Tudo pela Graça (Para Adolescentes)
Não Venho Cobrar o Aluguel

Capítulo 1 · 4 min de leitura · 5 min de escuta

Não Venho Cobrar o Aluguel

“Vinde agora, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, eles se tornarão como a lã.” — Isaías 1:18

Spurgeon abre o livro com uma imagem. Certa vez, um homem instalou um bebedouro à beira de uma estrada movimentada e pendurou ao lado dele um copo preso numa correntinha. Algum tempo depois, contaram-lhe que um famoso crítico de arte tinha achado muitos defeitos no desenho do bebedouro. O homem só quis saber uma coisa: muita gente com sede bebia ali? Milhares, responderam — homens, mulheres e crianças pobres, todos os dias. Ele sorriu. O crítico não o incomodava; ele só esperava que, num dia quente de verão, o próprio crítico enchesse o copo e se refrescasse. Então Spurgeon se vira para você: “Aqui está a minha fonte, e aqui está o meu copo: aponte defeitos, se quiser; mas beba da água da vida.” Ele escreveu com as palavras mais simples que conseguiu, de propósito, e diz sem rodeios para que serve o livro — nada menos do que você encontrar Cristo.

Depois ele conta uma história que ouviu no norte da Inglaterra. Um pastor sabia que uma mulher do seu bairro era muito pobre, então, um dia, foi até a casa dela com dinheiro na mão para ajudá-la. Bateu à porta. Nada. Bateu de novo, várias vezes, e acabou concluindo que ela não estava. Pouco depois, encontrou-a na igreja e contou que tinha passado por lá perto do meio-dia. “Ai de mim,” disse ela, “eu o ouvi, senhor, e sinto muito não ter respondido; mas pensei que fosse o homem cobrando o aluguel.”

É exatamente assim, diz Spurgeon, que a maioria das pessoas ouve qualquer coisa sobre Deus. Elas ouvem a batida e acham que alguém veio cobrar — dever, exigências, uma conta que elas sabem que não podem pagar. Então ficam quietinhas atrás da porta e fingem que não estão em casa. Ele quer ser ouvido, então diz da forma mais clara possível: “não venho cobrar o aluguel.” Este livro não está aqui para pedir nada a você. Está aqui para dizer que “a salvação é tudo pela graça, o que significa: livre, gratuita, sem custo algum.” Ele não vai falar de lei e castigo, mas de amor, bondade, perdão, misericórdia e vida eterna. E quem está realmente batendo, diz ele, é Jesus, que “bate com uma mão que foi cravada no madeiro por pessoas como você.” Deus não convidaria você para conversar se não quisesse o seu bem. Por isso, diz Spurgeon: “Abra a porta e deixe entrar as minhas súplicas.”

Agora — do que se trata, afinal? Talvez você esteja se escondendo de um presente porque acha que é uma cobrança. Muita gente carrega uma imagem de Deus como uma espécie de senhorio: alguém que só aparece para dizer quanto você deve e onde você falhou. Então, sempre que algo sobre Deus chega perto — uma conversa, um versículo, um pensamento às duas da manhã —, você fica em silêncio atrás da cortina e espera aquilo ir embora. O primeiro movimento de Spurgeon é dizer: você entendeu errado a batida.

Repare por que a mulher se escondeu. Não era porque ela fosse má; era porque era pobre e sabia que não podia pagar. Se esse é o seu caso — se você mantém Deus à distância porque tem certeza de que nunca vai estar à altura —, então a batida é justamente para você. Spurgeon não está fingindo que tanto faz como você vive; o livro vai chegar lá. Ele está dizendo que a primeira palavra de Deus não é uma exigência. É uma oferta. Ele até lembra que ler é uma espécie de ouvir, e “a fé pode vir a você enquanto lê este livro.” Então não leia os próximos capítulos com os ombros tensos, esperando um sermão.

Uma coisa para fazer esta semana: repare no seu reflexo. Toda vez que Deus, a igreja ou a Bíblia aparecerem nesta semana, note o que você espera na hora — uma regra, uma culpa, uma exigência? Depois escreva uma frase honesta: “Acho que o que Deus quer de mim é ___.” Guarde essa frase e leia de novo quando terminar este livro. Pergunte a si mesmo se a porta que você manteve fechada era mesmo o homem do aluguel.

Perguntas para pensar

Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.

Por que a mulher pobre não abriu a porta quando o pastor bateu?

Ela o ouviu, mas pensou que fosse o homem cobrando o aluguel, então fingiu que não estava em casa — embora ele tivesse ido lhe dar dinheiro.

O que Spurgeon quer dizer quando afirma “não venho cobrar o aluguel”?

Quer dizer que o livro não está fazendo uma exigência ao leitor, mas trazendo um presente gratuito: a salvação que é “tudo pela graça” — livre, sem custo algum.

O que você costuma esperar que Deus queira de você? O que mudaria se a primeira palavra dele fosse uma oferta, e não uma cobrança?

O ponto do capítulo: muita gente se esconde de Deus porque acha que ele veio cobrar o que ela não pode pagar. Se a batida é um presente, o que se deve fazer é parar de se esconder e abrir a porta.

Capítulo 1 concluído

Não Venho Cobrar o Aluguel

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