O Peregrino (Para Adolescentes)
O Rio e a Cidade Celestial

Capítulo 12 · 4 min de leitura · 5 min de escuta

O Rio e a Cidade Celestial

“Quando passares pelas águas, estarei contigo; e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.” — Isaías 43:2

Depois da Terra Encantada, Cristão e Esperançoso chegam à terra de Beulá — e tudo muda. O ar é doce, o sol brilha dia e noite, e os pássaros não param de cantar. Agora eles já avistam a Cidade Celestial, tão de perto que a luz dela os deixa doentes de saudade — Bunyan diz que eles “adoeceram” de amor por ela. Esta é a terra na fronteira do céu, e a mensagem é delicada: para quem anda com Deus, o último trecho não é o mais escuro — é o mais doce.

Mas entre eles e a porta ainda falta uma coisa: um rio fundo, sem ponte. Eles ouvem com todas as letras — “Vocês precisam atravessar, ou não poderão chegar à porta.” Esse rio é a morte. Bunyan não enfeita nada: em toda a história, só duas pessoas não precisaram atravessá-lo, e não existe caminho que dê a volta.

Eles entram na água — e aqui vem a parte honesta. Cristão, o herói do livro inteiro, quase se afoga. Aquele que derrotou Apoliom e fugiu do Castelo da Dúvida entra em pânico na água. Uma grande escuridão cai sobre ele; ele não consegue tocar o fundo; todos os seus pecados antigos voltam como uma enxurrada; ele tem certeza de que Deus o abandonou e grita que as ondas estão passando por cima da sua cabeça. E é Esperançoso — de novo, o mais quieto — quem segura a cabeça dele fora da água, dizendo: “Tenha bom ânimo, meu irmão. Eu sinto o fundo, e ele é firme.”

Pare um pouco nisso, porque talvez seja a coisa mais consoladora do livro. Até um cristão de verdade, forte e fiel, pode passar pela própria morte com medo, sobrecarregado, arrastado de volta por culpas antigas. Lutar no fim não é sinal de que você era uma fraude; até os melhores atravessam agarrados, não marchando. O que salva Cristão não é a coragem dele. É que Esperançoso não o solta, e que, no meio de tudo, ele ouve a promessa — “Quando passares pelas águas, estarei contigo” — e se agarra a ela. No momento em que faz isso, ele encontra o chão, e o resto do rio é raso. Eles atravessam.

Na outra margem, Seres Resplandecentes os conduzem até a Cidade. Enquanto sobem, eles ouvem o que os espera: coroas, vestes brancas, a árvore da vida, o fim da tristeza, da doença e da morte para sempre, e — acima de tudo — “andar e conversar todos os dias com o Rei.” O exército celestial sai com trombetas, a porta se abre, e eles entram — transfigurados, vestidos de ouro — enquanto todos os sinos da Cidade tocam de alegria. Então as portas se fecham, e Bunyan, que assistia a tudo, diz simplesmente: “Desejei estar entre eles.” Esse é o destino para onde o livro inteiro caminhou: em casa, seguros, face a face com o Rei para sempre, junto com todos que você amou e que correram a mesma estrada.

Mas Bunyan se recusa a terminar só na nota feliz, e você precisa da última cena. Lembra de Ignorância — o rapaz alegre e decente que confiava na própria vida boa? Ele também chega ao rio, e atravessa fácil, levado por um barqueiro chamado Vã-Esperança. Sobe sozinho até a porta, bate, e pedem o certificado dele — a prova que você recebe na Cruz e carrega o caminho inteiro. Ele procura no peito. Não tem nenhum. E Bunyan escreve a frase mais séria do livro: “Então vi que havia um caminho para o inferno, mesmo desde a porta do céu.” Você pode percorrer a estrada inteira, parecer o papel, se sentir bem consigo mesmo, chegar até a própria porta — e estar apoiado na coisa errada. Ignorância confiava na própria decência. Ele nunca foi à Cruz; não tinha certificado. Ser legal nunca foi o certificado.

A única coisa a que este livro inteiro se resume: tenha certeza de que você tem o certificado — tenha certeza de que a sua esperança está no que Cristo fez na Cruz, não na sua própria vida boa, nos seus bons instintos, nos seus bons sentimentos sobre si mesmo. Todo o resto nestes doze capítulos é sobre caminhar bem. Isto aqui é sobre entrar ou não entrar. Resolva isso — vá à Cruz e fique lá — e o rio no fim de tudo não é nada a temer. Existe uma Cidade do outro lado, e os sinos já estão tocando.

Perguntas para pensar

Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.

O que acontece com Cristão no rio, e como Esperançoso o ajuda?

Cristão quase se afoga — a escuridão cai, os pecados antigos voltam como uma enxurrada, e ele teme que Deus o tenha abandonado. Esperançoso segura a cabeça dele fora da água, dizendo: “Tenha bom ânimo, meu irmão. Eu sinto o fundo, e ele é firme.”

Por que Ignorância é barrado bem na porta da Cidade?

Ele não tem certificado — a prova recebida na Cruz. Ele confiou na própria vida decente e nunca foi à Cruz: “havia um caminho para o inferno, mesmo desde a porta do céu.”

Em que a sua esperança está realmente apoiada — na sua própria vida boa, ou no que Cristo fez? Por que o livro termina aí?

O capítulo diz que todo o resto é sobre caminhar bem, mas isto é sobre entrar ou não entrar. Tenha certeza de que a sua esperança está no que Cristo fez na Cruz, e o rio no fim não é nada a temer.

Capítulo 12 concluído

O Rio e a Cidade Celestial

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