não creio que Deus queira esmagar isso dentro de nós.
Creio que Ele mesmo se deleita nisso, assim como se deleitou em mostrar ao diabo o seu servo Jó. "Observaste o meu servo Jó?" Ah! não estava Ele orgulhoso dele? — e continua orgulhoso dele desde então. Deus pôs esse sentimento em nós, e é um sentimento correto quando é santo. Não podemos deixar de nos orgulhar de filhos piedosos e obedientes; mas o que será mostrar os seus filhos espirituais aos anjos? Como você se sentirá quando reunir em volta do trono do seu Salvador a família espiritual que Deus lhe deu e disser: "Eis-me aqui, e os filhos que Tu me deste"? — filhos ganhos em meio a conflito, provação e luta, como só Deus soube; "filhos gerados em cadeias", como diz Paulo — em prisões —, filhos nascidos no meio do furacão do conflito espiritual, do trabalho e do sofrimento; embalados, ninados, alimentados, cuidados e criados a um custo infinito e a um desgaste infinito de mente, de coração e de alma; mas agora, aqui estamos, Senhor. Chegamos até aqui, apesar de tudo.
"Eis-me aqui, e os filhos que Tu me deste." Como você se sentirá? Vai lamentar o trabalho? Vai se arrepender do sacrifício? Vai reclamar do caminho pelo qual Ele o conduziu?
Vai achar que Ele poderia ter tornado tudo um pouco mais fácil, como às vezes você é tentado a achar agora?
Oh! não, não! — OS FILHOS! OS FILHOS! você terá filhos! Isso não será recompensa suficiente?
Oh! às vezes, quando passo por conflitos e provações ligados a uma obra que traz muito disso nos bastidores, eu me animo no Senhor e me lembro daqueles que já foram para casa e me mandam as suas saudações da margem do rio, dizendo que vão esperar e ficar de olho por mim, e ser os primeiros a me entregar ao Salvador quando eu chegar lá. Isso não será recompensa suficiente? Assim seja, Senhor. Amém.