Como Levar Pessoas a Cristo
Como tratar com os que se dizem céticos e incrédulos

Capítulo 8 · 13 min de leitura · 16 min de escuta

Como tratar com os que se dizem céticos e incrédulos

Há várias classes de céticos, e os mesmos métodos de tratamento não servirão para todas.

1. Céticos que são meros levianos. Com esses, use 1 Coríntios 1.18. Se um homem diz que a Bíblia é loucura para ele, você pode dizer “Sim, é exatamente isso que a própria Bíblia diz.” Ele provavelmente ficará surpreso com essa resposta, e então você pode mostrar-lhe 1 Coríntios 1.18: “a palavra da cruz é loucura para os que estão perecendo.” Depois você pode dizer-lhe: “Veja que a Bíblia diz que ela é loucura para alguns — os que estão perecendo — e o motivo de ela ser loucura para você é que você está perecendo.” 1 Coríntios 2.14 pode ser usado de modo semelhante. Certa noite, um obreiro tratava com um homem que, enquanto ele procurava persuadi-lo a vir a Cristo, lhe disse: “tudo o que você está dizendo é loucura para mim.” O obreiro respondeu prontamente: “Sim, é exatamente isso que a Bíblia diz.” O homem olhou para ele espantado e disse: “O quê?” “Você disse que tudo o que eu estava lhe dizendo era loucura para você, e é exatamente isso que a Bíblia diz.” O homem ficou mais espantado do que nunca, e o obreiro lhe mostrou 1 Coríntios 2.14: “Ora, o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode conhecê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” O homem disse “Nunca vi isso antes; nunca tinha pensado nisso por esse ângulo.” 2 Coríntios 4.3, 4 é muito útil para mostrar ao leviano que ele está perdido e que o seu ceticismo provém do fato de que “o deus deste mundo cegou” a sua mente. 2 Tessalonicenses 2.10‒12 é útil para mostrar a origem do ceticismo, “porque não receberam o amor da verdade”, e as consequências do ceticismo — o engano e a condenação. João 8.21, 24 também é muito penetrante para lidar com essa classe de céticos, pois mostra as terríveis consequências da incredulidade. João 5.44; 3.18, 19, 20 expõem a origem do ceticismo. Salmos 14.1 é útil em alguns casos, embora seja preciso cautela ao usá-lo, recorrendo a ele somente quando puder ser feito com seriedade e ternura. 2 Tessalonicenses 1.7, 8 também pode ser usado com bons resultados.

2. Céticos sérios. Há em nossos dias uma grande classe de homens e mulheres que realmente desejam conhecer a verdade, mas que estão envoltos numa completa névoa de ceticismo. João 7.17 é uma passagem muito proveitosa para lidar com essas pessoas. Ela mostra o caminho para sair do ceticismo e chegar à fé. Leve o cético a agir de acordo com esse versículo. Faça-lhe a pergunta: “Você entregará a sua vontade a Deus e prometerá buscar com honestidade e seriedade descobrir qual é a vontade de Deus, para cumpri-la, pedir a Deus que lhe mostre se você precisa de um Salvador e se Jesus é um Salvador divino, o Filho de Deus; e promete que, se Deus lhe mostrar que Jesus é o Filho de Deus, você o aceitará como seu Salvador e o confessará diante do mundo?” Faça-o tornar a promessa definida, colocando-a preto no branco. Se você conseguir que ele faça isso, o seu ceticismo logo criará asas.

Certa noite, ao fim de um culto, perguntei a um cavalheiro por que ele não era cristão. Ele respondeu: “Vou lhe dizer. Não falo muito disso, pois não me orgulho, como alguns, mas sou cético. Tenho passado noites em claro pensando neste assunto.” “O senhor crê que existe um Deus?” “Sim, nunca abandonei a minha fé de que existe um Deus.” “Pois bem, se existe um Deus, o senhor deve obedecer-lhe. Quer esta noite firmar posição sobre a vontade de Deus, para segui-la aonde quer que ela o leve, mesmo que o leve por cima das Cataratas do Niágara?” “Procuro agir do modo mais correto que sei.” “Não foi isso que perguntei; o senhor quer firmar posição sobre a vontade de Deus, para segui-la aonde quer que ela o leve?” “Nunca coloquei a questão desse modo.” “Quer colocá-la desse modo esta noite?” “Quero.” “O senhor crê que Deus responde à oração?” “Não sei; receio que não.” “O senhor não sabe se ele não responde?” “Não.” “Pois bem, aqui está uma possível pista para a verdade; o senhor vai segui-la, vai pedir a Deus que lhe mostre se Jesus é o seu Filho e qual é o seu dever para com ele?” “Vou.” Não muito tempo depois, o homem entrou numa reunião com um semblante novo. Levantou-se e disse: “Eu estava todo envolto em névoa. Não cria em nada.” Então nos contou o que havia feito. Fizera exatamente como prometera. “E agora,” continuou ele, “as minhas dúvidas se foram todas. Não sei para onde foram, mas se foram.” Se o cético não quiser agir desse modo, você pode “tapar-lhe a boca”, mostrando-lhe que ele não é um cético honesto e que o seu problema não é o ceticismo, mas o pecado. Se o homem não crê que existe um Deus, você pode começar um passo mais atrás. Pergunte-lhe se ele crê que existe uma diferença absoluta entre o certo e o errado (se não crer, é um mero leviano). Se ele disser que crê, pergunte-lhe se ele firmará posição sobre o certo e o seguirá aonde quer que o leve. Ele pode tentar se esquivar dizendo “O que é o certo?” ou que está fazendo o certo da melhor forma que sabe. Leve-o a prometer que firmará posição sobre o certo, seja ele o que for, e o seguirá, sejam quais forem as consequências. Depois mostre-lhe que, se ele for honesto nessa promessa, procurará descobrir o que é o certo. Em seguida, diga-lhe: “Você não sabe se Deus responde à oração ou não. Eu sei que responde, e você há de admitir que aqui está uma possível pista para o conhecimento. Se você é honesto em seu desejo de conhecer a verdade, seguirá essa possível pista. Você pode ao menos se ajoelhar e orar: ‘Ó meu Deus, se existe um Deus, ensina-me a tua vontade, e eu a farei. Mostra-me se Jesus é ou não o teu Filho. Se mostrares que ele é, eu o aceitarei como meu Salvador e o confessarei diante do mundo.’” Então diga ao homem que comece a ler o Evangelho de João, lendo devagar e com reflexão, apenas alguns versículos de cada vez, pedindo luz a Deus a cada vez antes de ler e prometendo a Deus que seguirá a luz à medida que ele a tornar clara. Se o homem seguir esse caminho racional, o resultado será, em todos os casos, que o cético chegará à clara luz da fé na Bíblia como Palavra de Deus e em Jesus Cristo como Filho de Deus. Se o homem não for um cético honesto, esse tratamento revelará o fato, e então você poderá mostrar-lhe que a dificuldade não está no seu ceticismo, mas no seu coração rebelde.

Se o homem disser que não sabe se existe uma diferença absoluta entre o certo e o errado, você pode concluir de imediato que ele vive mal, e voltar-se para ele com bondade e seriedade e dizer-lhe: “Meu amigo, há algo errado em sua vida; nenhum homem que vive corretamente duvida de que haja diferença entre o certo e o errado. Você provavelmente sabe o que está errado, e o problema não está no seu ceticismo, mas no seu pecado.” Certa tarde, depois de eu ter feito o convite para que qualquer cético, ou qualquer outra pessoa que desejasse conversar comigo, ficasse depois da reunião, permaneceu um rapaz com quem eu havia tratado alguns meses antes. Perguntei-lhe qual era o seu problema. Ele respondeu: “O mesmo problema de que lhe falei na primavera: não consigo crer que existe um Deus.” Perguntei-lhe se ele havia feito o que eu o aconselhara a fazer em nossa conversa anterior, se havia firmado posição sobre o certo para segui-lo aonde quer que o levasse. Ele respondeu que não sabia se havia alguma diferença entre o certo e o errado. “Não sei se existe tal coisa como o certo.” Olhei-o bem nos olhos e disse: “Existe algum pecado em sua vida?”

Ele disse “Sim.” Eu disse “qual é?” Ele respondeu: “O mesmo de que lhe falei na primavera passada.” Eu disse: “Você prometeu abandoná-lo; você o abandonou?” Ele disse “Não, não abandonei.” “Pois bem,” disse eu, “aí está a dificuldade, e não no seu ceticismo. Abandone esse pecado, e o seu ceticismo se resolverá por si.” Um tanto confuso, ele respondeu: “Acho que esse é o problema.”

3. Os que duvidam da existência de Deus.

As passagens indicadas em 1 e 2 também podem ser usadas com essa classe, e geralmente é sábio usá-las antes das que são dadas neste tópico. Há, porém, três passagens que muitas vezes são eficazes com essa classe específica de céticos. Salmos 14.1; antes de usar esta passagem, você pode dizer ao homem: “Deixe-me ler para você, na própria Palavra de Deus, o que ele diz sobre os que negam a sua existência.” Muitas vezes é bom deixar que a passagem faça a sua própria obra. Às vezes, porém, é sábio deter-se um pouco nela. Chame a atenção do homem para o fato de que é “em seu coração:” que o tolo diz “Não há Deus.” Ele não crê que existe um Deus porque não quer crer. Você pode acrescentar que a loucura de dizer no coração que não há Deus se vê em dois pontos: primeiro, existe um Deus, e é loucura dizer que não existe; e segundo, a doutrina de que não existe Deus sempre traz miséria e infelicidade. Coloque a questão diretamente ao homem e pergunte-lhe se ele já conheceu um ateu feliz. Salmos 19.1, 2; Romanos 1.19‒22 também são passagens eficazes.

4. Os que duvidam de que a Bíblia seja a Palavra de Deus.

Romanos 3.3, 4 é útil para mostrar que questionar um fato não altera o fato. Mateus 24.35 é muitas vezes usado pelo Espírito para levar ao coração do cético a certeza e a imutabilidade da Palavra de Deus. Marcos 7.13; Mateus 5.18; João 10.35; Lucas 24.27, 44 são úteis por darem o testemunho de Cristo de que o Antigo Testamento é a Palavra de Deus. São especialmente proveitosos para lidar com os que dizem aceitar a autoridade de Cristo, mas não a do Antigo Testamento, pois nelas Cristo põe o seu selo nas Escrituras do Antigo Testamento, e elas mostram de modo conclusivo que, se aceitamos a autoridade dele, temos de aceitar também a do Antigo Testamento. Na mesma linha, João 14.26 e 16.12, 13 são úteis por conterem o aval de Cristo ao Novo Testamento.

1 Tessalonicenses 2.13 pode ser usado com bom efeito para responder à afirmação, feita com frequência, de que Paulo em parte alguma afirma que o seu ensino é a Palavra de Deus. 2 Pedro 1.21, João 8.47; Lucas 16.30, 31 também podem ser usados para lidar com essa classe. 2 João 5.10 é muito eficaz para mostrar a culpa dos que não creem no testemunho que Deus deu. Antes de usar esta última passagem, você pode dizer: “Então você duvida de que a Bíblia seja a Palavra de Deus? Pois vejamos o que Deus diz sobre os que não creem no seu testemunho;” depois mostre-lhes a passagem e faça-os lê-la.

5. Os que duvidam de uma existência futura.

1 Coríntios 15.35‒36; João 5.28‒29; Daniel 12.2.

6. Os que duvidam da doutrina do castigo futuro, ou do sofrimento consciente e sem fim dos perdidos. Apocalipse 21.8 define o que significa “morte” quando usada nas Escrituras. Apocalipse 17.8, comparado com Apocalipse 19.20, mostra o que significa perdição ou destruição nas Escrituras. Apocalipse 19.20, comparado com Apocalipse 20.10, mostra que “o lago de fogo” não é um lugar onde os que nele são lançados deixam de existir, pois vemos nesta última passagem que a besta e o falso profeta ainda estão lá ao fim de mil anos e que, longe de serem aniquilados ou de perderem a existência consciente, são atormentados dia e noite para todo o sempre. Apocalipse 13.7‒8 mostra que os que estão sujeitos à terrível retribuição ali descrita são aqueles cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida. Mateus 10.28 mostra que há destruição para a alma, à parte da destruição do corpo. Lucas 12.5 mostra que, depois que alguém é morto e, naturalmente, está morto, há um castigo no “inferno.” Marcos 3.28‒29 (R. V.) mostra que existe pecado eterno. Lucas 16.23‒26 mostra que a condição dos ímpios mortos é de tormento consciente. Marcos 14.21 mostra que a retribuição que cai sobre o ímpio é tão severa que melhor seria para aquele sobre quem ela cai se nunca tivesse nascido.

2 Pedro 2.4; Judas 6 mostram que o inferno não é um lugar onde os habitantes deixam de existir, mas onde são guardados vivos para o propósito de Deus. Hebreus 10.28‒29 mostra que, enquanto o castigo pela transgressão da lei mosaica era a morte, um castigo muito pior aguarda aquele que “pisou aos pés o Filho de Deus.” Mateus 25.41 lança mais luz sobre o assunto. Mostra que os ímpios vão para o mesmo lugar que a Besta, o Falso Profeta e o Diabo mencionados em Apocalipse 19.20 e 20.10, e partilham do mesmo tormento consciente e sem fim.

7. Os que duvidam da divindade de Cristo.

a. Em Atos 10.36; 1 Coríntios 2.8, compare Salmos 24.8‒10; Hebreus 1.8; João 20.28; Romanos 9.5; Apocalipse 1.17, compare Isaías 44.6, encontramos vários títulos divinos aplicados a Cristo; os mesmos títulos que são aplicados a Jeová no Antigo Testamento são aplicados a Cristo no Novo.

b. Em Hebreus 1.10, 3, encontramos funções divinas atribuídas a Cristo.

c. Em João 5.22‒23, compare Apocalipse 5.13; Hebreus 1.6; Filipenses 2.10, encontramos o ensino de que Jesus Cristo deve ser adorado como Deus.

d. Em João 5.22‒23, vemos Jesus reivindicando a mesma honra que seu Pai, e ou ele era divino ou foi o impostor mais blasfemo que já existiu. Deixe bem claro que quem nega a divindade de Cristo o coloca no lugar de um impostor blasfemo. Marcos 14.61, 62 pode ser usado de maneira semelhante.

e. 1 João 2.22, 23, comparado com 1 João 5.1, 5, mostra que quem nega a divindade de Cristo, seja quem for, é mentiroso e anticristo. 1 João 5.10‒12 mostra que quem não crê que Jesus é divino faz de Deus mentiroso, “Porque não creu no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho.” Hebreus 10.28‒29 mostra a loucura, a culpa e o castigo de rejeitar Cristo como Filho de Deus. João 8.24 mostra, sem sombra de dúvida, que ninguém que não crê na divindade de Jesus Cristo será salvo. João 20.31 mostra que temos vida crendo que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.

(Observação. Em geral, antes de abordar dificuldades específicas, é melhor tratar com o interessado usando a passagem do tópico “Céticos que são meros levianos,” ou as do tópico “Céticos sérios.”)

Muitas vezes não há necessidade de abordar questões específicas, como, por exemplo, a do castigo futuro, até que o interessado tenha primeiro resolvido se aceitará Cristo como seu Salvador.

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