Capítulo 5 · 6 min de leitura · 8 min de escuta
Apêndice C
EXPERIMENTANDO A VONTADE AGRADÁVEL DE DEUS
É muito instrutivo e proveitoso ver a maneira como o Sr. Müller experimentou a vontade agradável do Senhor quando estava com o coração exercitado quanto à ampliação da obra dos órfãos, para que não apenas 300, mas 1000 órfãos pudessem ser sustentados.
“11 de dezembro de 1850. — O fardo especial da minha oração, portanto, é que Deus se digne ensinar-me a Sua vontade. Minha mente também tem refletido especialmente sobre como eu poderia conhecer a Sua vontade de modo satisfatório quanto a este ponto em particular. De uma coisa estou certo: serei ensinado. Por isso desejo esperar pacientemente o tempo do Senhor, quando Lhe aprouver iluminar o meu caminho quanto a este ponto.”
“26 de dezembro. — Passaram-se quinze dias desde que escrevi o parágrafo anterior. Todos os dias desde então continuei a orar sobre este assunto, e com boa medida de fervor, pela ajuda de Deus. Quase não passou uma hora nestes dias, enquanto estive acordado, em que este assunto não estivesse mais ou menos diante de mim. Mas tudo sem nem sombra de agitação. Não converso com ninguém sobre isso. Até agora não o fiz nem mesmo com minha querida esposa. Disso ainda me abstenho, e trato do assunto somente com Deus, a fim de que nenhuma influência exterior e nenhuma agitação exterior me impeçam de chegar a um claro discernimento da Sua vontade. Tenho a mais plena e serena certeza de que Ele me mostrará claramente a Sua vontade. Esta noite tive novamente um momento especial e solene de oração, para procurar conhecer a vontade de Deus. Mas, enquanto continuo a rogar e suplicar ao Senhor que não permita que eu seja iludido neste assunto, posso dizer que quase não me resta dúvida quanto a qual será o desfecho, isto é, que devo seguir adiante nesta questão.”
“Como este, porém, é um dos passos mais importantes que já dei, julgo que não posso tratar deste assunto com cautela, oração e ponderação excessivas. Não tenho pressa nenhuma. Pela graça de Deus, eu poderia esperar anos, se fosse esta a Sua vontade, antes mesmo de dar um único passo nessa direção, ou até de falar com alguém a respeito; e, por outro lado, eu poria mãos à obra amanhã mesmo, se o Senhor me mandasse fazê-lo. Esta calma de espírito, este não ter vontade própria no assunto, este desejar apenas agradar ao meu Pai Celestial nele, este buscar nele apenas a honra dEle e não a minha; este estado do coração, digo, é para mim a mais plena certeza de que o meu coração não está sob uma agitação carnal e de que, se eu for ajudado a prosseguir assim, conhecerei plenamente a vontade de Deus. Mas, enquanto escrevo assim, não posso deixar de acrescentar ao mesmo tempo que anseio pela honra e pelo glorioso privilégio de ser usado cada vez mais pelo Senhor. Servi muito a Satanás nos meus anos de juventude, e desejo agora, com todas as minhas forças, servir a Deus durante os dias que restam da minha peregrinação terrena. Tenho quarenta e cinco anos e três meses de idade. Cada dia diminui o número de dias que tenho de permanecer na terra. Por isso desejo trabalhar com todas as minhas forças. Há multidões imensas de órfãos a serem sustentados.” * * *
“Desejo que assim se torne ainda mais manifesto que Deus continua sendo Aquele que ouve e responde à oração, e que Ele é o Deus vivo agora, como sempre foi e sempre será, quando Ele, simplesmente em resposta à oração, Se tiver dignado prover-me uma casa para 700 órfãos e os recursos para sustentá-los. Esta última consideração é o ponto mais importante em minha mente. A honra do Senhor é o ponto principal para mim em toda esta questão; e justamente porque é assim, se Ele fosse mais glorificado por eu não seguir adiante neste assunto, eu ficaria, pela Sua graça, perfeitamente contente em abandonar todo pensamento sobre outra Casa de Órfãos. Certamente, num tal estado de espírito, alcançado pelo Espírito Santo, Tu, ó meu Pai Celestial, não permitirás que o Teu filho se engane, e muito menos que seja iludido! Com a ajuda de Deus continuarei, dia após dia, a esperar nEle em oração acerca deste assunto, até que Ele me mande agir.”
“2 de janeiro de 1851. — Há uma semana escrevi o parágrafo anterior. Durante esta semana ainda fui ajudado, dia após dia, e mais de uma vez a cada dia, a buscar a direção do Senhor acerca de outra Casa de Órfãos. O fardo da minha oração continuou sendo que Ele, em Sua grande misericórdia, me guardasse de cometer um erro. Durante a última semana, o livro de Provérbios chegou, no curso da minha leitura das Escrituras, e meu coração foi reanimado, a respeito deste assunto, pelas seguintes passagens: ‘Confie no SENHOR de todo o seu coração, e não se apoie no seu próprio entendimento. Reconheça-o em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.’ Provérbios 3:5, 6. Pela graça de Deus eu reconheço o Senhor nos meus caminhos, e nesta questão em particular; tenho, portanto, a reconfortante certeza de que Ele endireitará as minhas veredas quanto a esta parte do meu serviço, isto é, se devo ou não ocupar-me dela. Além disso: ‘A integridade dos retos os guiará, mas a perversidade dos infiéis os destruirá.’ Provérbios 11:3. Pela graça de Deus sou reto neste assunto. Meu propósito sincero é dar glória a Deus. Por isso espero ser guiado com acerto. Além disso: ‘Consagre ao SENHOR tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos.’ Provérbios 16:3. Eu consagro ao Senhor as minhas obras, e por isso espero que os meus planos sejam firmados. — Meu coração está chegando cada vez mais a uma certeza calma, serena e firme de que o Senhor Se dignará usar-me ainda mais na obra dos órfãos. Eis aqui, Senhor, o Teu servo!”
O Sr. Müller escreveu oito razões contra e oito razões a favor de fundar outra Casa de Órfãos para setecentos órfãos.
A seguinte é a sua última razão para fazê-lo:
“Estou em paz e feliz, espiritualmente, diante da perspectiva de ampliar a obra, como em ocasiões anteriores em que tive de fazê-lo. Isso pesa especialmente para mim como razão para seguir adiante. Depois de toda a consideração calma, serena e acompanhada de oração sobre o assunto, por cerca de oito semanas, estou em paz e feliz, espiritualmente, no propósito de ampliar o campo. Isso, depois de todo o exame de coração que tive, da oração diária para ser guardado de ilusão e de erro nesta questão e do recurso à Palavra de Deus, não seria o caso, julgo eu, se o Senhor não tivesse o propósito de Se dignar usar-me mais do que nunca neste serviço.”
“Eu, portanto, com base nas objeções respondidas e nestas oito razões A FAVOR da ampliação da obra, chego à conclusão de que é vontade do Deus bendito que o Seu pobre e indigníssimo servo O sirva de modo ainda mais amplo nesta obra, o que ele está plenamente disposto a fazer.”
“24 de maio. — Desde o momento em que comecei a registrar por escrito os exercícios da minha mente, em 5 de dezembro de 1850, até hoje, foram pedidas vagas para mais noventa e dois órfãos, e setenta e oito já aguardavam admissão antes disso. Mas este número aumenta rapidamente à medida que a obra se torna cada vez mais conhecida.”
“Com base no que foi registrado acima, pretendo seguir adiante neste serviço e procurar construir, para louvor e honra do Deus vivo, outra Casa de Órfãos, grande o bastante para acomodar setecentos órfãos.”
Capítulo 5 concluído
Apêndice C