A Vida de Confiança (Para Jovens)
O Caminho Que É Duro

Capítulo 1 · 3 min de leitura · 4 min de escuta

O Caminho Que É Duro

“O bom entendimento conquista favor, mas o caminho dos infiéis é duro.” — Provérbios 13:15

Antes de ser um homem que alguém admirasse, George Müller foi mentiroso e ladrão — e ele faz questão de que você saiba disso. Neste livro, ele não maquia o próprio passado. Ele o expõe por inteiro.

O pai dele, um funcionário do governo na Prússia, dava aos filhos muito dinheiro e poucos limites. Esse era justamente o problema. Antes dos dez anos, George já roubava do pai — inclusive dinheiro do governo pelo qual o pai era responsável. O pai começou a desconfiar, então um dia contou uma quantia, deixou-a na sala e saiu. George pegou uma parte e a escondeu debaixo do pé, dentro do sapato. Quando o pai voltou e contou, faltava dinheiro. Ele revistou o filho, e lá estava.

Aquilo deveria ter sido um alerta. Não foi. O roubo virou mentira, e a mentira virou um estilo de vida. Na noite em que a mãe dele estava morrendo, George, com catorze anos, estava na rua jogando cartas até as duas da manhã, e no dia seguinte andou pelas ruas meio bêbado com os amigos. Ele foi confirmado na igreja, tomou a comunhão, jurou a Deus que ia mudar — e esqueceu tudo em poucos dias, toda vez.

Aos dezesseis, a conta chegou. Ele vinha se hospedando em hotéis caros com um dinheiro que não tinha, sumindo antes de a conta chegar e deixando suas melhores roupas como garantia. Numa cidade, ele saiu de fininho pelo pátio da hospedaria e correu — e foi visto, perseguido, preso e trancado numa cela com ladrões e assassinos. Ficou naquela prisão de 18 de dezembro até 12 de janeiro, até o pai mandar dinheiro para pagar as dívidas. E aqui está o detalhe que mostra o quanto ele estava perdido: duas horas depois de sair livre, ainda a caminho de casa para encarar um pai furioso, ele escolheu de propósito um encrenqueiro conhecido como companheiro de viagem. Não tinha aprendido nada.

Por qualquer critério de fora, ele estava indo bem — o melhor da turma, admirado pelos professores, a caminho da universidade. Por dentro, estava vazio. Tinha uns trezentos livros e nenhuma Bíblia. Nos momentos de honestidade, ele sabia que uma vida como a dele termina mal. Só não conseguia parar, e fingir que estava mudando só o tornava melhor em fingir.

Você provavelmente não rouba dos seus pais nem acorda em celas de prisão. Mas talvez conheça a versão mais silenciosa: a distância entre quem as pessoas acham que você é e o que você realmente faz quando ninguém está olhando. A reputação que corre na sua frente enquanto o você de verdade vai ficando para trás. A vida de Müller diz duas coisas desconfortáveis e uma cheia de esperança. Primeiro, dá para ser respeitado e podre ao mesmo tempo. Segundo, boas intenções — os juramentos, o “segunda-feira eu mudo” — não valem exatamente nada sozinhas; George fazia isso o tempo todo. E terceiro, a parte da esperança: essa mesma pessoa, esse ladrão, é quem Deus estava prestes a virar completamente do avesso. O seu histórico não é a palavra final sobre você.

Uma coisa para fazer esta semana: pare de atuar por um minuto e diga a Deus uma coisa verdadeira sobre você — aquilo que você realmente faz quando ninguém está olhando, dito com todas as letras, sem desculpas. Toda a mudança de Müller começou quando ele parou de enfeitar a própria imagem. Ninguém pode encontrar você onde você está fingindo estar. Só onde você realmente está.

Perguntas para pensar

Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.

Como o pai de George o pegou roubando, e o que aconteceu quando George tinha dezesseis anos?

O pai deixou dinheiro contado numa sala e encontrou uma moeda escondida no sapato de George. Aos dezesseis, George fugiu sem pagar contas de hotel, foi preso e passou semanas numa cela.

Por que o capítulo diz que boas intenções como “segunda-feira eu mudo” não valem nada sozinhas?

George vivia jurando a Deus que ia mudar, na confirmação e na comunhão, e esquecia em poucos dias. Fingir que estava mudando só o tornava melhor em fingir.

Existe uma distância entre quem as pessoas acham que você é e o que você faz quando ninguém está olhando?

O capítulo sugere dizer a Deus uma coisa verdadeira sobre você, com todas as letras, sem desculpas. Ninguém pode encontrar você onde você está fingindo estar, e o seu histórico não é a palavra final sobre você.

Capítulo 1 concluído

O Caminho Que É Duro

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