Texto
Gênesis 7:1
Em resumo
Abandonar a arca, diz Moody, seria abandonar a Bíblia inteira — e ele lê a palavra de Deus a Noé como um chamado dirigido a uma casa, e não a um homem sozinho. O peso disso recai sobre os pais, e sobre a porta que o próprio Deus fechou, antes de terminar com um menino moribundo que prometeu dizer a Jesus que o seu pai havia orado por ele.
Quero chamar a atenção de vocês para um texto que encontrarão no capítulo sétimo de Gênesis, no primeiro versículo. Quando Deus fala, você e eu podemos muito bem escutar. Não é o homem que fala agora, mas Deus. “O Senhor disse a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca.”
Talvez algum céptico esteja lendo isto, e talvez algum membro de igreja se junte a ele e diga,
“Espero que o Sr. Moody não vá pregar sobre a arca. Pensei que isso já tivesse sido abandonado por todas as pessoas inteligentes.”
Mas quero dizer que eu não a abandonei. Quando o fizer, abandonarei a Bíblia inteira. Quase não há porção alguma das Escrituras do Antigo Testamento a que o Filho de Deus não tenha posto o seu selo quando esteve aqui neste mundo.
Os homens dizem: “Não creio na história do dilúvio.”
Cristo ligou a sua própria volta a este mundo àquele dilúvio: “E, como foi nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do Homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e os consumiu a todos.”
Creio na história do dilúvio tanto quanto creio no terceiro capítulo de João. Tenho pena de qualquer homem que anda a despedaçar o velho Livro. No momento em que abrimos mão de qualquer uma dessas coisas, tocamos na divindade do Filho de Deus. Tenho observado que, quando um homem começa de fato a despedaçar a Bíblia, não leva muito tempo para rasgá-la toda em pedaços. De que serve levar cinco anos naquilo que se pode fazer em cinco minutos?
Uma Mensagem Solene.
Cento e vinte anos antes de Deus proferir as palavras do meu texto, Noé recebera a mais terrível comunicação que jamais veio do céu à terra. Nenhum homem até aquele tempo, e penso que nenhum desde então, jamais recebeu tal comunicação. Deus disse que, por causa da maldade do mundo, ia destruir o mundo com água. Não podemos ter ideia da extensão e do caráter daquela maldade antediluviana. A Bíblia amontoa uma expressão sobre outra, no seu esforço para enfatizá-la. “Viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos do seu coração era só má continuamente. E arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e isso lhe pesou no coração. . . . A terra também estava corrompida diante de Deus, e encheu-se a terra de violência. E olhou Deus para a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.” Os homens viviam quinhentos anos e mais naquele tempo, e tinham tempo para amadurecer nos seus pecados.
Como a Mensagem Foi Recebida.
Durante cento e vinte anos Deus contendeu com aqueles antediluvianos. Ele nunca fere sem aviso, e eles tiveram o seu aviso. Cada vez que Noé cravava um prego na arca, era um aviso para eles. Cada golpe do martelo ecoava: “Creio em Deus.” Se eles se tivessem arrependido e clamado como fizeram em Nínive, creio que Deus teria ouvido o seu clamor e os teria poupado. Mas não houve clamor por misericórdia. Não tenho dúvida de que ridicularizavam a ideia de que Deus ia destruir o mundo. Não tenho dúvida de que havia ateus que diziam que, de todo modo, não havia Deus algum. Encontrei-me com um deles há algum tempo. Eu disse:
“Como você explica a formação do mundo?”
“Ah! força e matéria trabalham juntas, e por acaso o mundo foi criado.”
Eu disse: “É coisa singular que a sua língua não esteja no alto da sua cabeça, se a força e a matéria simplesmente a atiraram assim ao acaso.”
Se eu tirasse o meu relógio e dissesse que a força e a matéria trabalharam juntas, e daí saiu o relógio, você diria que eu era um lunático de primeira ordem. Não diria? E, no entanto, dizem que este velho mundo foi feito por acaso! “Ele se juntou a si mesmo!”
Encontrei um homem na Escócia, e ele sustentava que não havia Deus. Perguntei-lhe:
“Como você explica a criação, todas essas rochas?” (Há uma grande quantidade de rochas na Escócia.)
“Ora!” disse ele, “qualquer menino de escola poderia explicar isso.”
“Bem, como foi feita a primeira rocha?”
“De areia.”
“Como foi feita a primeira areia?”
“De rocha.”
Vê você como ele tinha tudo tão bem arranjado. Areia e rocha, rocha e areia. Não tenho dúvida de que Noé teve de lidar com homens desse tipo.
Depois havia uma classe chamada agnósticos, e há muitos dos seus netos vivos hoje. Depois havia outra classe que dizia crer que havia um Deus; não conseguiam convencer-se de que o mundo acontecera por acaso; mas Deus era misericordioso demais para punir o pecado. Ele era tão cheio de compaixão e de amor que não podia punir o pecado. O beberrão, a meretriz, o jogador, o assassino, o ladrão e o libertino, todos partilhariam por igual com os santos no fim. Suponha que o governador do seu estado fosse tão terno de coração que não pudesse suportar ver um homem sofrer, não pudesse suportar ver um homem posto na cadeia, e fosse pôr todos os prisioneiros em liberdade. Quanto tempo continuaria ele como governador? Você o tiraria do cargo antes do pôr do sol. Esses mesmos homens que falam da misericórdia de Deus seriam os primeiros a levantar um clamor contra um governador que não mandasse pôr na prisão um homem que houvesse cometido um mal.
Depois outra classe sustentava que Deus não poderia de modo algum destruir o mundo. Poderia haver um grande dilúvio que subisse até às campinas e às terras baixas, mas tudo o que seria necessário fazer seria subir aos montes e às montanhas. Isso seria cem vezes melhor do que a arca de Noé. Ou, se chegasse a esse ponto, poderiam construir jangadas, que seriam bem melhores do que aquela arca. Nunca tinham visto coisa tão feia. Tinha cerca de quinhentos pés de comprimento, cerca de oitenta pés de largura e cinquenta pés de altura. Tinha três andares e uma só pequena janela.
E depois, suponho que havia uma grande classe que sustentava que Noé devia estar errado por estar em tão grande minoria. Esse é um grande argumento hoje em dia, sabe. Noé estava largamente em minoria. Mas ele continuou trabalhando.
Se tinham tabernas naquele tempo — e não duvido de que tivessem, pois lemos que havia “violência na terra”, e onde quer que haja álcool há violência. Lemos também que Noé plantou uma vinha e caiu no pecado da intemperança. Ele era um homem justo, e, se fez isso, o que não terão feito os outros? Pois bem, se tinham tabernas, sem dúvida cantavam canções obscenas sobre Noé e a sua arca, e, se tinham teatros, é provável que a representassem em cena, e as mães levavam os filhos a ver.
E, se tivessem a imprensa naqueles dias, de tempos em tempos apareceria um chiste sobre “Noé e a sua loucura”. Repórteres viriam entrevistá-lo, e, se tivessem uma Associated Press, a cada poucos dias um despacho seria enviado contando como progredia a obra da arca.
E talvez tivessem excursões, e oferecessem como atrativo que as pessoas pudessem percorrer a arca. E, se Noé por acaso estivesse por perto, cutucavam-se uns aos outros e diziam:
“Aquele é Noé. Você não acha que há um olhar estranho nos olhos dele?”
Como diria um escocês, achavam-no um tanto tolo. Graças a Deus que um homem pode dar-se ao luxo de ser louco. Um louco pensa que todos os outros estão loucos, menos ele mesmo. Um beberrão não se chama a si mesmo louco quando gasta bebendo todos os seus recursos. Aqueles homens que se levantam e distribuem morte e condenação aos homens não são chamados loucos; mas um homem é chamado louco quando entra na arca e é salvo para o tempo e para a eternidade. E imagino que, se a palavra maníaco estivesse em uso, chamavam Noé de “um velho maníaco”.
E assim se fazia toda sorte de zombaria de Noé e da sua arca. E os homens de negócios continuavam a comprar e a vender, enquanto Noé continuava a pregar e a labutar. Talvez tivessem alguns astrônomos, e estes olhavam para as estrelas e diziam: “Não se preocupem. Não há sinal de tempestade que se aproxime nos céus. Somos homens muito sábios, e, se viesse uma tempestade, nós a leríamos nos céus.” E tinham geólogos que cavavam sem cessar, e diziam: “Não há sinal algum na terra.” Até os carpinteiros que ajudaram a construir a arca talvez zombassem dele, mas eram como muita gente dos dias de hoje, que ajuda a construir uma igreja, e talvez dê dinheiro para o seu sustento, mas jamais entra nela.
Pois bem, as coisas seguiam como de costume. Os cordeirinhos saltitavam pelas encostas a cada primavera. Os homens buscavam riquezas, e, se tinham arrendamentos, imagino que corriam por prazos mais longos do que os nossos. Nós achamos que noventa e nove anos é muito tempo, mas não duvido de que os deles corressem por novecentos e noventa e nove anos. E, quando chegavam a assinar um arrendamento, diziam com um brilho nos olhos:
“Ora, este velho Noé diz que o mundo vai chegar ao fim em cento e vinte anos, e já se passaram vinte anos desde que ele começou a história. Mas acho que vou assinar o arrendamento e correr o risco.”
Alguém disse que Noé devia ser surdo, ou não teria suportado os escárnios e as zombarias dos seus conterrâneos. Mas, se era surdo à voz dos homens, ouviu a voz de Deus quando esta lhe disse que construísse a arca.
Posso imaginar que se passaram cem anos, e a obra da arca cessa. Os homens dizem: “Por que ele parou de trabalhar?” Ele saiu numa viagem de pregação, para falar ao povo da tempestade que vinha — que Deus ia varrer todo homem da face da terra a não ser que estivesse na arca. Mas não consegue que um só homem lhe creia, exceto a sua própria família. Alguns dos velhos já faleceram, e morreram dizendo: “Noé está errado.” Pobre Noé! Ele deve ter passado por momentos difíceis. Não creio que eu tivesse a graça de trabalhar por cento e vinte anos sem um convertido. Mas ele apenas continuou labutando, crendo na palavra de Deus.
E agora os cento e vinte anos estão terminados. Na primavera do ano, Noé não plantou nada, pois sabia que o dilúvio vinha, e o povo diz: “Todos os anos, antes, ele plantava, mas este ano ele acha que o mundo vai ser destruído, e não plantou nada.”
Entrando na Arca.
Mas posso imaginar uma bela manhã, sem uma nuvem à vista, em que Noé recebeu a sua comunicação. Ele ouviu a voz que ouvira cento e vinte anos antes — a mesma velha voz. Talvez tivesse havido silêncio por cento e vinte anos. Mas a voz ressoou de novo pela sua alma: “Noé, entra tu e toda a tua casa na arca.”
Diz-se que a palavra “vem” ocorre cerca de mil e novecentas vezes na Bíblia, e esta é a primeira vez. Ela significava salvação. Você pode ver Noé e toda a sua família mudando-se para dentro da arca. Estão trazendo os móveis da casa.
Alguns dos seus vizinhos dizem: “Noé, qual é a tua pressa? terás tempo de sobra para entrar naquela velha arca. Qual é a tua pressa? Não há janelas e não podes olhar para fora para ver quando vem a tempestade.” Mas ele ouviu a voz e obedeceu.
Alguns dos seus parentes talvez dissessem: “O que vais fazer com a velha propriedade da família?”
Noé diz: “Não a quero. A tempestade está chegando.” Ele lhes diz que o dia da graça está se encerrando, que a riqueza mundana não tem valor algum, e que a arca é o único lugar de segurança. Devemos ter em mente que essas estradas de ferro em que tanto pensamos logo desaparecerão; elas só servem para o tempo, não para a eternidade. Os céus estarão em fogo, e então, de que valerão a propriedade, a honra e a posição na sociedade?
A primeira coisa que os alarma é que se levantam certa manhã e, eis que os céus estão cheios das aves do ar. Estão voando para dentro da arca, de dois em dois. Vêm do deserto; vêm da montanha; vêm de todas as partes do mundo. Vão para dentro da arca. Deve ter sido uma cena estranha. Posso ouvir o povo clamar: “Grande Deus! qual é o significado disto?” E olham para a terra e, com grande alarme e surpresa, veem pequenos insetos rastejando de dois em dois, vindos de todas as partes do mundo. Então, eis que vêm gados e feras, de dois em dois. Os vizinhos exclamam: “O que significa isto?” Correm aos seus estadistas e sábios, que lhes haviam dito que não havia sinal de tempestade que se aproximasse, e lhes perguntam por que aquelas aves, animais e répteis vão em direção à arca, como que guiados por uma mão invisível.
“Bem”, dizem os estadistas e os sábios, “não podemos explicar; mas não se aflijam; Deus não vai destruir o mundo. Os negócios nunca estiveram melhores do que agora. Vocês acham que, se Deus fosse destruir o mundo, nos deixaria prosperar tanto como tem feito? Não há sinal de tempestade que se aproxime. O que fez esses insetos rastejantes e essas feras selvagens da floresta entrarem na arca, não sabemos. Não conseguimos entender; é muito estranho. Mas não há sinal de que nada vá acontecer. As estrelas estão brilhantes, e o sol resplandece tão claro como sempre resplandeceu. Tudo segue como tem seguido por todo o tempo passado. Vocês podem ouvir as crianças brincando na rua. Vocês podem ouvir a voz do noivo e da noiva na terra, e tudo está alegre como sempre.”
Imagino que o alarme passou, e eles voltaram aos seus caminhos habituais. Noé sai e diz: “A porta vai ser fechada. Entrem. Deus vai destruir o mundo. Vejam os animais, como subiram. A comunicação lhes veio direto do céu.” Mas o povo apenas continuou a zombar.
Você sabia que, quando os cento e vinte anos se completaram, Deus deu ao mundo sete dias de graça? Você já reparou nisso? Se tivesse havido um clamor durante aqueles sete dias, creio que teria sido ouvido. Mas não houve nenhum.
Por fim chegou o último dia, a última hora, o último minuto, ah! o último segundo. O Deus Todo-Poderoso desceu e fechou a porta daquela arca. Nenhum anjo, nenhum homem, mas o próprio Deus fechou aquela porta e, uma vez que o senhor da casa se tenha levantado e fechado a porta, a sorte do mundo está selada; e a sorte daquele velho mundo ficou selada para sempre. O sol se pusera sobre a glória daquele velho mundo pela última vez. Você pode ouvir ao longe, na distância, os rumores da tempestade. Você pode ouvir o trovão retumbando. O relâmpago começa a fuzilar, e o velho mundo cambaleia. A tempestade irrompe sobre eles, e aquela velha arca de Noé teria valido mais do que o mundo inteiro para eles.
Quero dizer a qualquer zombador que esteja lendo isto: você pode rir da Bíblia, você pode escarnecer do Deus de sua mãe, você pode rir dos ministros e dos cristãos, mas vem chegando a hora em que uma só promessa daquele velho Livro valerá mais para você do que dez mil mundos como este.
As janelas dos céus se abrem e as fontes do grande abismo se rompem. As águas vêm borbulhando, e o mar rompe os seus limites e salta por cima das suas muralhas. Os rios começam a transbordar. As pessoas que vivem nas terras baixas fogem para os montes e para as terras altas. Fogem encosta acima. E sobe um lamento:
“Noé! Noé! Noé! Deixa-nos entrar.”
Deixam os seus lares e vêm agora para a arca. Batem na arca. Ouça-os clamar:
“Noé! Deixa-nos entrar. Noé! Tem misericórdia de nós.”
“Sou teu sobrinho.”
“Sou tua sobrinha.”
“Sou teu tio.”
Ah, há uma voz dentro que diz: “Eu gostaria de deixar vocês entrar; mas Deus fechou a porta, e não posso abri-la!”
Deus fechou aquela porta! Quando a porta está fechada, não há esperança. O seu clamor por misericórdia chegou tarde demais; o seu dia de graça estava encerrado. A sua última hora chegara. Deus havia rogado com eles; Deus os havia convidado a entrar; mas eles zombaram do convite. Escarneceram e ridicularizaram a ideia de um dilúvio. Agora é tarde demais.
Deus não permitiu que ninguém sobrevivesse para nos contar como pereceram. Quando Jó perdeu a sua família, veio-lhe um mensageiro; mas dos antediluvianos não veio mensageiro algum; nem mesmo o próprio Noé pôde ver o mundo perecer. Se pudesse, teria visto homens, mulheres e crianças atirando-se contra aquela arca; as ondas subindo cada vez mais alto, enquanto os que estavam do lado de fora pereciam, morrendo na incredulidade. Alguns pensam escapar subindo às árvores, e acham que a tempestade logo passará; mas chove sem parar, dia e noite, por quarenta dias e quarenta noites, e são arrastados enquanto as ondas se chocam contra eles. Os estadistas, os astrônomos e os grandes homens clamam por misericórdia; mas é tarde demais. Eles haviam desobedecido ao Deus de misericórdia. Ele chamara, e eles recusaram. Ele rogara com eles, mas eles riram e zombaram. Mas agora chegou o tempo do juízo em vez da misericórdia.
O Juízo.
Vem chegando de novo o tempo em que Deus tratará com o mundo em juízo. Falta pouco; não sabemos quando, mas é certo que virá. A palavra de Deus saiu de que este mundo será enrolado como um pergaminho e estará em fogo. Que será então da sua alma? É um chamado de amor: “Agora, entra tu e toda a tua casa na arca.” Vinte e quatro horas antes de a chuva começar a cair, a arca de Noé, se tivesse sido vendida em leilão, não teria rendido tanto quanto valeria como lenha para o fogo. Mas vinte e quatro horas depois de a chuva começar a cair, a arca de Noé valia mais do que o mundo inteiro. Não havia então homem vivo que não desse tudo quanto possuía por um lugar na arca. Você pode virar-se e rir.
“Creio em Cristo!” diz você; “eu preferiria ficar sem Ele a tê-lo.”
Mas tenha em mente: vem chegando o tempo em que Cristo valerá mais para você do que dez mil mundos como este. Tenha em mente que Ele lhe é oferecido agora. Este é um dia de graça; é um dia de misericórdia. Você descobrirá, se ler a sua Bíblia com atenção, que Deus sempre precede o juízo com a graça. A graça é a precursora do juízo. Ele chamou aqueles homens nos dias de Noé com amor. Eles teriam sido salvos se se tivessem arrependido naqueles cento e vinte anos. Quando Cristo veio rogar com o povo em Jerusalém, era o seu dia de graça; mas eles zombaram e riram dele. Ele disse: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” Quarenta anos depois, milhares do povo suplicaram que as suas vidas fossem poupadas; e um milhão e cem mil pereceram naquela cidade.
Em 1857 um avivamento varreu este país, no leste e avançando para as cidades do oeste, até a costa do Pacífico. Era Deus chamando a nação a Si. Meio milhão de pessoas se uniram à Igreja naquele tempo. Depois estourou a guerra. Fomos batizados com o Espírito Santo em 1857, e em 1861 fomos batizados em sangue. Foi um chamado de misericórdia, precedendo o juízo.
Os Seus Filhos Estão a Salvo?
O texto que escolhi tem uma aplicação especial ao povo cristão e aos pais. Esta ordem da Escritura foi dada a Noé não só para a sua própria segurança, mas também para a da sua casa, e a pergunta que faço a cada pai e a cada mãe é esta: “Os seus filhos estão na arca de Deus?” Você pode escarnecer disso, mas é uma pergunta muito importante. Estão todos os seus filhos dentro? Estão todos os seus netos dentro? Não descanse dia nem noite até pôr os seus filhos dentro. Creio que os meus filhos têm cinquenta tentações onde eu tinha uma. Sou dos que creem que, nas grandes cidades, há um laço armado na esquina de cada rua para os nossos filhos e filhas; e não creio que seja da nossa conta gastar o nosso tempo acumulando títulos e ações. Fiz tudo o que podia para pôr os meus filhos dentro? É isso.
Agora, deixe-me fazer outra pergunta: quais teriam sido os sentimentos de Noé se, quando Deus o chamou para dentro da arca, os seus filhos não tivessem ido com ele? Se ele tivesse vivido uma vida tão falsa que os seus filhos não tivessem fé alguma na sua palavra, quais teriam sido os seus sentimentos? Ele teria dito: “Ali está o meu pobre filho na montanha. Quem dera que eu tivesse morrido no lugar dele! Antes eu teria perecido do que vê-lo perecer.” Davi chorou sobre o seu filho: “Ó meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti!” Noé amava os seus filhos, e eles tinham confiança nele.
Alguém me enviou, há muitos anos, um jornal que continha um artigo marcado. O seu título era: “Estão todos os filhos dentro?” Uma velha esposa jazia moribunda. Tinha quase cem anos de idade, e o marido, que fizera a jornada com ela, estava sentado ao seu lado. Ela respirava apenas debilmente, mas de repente reanimou-se, abriu os olhos e disse:
“Ora! está escuro.”
“Sim, Janet, está escuro.”
“É noite?”
“Ah, sim! é meia-noite.”
“Estão todos os filhos dentro?”
Ali estava aquela velha mãe revivendo a vida outra vez. O seu filho mais novo estava na sepultura havia vinte anos, mas ela viajava de volta aos velhos dias, e adormeceu em Cristo perguntando: “Estão todos os filhos dentro?”
Caro amigo, estão todos dentro? Faça a pergunta a si mesmo agora. João está dentro? Tiago está dentro? Ou está ele mergulhado nos negócios e nos prazeres? Está ele vivendo uma vida dupla e desonesta? Diga! onde está o seu menino, mãe? Onde está o seu filho, a sua filha? Está tudo bem com os seus filhos? Você pode dizer que sim?
Depois de ter sido superintendente de uma escola dominical em Chicago por vários anos — uma escola de mais de mil membros, crianças que vinham de lares sem Deus, tendo mães e pais trabalhando contra mim, levando as crianças para excursões no domingo e fazendo tudo o que podiam para desfazer a obra que eu tentava fazer — eu costumava pensar que, se algum dia estivesse diante de um auditório, falaria a ninguém senão aos pais; esse seria o meu principal ofício. Há um velho ditado: “Ganhe o cordeiro, e ganhará a ovelha.” Abandonei isso há anos. Deem-me a ovelha, e então terei alguém para cuidar do cordeiro; mas ganhe um cordeiro e converta-o, e, se ele tiver um pai e uma mãe sem Deus, você terá pouca chance com aquela criança. O que precisamos são lares piedosos. O lar foi estabelecido muito antes da Igreja.
Não tenho simpatia alguma pela ideia de que os nossos filhos têm de crescer antes de serem convertidos. Certa vez vi uma senhora com três filhas ao seu lado, e cheguei-me a ela e perguntei-lhe se era cristã.
“Sim, senhor.”
Então perguntei à filha mais velha se era cristã. O queixo começou a tremer-lhe, e as lágrimas vieram-lhe aos olhos, e ela disse:
“Quem me dera que fosse.”
A mãe olhou para mim com muita raiva e disse: “Não quero que o senhor fale com as minhas filhas sobre esse assunto. Elas não entendem.” E, com grande fúria, levou-as todas para longe de mim. Uma filha tinha catorze anos, outra doze, e a outra dez, mas não tinham idade suficiente para que se lhes falasse de religião. Deixe-as ir à deriva pelo mundo e mergulhar nos divertimentos mundanos, e depois veja como é difícil alcançá-las. Muitas mães choram hoje porque o seu filho foi para além do seu alcance, e não a deixa orar com ele. Ela pode orar por ele, mas ele não a deixará orar ou falar com ele. Naqueles primeiros dias, quando a sua mente era tenra e jovem, ela poderia tê-lo conduzido a Cristo. Traga-os para dentro. “Deixai vir a mim os pequeninos.” Há algum pai sem oração lendo isto? Que Deus deixe a seta descer até a sua alma! Decida-se a que, com a ajuda de Deus, você porá os filhos dentro. A ordem de Deus é primeiro ao pai, mas, se ele não for fiel ao seu dever, então a mãe deve ser fiel e salvar os filhos do naufrágio. Agora é o tempo de fazê-lo, enquanto você os tem debaixo do seu teto. Exerça a sua influência de pai sobre eles.
Nunca falo aos pais sem que pense em dois pais, um dos quais vivia às margens do Mississippi, e o outro em Nova York. O primeiro dedicava todo o seu tempo a amontoar riquezas. Tinha um filho a quem era muito apegado, e certo dia o menino foi trazido para casa gravemente ferido. O pai foi informado de que o menino só poderia viver pouco tempo, e deu a notícia ao filho o mais suavemente possível.
“O senhor diz que eu não posso viver, pai? Ah! então ore pela minha alma”, disse o menino.
Em todos aqueles anos, aquele pai nunca fizera uma oração por aquele menino, e disse-lhe que não podia. Pouco depois, o menino morreu. Aquele pai disse, desde então, que daria tudo o que possuía se pudesse chamar de volta aquele menino apenas para oferecer uma breve oração por ele.
O outro pai tinha um menino que estivera doente por algum tempo, e chegou em casa certo dia e encontrou a esposa chorando. Ela disse:
“Não posso deixar de crer que isto vai ser fatal.”
O homem sobressaltou-se e disse: “Se você acha isso, quisera que você lhe dissesse.”
Mas a mãe não conseguia dizê-lo ao seu menino. O pai foi ao quarto do doente e viu que a morte tateava as cordas da vida, e disse:
“Meu filho, você sabe que não vai viver?”
O pequenino ergueu os olhos e disse: “Não; é a morte isto que sinto rastejando sobre mim? Vou morrer hoje?”
“Sim, meu filho, você não passará deste dia.”
E o pequenino sorriu e disse: “Pois bem, pai, estarei com Jesus esta noite, não estarei?”
“Sim, você passará a noite com o Senhor”, e o pai desabou e chorou.
O pequenino viu as lágrimas e disse: “Não chore por mim. Vou para junto de Jesus e lhe direi que, desde que me lembro, o senhor tem orado por mim.”
Tenho três filhos e, se Deus os tirasse de mim, preferiria que eles levassem tal mensagem para junto dele a ter toda a riqueza do mundo inteiro. Oh! quisera Deus que eu pudesse dizer algo para comover vocês, pais e mães, a pôr os seus filhos dentro da arca.
Domínio público. Texto de origem de a edição original.
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- MLA
- Moody, Dwight L. “Entra tu e toda a tua casa na arca.” Sermon. Ochorus, https://ochorus.com/pt/sermons/come-thou-into-the-ark/.
- Chicago
- Moody, Dwight L. “Entra tu e toda a tua casa na arca.” Sermon. Ochorus. https://ochorus.com/pt/sermons/come-thou-into-the-ark/.
- Chicago footnote
- Dwight L. Moody, “Entra tu e toda a tua casa na arca,” sermon, Ochorus, https://ochorus.com/pt/sermons/come-thou-into-the-ark/.
- BibTeX
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