Capítulo 1 · 3 min de leitura · 4 min de escuta
Nascida escrava, comprada livre
“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” — João 8:36
Amanda Berry nasceu em Maryland, em 1837, e nasceu como propriedade de alguém. No país onde ela nasceu, uma criança negra podia ser comprada e vendida como um cavalo ou um saco de grãos, entregue como parte do dote de uma noiva, obrigada a trabalhar a vida inteira sem nunca receber um centavo. Essa era a lei, e “lei” é uma palavra fria para uma coisa que separava famílias de propósito. Amanda era pequena demais para lembrar o pior. Mas nunca esqueceu que a liberdade dela tinha um preço, e que alguém pagou esse preço.
Quem pagou foi o pai dela, Samuel Berry. Ele pertencia a uma mulher que o deixava ganhar um dinheiro por fora, então ele fez as contas da própria vida e começou a trabalhar. Terminava o dia de serviço para ela e depois fazia vassouras e esteiras de palha de milho à luz de vela para vender na feira. Na época da colheita, trabalhava nas lavouras dela o dia todo, andava cinco ou seis quilômetros depois de escurecer para trabalhar em outras lavouras até uma ou duas da manhã, dormia uma hora e fazia tudo de novo. Primeiro, comprou a si mesmo. Depois começou a comprar a esposa e os filhos — treze filhos ao todo —, porque um homem só conseguia juntar dinheiro até certo ponto.
Mas só dinheiro não ia bastar. A família dona da mãe de Amanda não queria vender. O que mudou as coisas foi uma morte e as orações de uma velha teimosa. A avó de Amanda orava havia anos para que os netos fossem livres, e falava sério — costumava se esconder no meio do mato para, como se dizia, “contar a Jesus” sobre isso. Enquanto isso, uma jovem senhora chamada Celie se converteu numa reunião ao ar livre, para desgosto da família, e depois ficou doente com febre tifoide. À beira da morte, reuniu a família e pediu uma única coisa: que deixassem Samuel comprar a mãe de Amanda e as crianças. Pediu isso três dias seguidos, até que prometeram. Mais tarde, Amanda disse que tinha sido “comprada duas vezes e libertada duas vezes”, e achava que isso lhe dava todo o direito de gritar de alegria.
Tem uma coisa nessa história que você não pode deixar passar. O mal que aparece nela era legal. Gente respeitável, que ia à igreja, era dona de seres humanos e dormia tranquila. Um dos homens da região que caçava escravos fugidos em troca de recompensa era líder de classe na igreja dele. Então não ache que, só porque uma coisa é normal, ou permitida por lei, ou feita por pessoas que parecem decentes, ela é certa. Sociedades inteiras podem concordar com uma mentira e construir tribunais e costumes para protegê-la.
O pai de Amanda não esperou o país criar juízo. Ele trabalhou no escuro durante anos para comprar de volta o que nunca deveria ter estado à venda, e a avó dela orava como quem acredita que Deus pretendia mesmo responder. Você vai encontrar injustiças maiores do que você — regras que você não pode revogar, erros que não pode desfazer sozinho. Era exatamente essa a situação dos Berry, e mesmo assim eles fizeram duas coisas: disseram a verdade sobre ela e continuaram trabalhando e orando rumo à liberdade, em vez de dar de ombros e chamar aquilo de destino. Uma liberdade que custa tanto para alguém merece ser levada a sério na sua própria vida também.
Uma coisa para fazer: descubra o custo real de algo que você sempre teve sem pensar. Pergunte a um dos seus pais ou avós do que eles, ou as pessoas antes deles, abriram mão para que a sua vida pudesse ser o que é — a mudança, o emprego, o sacrifício, as orações. Anote uma coisa que você aprender. Você não consegue honrar um presente que nunca se deu ao trabalho de entender.
Perguntas para pensar
Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.
Como Samuel Berry conseguiu comprar a própria liberdade e depois a da família?
A dona dele o deixava ganhar dinheiro por fora, então, depois de um dia inteiro de trabalho, ele fazia vassouras e esteiras de palha de milho e, na colheita, trabalhava em outras lavouras até uma ou duas da manhã, dormindo uma hora. Primeiro comprou a si mesmo, depois a esposa e os filhos.
Amanda disse que tinha sido “comprada duas vezes e libertada duas vezes”. O que o capítulo mostra sobre esses dois tipos de liberdade?
O pai dela pagou um preço real para tirá-la da escravidão, e o versículo de abertura aponta para o Filho que torna as pessoas “verdadeiramente livres”. O capítulo insiste que a liberdade dela tinha um preço e que alguém o pagou.
O capítulo avisa que uma coisa pode ser legal e normal e, mesmo assim, errada. Em que área você pode ser tentado a aceitar algo só porque todo mundo faz?
O ponto do capítulo: sociedades inteiras podem concordar com uma mentira. Os Berry disseram a verdade sobre a injustiça e continuaram trabalhando e orando rumo à liberdade, em vez de chamar aquilo de destino. Comece descobrindo quanto as suas próprias liberdades custaram a outras pessoas.
Capítulo 1 concluído
Nascida escrava, comprada livre