Capítulo 8 · 7 min de leitura · 8 min de escuta
O pão de cada dia, não a preocupação de cada dia
Durante quarenta anos no deserto, Deus alimentou Israel com o maná. Toda manhã ele aparecia no chão como geada, e cada família recolhia o que precisava para o dia. Deus deu a eles uma regra rígida: não guardem nada para o dia seguinte. Algumas pessoas não confiaram Nele e guardaram mais mesmo assim. De manhã, estava cheio de vermes e cheirava mal.
A regra tinha um propósito. Deus estava ensinando o Seu povo a depender Dele um dia de cada vez. E o milagre é que sempre dava certo:
“Os israelitas fizeram isso. Alguns recolheram muito, e outros só um pouco. Mas, quando mediram em medidas de 2,2 litros, quem tinha recolhido muito não teve nada sobrando, e quem tinha recolhido pouco não teve falta. Todos tinham recolhido quanto podiam comer.” (Êxodo 16:17-18)
Séculos depois, Jesus ensinou os Seus discípulos a orar: “Dá-nos hoje o pão de que precisamos” (Mateus 6:11). Não o pão do ano. Não um estoque para a vida toda. O de hoje.
Jesus e a preocupação
No Sermão do Monte, logo depois de dizer “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”, Jesus passa para a emoção mais comum que existe em relação ao dinheiro. Não a ganância, mas a preocupação.
“Por isso eu lhes digo: não se preocupem com a própria vida, com o que vão comer, nem com o próprio corpo, com o que vão vestir. A vida não é mais do que a comida, e o corpo mais do que a roupa? Olhem as aves do céu. Elas não plantam, nem colhem, nem guardam comida em celeiros, e mesmo assim o Pai celestial de vocês as alimenta. Será que vocês não valem muito mais do que elas?” (Mateus 6:25-26)
Repare nas palavras “Por isso”. A preocupação está ligada aos dois senhores. Quando o dinheiro é o nosso senhor, ele não nos deixa apenas gananciosos. Ele nos deixa ansiosos. Se o dinheiro é a sua segurança, então toda ameaça ao seu dinheiro é uma ameaça a você. E sempre existe alguma ameaça.
Jesus dá vários motivos para não nos preocuparmos. A vida é mais do que a comida. O seu Pai alimenta as aves, e você vale muito mais. A preocupação não pode acrescentar uma única hora à sua vida. O seu Pai já sabe do que você precisa. E então Ele apresenta a grande alternativa:
“Acima de tudo, busquem o Reino e a justiça Dele, e todas essas coisas também serão dadas a vocês.” (Mateus 6:33)
Busque primeiro
Este é um dos versículos mais importantes deste livro. Jesus não diz: “Não pensem em comida e roupa”. Ele sabe que precisamos delas. Ele diz: coloque o Reino de Deus em primeiro lugar e confie que o seu Pai vai suprir o que você precisa.
Isso não é uma barganha, como se Deus nos devesse tudo o que queremos porque fomos à igreja. É uma questão de prioridades. O que recebe a sua primeira atenção, a sua melhor energia, o seu primeiro dinheiro? Jesus diz que deve ser o Reino de Deus: o governo Dele na sua vida, os propósitos Dele no mundo, a justiça Dele. Quando Deus vem em primeiro lugar, todo o resto encontra o seu devido lugar, e o nosso Pai assume a responsabilidade pelas nossas necessidades.
Repare também que o texto fala de necessidades, não de vontades. Deus prometeu nos dar o que precisamos. Ele não prometeu nos dar tudo o que queremos, e um bom Pai não faria isso.
Planejar é falta de fé?
Alguém pode perguntar: “Então os cristãos não deveriam poupar, nem planejar, nem fazer seguro? Isso não é falta de fé?” Não. A mesma Bíblia nos diz para aprender com a formiga, que “prepara a sua comida no verão” (Provérbios 6:8), e o próprio Jesus falou de calcular o custo antes de construir uma torre. Vamos ver isso na Parte 3.
A diferença está entre planejar e se preocupar. Planejar é ser responsável. Preocupar-se é carregar um peso que só Deus pode carregar. Você pode fazer um orçamento, guardar dinheiro e depois dormir em paz, porque fez o que podia e confiou o resto a Deus. Ou você pode ter muito no banco e passar a noite acordado de medo. Não é o valor na sua conta que decide. É a confiança.
A confiança como hábito diário
Como passamos da preocupação para a confiança? Não de uma vez. É como o maná: um dia de cada vez.
Transforme preocupações em orações. Paulo diz: “Não se preocupem com nada. Em vez disso, em todas as situações, apresentem a Deus os pedidos de vocês” (Filipenses 4:6). Cada preocupação é um convite para orar. Dê nome à conta, à dívida, ao emprego que você tem medo de perder, e entregue tudo ao seu Pai.
Lembre-se do que Ele já fez. Olhe para trás e veja como Deus supriu no passado. O salmista escreveu: “Eu era jovem e agora estou velho, e em todos esses anos nunca vi os justos abandonados, nem os filhos deles saindo à procura de pão” (Salmo 37:25).
Viva o hoje. Jesus disse: “Por isso, não se inquietem com o dia de amanhã; o amanhã cuidará das próprias preocupações” (Mateus 6:34). A maioria das nossas preocupações com dinheiro é sobre o futuro: o que pode acontecer. Deus dá graça para hoje, não para amanhãs imaginários.
Faça a próxima coisa certa. Confiar não significa ficar parado. Significa fazer o que você pode e deixar o resultado com Deus. Candidate-se à vaga. Converse com o banco. Corte os gastos desnecessários. Depois descanse.
Uma história de confiança
George Müller dirigiu orfanatos em Bristol no século 19 e cuidou de milhares de crianças ao longo de muitos anos. Ele tinha como regra nunca pedir dinheiro a ninguém, mas contar as suas necessidades somente a Deus. Muitas vezes não havia comida suficiente para a próxima refeição, e ele e os seus colaboradores oravam. Vez após vez, a ajuda chegou, às vezes no último momento. Os seus diários estão cheios de anotações registrando o que chegou e quando.
Hudson Taylor, o missionário na China, aprendeu a mesma lição quando era jovem. Certa vez, ele deu a sua última moeda, meia coroa, a uma família que passava fome. Na manhã seguinte, chegou uma carta sem nome e sem mensagem, só um par de luvas com meio soberano dentro, quatro vezes o que ele tinha dado. Ele escreveu que “ali mesmo decidi que um banco que não podia quebrar ficaria com as minhas economias ou os meus ganhos”.
Essas histórias não são fórmulas. Deus nem sempre responde como respondeu a Müller e Taylor, e os dois passaram por longos períodos de necessidade. Mas elas nos mostram um Deus em quem podemos confiar. Ele é o nosso Pai, e Ele sabe do que precisamos.
Uma voz do passado
Charles Spurgeon, escrevendo sobre as promessas de Deus, resumiu a escolha em uma única frase:
“A cobiça é pobreza, e a ansiedade é miséria: a confiança em Deus é uma propriedade, e a semelhança com Deus é uma herança celestial.”
Charles H. Spurgeon, O Livro de Cheques do Banco da Fé
Para praticar nesta semana
Anote agora as suas três maiores preocupações com dinheiro. Cada manhã desta semana, ore por cada uma delas, usando Mateus 6:33 e Filipenses 4:6-7. Depois, para cada preocupação, anote uma coisa pequena e prática que você pode fazer a respeito, faça-a e deixe o resto com Deus.
Para grupos
- Por que você acha que Jesus colocou o ensino sobre a preocupação logo depois de “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”?
- Qual é a diferença entre planejar e se preocupar? Onde fica o limite para você?
- Você pode contar uma ocasião em que Deus supriu o que você precisava de um jeito inesperado?
- Como seria, para você, viver o “Acima de tudo, busquem o Reino” com o seu dinheiro neste mês?
Capítulo 8 concluído
O pão de cada dia, não a preocupação de cada dia