Sermão · 20 min de leitura · Moderado

A Necessidade do Mundo

Retrato de Catherine Booth Catherine Booth

Texto

Mateus 21:28; Lucas 14:23

Em resumo

"Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha." Booth passa da necessidade do mundo à estranha relutância da Igreja em atendê-la, e pergunta por que tão poucos do povo de Cristo realmente irão. O problema, argumenta ela, não é que faltem trabalhadores, mas que os dispostos não têm preparo e os preparados não têm disposição — e ela manda os seus ouvintes para casa a meditar nas carências de um mundo que morre.

PODERÍAMOS ter enumerado outros textos, que ensinam as mesmas verdades. Há muitos deles, mas o teor e o sentido geral da Palavra de Deus, especialmente do Novo Testamento, é mais significativo até do que os textos diretos e isolados. Parece-me que ninguém pode estudar o Novo Testamento com isenção e serenidade sem chegar à conclusão de que há um princípio fundamental, subjacente a tudo: o de que a sua luz e a sua graça são expansivas; isto é, Deus em caso algum concedeu a sua luz, a sua verdade e a sua graça a uma alma individual sem responsabilizar essa alma por comunicar essa luz e essa graça aos outros. O verdadeiro cristianismo é, em sua própria natureza e essência, agressivo. Vemos esse princípio plenamente exibido e ilustrado nas Parábolas de Jesus Cristo. Se as estudarem, verão que Ele não nos deu coisa alguma para ser usada apenas em nosso próprio proveito, mas que possuímos cada talento que Ele nos confiou para o bem dos outros e para a salvação do homem. Se bem o entendo, digo que este é um princípio fundamental do Novo Testamento.

Quão maravilhosamente esse princípio se manifestou na vida dos Apóstolos e dos primeiros cristãos! Quão inteiramente descuidados eles pareciam de tudo em comparação com isto — isto era a primeira coisa para eles em toda parte! Como Paulo, logo no limiar, não teve por coisa de importância nenhuma outra, mas de boa vontade e com alegria abriu mão de toda outra consideração para viver para isto; e como ele fala de outros Apóstolos e cooperadores no Evangelho que haviam chegado às portas da morte e expuseram o pescoço por amor da obra; e sabemos como ele viajou, trabalhou, orou, chorou e sofreu, sangrou e morreu, por este único fim. E assim também os primeiros cristãos, que foram dispersos pelas perseguições, como iam por toda parte pregando a Palavra; quão fervorosos e zelosos eram, mesmo depois da era apostólica, aprendemos da história eclesiástica — como se introduziam em toda parte; como faziam convertidos e ganhavam seguidores verdadeiros e abnegados até nas cortes dos reis; como não podiam ser excluídos, nem abatidos, nem impedidos ou silenciados. "Estes cristãos estão por toda parte," disse um dos seus mais ferozes perseguidores. Sim, eles eram instantes a tempo e fora de tempo; ganhavam homens e mulheres por todos os lados, para vexame e enfado dos que os odiavam. Como o seu Mestre, não podiam ser escondidos; não podiam ser reprimidos; tão agressivo, tão constrangedor era o espírito que os inspirava e os impelia.

Cada dia se torna para mim maior enigma, ao entrar em contato com almas individuais, como as pessoas leem a sua Bíblia! Parece que não entendem o que leem. Bem poderia um Filipe ou um anjo vir a elas e dizer: "Entendes tu o que lês?" Oh! amigos, estudem o seu Novo Testamento sobre esta questão, e ficarão alarmados ao descobrir até que ponto terrível vocês são o guarda do seu irmão — até que ponto terrível e alarmante Deus os responsabiliza pela salvação dos que estão ao seu redor.

Quero considerar, PRIMEIRO, o nosso chamado para trabalhar para Deus; e, SEGUNDO, duas ou três qualificações indispensáveis para o trabalho bem-sucedido.

E, primeiro, como acabei de dizer, somos chamados pela Palavra não só nestas passagens diretas, mas pelo princípio subjacente que percorre tudo, e que nos impõe a obrigação de salvar os homens. Na verdade, o mundo é lançado sobre nós: somos o único povo que PODE salvar os não convertidos.

Oh! quisera eu poder gravar bem este pensamento nas suas mentes. Ele tem sido, talvez, um dos mais poderosos, no tocante a qualquer pequeno serviço que eu tenha prestado na vinha — o pensamento de que Jesus Cristo não tem aqui ninguém mais para representá-Lo senão nós, os cristãos, o seu verdadeiro povo: ninguém mais para trabalhar por Ele. Estes pobres do mundo, que estão em trevas e ignorância, não têm ninguém mais para lhes mostrar o caminho da misericórdia. Se não formos a eles com fervor amoroso e determinação de arrancá-los das garras do grande inimigo; se não, pelo poder do Espírito Santo, amarrarmos o valente e lhe tomarmos os bens, quem o fará? Deus o incumbiu a nós. Digo que esta é uma consideração alarmante e terrível.

Em segundo lugar, somos chamados pelo Espírito. A primeiríssima aspiração, como disse na outra noite, de uma alma recém-nascida é por alguma outra alma. A primeiríssima expressão, depois da primeira explosão de louvor a Deus pela libertação da escravidão do pecado e da morte, é uma oração arquejada ao trono por alguma outra alma ainda em trevas. E não é este o fruto legítimo do Espírito? Não é isto o que deveríamos esperar? Peço a qualquer um aqui que tenha sido verdadeiramente salvo que ateste se os primeiros jorros da sua alma, depois da sua própria libertação, não foram por outra pessoa — pai, mãe, filho, irmão, irmã, amigo. Oh! sim, alguns de vocês não conseguiam dormir enquanto não tivessem escrito a um parente distante, derramando a alma em anseios angustiados pela salvação dele; não conseguiam tomar o alimento necessário enquanto não tivessem falado ou escrito a alguém por cuja alma estivessem profundamente interessados. O Espírito começou logo a impeli-los a buscar almas; e assim é frequentemente o último clamor do Espírito na alma do crente antes de deixar o corpo. Vocês já se sentaram ao lado de muitos santos moribundos, e qual tem sido a última oração? Terá sido algo a respeito de si mesmo, de dinheiro, da família, das circunstâncias? Oh! essas coisas ficam agora todas para trás, e a última ansiedade expressa tem sido por alguma alma pródiga fora do reino de Deus. Quando a luz da eternidade vem inundando a alma, e os seus olhos se abrem de par em par para o valor das almas, ela não ouve nem vê mais nada! Sai do tempo para a eternidade, orando, como o Redentor orou, pelas almas que deixa para trás. Esta é a primeira e a última expressão do Espírito na alma do crente sobre a terra; e oh! se os cristãos apenas fossem fiéis aos impulsos deste bendito Espírito, este seria o impulso predominante, o primeiro desejo e esforço por toda a vida. Não é culpa de Deus que assim não seja. No trato pessoal com as almas não há ponto que surja com mais frequência do que este: nada que os que foram verdadeiramente convertidos e se tornaram desviados de coração confessem e lamentem mais amúde do que a sua infidelidade às admoestações do Espírito no tocante a outras almas. Na verdade, o desvio começa aqui em milhares de casos. Satanás leva as pessoas a ceder a considerações de comodidade, de conveniência, de estar fora de tempo, de ser imprudente, e assim por diante; e elas perdem oportunidades de tratar com almas, e assim o Espírito é entristecido e entristecido. Oh! quantas pessoas me confessaram isto.

Um cavalheiro, em idade avançada, disse: `Quando eu era jovem, e no meu primeiro amor, o zelo pela casa do Senhor de tal modo me consumia que eu costumava negligenciar os meus afazeres diários e mal conseguia dormir à noite; mas, ai de mim, isso foi há muitos anos.' `Não estava melhor consigo então do que agora?' perguntei; e as lágrimas afluíram aos seus olhos. Oh, sim! o Senhor diz dele: "Lembro-me de ti, da benignidade da tua mocidade, e do amor dos teus desposórios, quando andavas após mim no deserto, numa terra que se não semeava; Israel era santidade para o Senhor, e as primícias da sua novidade." E, ai! Há muitos assim hoje. Têm de fazer tudo de novo; têm de arrepender-se e fazer as suas primeiras obras; têm de voltar e ser perdoados, e lavados, e salvos, se hão de entrar no reino do alto, tudo por falta de obedecer sistemática e resolutamente aos impulsos do Espírito Santo para com os seus semelhantes.

Ora, alguns de vocês têm ouvido, nestes últimos domingos, sobre entristecer o Espírito e sobre ser cheios do Espírito; e alguns estão perplexos quanto à maneira como devem esperar — se devem prosseguir nas suas ocupações lícitas e esperar. Digo: Meus amigos, eu bem poderia justificar a posição que tomei no domingo passado, mas não me deterei, pois não me importo com pormenores; mas atenção, este é o grande ponto — vocês devem esperar de tal modo, seja onde for — suplicando, e lutando, e crendo — DE MODO QUE O ALCANCEM. Então não me importa que seja em Jerusalém, no Cenáculo, ou em qualquer outro lugar — apenas, alcancem-no. Não percamos a substância em altercações sobre o modo. Esperem daquela maneira condizente com as suas circunstâncias presentes; mas, oh! esperem por ele até que o alcancem, pois esta é a vida das suas almas, e a vida de muitas almas, quiçá, além da sua. Vocês precisam deste espírito — o espírito que anseia pelas almas dos seus semelhantes; que chora por elas ao vê-las no seu pecado, e loucura e miséria; o espírito que não pode contentar-se com os seus próprios deleites nem com o sentimento de que estão a salvo, ou mesmo de que os seus filhos estão a salvo; mas que anseia por toda alma vivente enquanto houver uma que não esteja salva, e nunca pode repousar satisfeito até que ela seja trazida ao reino.

Tais são os impulsos do Espírito; e se as pessoas apenas lhes fossem obedientes, nunca perderiam esses impulsos. Ora, que anomalia é essa! Parece razoável, ou próprio dos modos de Deus, que as pessoas comecem tão fortes, como o velho se sentia quando era jovem, e, em vez de se fortalecerem e de ter esse santo zelo e desejo aumentados, fiquem cada vez mais fracas, e cada vez menores? Parece esse o modo de Deus fazer as coisas? Oh, não! Este eclipse vem de entristecer e apagar o Espírito.

Agora, meu amigo, você é chamado pelo Espírito a esta obra. Obedeça ao chamado — FAÇA-O. Não importa se isso o sufoca — faça-o. Diga: "Antes morrer em obediência do que viver em desobediência." Oh! esses eternos gostos e desgostos. `Não gosto de falar com aquela pessoa,' `Tenho tanta aversão a escrever aquela carta.' Oh! você não sabe quais poderiam ser as consequências. Não se importe com as consequências — faça-o. Deus se colocará entre você e as consequências; e, se Ele o deixar sofrer, não importa — então sofra; mas obedeça à voz do Espírito. Teriam sido salvas milhares de almas se todos os que tiveram esses impulsos lhes houvessem obedecido. Diga-me, de onde vêm esses impulsos? Vêm do seu próprio coração mau? Então você é melhor do que o Apóstolo. Separado do Espírito que habita em você, e desunido de Cristo, a sua Cabeça viva, você é egoísta, diabólico. Então de onde vêm esses impulsos? Vêm do Diabo? Satanás, então, estaria de fato dividido contra si mesmo. De onde vêm? É o Espírito do Deus vivo que o impele a sair e a buscar salvar os perdidos. Você obedecerá a esses impulsos? Abrirá mão dos seus raciocínios? Abrirá mão dos seus gostos e desgostos, e OBEDECERÁ? Se o fizer, então Ele virá a você cada vez mais, até que, como Davi, você sinta os interesses do seu reino mais preciosos para você do que a comida ou a bebida, do que a prata ou o ouro. Aliás, você se tornará como aquele que disse: "O zelo da tua casa me devorou."

Mas, além disso, somos chamados a esta obra pelo que Ele fez por nós. E o que é isso? Oh! você diz, não sei dizer. Não, não; teremos primeiro de chegar ao lar, e então jamais seremos capazes de dizer. Nunca conseguiremos somar essa conta, nem mesmo para o deleite dos anjos. Isso permanecerá uma quantidade inexplorada para sempre — o que Ele fez por nós!! Teremos de descobrir o que teria sido estar perdidos! e o que é ser salvos em toda a sua plenitude e eternidade, antes que possamos dizer o que Ele fez por nós!!

O que fez Ele por nós? Oh! se tivéssemos um dízimo do amor pelos pecadores que Ele teve por nós, da sua paciência tolerante, do seu esforço perseverante, quando nos seguiu dia e noite, arrazoou e arrazoou conosco, cortejou-nos e atraiu-nos, o que não poderíamos fazer?

Lembro-me de ter lido, em algum lugar, a história de um nobre que era (creio eu) um desviado. Estava hospedado em alguma estalagem do campo, e subiu a um quarto em que, sobre o consolo da lareira, havia um quadro muito bom da crucificação, de um bom mestre antigo, e sob ele estava escrito: "Isto sofri por ti — que fizeste tu por Mim?" Esta pergunta atingiu-o em cheio. Feriu fundo. Ele pensou — Sim, que fiz, de fato? Saiu para os estábulos, para os seus cavalos, a fim de tentar livrar-se da impressão incômoda, mas não conseguia esquecê-la. Uma voz suave e comovente parecia segui-lo,' `Isto sofri por ti, que fizeste tu por Mim!' Por fim ela o quebrantou, e ele caiu de joelhos. Disse: `Verdade, Senhor, nunca fiz coisa alguma por Ti, mas agora dou-me a mim mesmo e a tudo o que tenho a Ti, para ser consumido no Teu serviço.'

E você nunca ouviu essa voz em sua alma, ao ajoelhar-se junto à Cruz? Você já contemplou aquele ilustre sofredor e ouviu a sua voz, ao olhar para trás, para o passado mesquinho? Que fizeste tu por Mim?

Ora, houve, pelo menos, algo como 350 pessoas que se apresentaram, até agora, nestes cultos, professando entregar-se de novo e plenamente a Jesus. Estou certa de que, no essencial, foram sinceras. Vieram em busca do testemunho do Espírito quanto à sua adoção, e de poder para o serviço. Agora, amigos, quero saber em que isto vai dar — qual há de ser o seu fim?

O que vocês vão fazer?"

E a irmã, também. Isto vai morrer em sentimentalismo? Vai evaporar-se em suspiros e desejos, e terminar em `NÃO POSSO?' Deus não permita! O que vocês VÃO FAZER? O que vocês TÊM feito por Ele na última semana? Perguntem a si mesmos. Vocês dizem: `Bem, tenho lido mais a minha Bíblia.' Muito bem, até onde isso vai. Para que a leram? `Bem,' dizem vocês, `para conhecer a vontade do Senhor, e para receber instrução e consolo.' Sim, exatamente, mas isso é tudo para vocês mesmos, percebem? `Tenho orado bastante.' Muito bem. Quisera que todos orassem. Os Apóstolos dizem que todos os homens, em toda parte, devem orar. Para quê? `Tenho pedido ao Senhor grandes coisas.' Muito bem, louvado seja o Senhor; mas essas são, principalmente, para vocês mesmos. Se foram levados a uma agonizante súplica pelas almas, deem graças a Deus por isso, e prossigam, como diz o Apóstolo, "velando nisto com toda a perseverança," "orando no Espírito Santo;" mas se tem sido meramente orar para obter tudo o que puderem para vocês mesmos, que proveito há nisso para o Senhor? Mas vocês dizem: `Estou criando a minha família.' Exatamente; assim também fazem os mundanos ao seu redor, mas para quê? Para Deus ou para vocês mesmos? Oh! examinemos estas coisas, amigos. Receio que grande parte da religião seja mera transferência do egoísmo do coração humano do mundo para a religião. Receio que grande parte da religião de hoje termine em obter tudo o que se pode e fazer o mínimo que se pode — como alguns dos seus criados. Vocês conhecem o tipo, que não faz mais do que é forçado a fazer — apenas cumpre o expediente, porque é assalariado. Há grande quantidade desse tipo de serviço nestes dias, tanto para com o homem quanto para com Deus.

Agora, amigos, o que vocês têm feito por Ele — para a promoção dos seus benditos, gloriosos e salvadores propósitos no mundo? Do que vocês têm se privado por amor do seu reino? Que trabalho de mente, ou de cérebro, ou de coração vocês têm suportado? Quantas cartas escreveram? Com quantas pessoas falaram? Quantas visitas fizeram? Que trabalho abnegado vocês têm feito por Aquele que fez (como vocês dizem) tanto por vocês? O que vocês têm sofrido por Ele? Têm procurado, em alguma pequena medida, completar o que resta das suas aflições "por amor do seu corpo, que é a igreja?" Têm carregado os pecados e as tristezas de um mundo culpado no coração diante de Deus, e suplicado a Ele, por amor do seu próprio nome, que derrame o seu Espírito sobre as multidões ímpias lá fora, e que avive os professos meio adormecidos aqui dentro? Têm se sujeitado a opróbrio e desprezo — não só do mundo, mas de professos mornos e de fariseus, levando a Cruz, suportando a vergonha de reproches cruéis ao viver e lutar para salvá-los? Oh, o que vocês têm feito, irmão e irmã?

Venham, agora, amigos, quero um resultado prático. Ele sofreu aquilo por vocês. Ele está lá no alto, intercedendo por vocês. Cinco chagas sangrentas Ele sempre traz na presença do seu Pai por vocês. Se Ele os esquecesse por um só momento, ou cessasse a sua intercessão, o que aconteceria? O que vocês estão fazendo por Ele? Ele lhes deixou o exemplo, para que sigam as suas pisadas. Quais foram elas? Foram marcadas de sangue; foram pisadas humilhadas. Foram pisadas escarnecidas pelo mundo. Ele foi ignorado, e caluniado, e rejeitado pelos homens. Não tinha onde reclinar a cabeça. Carregou no seu corpo e na sua alma as tristezas e os sofrimentos de toda a nossa raça. Era um homem de dores — não das suas próprias. Não tinha razão para estar triste. Era o próprio amado do Pai, e o sabia, mas era um homem de dores, e experimentado no sofrimento. As dores deste pobre mundo, perdido e meio condenado, Ele carregou, e elas eram por vezes tão intoleráveis que espremiam o sangue das suas veias. Você tem seguido as suas pegadas, em alguma medida? Ele não viveu para si mesmo. Não veio para ser servido, mas para servir, e tomou sobre si a forma de servo. O que você está fazendo? Oh! meus amigos, de pé, de pé, e mãos à obra. Comecem, se não começaram — comecem hoje. Peçam-Lhe que os batize com o seu Espírito, e que os deixe começar imediatamente a segui-Lo na regeneração do Espírito. Vocês são chamados por aquilo que Ele fez por vocês!

Depois, vocês são chamados pelas carências do mundo. Já falei tanto sobre isto em outras ocasiões que não direi mais agora, só me parece que é um tema que nunca se esgota, e nunca se esgotará enquanto houver mais pecadores a salvar. Oh! as carências do mundo! Para mim é um pensamento avassalador, prodigioso, que Ele derramou o seu sangue por cada alma humana, e que, pendurado ali, Ele viu, debaixo de toda a vileza, e pecado, e ruína da Queda, a alma humana criada originalmente à sua própria imagem, e capaz de desenvolvimento e progresso infinitos e eternos. A alma a ser resgatada, lavada, redimida, salva, santificada e glorificada — Ele viu esta joia gloriosa, e deu a SI MESMO por ela. Olhem para estas almas. Não há uma sequer tão reles, ou vil, ou baixa, que não possa ser resgatada pelo poder do seu Espírito, e pelo seu vivo e glorioso Evangelho aplicado a elas. O Salvador, citando os Profetas, diz: "Sois deuses (e acrescenta) a Escritura não pode ser anulada." Ele não tinha uma estimativa tão pequena, mesquinha e insignificante do valor das almas humanas como têm algumas pessoas hoje em dia, que condenam gerações inteiras ao inferno sem entranhas de misericórdia ou compaixão. Oh! encha-nos o Senhor da compaixão de Jesus Cristo, que, ao ver as multidões, chorou por elas. Oh! amigos, pensem em uma só dessas almas! Que é o seu ouro, ou as suas casas, ou as suas terras — que é a sua respeitabilidade, que é a sua reputação, que são todos os prêmios deste mundo? Falamos disso, mas quem o compreende de fato — quem, QUEM? — o valor de uma preciosa e imortal alma salva, redimida, santificada? Oh, as carências do mundo! Elas estão morrendo, ESTÃO MORRENDO!! Quando as pessoas vêm a mim com as suas objeções melindrosas, eu digo: "Meu amigo, tudo o que sei é — as almas estão morrendo, morrendo."

Se os seus lares estivessem sendo dizimados pelo cólera, vocês não seriam muito exigentes quanto aos meios que empregassem para detê-lo, e se alguém viesse com objeções à rudeza das suas medidas, vocês diriam: `as pessoas estão morrendo, elas estão morrendo,' e esse seria o fim de todo argumento. Eu digo: elas estão morrendo, e ELAS hão de ser salvas. Satanás está apoderando-se delas: eu quero que Deus as tenha. Jesus Cristo as comprou. Ele foi a propiciação pelos pecados do mundo inteiro. Elas Lhe pertencem, e Ele há de ter cada uma que eu puder alcançar, e cada uma que eu puder inspirar outros a alcançar também.

O mundo está morrendo. Vocês acreditam nisso? Vocês são chamados pelas carências do mundo. Comecem o mais perto de casa que quiserem, sem dúvida, tenho pouca fé no ministério daquelas pessoas que vão para longe atrás de outros, enquanto os seus próprios perecem junto à sua lareira. Comecem em casa, mas não terminem aí. "Oh! sim," dizem as pessoas, "comecem em casa," mas elas terminam aí; nunca se ouve falar delas em outro lugar, e vem a dar em muito pouco o que fazem em casa, afinal. Deus ordenou que os dois andem juntos. Ganhem-nos para a salvação, sem dúvida, mas ganhem também alguém mais. Ponham-se a trabalhar para Deus. Vão a Ele para perguntar-Lhe como fazê-lo. Vão a Ele em busca do revestimento de poder e então comecem. Não se importem com o quanto vocês tremem. Ouso dizer que o seu tremor fará mais bem do que se vocês fossem muito corajosos. Não se importem com as lágrimas. Quisera que os cristãos chorassem o Evangelho para dentro das pessoas; muitas vezes ele penetraria mais fundo do que penetra. Não se importem se gaguejarem. Elas hão de crer em vocês quando vier do coração. Dirão: `Ele me falou de modo bem natural,' como disse um homem, tempos atrás — admirado de que lhe falassem de religião de maneira natural; mas atenção, nada de sentimento fingido, pois elas o perceberão num instante. Vão ao aposento secreto até serem cheios do Espírito, e então vão e derramem-no sobre elas.

Finney diz: "Fui e derramei o meu coração sobre o povo." Encham o seu coração da água viva e então abram as comportas e deixem-na fluir. Olhem-nas no rosto e tomem-nas amorosamente pela mão e digam: `Meu amigo, você está morrendo, você caminha para a morte eterna. Se ninguém nunca lhe disse até agora — eu vim dizer-lhe. Meu amigo, você tem uma alma preciosa. Está salva?' Elas podem entender isso! não começando de modo indireto, mas falando-lhes com franqueza: `Você já pensa alguma vez na sua preciosa alma? Está ela salva? Estão os seus pecados perdoados? Você está pronto para morrer?' Os seus ricos vizinhos, e as suas criadas, e os seus cavalariços, igualmente, podem entender isso.

Uma senhora disse à minha filha: `Comecei a falar às pessoas sobre as suas almas de um modo bem diferente daquele que eu usava. Começo perguntando-lhes se não sabem que são pecadoras e se estão prontas para morrer, e isso produz um efeito bem diferente.' Por uma razão: ela tem o próprio coração cheio do Amor e do Espírito de Deus, e isso grava as suas palavras a fogo. Comecem desse modo e vejam o que Deus fará por meio de vocês, pois, é claro, eu só os reconheço como o instrumento que Ele escolheu, e os que refletem sobre o instrumento refletem sobre a sua sabedoria. Vão e ponham a mão ao arado, e Ele lhes dará força para empurrá-lo adiante.

O Senhor os ajude a ir para casa pensando nas carências do mundo, e no próximo sábado consideraremos as qualificações para o trabalho.

Escrituras neste sermão Mateus 21:28; Lucas 14:23

Domínio público. Texto de origem de a edição original.