Cura Divina ·Perdão e Cura

Capítulo 1 · 5 min de leitura

Tradução por IA — aguardando revisão nativa

Perdão e Cura

“Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse então ao paralítico), Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Mateus 9:6).

No homem acham-se unidas duas naturezas. Ele é, ao mesmo tempo, espírito e matéria, céu e terra, alma e corpo. Por essa razão, de um lado é filho de Deus, e do outro está condenado à destruição por causa da Queda; o pecado em sua alma e a enfermidade em seu corpo testemunham o direito que a morte tem sobre ele. É essa dupla natureza que foi remida pela graça divina. Quando o salmista convoca tudo quanto há dentro de si para bendizer ao Senhor pelos seus benefícios, ele clama: “Bendize ao Senhor, ó minha alma, que . . . perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades” (Salmos 103:3). Quando Isaías prediz o livramento do seu povo, acrescenta: “E morador nenhum dirá: Enfermo estou; o povo que habita nela será perdoado da sua iniquidade” (Isaías 33:24).

Esta predição cumpriu-se além de toda expectativa quando Jesus, o Redentor, desceu a esta terra. Quão numerosas foram as curas realizadas por Aquele que viera estabelecer sobre a terra o reino dos céus! Quer pelos seus próprios atos, quer depois pelas ordens que deixou aos seus discípulos, não nos mostra Ele claramente que a pregação do Evangelho e a cura dos enfermos caminhavam juntas na salvação que Ele veio trazer? Ambas são dadas como prova evidente da sua missão como Messias: “Os cegos veem, e os coxos andam.., e aos pobres é anunciado o Evangelho” (Mateus 11:5). Jesus, que tomou sobre si a alma e o corpo do homem, liberta a ambos em igual medida das consequências do pecado.

Em parte alguma é esta verdade mais evidente ou melhor demonstrada do que na história do paralítico. O Senhor Jesus começa por lhe dizer: “Os teus pecados te são perdoados”, após o que acrescenta: “Levanta-te e anda”. O perdão do pecado e a cura da enfermidade completam-se um ao outro, pois aos olhos de Deus, que vê a nossa natureza inteira, o pecado e a enfermidade estão tão estreitamente unidos quanto o corpo e a alma. De acordo com as Escrituras, o nosso Senhor Jesus considerou o pecado e a enfermidade sob outra luz que não a nossa. Entre nós, o pecado pertence ao domínio espiritual; reconhecemos que está sob o justo desagrado de Deus, por Ele justamente condenado, ao passo que a enfermidade, pelo contrário, parece apenas uma parte da condição presente da nossa natureza, e nada ter que ver com a condenação de Deus e com a sua justiça. Alguns vão ao ponto de dizer que a enfermidade é uma prova do amor e da graça de Deus.

Mas nem a Escritura nem o próprio Jesus Cristo jamais falaram da enfermidade sob esta luz, nem jamais apresentam a enfermidade como uma bênção, como uma prova do amor de Deus que se devesse suportar com paciência. O Senhor falou aos discípulos de diversos sofrimentos que teriam de suportar; mas, quando fala da enfermidade, é sempre como de um mal causado pelo pecado e por Satanás, e do qual devemos ser libertados. Mui solenemente declarou que todo discípulo seu haveria de levar a sua cruz (Mateus 16:24), mas jamais ensinou a um só enfermo que se resignasse a estar enfermo. Por toda parte Jesus curou os enfermos, por toda parte tratou a cura como uma das graças que pertencem ao reino dos céus. O pecado na alma e a enfermidade no corpo, ambos testemunham o poder de Satanás, e “o Filho de Deus se manifestou para desfazer as obras do diabo” (1 João 3:8).

Jesus veio libertar os homens do pecado e da enfermidade para dar a conhecer o amor do Pai. Nas suas ações, no ensino que deu aos discípulos, na obra dos apóstolos, o perdão e a cura sempre se acham juntos. Ora um, ora outro pode, sem dúvida, aparecer em maior relevo, segundo o desenvolvimento ou a fé daqueles a quem falavam. Às vezes era a cura que preparava o caminho para a aceitação do perdão; às vezes era o perdão que precedia a cura, a qual, vindo depois, tornava-se um selo sobre ele. No princípio do seu ministério, Jesus curou muitos enfermos, achando-os prontos a crer na possibilidade da sua cura. Deste modo procurava influenciar os corações a recebê-lo a Ele mesmo como Aquele que pode perdoar o pecado. Quando viu que o paralítico podia receber o perdão de imediato, começou por aquilo que era da maior importância; depois do que veio a cura, que pôs um selo sobre o perdão que lhe fora concedido.

Vemos, pelos relatos dados nos Evangelhos, que era mais difícil aos judeus daquele tempo crer no perdão dos seus pecados do que na cura divina. Hoje dá-se justamente o contrário. A Igreja cristã tem ouvido tanto a pregação do perdão dos pecados que a alma sedenta recebe facilmente esta mensagem de graça; mas não sucede o mesmo com a cura divina; dela raramente se fala; não são muitos os crentes que a experimentaram. É verdade que a cura não é dada nos nossos dias como naqueles tempos, às multidões que Cristo curava sem conversão alguma prévia. Para recebê-la, é necessário começar pela confissão do pecado e pelo propósito de viver uma vida santa. Esta é, sem dúvida, a razão por que as pessoas acham mais dificuldade em crer na cura do que no perdão; e é também por isso que os que recebem a cura recebem ao mesmo tempo nova bênção espiritual, sentem-se mais estreitamente unidos ao Senhor Jesus, e aprendem a amá-lo e a servi-lo melhor. A incredulidade pode tentar separar estes dois dons, mas em Cristo eles estão sempre unidos. Ele é sempre o mesmo Salvador tanto da alma como do corpo, igualmente pronto a conceder perdão e cura. Os remidos podem sempre clamar: “Bendize ao Senhor, ó minha alma, que . . . perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades” (Salmos 103:3).

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Cura Divina Andrew Murray

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