Capítulo 5 · 9 min de leitura · 12 min de escuta
Um Povo da Aliança
Efésios 2:11-22
Paulo escreve muito sobre ‘nós’ e ‘vocês’. Ele está se referindo aos judeus (nós) e aos gentios (vocês).
Ele sabia que privilégio era ser judeu. Eles eram o povo escolhido de Deus, chamado para fora do mundo a fim de ocupar uma terra que Deus havia escolhido para eles. Eram recipientes do amor e da fidelidade de Deus e tinham uma história repleta do Seu livramento e da Sua bênção. Tinham a Lei, pela qual só eles podiam encontrar a justiça. Tinham um sacerdócio e sacrifícios pelos quais podiam se aproximar de um Deus santo. E eram o povo do qual viria o Messias que governaria o mundo – e Paulo sabia quem era!
Os judeus tinham uma opinião muito baixa dos gentios – eram chamados de ‘cães’ (observe as palavras de Jesus em Mt 15:26!).
No entanto, Paulo havia recebido um ‘mistério’ – o de que ele seria o apóstolo dos gentios (3:1-7).
Veja como ele descreve ‘vocês’ – os gentios.
2: 1 mortos em transgressões e pecados – como nós também éramos, filhos da ira (v3) 2:11 ‘incircuncisão’. Isso significa que eles não estavam numa relação de aliança com Deus.
2:12 separados de Deus; alienados da comunidade de Israel; estrangeiros às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Que situação triste!
Mas note que ele não escreve sobre isso em termos de serem pecadores que precisam de perdão, mas, antes, como forasteiros que precisam ser ‘aproximados’. Seus pensamentos não se concentram na salvação, mas no relacionamento e na reconciliação.
v13: “Mas agora…” Aproximados, feitos um com o judeu.
2:18 tendo acesso ao Pai 2:19 não mais estrangeiros e forasteiros; concidadãos dos santos; membros da família de Deus.
2:20 edificados sobre o mesmo fundamento dos apóstolos e profetas.
Paulo continua esse tema no Capítulo 3: 3:6: ‘Vocês se tornaram coerdeiros e membros do mesmo ‘corpo’; coparticipantes da promessa em Cristo Jesus.
3:8 recipientes das insondáveis riquezas em Cristo.
Nós nos tornamos um povo da aliança. Neste capítulo, quero falar sobre ALIANÇA.
Os judeus entendiam a aliança. Haviam sido bem ensinados que Deus fizera uma aliança com Abraão, seu ‘pai’, e a repetira a Moisés no estabelecimento da Lei. “Eu serei o seu Deus, e vocês serão o meu povo” (Êx 6:7).
O que é uma aliança? É um acordo entre duas partes. Nos tempos do AT, Deus era a parte que ditava os termos da aliança. Ele chamou Abrão de Ur (Babilônia) e lhe prometeu uma grande herança e uma terra (Gn 12). Deus repetiu essas promessas várias vezes em Gênesis. Em Gn 17, é por meio de Isaque (o filho de Sara) que a aliança continuará, e não por meio de Ismael (o filho da escrava). Em Gn 26, a promessa da aliança é repetida a Isaque; em Gn 28, é repetida a Jacó depois da sua visão de uma escada que alcançava o céu.
Parecia que a promessa tinha sido em vão depois que Jacó emigrou para o Egito numa época de grande fome.
Seus descendentes gradualmente se tornaram escravos naquela terra, depois de estarem fora da “Terra Prometida” por 400 anos. Então Moisés é levantado para libertá-los.
Êx 2:24: Deus ‘se lembrou’ da Sua aliança com Abraão, Isaque e Jacó. Êx 3:6: Deus declarou (de uma sarça ‘ardente’) “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó”. Êx 3:15: “Diga ao povo: o Senhor, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, enviou você”.
Êx 6:2-4: Deus Se declara a Moisés como Jeová (Senhor) – um nome NÃO conhecido antes por Abraão, Isaque e Jacó, que só O conheciam como El Shaddai – Deus Todo-Poderoso (impessoal).
Êx 19:5: Uma nova promessa é feita aos Filhos de Israel, agora fora do Egito. “Se vocês guardarem a minha aliança, então vocês serão a minha propriedade peculiar dentre todos os povos.”
Então, em Êx 20, os “termos” da (antiga) aliança são estabelecidos – os 10 mandamentos (seguidos de várias leis civis). Eles foram estabelecidos para ensinar as altas exigências da vida que Deus requeria, se o Seu povo quisesse ser aceito por Ele como ‘justo’. Toda a história atesta o fato de que eles não conseguiram (e não quiseram) cumprir a sua parte do acordo da aliança.
Os capítulos seguintes descrevem as cerimônias e suas leis, pelas quais o homem podia “aproximar-se” de Deus. O ponto alto dessas cerimônias era o “Dia da Expiação” (Yom Kippur), quando o Sumo Sacerdote tomava o sangue de um cordeiro (perfeito) e o aspergia sobre o ‘propiciatório’ no Santo dos Santos, no tabernáculo. Se o Sumo Sacerdote voltasse em segurança para o seu povo, era sinal de que Deus havia aceitado o sangue derramado como cobertura para os pecados deles por mais um ano, e o povo celebrava com grande alegria! Essa era a ANTIGA ALIANÇA, da qual nós, gentios, não tínhamos parte (veja acima).
O que é a NOVA ALIANÇA na qual nós entramos? Quais são os seus benefícios, e quais são os seus termos (exigências)? Onde/quando você concordou com os termos?
Uma Nova Aliança foi estabelecida por Jesus na noite anterior à Sua morte. (João 13-17). Ele convidou os Seus discípulos para partilharem com Ele a Festa da Páscoa. Essa festa anual celebrava a ocasião em que Deus tirou o Seu povo da escravidão do Egito, ‘passando por cima’ de cada casa onde o sangue de um cordeiro havia sido colocado no umbral da porta. (Êx 12). Ele mandou preparar uma sala e enviou Pedro e João para verificar se tudo estava pronto (Lucas 22). Só posso imaginar o que cada um estava pensando ao entrar naquela sala.
Com certeza Pedro devia estar pensando: “Uau, que semana foi esta! As multidões se juntaram para nos receber quando chegamos, lançando suas roupas na rua e agitando ramos de palmeira! Fico imaginando se esta é a hora em que Jesus vai Se revelar como Messias!” Tiago e João, os “Filhos do Trovão”, devem ter ficado ainda mais impressionados ao vê-Lo expulsar os cambistas do templo.
Com certeza, eles devem ter pensado: “Ele está prestes a Se revelar como o Messias!”
Pensamentos semelhantes devem ter passado pela mente de cada um dos discípulos ao entrarem naquela sala, mas Jesus sabia algo que eles não sabiam – amanhã Ele morreria!
Se eu soubesse que tinha pouco tempo de vida, daria prioridade às minhas ações. Eu ia querer ter certeza de que minha esposa e minhas filhas soubessem o quanto eu as amava. Ia querer ter certeza de que não estava deixando por fazer nenhum trabalho que deveria ter feito, nenhuma dívida por pagar, nenhuma promessa por cumprir.
Eu não gastaria o meu tempo como muitas vezes faço, assistindo a esportes na TV ou lendo um romance - eu ia querer tratar das prioridades.
Aquela seria uma noite em que Ele trataria das PRIORIDADES!
Ele fez muitas promessas maravilhosas! Prometeu-lhes (e a nós) um lugar no céu e que virá outra vez (João 14:3); poder para fazer ‘obras maiores’ (14:12); o Consolador (14:16); paz, diferente da paz do mundo (14:27); fruto (15:4); plenitude de alegria (15:11); direção (16:13); oração respondida (16:24). Creio que Ele pretendia cumprir essas promessas, pois tenho experimentado a Sua fidelidade em muitas delas. Este é o lado Dele da Aliança.
Ele pediu deles (e de nós) três coisas: que servissem uns aos outros (como Ele demonstrou ao lavar os pés deles, 13:14); que amassem uns aos outros (um mandamento, 13:34); que obedecessem à Sua palavra (14:15). Este é o nosso lado da Aliança.
Ele prometeu paz, poder, o Espírito Santo etc., se servirmos uns aos outros, amarmos uns aos outros e obedecermos à Sua palavra. Esta é a Nova Aliança.
No fim da ceia, Ele tomou o pão e disse: “Este é o meu corpo por vocês – tomem, comam”. Depois tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Bebam dele.” Toda vez que você e eu tomamos o pão e o cálice, estamos declarando a nossa concordância com a aliança. Em outras palavras, estamos dizendo: “Servirei o Teu povo, amarei o Teu povo e obedecerei à Tua palavra!”
Quais são, então, as ‘leis’ dessa nova aliança? Elas estão escritas em nosso coração (Jr 31:33), e tomamos consciência delas pelo ensino e pela palavra que convence do Espírito Santo, o único que nos dá o poder de viver de acordo com elas. Estão contidas no ‘Sermão do Monte’ e em outros ensinos de Jesus, ampliados pelos ensinos das epístolas. Elas jamais podem nos fazer merecer a salvação, mas são a expectativa que Deus tem de cada um dos Seus filhos.
Em reconhecimento de que estavam numa relação de aliança, todos os judeus do sexo masculino eram circuncidados – lit.: ‘um cortar fora’ da carne. Se a circuncisão era o símbolo ou sinal de uma relação de aliança com Deus, qual é o ‘símbolo’ pelo qual nós também entramos numa relação de aliança? Veja Colossenses 2:11-15, reconhecendo a relação muito próxima entre esses dois livros. O batismo é o ato pelo qual o nosso coração é circuncidado – um ‘cortar fora’ da carne da velha natureza. Sem a circuncisão, o judeu não podia herdar as promessas de Deus. Podia viver de acordo com a Lei, até mesmo viver como ‘estrangeiro’ na terra, mas não podia desfrutar as riquezas da sua herança.
Em Cl 2:14, lemos que Ele cancelou ‘o documento escrito em ordenanças que era contra nós’ – um certificado de morte, hostil a nós. Isso se alinha com Ef 2:15, onde lemos sobre ‘a inimizade, a lei dos mandamentos contida em ordenanças’. Para nós, a Lei era um decreto de morte, pois somos incapazes de cumprir as suas terríveis exigências – mas Jesus cancelou essa dívida.
Agora estamos sendo edificados sobre o duplo fundamento dos profetas (AT) e dos apóstolos (NT). Jeová tornou-se o nosso Deus – fomos aproximados por causa do sangue derramado do cordeiro perfeito, Jesus – sangue que cobre o nosso pecado, não por um ano, mas por toda a eternidade!
Nós nos tornamos um novo povo, o povo de uma Nova Aliança, cujos termos foram dados na última Ceia, cujas Leis estão escritas em nosso coração, e o compromisso com ela é expresso toda vez que tomamos os elementos da comunhão.
Sempre que tomo o pão – “Seu corpo, partido por nós” - olho ao meu redor e digo: “Obrigado, Pai, porque faço parte deste corpo, tanto local quanto global.” Sempre que tomo o cálice, digo: “Senhor, servirei o teu povo, amarei o teu povo, obedecerei à tua Palavra.”
Tenho plena consciência de que, se eu tomar os elementos ‘de maneira indigna’, isto é, se não estiver servindo nem amando o Seu povo, nem obedecendo à Sua palavra, corro o risco de trazer juízo e doença sobre mim mesmo. (1Co 11:27-30).
Perguntas para reflexão
How does Evans say Paul describes the Gentiles’ former condition in Ephesians 2, and what is notable about it?
They were dead in trespasses, “uncircumcision” (not in covenant with God), excluded from the commonwealth of Israel, strangers to the covenants of promise, without hope and without God. Evans notes Paul speaks of them not chiefly as sinners needing forgiveness but as aliens needing to be “brought near” — his thought centres on relationship and reconciliation.
What was the significance of the Day of Atonement under the old covenant?
The High Priest took the blood of a perfect lamb and sprinkled it on the mercy seat in the Holy of Holies. If he returned safely, it was a sign that God had accepted the shed blood as a covering for the people’s sins for another year, and they would greatly celebrate.
What does Evans identify as Christ’s side and our side of the New Covenant made at the Last Supper?
Jesus’ side is His many promises — a place in heaven and His return, power for greater works, the Comforter, peace, fruit, fullness of joy, guidance and answered prayer. Our side is three things He asked: to serve one another, to love one another and to obey His word.
Why does Evans picture the disciples’ thoughts as they entered the upper room?
To contrast their expectations with what Jesus knew. After the triumphal entry and the cleansing of the temple they likely thought He was about to reveal Himself as Messiah, but Jesus knew He would die the next day — so this was a night when He would deal with priorities.
What does Evans say he declares each time he takes the bread and the cup?
With the bread he looks around and thanks the Father that he is part of this body, both local and global; with the cup he says, “Lord, I will serve your people, I will love your people, I will obey your Word.” He is aware that taking the elements unworthily risks bringing judgment and sickness (1 Cor 11:27-30).
Capítulo 5 concluído
Um Povo da Aliança