Capítulo 24 · 5 min de leitura
Tradução por IA — aguardando revisão nativa
A Oração Fervorosa e Eficaz
“Orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo. Elias era homem sujeito às mesmas paixões (ou à mesma natureza] que nós e, orando, pediu com insistência que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto” (Tiago 5:16—18).
Tiago sabia que a fé que obtém a cura não é fruto da natureza humana; por isso acrescenta que a oração deve ser “fervorosa.” Só uma oração assim pode ser eficaz. Nisto ele se apoia no exemplo de Elias, homem da mesma natureza que nós (“sujeito às mesmas paixões”), tirando daí a conclusão de que a nossa oração pode e deve ser da mesma natureza que a dele. Como orava, pois, Elias? Isto lançará alguma luz sobre o que deve ser a oração da fé.
Elias recebera de Deus a promessa de que a chuva estava prestes a cair sobre a terra (1 Reis 18:1), e havia declarado isto a Acabe. Forte na promessa do seu Deus, sobe ao Carmelo para orar (1 Reis 18:42; Tiago 5:18). Ele sabe, ele crê que é da vontade de Deus enviar a chuva, e não obstante tem de orar, ou a chuva não virá. A sua oração não é uma forma vazia; é um poder real, cuja eficácia está prestes a fazer-se sentir no céu. Deus quer que chova, mas a chuva só virá ao pedido de Elias, pedido repetido com fé e perseverança até o aparecimento da primeira nuvem no céu. Para que a vontade de Deus se cumpra, é preciso que esta vontade, de um lado, seja expressa por uma promessa, e, do outro, seja recebida, e que dela lance mão o crente que ora. Ele deve, portanto, perseverar na oração, para mostrar ao seu Deus que a sua fé espera uma resposta e não se cansará enquanto não a obtiver.
É assim que se deve orar pelos enfermos. É preciso apoiar-se na promessa de Deus, “O Senhor o levantará,” e reconhecer a sua vontade de curar. O próprio Jesus nos ensina a orar com uma fé que conta com a resposta de Deus; Ele nos diz: “Tudo quanto pedirem em oração, creiam que já receberam, e assim lhes acontecerá”~ (Marcos 11:24, R.V.). Depois da oração da fé, que recebe de antemão aquilo que Deus prometeu, vem a oração da perseverança, que não perde de vista o que foi pedido até que Deus tenha cumprido a sua promessa (1 Reis 18:43). Pode haver algum obstáculo que impeça o cumprimento da promessa; quer do lado de Deus e da sua justiça (Deuteronômio 9:18), quer do lado de Satanás e da sua constante oposição aos planos de Deus, algo que ainda possa estorvar a resposta à oração (Daniel 10:12, 13). Pode ser também que a nossa fé precise ser purificada (Mateus 15:22—28). Seja o que for, a nossa fé é chamada a perseverar até que a resposta venha. Aquele que ora seis vezes com fervor e aí se detém, quando devia ter orado sete vezes (2 Reis 13:18, 19), priva-se a si mesmo da resposta à sua oração.
A perseverança na oração, perseverança que fortalece a fé do crente contra tudo quanto pareça opor-se à resposta, é um verdadeiro milagre; é um dos mistérios impenetráveis da vida de fé. Não nos diz ela que o remido do Salvador é em verdade seu amigo, membro do seu corpo, e que o governo do mundo e os dons da graça divina dependem, em certo sentido, das suas orações? A oração, portanto, não é uma forma vã. É a obra do Espírito Santo, que intercede aqui na terra em nós e por nós, e, como tal, é tão eficaz e tão indispensável quanto a obra do Filho, que intercede por nós diante do trono de Deus. Poderia parecer estranho que, depois de havermos orado com a certeza de sermos ouvidos, e de havermos visto nisso a vontade de Deus, ainda tivéssemos necessidade de continuar em oração. No entanto, é assim. No Getsêmani, Jesus orou três vezes seguidas. No Carmelo, Elias orou sete vezes; e nós, se cremos na promessa de Deus sem duvidar, oraremos até recebermos a resposta. Tanto o amigo importuno à meia-noite como a viúva que assediava o juiz injusto são exemplos de perseverança em buscar o fim que se tem em vista.
Aprendamos da oração de Elias a humilhar-nos, a reconhecer por que o poder de Deus não se pode manifestar mais na Igreja, quer na cura dos enfermos, quer na conversão, quer na santificação. “Nada tendes, porque não pedis” (Tiago 4:2). Ensine-nos ela também a paciência. Nos casos em que a cura se demora, lembremo-nos de que podem existir obstáculos sobre os quais só a perseverança na oração pode triunfar. A fé que cessa de orar, ou que se deixa afrouxar no seu fervor, não pode apropriar-se daquilo que Deus, não obstante, já deu. Não seja abalada a nossa fé nas promessas da Escritura por aquelas coisas que ainda estão fora do nosso alcance. A promessa de Deus permanece a mesma: “A oração da fé salvará o enfermo.” Fortaleça a oração de Elias a nossa fé. Lembremo-nos de que temos de imitar aqueles que pela fé e pela paciência herdam as promessas (Hebreus 6:12). Se aprendermos a perseverar na oração, o seu fruto será sempre mais abundante, sempre mais evidente, e obteremos, como Jesus obteve quando estava na terra, a cura dos enfermos, muitas vezes a cura imediata, que trará glória a Deus.