Capítulo 13 · 8 min de leitura
Tradução por IA — aguardando revisão nativa
Humildade e Autoexame
Humildade
Que é a humildade de espírito? Humildade é fazer uma justa avaliação de si mesmo. Não é humildade um homem pensar de si menos do que deve, ainda que lhe fosse até difícil consegui-lo. Algumas pessoas, quando sabem que podem fazer algo, dizem que não podem; mas você certamente não chamaria isso de humildade, não é? Pede-se a um homem que tome parte em alguma boa obra: "Não", diz ele, "não tenho capacidade"; contudo, se você dissesse isso a respeito dele, ele se ofenderia. Não é humildade um homem levantar-se e menosprezar-se, e dizer que não pode fazer isto, aquilo ou aquilo outro, quando sabe que é mentira. Se Deus dá a um homem um talento, você pensa que o homem não o sabe? Se um homem tem dez talentos, não tem o direito de ser desonesto para com o seu Criador, e dizer: "Senhor, só me deste cinco." Não é humildade subestimar os seus dons: humildade é pensar de si mesmo, se você puder, como Deus pensa de você. É sentir que, se temos talentos, foi Deus quem no-los deu, e deixar ver que, como a carga num navio, eles tendem a fazer-nos afundar bem baixo. Quanto mais temos, mais baixo devemos jazer. Humildade não é dizer "Não tenho este dom"; é dizer "Tenho o dom, e devo usá-lo para a glória do meu Mestre. Nunca devo buscar honra alguma para mim; pois que tenho eu que não tenha recebido?" Humildade é sentir que não temos poder algum por nós mesmos, mas que tudo vem de Deus. Humildade é apoiar-se no nosso Amado, dizendo: "Tudo posso naquele que me fortalece." É, na verdade, aniquilar o eu, e exaltar o Senhor Jesus Cristo como Tudo em todos.
Autoexame
"Se é que já provastes que o Senhor é bondoso." "Se"—então há a possibilidade de que alguns talvez não tenham provado que o Senhor é bondoso, e é preciso indagar se estamos entre o número dos que conhecem a graça de Deus por experiência do coração. Não há revelação espiritual que não possa ser matéria de exame do coração. No próprio cume do santo deleite deparamos com o desafio da sentinela "Se"—"Se, pois, ressuscitastes com Cristo"; e no próprio pé da colina, mesmo junto ao portão do Arrependimento, Ele nos sai ao encontro com um mandado de prisão, até ver se a nossa tristeza é a tristeza segundo Deus, da qual não há por que se arrepender. "Se tu és o Filho de Deus" nem sempre é uma tentação do diabo, mas muitas vezes uma indagação bastante saudável, sugerida com toda propriedade pela santa solicitude aos homens que desejam edificar seguramente sobre a Rocha das Eras. À própria Mesa do Senhor é conveniente que oremos: "Senhor, serei eu?", quando há um Judas na companhia; e, depois da mais íntima comunhão, Cristo exclamou: "Simão, filho de Jonas, tu me amas?" Que nenhum gozo das ordenanças, que nenhuma alta e arrebatada comunhão que tenhamos conhecido nos isente do grande dever de nos provar a nós mesmos, se estamos na fé. Examine-se, pois, nesta matéria, e não se dê por satisfeito enquanto não puder dizer: "Não há 'se' algum a respeito disto; eu provei que o Senhor é bondoso."
A Primeira Lição
O degrau que dá acesso ao templo da sabedoria é o conhecimento da nossa própria ignorância. Não pode aprender bem quem não foi primeiro ensinado de que nada sabe. É bom para um homem sentir que está apenas começando a aprender, e estar disposto a submeter o coração aos ensinos do Espírito de Deus, para ser guiado por Ele em tudo. A oração da alma vivificada é: "Ensina-me tu." Tornamo-nos como criancinhas quando Deus começa a tratar conosco.
O Perigo da Prosperidade
Os lugares altos e o louvor de Deus raramente combinam: um cálice cheio não se leva facilmente sem entornar; quem está sobre um pináculo precisa de cabeça firme e de muita graça.
A Justa Medida
Quanto mais alto um homem está na graça, mais baixo estará na própria estima.
O Eu
A fé nunca será fraca se o eu for fraco; mas, quando o eu é forte, a fé não pode ser forte; pois o "eu" é muito parecido com aquilo que o jardineiro chama de "rebento ladrão", ao pé da árvore, que nunca dá fruto, mas apenas desvia o alimento da própria árvore. Ora, o eu é aquele rebento ladrão que desvia o alimento da fé, e você precisa cortá-lo pela raiz, ou então a sua fé será sempre "pouca fé", e você terá dificuldade em manter qualquer conforto na alma.
A Gravidade Cristã
Quando fazemos profissão da nossa fé em Cristo, não devemos revestir o rosto de tristeza, mas antes acender o coração com uma alegria mais pura do que jamais conhecemos; e, contudo, devemos pôr de lado toda leviandade indecorosa. "Do riso disse: é loucura." Eu o disse, e o disse até no dia da alegria do meu coração. As folias do insensato, a bulhenta jovialidade do ébrio—estas não se comparam ao sereno prazer das nossas expectativas principescas. Ande como quem espera a vinda do Filho do Homem, ouvindo esta voz aos seus ouvidos: "Que tipo de pessoas deveis ser em todo o santo procedimento e piedade?"
A Vista Curta
Que criaturas de vista tão curta somos com frequência! Pensamos ver o fim, quando estamos apenas contemplando o começo. Às vezes tiramos o nosso telescópio para olhar o futuro, embaçamos o vidro com o hálito quente da nossa ansiedade, e então pensamos ver nuvens e trevas diante de nós. Se estamos em aflição, vemos
"Cada dia novas angústias nos acometem, e a nós mesmos perguntamos onde a cena há de terminar."Não; concluímos que tudo há de terminar na nossa destruição. Imaginamos que "Deus se esqueceu de ter compaixão." Pensamos que "Ele, na sua ira, encerrou as suas misericórdias." Oh, esta vista curta! Quando você e eu deveríamos crer em Deus; quando deveríamos olhar para o céu que nos aguarda, e para a glória para a qual estas leves aflições nos preparam; quando deveríamos olhar através da nuvem para o sol eterno que nunca conhece eclipse; quando deveríamos repousar no braço invisível do Deus imortal, e triunfar no seu amor—estamos a lamentar e a desconfiar. Que Deus nos perdoe por isto, e nos capacite a, de agora em diante, olhar não para as nossas tribulações, mas acima delas, para Aquele que, com infinita sabedoria e amor, nos guia, e prometeu conduzir-nos a salvo até o fim.
Não Sejas Arrogante, mas Teme
Ao mesmo tempo em que buscamos com todo empenho a plena certeza da fé, sabendo que ela é a nossa força e a nossa alegria, lembremo-nos também de que há uma tentação ligada a ela. Quando tiveres alcançado essa plena certeza, crente, então põe-te de sentinela na tua torre de vigia, pois a próxima tentação será: "Alma, descansa; a obra está feita; tu alcançaste; agora cruza os braços; fica quieta; tudo acabará bem; por que precisas afligir-te em demasia?" Toma cuidado nas estações em que não tens dúvida alguma. "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação." "Aquele que pensa estar em pé, veja que não caia." "Eu disse: jamais serei abalado. Senhor, pelo teu favor firmaste o meu monte." E o que vem depois? "Escondeste o teu rosto, e fiquei perturbado." Bendize a Deus pela plena certeza; mas lembra-te de que nada, senão um andar cuidadoso, pode preservá-la. A plena certeza é uma pérola de valor inestimável; mas, quando um homem tem uma joia preciosa e caminha pelas ruas, deve temer muito os batedores de carteira. Assim, quando o cristão tem a plena certeza, esteja seguro de que Satanás tentará roubá-la. Que ele seja mais circunspecto no seu andar, e mais diligente na sua vigilância do que era antes.
Uma Lição de Humildade
Quando Jesus enviou os seus setenta discípulos, dotados de poderes miraculosos, eles realizaram grandes maravilhas e, muito naturalmente, ficaram um tanto exaltados. Nas palavras deles, "Eis que até os demônios se nos submetem", Jesus notou a sua tendência ao orgulho e à autocongratulação. E qual foi a sagrada lição que Ele lhes ensinou para impedir que se exaltassem além da medida? "Contudo", disse Ele, "não vos alegreis por isto, mas alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus." A certeza do nosso interesse em Cristo tenderá a manter-nos humildes no dia da nossa prosperidade; servirá de lastro secreto sabermos que temos algo melhor do que estas bênçãos terrenas, e por isso não devemos afeiçoar-nos às coisas da terra, mas que o nosso coração esteja onde está o nosso maior tesouro. Melhor do que qualquer lanceta para derramar o sangue supérfluo da nossa jactância—melhor do que qualquer remédio amargo para afugentar a febre ardente do nosso orgulho—é este preciosíssimo e santificado vinho da aliança: a lembrança da nossa segurança em Cristo. Isto, revelado a nós pelo Espírito, bastará para nos manter naquela feliz humildade que é a nossa verdadeira posição. Mas, quando em algum momento formos abatidos por tribulações multiplicadas, o mesmíssimo fato que nos manteve humildes na prosperidade nos preservará do desespero na adversidade. Pois o apóstolo Paulo estava cercado por um grande combate de aflições; e, contudo, pôde dizer: "Todavia, não me envergonho." Mas o que é que o preserva de afundar? É a mesma verdade que guardou os antigos discípulos de um orgulho arrogante. É a doce persuasão do seu interesse em Cristo. "Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia." Busquemos, então, com fervor, obter esta plena certeza da fé, pois ela nos ajudará em todos os estados de experiência. Não descansemos satisfeitos enquanto não pudermos dizer com Paulo: "Eu sei em quem tenho crido."