Capítulo 30 · 4 min de leitura
Tradução por IA — aguardando revisão nativa
A Unção em Nome do Senhor
“Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor” (Tiago 5:14).
Ungindo-o com azeite em nome do Senhor.” Estas palavras têm dado lugar a controvérsia. Alguns têm procurado inferir delas que, muito longe de prescrever o recurso à oração da fé somente, sem o uso de remédios, São Tiago havia, pelo contrário, mencionado a unção com azeite como um remédio a ser empregado, e que ungir em nome do Senhor não tinha outra significação senão a de friccionar o doente com azeite. Mas, como esta prescrição se aplica a toda sorte de enfermidade, isto seria atribuir ao azeite uma virtude miraculosa contra toda enfermidade. Vejamos o que a Escritura nos diz acerca da unção com azeite, e que sentido ela liga a estas duas palavras.
Era costume dos povos do Oriente ungirem-se com azeite ao saírem do banho; era coisa sumamente refrigerante num clima quente. Vemos também que todos os que eram chamados ao serviço especial de Deus deviam ser ungidos com azeite, como sinal da sua consagração a Deus e da graça que dele haviam de receber para cumprir a sua vocação. Assim, o azeite que servia para ungir os sacerdotes e o tabernáculo era tido por “santíssimo” (Êxodo 30:22—32); e, em toda parte onde a Bíblia fala da unção com azeite, ela é um emblema de santidade e de consagração. Em parte alguma da Bíblia encontramos prova alguma de que o azeite fosse usado como remédio.
Uma vez, é verdade, a unção com azeite é mencionada em conexão com a enfermidade; mas o seu lugar ali era evidentemente o de uma cerimônia religiosa, e não o de um remédio. Em Marcos 6:13 lemos que os doze “expulsavam muitos demônios, e ungiam muitos enfermos com azeite, e os curavam.” Aqui a cura dos enfermos corre paralela à expulsão dos demônios: ambas o resultado de um poder miraculoso. Tal era a espécie de missão que Jesus ordenou aos seus discípulos quando os enviou de dois em dois: “Deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda sorte de enfermidade e toda sorte de doença” (Mateus 10:1). Assim, era o mesmo poder que lhes permitia quer expulsar demônios, quer curar os enfermos.
Mas procuremos descobrir o que era simbolizado pela unção administrada pelos doze. No Antigo Testamento, o azeite era o símbolo do dom do Espírito Santo: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu,” etc. (Isaías 61:1). Diz-se do Senhor Jesus no Novo Testamento: “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder” (Atos 10:38); e diz-se dos crentes: “Vós tendes a unção [unção, R.V.] do Santo” (1 João 2:20). Às vezes o homem sente a necessidade de um sinal visível, que fale aos seus sentidos, que venha em seu auxílio para sustentar a sua fé e habilitá-lo a apreender o sentido espiritual.
A unção deve, portanto, simbolizar ao enfermo a ação do Espírito Santo que dá a cura.
Temos, pois, necessidade da unção tanto quanto da oração da fé? É a Palavra de Deus que a prescreve; e é para seguir os seus ensinos que a maior parte dos que oram pela cura recebem a unção; não que a considerem indispensável, mas para mostrar que estão prontos a submeter-se à Palavra de Deus em todas as coisas. Na última promessa feita pelo Senhor Jesus, Ele ordena a imposição das mãos, e não a unção, para acompanhar a comunicação da virtude curadora (Marcos 16:18). Quando Paulo circuncidou a Timóteo, e quando tomou sobre si um voto especial, foi para provar que não tinha objeção a observar as instituições da Antiga Aliança, contanto que a liberdade do Evangelho não sofresse por isso prejuízo. Do mesmo modo, Tiago, o chefe da Igreja de Jerusalém, fiel em preservar tanto quanto possível as instituições de seus pais, continuou o sistema do Espírito Santo. E também nós devemos considerá-la, não como um remédio, mas como um penhor da poderosa virtude do Espírito Santo, como um meio de fortalecer a fé, um ponto de contato e de comunhão entre o enfermo e os membros da Igreja que são chamados a ungi-lo com azeite.
“Eu sou o Senhor que te sara” (Êxodo 15:26).