Retrospecto (Para Jovens)
“Você É um Homem Morto”

Capítulo 5 · 4 min de leitura · 5 min de escuta

“Você É um Homem Morto”

“Não morrerei, mas viverei, e contarei as obras do Senhor.” — Salmos 118:17

Taylor tinha se mudado para Londres para terminar a formação em medicina, vivendo de pão integral, água e algumas maçãs, e andando treze ou catorze quilômetros por dia para economizar. Certa noite, costurando folhas de papel para fazer um caderno de anotações das aulas, ele espetou com a agulha o dedo indicador da mão direita. Não foi nada. Em poucos instantes já tinha esquecido.

No dia seguinte, no hospital, ele estava dissecando um cadáver — e não um cadáver qualquer. Aquele homem tinha morrido de uma febre tão perigosa que todos que trabalhavam nele o faziam com extremo cuidado, sabendo que o menor arranhão podia ser fatal. Antes de terminar a manhã, Taylor se sentiu estranhamente esgotado, depois violentamente mal, depois incapaz de segurar o lápis. À tarde, todo o braço direito e o lado direito do corpo doíam muito. Ele descreveu os sintomas ao instrutor de anatomia, um cirurgião habilidoso, que entendeu na hora: Taylor tinha um corte, e aquilo era um caso de febre maligna. Taylor insistiu que não tinha corte nenhum — e então se lembrou da agulhada da noite anterior. O cirurgião examinou a mão dele, concordou que aquele tinha sido quase com certeza o caminho por onde o veneno tinha entrado e lhe disse com todas as letras que pegasse um carro de aluguel para casa e pusesse os seus assuntos em ordem. “Porque”, disse ele, “você é um homem morto.”

A primeira reação de Taylor foi tristeza — não medo de morrer, mas pesar por nunca chegar à China. E então, quase imediatamente, veio uma convicção firme: A não ser que eu esteja muito enganado, tenho trabalho a fazer na China, e não vou morrer. Ele chegou a dizer isso ao cirurgião cético, e aproveitou o momento para falar com ele sobre a alegria de talvez estar em breve com o seu Mestre. O cirurgião só lhe disse que corresse para casa antes que ficasse incapaz de resolver os seus assuntos.

Taylor não tinha dinheiro para o carro. Cada vez mais fraco, foi andando e pegando ônibus puxados a cavalo até onde conseguiu, chegou em casa agonizando, ele mesmo lancetou o dedo para tentar soltar o veneno, e desmaiou. Um tio mandou chamar um cirurgião, que disse que Taylor talvez escapasse justamente por estar vivendo de forma tão sóbria — pão e água, no fim das contas, eram a melhor preparação possível. Ele receitou vinho do Porto e costeletas que Taylor não tinha dinheiro para comprar; o tio pagou tudo, sem alarde. Seguiram-se semanas de sofrimento. E então Taylor ficou sabendo que dois outros homens que tinham sofrido ferimentos de dissecação na mesma época tinham morrido. Ele tinha sobrevivido.

Cuidado com o que você tira disso. Taylor não alegou um milagre que passou por cima da medicina — ele lancetou a ferida, fez o tratamento e mais tarde escreveu que a fé nunca deve nos fazer desprezar os meios que Deus providencia. O que ele tinha era uma convicção sobre o seu propósito, que o manteve firme quando um profissional lhe disse que ele estava acabado. Ele acreditava que ainda havia algo que Deus queria que ele fizesse, e essa crença não o tornou imprudente; tornou-o calmo.

Você vai passar por momentos — talvez não uma sentença de morte, mas uma rejeição, um diagnóstico, um fracasso, uma fase em que tudo o que você estava construindo parece estar desabando — em que a mensagem que você recebe é, no fundo: “você está acabado”. A resposta de Taylor não foi negar o perigo. Ele tratou a ferida com seriedade. A resposta dele foi que a sua vida pertencia a Deus e que, enquanto o propósito de Deus para ela não estivesse cumprido, ela não seria cortada um momento antes da hora. Isso não é o mesmo que achar que nada de ruim pode acontecer com você. É se recusar a deixar que um dia ruim dê a última palavra sobre a sua vida.

Uma coisa para fazer quando alguém disser que você está acabado: separe as duas perguntas que você costuma misturar — “isto é perigoso?” e “isto é o meu fim?”. Leve o perigo a sério e aja, como Taylor lancetando a ferida. Mas não entregue o veredito sobre o seu futuro a um momento de pânico. A sua vida não acabou enquanto o Deus a quem ela pertence não disser que a obra está concluída.

Perguntas para pensar

Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.

Como Taylor ficou gravemente doente, e o que o cirurgião lhe disse?

Uma agulhada no dedo deixou o veneno entrar enquanto ele dissecava uma vítima de febre. O cirurgião mandou que ele fosse para casa e pusesse os seus assuntos em ordem: “você é um homem morto”.

Como Taylor juntou fé e medicina durante a doença?

Ele estava convencido de que tinha trabalho a fazer na China e de que não morreria, mas mesmo assim lancetou a ferida e fez o tratamento. A fé o tornou calmo, não imprudente.

Quando algo faz você se sentir “acabado”, como você distingue perigo de derrota?

O capítulo sugere separar “isto é perigoso?” de “isto é o meu fim?”. Leve o perigo a sério e aja, mas não deixe que um momento de pânico decida o seu futuro; a sua vida pertence a Deus.

Capítulo 5 concluído

“Você É um Homem Morto”

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