Cura Divina ·A Oração da Fé

Capítulo 29 · 4 min de leitura

Tradução por IA — aguardando revisão nativa

A Oração da Fé

“A oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará” (Tiago 5:15).

A oração da fé! Uma só vez ocorre esta expressão na Bíblia, e é a respeito da cura dos enfermos. A Igreja adotou esta expressão, mas quase nunca recorre à oração da fé senão para obter outras graças; ao passo que, segundo a Escritura, ela é destinada especialmente à cura dos enfermos.

Espera o Apóstolo a cura somente pela oração da fé, ou deve esta ser acompanhada do uso de remédios? É esta, geralmente, a questão que se levanta. É facilmente decidida, se tomarmos em consideração o poder da vida espiritual da Igreja nos primeiros séculos: os dons de cura conferidos aos Apóstolos pelo Senhor, aumentados pelo derramamento subsequente do Espírito Santo (Atos 4:30; 5:15, 16); o que Paulo diz destes dons de curar pelo mesmo Espírito (1 Coríntios 12:9); aquilo sobre que Tiago aqui insiste quando, para fortalecer o leitor na expectação da fé, recorda a oração de Elias e a maravilhosa resposta de Deus (Tiago 5:14—17). Não mostra tudo isto claramente que o crente deve esperar a cura em resposta à oração da fé somente, e sem o acréscimo de remédios?

Levantar-se-á outra questão: exclui o uso de remédios a oração da fé? A isto cremos que a nossa resposta deve ser: Não; porque a experiência de grande número de crentes testifica que, em resposta às suas orações, Deus tem muitas vezes abençoado o uso de remédios e feito deles um meio de cura.

Chegamos aqui a uma terceira questão: qual é, pois, a linha a seguir, para que provemos com a maior certeza, e segundo a vontade de Deus, a eficácia da oração da fé? Será, segundo Tiago, pondo de parte todos os remédios, ou usando de remédios como o fazem os crentes na sua maior parte? Numa palavra, é com remédios ou sem eles que a oração da fé melhor obtém a graça de Deus? Qual destes dois métodos será mais diretamente para a glória de Deus e para bênção do enfermo? Não é perfeitamente simples responder que, se a prescrição e a promessa de Tiago se aplicam aos crentes do nosso tempo, estes acharão bênção em recebê-las tais quais foram dadas aos crentes de então, conformando-se a elas em todos os pontos, esperando a cura somente do próprio Senhor, sem recorrer, além disso, a remédio algum? É, de fato, neste sentido que a Escritura fala sempre da fé eficaz e da oração da fé.

Tanto as leis da natureza como o testemunho da Escritura nos mostram que Deus se serve muitas vezes de agências intermediárias para manifestar a sua glória; mas, quer pela experiência, quer pela Escritura, sabemos também que, sob o poder da queda e o império dos nossos sentidos, a nossa tendência é atribuir mais importância aos remédios do que à ação direta de Deus. Acontece muitas vezes que os remédios de tal modo nos ocupam, que interceptam a presença do nosso Deus e nos desviam dele. Assim, as leis e as propriedades da natureza, que eram destinadas a trazer-nos de volta a Deus, produzem o efeito contrário. Eis por que o Senhor, ao chamar a Abraão para ser o pai do seu povo escolhido, não recorreu às leis da natureza (Romanos 4:17—21). Deus queria formar para si um povo de fé, que vivesse mais no invisível do que nas coisas visíveis; e, para conduzi-lo a esta vida, era necessário tirar-lhe a confiança nos meios ordinários. Vemos, portanto, que não foi pelos caminhos ordinários que Ele traçou na natureza que Deus conduziu a Abraão, a Moisés, a Josué, a Gideão, aos Juízes, a Davi e a muitos outros reis de Israel. O seu objetivo era ensinar-lhes por isto a confiar somente nele, a conhecê-lo tal qual é: “Tu és o Deus que fazes maravilhas” (Salmos 77:14).

Deus quer agir conosco de maneira semelhante. É quando procuramos andar segundo a sua prescrição em Tiago 5, abandonando as coisas que se veem (2 Coríntios 4:18) para lançar mão da promessa de Deus, e assim receber diretamente dele a cura desejada, que descobrimos quanta importância temos atribuído aos remédios terrenos. Sem dúvida há cristãos que podem usar de remédios sem dano para a sua vida espiritual; mas a maior parte deles é propensa a contar muito mais com os remédios do que com o poder de Deus. Ora, o propósito de Deus é conduzir os seus filhos a uma comunhão mais íntima com Cristo; e é justamente isto o que sucede quando pela fé nos entregamos a Ele como ao nosso soberano Médico, contando unicamente com a sua presença invisível. A renúncia aos remédios fortalece a fé de maneira extraordinária. A cura torna-se então, muito mais do que a enfermidade, uma fonte de inumeráveis bênçãos espirituais. Torna real para nós o que a fé pode realizar, estabelece um novo laço entre Deus e o crente, e nele começa uma vida de confiança e de dependência. O corpo, igualmente com a alma, é colocado sob o poder do Espírito Santo; e a oração da fé, que salva o enfermo, conduz-nos assim a uma vida de fé, fortalecida pela certeza de que Deus manifesta a sua presença na nossa vida terrena.

Índice

Cura Divina Andrew Murray

Página 1 / 1 · 4 min restantes no capítulo