Conversas com o Lavrador (Para Adolescentes)
No Campo de Feno

Capítulo 12 · 4 min de leitura · 5 min de escuta

No Campo de Feno

“Ele faz crescer a relva para o gado.” — Salmos 104:14

Grama. Spurgeon constrói um capítulo inteiro sobre a coisa mais comum do mundo — aquilo que você pisa sem pensar duas vezes, que é cortado e nem percebe. E ele diz que há um evangelho escondido num campo de feno, se você diminuir o ritmo e olhar com atenção.

Comece por quem faz a grama crescer. A gente diz que ela cresce “naturalmente”, pelas “leis da natureza”, como se isso explicasse alguma coisa. Spurgeon não aceita essa. Ele conta que parou alguém na rua e pediu que a pessoa definisse de verdade o que é “natureza” — e ela não teve resposta. Porque “natureza” é só uma palavra que usamos para não ter que dizer Deus. Uma lei não consegue fazer nada sozinha, assim como as regras de um jogo não conseguem jogar o jogo. Por trás de cada folha de grama que rompe a terra está Deus, em pessoa, fazendo isso acontecer. O salmo não diz que a grama simplesmente acontece. Diz que é ele quem a faz crescer.

E repare para quem ele a faz crescer: “para o gado”. Não para reis. Não para gente importante. Para animais — criaturas que não sabem dizer obrigado, não podem merecer nada, não podem fazer coisa nenhuma por Deus em troca. Mesmo assim ele faz crescer o alimento delas, na hora certa, todo ano, sob medida para elas. O argumento de Spurgeon chega como um soco de consolo: se Deus cuida tanto assim de alimentar o gado, quanto mais ele vai cuidar de você? Se ele não se esquece das vacas, não se esqueceu de você.

Depois ele diz algo para quem se sente pequeno, invisível e sem importância — o que, sejamos sinceros, é o caso de muitos de nós boa parte do tempo. Ele aponta para a grama que cresce no alto de uma encosta solitária, num lugar que nenhum ser humano jamais vai visitar, vista só por algum pássaro selvagem de passagem. Deus a faz crescer ali do mesmo jeito. Esforço total, cuidado total, para uma plateia de um pássaro só. E Spurgeon diz que Deus é assim com as pessoas — aquelas que ninguém nota, sem seguidores e sem holofote, escondidas onde ninguém está olhando. Deus cuida dessa vida escondida com a mesmíssima atenção que daria a uma vida famosa. Você não precisa ser visto por todo mundo para ser visto por ele.

A imagem mais bonita dele é esta: cada folhinha de grama tem a sua própria gota de orvalho. Não uma gota dividida pelo campo inteiro — uma gota pessoal, para cada folha. É assim que o cuidado de Deus é específico. Não um cuidado com “as pessoas em geral”, com você perdido em algum lugar no meio da média. Uma gota de orvalho com o seu nome. Provisão pessoal para uma vida pessoal.

Ele encontra Deus até nas pequenas coisas irritantes. “É a pedrinha no sapato que faz o peregrino mancar”, diz ele — ou seja, os problemas menores, as pequenas irritações, também estão dentro do cuidado de Deus e têm algo a ensinar a você. E ele fala de um explorador, Mungo Park, perdido e à beira do colapso num deserto africano, que encontrou consolo de verdade ao avistar um pedacinho minúsculo de musgo — pensando: se Deus se dá ao trabalho de manter isso vivo aqui, não vai me abandonar. Um fiapo de musgo pregou um sermão inteiro para um homem à beira da morte: você não foi esquecido.

Então o campo de feno está, em silêncio, apresentando um argumento a você. O Deus que faz crescer grama que ninguém nota em montanhas vazias, que dá a cada folha separada a sua própria gota de orvalho, que alimenta animais que não podem agradecer a ele — esse Deus não vai deixar você passar despercebido.

Uma coisa para fazer da próxima vez que você se sentir invisível: vá procurar algo pequeno e comum que Deus está obviamente mantendo vivo — um matinho numa rachadura, a grama à beira do caminho — e deixe que isso lembre você, de propósito. Se ele cuida disso, sem ninguém ver, sem aplauso, ele está cuidando de você. Existe uma gota de orvalho com o seu nome.

Perguntas para pensar

Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.

Por que Spurgeon rejeita a ideia de que a grama simplesmente cresce “naturalmente”?

Porque “natureza” é uma palavra que usamos para não ter que dizer Deus; uma lei não consegue fazer nada sozinha. O salmo diz que é Deus quem faz a relva crescer.

O que a grama da montanha e a gota de orvalho ensinam sobre o cuidado de Deus?

Deus faz crescer grama onde só um pássaro de passagem a vê, e dá a cada folha a sua própria gota de orvalho. O cuidado dele é pessoal, inclusive com as pessoas escondidas que ninguém nota.

Quando você se sente mais invisível ou esquecido?

O capítulo sugere procurar algo pequeno que Deus está mantendo vivo — a grama à beira do caminho, um matinho numa rachadura — e deixar que isso lembre você: se ele cuida disso sem ninguém ver, está cuidando de você.

Capítulo 12 concluído

No Campo de Feno

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