Amanda Smith: Uma Autobiografia (Para Adolescentes)
O pequeno Bob

Capítulo 12 · 4 min de leitura · 5 min de escuta

O pequeno Bob

“Príncipes virão do Egito; a Etiópia cedo estenderá para Deus as suas mãos.” — Salmos 68:31

Amanda passou oito anos na África Ocidental — muito mais tempo do que a “viagem” que um dia ela teve medo demais de fazer. Ela chegou fraca de febre, enterrou amigos e trabalhou quase sem dinheiro num lugar difícil. Logo no começo, aprendeu uma lição que marcou todo o resto do seu tempo lá. Ela queria começar um trabalho com os meninos da região e passou a orar pedindo dinheiro, repassando de cabeça a lista de todos os amigos nos Estados Unidos que talvez mandassem alguma coisa. As semanas passaram. Nenhum dinheiro chegou. Por fim, ela perguntou a Deus por quê, e a resposta veio direta: “Você não está confiando em Mim, está confiando na América; está olhando para a América em busca de ajuda mais do que para Mim.” Ela entendeu na hora, largou sua rede de segurança americana e disse a Deus que confiaria só nele — e a ajuda, vinda de lugares inesperados, começou a chegar.

Isso preparou o terreno para a história que ela chamou simplesmente de “Como Vim a Ficar com o Pequeno Bob”. Amanda queria havia muito tempo criar e educar um menino, mas as famílias a quem ela pedia não abriam mão dos filhos, e ela acabou desistindo da ideia. Então, em Cape Palmas, dois menininhos viviam rondando o portão, e ela dividia com eles as sobras da comida e conversava com eles. Ela se afeiçoou especialmente a um — Bob. Um dia, passando por ali, ela parou para pôr a mão na cabeça dele, e um homem que estava perto a chamou. Era o pai de Bob, Jack. Num inglês quebrado, ele disse algo que Amanda nunca esqueceu: “Eu sê tolo; eu não sabe Deus. Eu não quer meu pequeno ser tolo igual eu.” Ele estava pedindo que ela ficasse com o filho dele e o ensinasse sobre Deus, porque não queria que o menino crescesse sem saber nada, do jeito que ele sentia que tinha crescido.

A reação sincera de Amanda foi de relutância. Ela estava doente e fraca, não tinha dinheiro para sustentar uma criança e sabia que um menino pequeno daria muito trabalho e muita responsabilidade. Ela continuava dizendo a Jack que não, ou que ainda não, e por fim levou a questão a Deus: “Tu sabes que não tenho dinheiro para sustentar esta criança... Mas, se Tu queres que eu fique com ele, e se deixares isso claro, tudo ficará bem.” A resposta veio em duas frases. Primeiro: “Não está a Etiópia estendendo as suas mãos para Deus?” — um continente inteiro estendendo as mãos. Depois, quando ela protestou que estava fraca demais e não sabia o que poderia fazer: “Você faz o que pode, e onde você parar, Deus levantará alguém para fazer o resto.” Então ela ficou com Bob. Os pais dele assinaram um acordo entregando o menino a ela, para que o criasse e o educasse como seu próprio filho.

Pare um pouco nessa última promessa, porque ela é o antídoto para um tipo bem moderno de paralisia. Amanda olhou para uma necessidade enorme — um continente inteiro de crianças, pobreza por todo lado, o próprio corpo fraco — e o tamanho de tudo aquilo era um motivo para não fazer nada. O que a libertou não foi um plano para resolver tudo. Foi a permissão para fazer o que podia e confiar o resto a Deus. Ela não precisava dar conta de tudo. Precisava ficar com o único menino que estava na frente dela.

Você também vai sentir isso. Os problemas são gigantes, e você é uma pessoa só, com tempo, dinheiro e energia limitados, e é tentador concluir que, já que não dá para resolver, nem vale a pena começar. A vida inteira de Amanda responde a isso. Um pai que comprou a liberdade dos filhos um de cada vez. Uma avó que orava. Uma lavadeira que levou um menino para dentro da própria casa. Nenhum deles conseguia fazer tudo. Todos fizeram o que podiam — e onde pararam, Deus levantou outra pessoa para fazer o resto, incluindo, um dia, uma mulher que quase ficou em casa porque tinha medo do mar.

Uma coisa para fazer: escolha um problema grande demais para você, mas com o qual você realmente se importa — alguém que está sozinho, algo quebrado na sua escola ou na sua cidade, uma necessidade pela qual você vive passando direto. Pare de esperar até conseguir resolver tudo. Faça a única coisa pequena que você de fato pode fazer, esta semana, e confie que Deus vai levantar outras pessoas onde você parar.

Perguntas para pensar

Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.

Por que Jack, o pai de Bob, pediu que Amanda ficasse com o filho dele?

Jack disse que não conhecia Deus e não queria que o filho crescesse do mesmo jeito. Ele pediu que Amanda ficasse com Bob e o ensinasse sobre Deus; depois, os pais dele assinaram um acordo para que ela o criasse e o educasse.

O que Deus quis dizer com “Você não está confiando em Mim, está confiando na América”?

Amanda vinha orando por dinheiro enquanto contava com os amigos nos Estados Unidos para mandá-lo. Quando ela largou essa rede de segurança e confiou só em Deus, a ajuda começou a chegar de lugares inesperados.

Que problema parece grande demais para você encarar? Qual é uma coisa pequena que você realmente poderia fazer?

O ponto do capítulo: “Você faz o que pode, e onde você parar, Deus levantará alguém para fazer o resto.” Você não precisa resolver tudo — cuide da pessoa ou da necessidade que está na sua frente esta semana.

Capítulo 12 concluído

O pequeno Bob

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