Capítulo 10 · 3 min de leitura · 4 min de escuta
A lavadeira Amanda Smith na Inglaterra?
“O meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória, em Cristo Jesus.” — Filipenses 4:19
Depois de anos de trabalho, uma inglesa sugeriu que Amanda fosse à Inglaterra para fazer uma viagem e descansar um pouco. A primeira reação de Amanda foi rir da ideia. “Ir para a Inglaterra! Amanda Smith, a lavadeira de cor, ir para a Inglaterra!” Ela decidiu que nem ia orar sobre isso. Achava que já tinha tantas coisas de que realmente precisava para pedir a Deus que não ia incomodá-lo com algo tão absurdo quanto uma viagem pelo oceano. “Isso fica bem para gente fina”, pensou, “não para mim.”
Mas a sensação de que Deus queria mesmo que ela fosse continuou crescendo — e o medo dela também. Porque, por baixo do “quem sou eu?”, havia algo mais específico: Amanda tinha pavor do mar. A imagem que ela fazia do oceano era a de algo sempre agitado e mortal. Ela pensou nos cinco mil quilômetros, na filha que ficaria em casa, em tudo o que podia dar errado, e escreveu uma carta recusando a viagem. Sentiu alívio no instante em que a colocou na caixa do correio — por um tempinho.
Então, naquela noite, veio sobre ela uma onda de escuridão da qual não conseguia se livrar. Ela trancou as portas, abaixou a chama do lampião, ajoelhou-se e se recusou a dormir até entender o que estava errado. Repassou tudo o que tinha dito e feito naquele dia, procurando algum pecado — nada. Finalmente, em silêncio, ela ouviu com clareza: “Você anda por aí dizendo às pessoas que confiem no Senhor no escuro, que confiem nele quando não conseguem vê-lo. Você diz aos outros que façam o que você mesma não está disposta a fazer.” E então veio a verdade específica: “Você tem medo de confiar no Senhor e ir para a Inglaterra. Você tem medo do oceano.” Amanda disse que aquilo a deixou sem fôlego, porque era exatamente, humilhantemente verdade.
Vale a pena parar aqui, porque essa é uma armadilha em que quase todo mundo cai e quase ninguém percebe. Amanda ganhava a vida, de certa forma, dizendo às pessoas que confiassem em Deus em meio a coisas que não podiam ver nem controlar. E ela tinha, discretamente, se dispensado da própria mensagem justamente no ponto que a assustava. Ela era hipócrita no sentido original — não uma vilã, só uma pessoa cujas atitudes ainda não tinham alcançado suas palavras. O admirável é que, quando Deus deu nome a isso, ela não se defendeu. Ela disse: “Senhor, isso é verdade”, arrependeu-se e, mais tarde, atravessou aquele oceano sozinha.
Há uma segunda lição aqui para quem já se sentiu comum demais para qualquer coisa. No caminho, e depois que ela chegou, passageiros orgulhosos e ricos olharam com desprezo para a lavadeira negra que viajava de primeira classe sem nenhum motivo importante e sem ninguém esperando por ela. Amanda não discutiu com eles nem se encolheu. Numa igreja, ela calmamente se virou e olhou duas mulheres bem-vestidas “bem nos olhos, para que vissem que eu era da realeza negra”. Ela tinha passado a crer que pertencia a uma linhagem real — uma filha de Deus — e se portava como tal, pensassem os outros o que pensassem.
Então, duas perguntas para você. Primeira: em que área você está dizendo a outras pessoas — um irmão mais novo, um amigo, um colega de time — que sejam corajosas, honestas ou fiéis de um jeito que você mesmo, em segredo, está evitando? E segunda: em que área você está deixando a classificação que os outros fazem de você convencê-lo de que coisas grandes e boas são “para gente fina, não para mim”?
Uma coisa para fazer: encontre o ponto em que suas palavras e sua coragem não combinam — o conselho que você dá, mas não segue. Faça esta semana a coisa assustadora que você vive dizendo aos outros que façam. Pare de pedir às pessoas que confiem em Deus no escuro a partir de um lugar onde você deixou as luzes acesas para si mesmo.
Perguntas para pensar
Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.
Por que Amanda escreveu uma carta recusando a viagem à Inglaterra?
Por baixo do seu “quem sou eu?”, ela tinha pavor do mar, que imaginava sempre agitado e mortal. Preocupava-se com a distância e com a filha, e recusou o convite, sentindo alívio por um tempo.
O que Amanda quis dizer com ser “da realeza negra” quando passageiros orgulhosos a olharam com desprezo?
Ela tinha passado a crer que pertencia a uma linhagem real, como filha de Deus. Por isso, em vez de discutir ou se encolher, olhou duas mulheres bem-vestidas bem nos olhos e se portou com dignidade.
Em que área você está dizendo aos outros que sejam corajosos ou fiéis de um jeito que você mesmo, em segredo, está evitando?
O ponto do capítulo: Amanda tinha se dispensado da própria mensagem. Quando Deus deu nome a isso, ela não se defendeu, mas disse: “Senhor, isso é verdade”, e atravessou o oceano. A sugestão é fazer a coisa assustadora que você vive dizendo aos outros que façam.
Capítulo 10 concluído
A lavadeira Amanda Smith na Inglaterra?