Sermão · 18 min de leitura · Avançado

O Triunfo do Calvário

Retrato de Christmas Evans Christmas Evans

Texto

Isaías 63:1

Em resumo

"Quem é este que vem de Edom, com vestes tintas de Bozra?" Evans toma a visão de Isaías do conquistador solitário que volta vermelho da batalha e a lê como Cristo regressando do Calvário, tendo pisado sozinho o lagar. Um sermão de uma única imagem imponente, erguida até que a cruz se pareça com a vitória que de fato é.

“Quem é este que vem de Edom, com vestes tintas de Bozra? este que é glorioso na sua vestidura, que marcha na grandeza da sua força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar. Por que estás vermelho na tua vestidura, e as tuas vestes como as daquele que pisa no lagar? Eu sozinho pisei o lagar, e dos povos ninguém houve comigo; porque os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura. Porque o dia da vingança está no meu coração, e o ano dos meus redimidos é chegado. E olhei, e não havia quem me ajudasse; e admirei-me de não haver quem me sustivesse; pelo que o meu braço me trouxe a salvação, e o meu furor me susteve. E pisei os povos na minha ira, e os embriaguei no meu furor, e fiz descer à terra a sua força.”

ESTA passagem é uma das mais sublimes da Bíblia. Não é mais majestosa e avassaladora a voz de Deus a sair da sarça ardente. Ela representa o “Capitão da nossa salvação”, deixado sozinho no ardor da batalha, marchando vitorioso por entre as colunas quebradas do inimigo, arrombando as trancas, arrancando os portões de bronze e libertando pela conquista os cativos do pecado e da morte. Determinemos primeiro os acontecimentos a que o nosso texto se refere, e depois expliquemos brevemente as perguntas e respostas que ele contém.

I. Temos aqui uma vitória admirável, obtida por Cristo, na cidade de Bozra, na terra de Edom. A nossa primeira indagação diz respeito ao tempo e ao lugar dessa proeza.

Algumas das profecias são literais, e outras figuradas. Umas já se cumpriram, e outras se cumprem diariamente. Quanto a esta profecia, os teólogos divergem. Uns julgam que se trata de uma descrição do conflito e da vitória de Cristo, fora das portas de Jerusalém, há dezoito séculos; outros a entendem como referente à grande batalha do Armagedom, predita no Apocalipse, e que ainda há de consumar-se antes do fim do mundo.

Não estou disposto a passar ao largo do monte Calvário e do novo túmulo de José a caminho do campo do Armagedom; nem estou disposto a deter-me na cena da crucificação e da ascensão sem prosseguir até à conquista final do inimigo. Creio que a inspiração divina incluiu ambos os acontecimentos no texto: a vitória já ganha no Calvário, e a vitória ainda por realizar no Armagedom; a vitória consumada na paixão do Messias, e a vitória progressiva do seu evangelho e da sua graça.

A principal dificuldade, ao entender algumas partes da palavra de Deus, vem de palavras não traduzidas; muitas delas encontram-se na nossa própria versão, tanto quanto na dos nossos vizinhos ingleses. Por exemplo—em Mt 2:23, diz-se: “Ele veio habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta: Ele será chamado Nazareno.” Onde nos profetas se prediz que Cristo será chamado Nazareno? Em lugar nenhum. Quando os nomes próprios são traduzidos, a dificuldade se desvanece. “Ele veio habitar numa cidade chamada plantação, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta: Ele será chamado o Renovo.” Este nome lhe é dado por Isaías, Jeremias e Zacarias. Ora, é precisamente esta a dificuldade que ocorre no nosso texto, e a tradução dos termos desata o nó:—“Quem é este que vem de Edom,” terra vermelha—“com vestes tintas de Bozra,” tribulação?

A primeira parte do texto refere-se à vitória do Calvário; a segunda antecipa a batalha e o triunfo do Armagedom, mencionados em Ap 16:16. A vitória do Calvário consuma-se na manhã do terceiro dia depois da crucificação. O Conquistador sobe da terra, exclamando:—“Eu sozinho pisei o lagar no Calvário; e os pisarei na minha ira, e os embriagarei no meu furor, na batalha do Armagedom. Alcançarei e destruirei a besta, e o falso profeta, e a antiga serpente, o diabo, com todas as suas hostes.”

Quando a maré da batalha se voltou, no campo de Waterloo, o Duque de Wellington montou o seu cavalo e perseguiu o inimigo vencido. Assim o Conquistador de Isaías, tendo derrotado os poderes do inferno no Calvário, os persegue e os destrói no campo do Armagedom. Aqui ele é representado como um herói a pé, um príncipe sem exército; mas João, o revelador, viu-o cavalgando um cavalo branco, seguido pelos exércitos do céu, todos em cavalos brancos, e sem um só soldado de infantaria entre eles.

A vitória do Calvário é como o sangue da expiação no santuário. Os querubins olhavam, uns para um lado, outros para outro, mas todos contemplavam o sangue expiatório. Assim todos os grandes acontecimentos do tempo—todas as provações e triunfos do povo de Deus—os que sucederam antes, os que sucederam depois, e os que ainda hão de suceder, todos olham para a agonia do Getsêmani, o conflito do Gólgota e o triunfo do Olivete. A fuga do Egito e o regresso da Babilônia olhavam adiante para a cruz de Cristo; e a fé do homem íntegro de Uz pendia de um Redentor ressuscitado. Os mártires cristãos venceram pelo sangue do Cordeiro, e todas as suas vitórias se deveram a uma única grande proeza. O túmulo de Jesus é o berço da imortalidade do seu povo, e o poder que o ressuscitou dentre os mortos abrirá os sepulcros de todos os seus santos. “Os teus mortos viverão, juntamente com o meu cadáver ressuscitarão. Despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos.”

Cristo ofereceu-se a si mesmo em sacrifício por nós, e bebeu em nosso lugar o cálice da justa indignação de Deus. Foi pisado pela justiça do Todo-Poderoso, como um cacho de uvas, no lagar da lei, até que os vasos de misericórdia transbordaram com o vinho da paz e do perdão, que tem feito milhares de espíritos contritos e humildes “regozijar-se com alegria indizível e cheia de glória.” Ele sofreu por nós, para que triunfássemos com ele. Mas o nosso texto o descreve como rei e conquistador. Foi, ao mesmo tempo, a vítima moribunda e o vencedor imortal. No “poder de uma vida indissolúvel,” ele estava junto ao altar, enquanto o sacrifício ardia. Estava vivo em suas vestes sacerdotais, com o seu turíbulo de ouro na mão. Estava vivo em sua glória real, com a sua espada e o seu cetro na mão. Estava vivo em seu poderio conquistador, e havia dado fim ao pecado, e ferido a cabeça da serpente, e despojado os principados e potestades do inferno, e lançado as hostes vencidas do príncipe das trevas ao lagar da ira do Deus Todo-Poderoso. Então, na manhã do terceiro dia, quando ressuscitou dentre os mortos e os expôs publicamente ao desprezo—então começou com poder o ano do jubileu!

Depois de os profetas dos tempos antigos terem por muito tempo contemplado, através das brumas do futuro, os sofrimentos de Cristo e a glória que se lhes seguiria, um grupo deles achava-se reunido no cume do Calvário. Viram uma hoste de inimigos subindo a colina, ordenada para a batalha e terribilíssima no seu aspecto. No meio da linha estava a lei de Deus, ígnea e sobremaneira ampla, e que produz ira. Na ala direita estava Belzebu com as suas tropas infernais; e na esquerda Caifás com os seus sacerdotes judeus, e Pilatos com os seus soldados romanos. A retaguarda era formada pela Morte, o último inimigo. Quando os santos videntes avistaram este exército e perceberam que se aproximava, recuaram e prepararam-se para a fuga. Ao olharem em redor, viram o Filho de Deus avançando com passo intrépido, tendo o rosto fixo na tropa hostil. “Vês o perigo que está diante de ti?” disse um dos homens de Deus. “Os pisarei na minha ira,” respondeu ele, “e os esmagarei no meu furor.” “Quem és tu?” disse o profeta; ele respondeu: “Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar.” “Aventurar-te-ás sozinho à batalha?” perguntou o vidente. O Filho de Deus respondeu: “Olhei, e não havia quem me ajudasse; e admirei-me de não haver quem me sustivesse; pelo que o meu próprio braço me trará a salvação, e o meu furor me susterá.” “Em que ponto começarás o teu ataque?” indagou o profeta ansioso. “Enfrentarei primeiro a Lei,” respondeu ele, “e passarei debaixo da sua maldição: pois eis que venho, ó Deus, para fazer a tua vontade. Quando eu tiver vencido no centro da linha, as cores voltar-se-ão a meu favor.” Dizendo isto, avançou. Imediatamente ouviram-se os trovões do Sinai, e todo o grupo de profetas estremeceu de terror. Mas ele avançou, impávido, por entre os relâmpagos fulgurantes. Por um momento ficou oculto à vista; e o estandarte da ira ondeava no alto em triunfo. De súbito a cena mudou. Um jorro de sangue brotou do seu lado ferido e apagou todos os fogos do Sinai. Via-se agora desfraldada a bandeira da paz, e a consternação encheu as fileiras dos seus inimigos. Então esmagou, com o seu calcanhar ferido, a cabeça da antiga serpente, e pôs em fuga todos os poderes infernais. Com a sua vara de ferro despedaçou os inimigos da ala esquerda, como a um vaso de oleiro. Restava ainda a Morte, que se julgava invencível, por haver até então triunfado sobre todos. Adiantou-se, brandindo o seu aguilhão, que afiara nas tábuas de pedra do Sinai. Arremessou-o contra o Conquistador, mas ele se dobrou e pendeu como o açoite flexível de um chicote. Consternada, retirou-se para a sepultura, o seu palácio, para dentro do qual o Conquistador a perseguiu. Num canto escuro do seu covil, sentou-se sobre o seu trono de crânios em decomposição, e chamou os vermes, seus até então fiéis aliados, para o ajudarem no conflito; mas eles responderam—“A sua carne não verá corrupção!” O cetro caiu-lhe da mão. O Conquistador agarrou-a, prendeu-a e condenou-a ao lago de fogo; e então ressurgiu da sepultura, seguido por uma tropa de cativos libertados, que saíram depois da sua ressurreição para serem testemunhas da vitória que ele alcançara.

João, no Apocalipse, não olhou tão atrás quanto o pisar deste lagar; mas João o viu sobre o seu cavalo branco, ornado com as suas muitas coroas, os olhos como chamas de fogo, uma espada de dois gumes na mão, à frente dos exércitos do céu, saindo vitorioso e para vencer. Este é o cumprimento da sua declaração no nosso texto:—“Porque os pisarei na minha ira, e os esmagarei no meu furor.” Este é o começo do jubileu, a batalha do Armagedom, na qual toda a idolatria e superstição pagãs serão derrubadas, e a besta e o falso profeta serão desbaratados, e o diabo e as suas legiões serão feitos prisioneiros por Emanuel, e encerrados no abismo. Aquele que venceu principados e potestades no Calvário não deixará o campo enquanto não fizer de todos os seus inimigos o escabelo dos seus pés, e não estender o seu cetro sobre um universo submisso. Tendo enviado o evangelho desde Jerusalém, ele o acompanha com a graça do seu Espírito Santo; e não voltará para ele vazio, mas realizará aquilo que ele deseja, e prosperará naquilo para que ele o enviou.

A vitória do Armagedom obtém-se em virtude da vitória do Calvário. É apenas a consumação da mesma gloriosa campanha; e o primeiro golpe decisivo desferido sobre o príncipe das trevas é seguro prenúncio da conquista final. “Ver-te-ei de novo em Filipos!” disse o espectro de Júlio César a Bruto. “Ver-te-ei de novo no Armagedom!” diz o Filho de Deus a Satanás no Calvário—“Ver-te-ei no embate entre o bem e o mal, a graça e a depravação, no coração de cada crente; na contenda da Verdade divina com os erros humanos, da religião de Deus com as superstições dos homens; em cada sermão, cada avivamento, cada empresa missionária; na difusão e na glória do evangelho nos últimos dias, ver-te-ei; e o calcanhar que agora feriste esmagará a tua cabeça para sempre!”

A libertação do homem vem de Deus. O homem não tinha nem a inclinação nem o poder. A sua salvação teve origem no Amor divino, e irrompeu como um oceano das fontes da eternidade. Satanás, como leão voraz, apoderara-se da presa e corria para o seu covil com a ovelha ensanguentada na boca; mas o Pastor de Israel o persegue, o alcança e o despedaça como se fosse um cabrito. A declaração de guerra foi feita no Éden:—“Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; tu lhe ferirás o calcanhar, e ele te ferirá a cabeça.” Há de cumprir-se. A aliança com o inferno e o pacto com a morte não subsistirão. A rebelião será sufocada, a conspiração será desfeita, e o valente armado entregará a cidadela a um mais forte. As obras do diabo serão destruídas, e a presa será arrancada dos dentes do terrível. A casa de Davi tornar-se-á cada vez mais forte, e a casa de Saul cada vez mais fraca, até que os reinos deste mundo se tornem o reino do nosso Deus e do seu Cristo, e Satanás seja preso em cadeias de trevas e lançado no lago de fogo. Todos os inimigos de Sião serão vencidos, e o favor perdido de Deus será recobrado, e o território perdido da paz, da santidade e da imortalidade será restituído ao homem.

Esta campanha é sustentada às expensas do governo do céu. O tesouro é inesgotável; as armas são irresistíveis; portanto a vitória é certa. O Rei Todo-Poderoso desceu; tomou a cidade de Bozra; estendeu o seu cetro sobre Edom; ergueu-se vitorioso e subiu com brado, como o chefe de todo o exército. Isto é apenas o penhor e o primeiro fruto das suas façanhas futuras. Na batalha do Armagedom, ele sairá como um valente; despertará o zelo como homem de guerra; e prevalecerá contra os seus inimigos. Serão repelidos—ficarão grandemente envergonhados os que confiam em imagens de escultura, os que dizem às imagens de fundição: “Vós sois os nossos deuses!” Então abrirá os olhos cegos, e trará os presos do cárcere, e os que jazem em trevas da casa da prisão. Desnudará o seu santo braço—mostrará a espada naquela mão que estava oculta sob o manto escarlate—manifestará o seu poder na destruição dos seus inimigos e na salvação do seu povo. Tão certo como derramou o seu sangue no Calvário, manchará toda a sua vestidura com o sangue dos seus inimigos no campo do Armagedom. Tão certo como esgotou o cálice da ira e recebeu o batismo do sofrimento no Calvário, empunhará a vara de ferro da justiça e estenderá o cetro de ouro da misericórdia no campo do Armagedom. Já a espada está desembainhada, e o golpe decisivo está desferido, e o elmo de Apoliom está fendido, e os laços da iniquidade estão rompidos. Já o fogo está aceso, e todos os poderes do inferno não podem apagá-lo. Caiu do céu; consome o acampamento do inimigo; inflama os corações dos homens; renova a terra e purga a maldição. “A resplandecente Estrela da Manhã” surgiu no Calvário; e em breve “o Sol da Justiça” resplandecerá no campo do Armagedom; e as trevas que cobrem a terra, e a densa escuridão que cobre os povos, se dissiparão; e o Maometismo, e o Paganismo, e o Papismo, com o seu príncipe, o diabo, buscarão refúgio no abismo!

Depois de uma batalha, ansiamos por saber quem morreu, quem está ferido e quem falta nas fileiras. No embate do Messias com Satanás e os seus aliados no Calvário, o calcanhar do Messias foi ferido, mas Satanás e os seus aliados receberam ferida mortal na cabeça. A cabeça denota sabedoria, astúcia, poder, governo. O diabo, o pecado e a morte perderam o seu domínio sobre o crente em Cristo desde a proeza do Calvário. Já não há agora condenação, nem temor do inferno. Mas a serpente, ainda que ferida na cabeça, talvez consiga mover a cauda e alarmar os de pouca fé. Contudo, não pode durar muito. A ferida é mortal, e o triunfo é certo. No Calvário a cabeça do dragão foi esmagada pelo Capitão da nossa salvação; depois da batalha do Armagedom, a sua cauda não se agitará mais!

Não há dispensa nesta guerra. Quem se alista sob o estandarte da cruz há de perseverar fiel até à morte—não deve depor as armas enquanto a morte não for tragada pela vitória. Então cada vencedor levará a imagem do celestial, e usará a coroa em vez da cruz, e empunhará a palma em vez da lança. Sejamos fortes no Senhor e na força do seu poder, para que possamos estar firmes no dia mau; e, terminada toda a guerra, para estarmos aceitos no Amado, a fim de reinarmos com ele para todo o sempre!

II. Resta-nos explicar, muito brevemente, o glorioso colóquio do texto—as perguntas da igreja e as respostas do Messias.

Quão grande foi o assombro e a alegria de Maria, quando encontrou o Mestre junto ao túmulo, revestido de imortalidade, onde pensava achá-lo envolto na morte! Quão indizível foi o espanto e o arrebatamento dos discípulos, quando o seu Senhor, a quem tão recentemente haviam sepultado, entrou na casa onde estavam reunidos e disse—“Paz seja convosco!” Tais são os sentimentos que a igreja é representada exprimindo neste sublime colóquio com o Capitão da sua salvação. Ele viajou à terra da tribulação; desceu ao pó da morte; mas eis que volta vencedor, o cetro de ouro do amor na mão esquerda, a vara de ferro da justiça na direita, e sobre a cabeça uma coroa de muitas estrelas. A igreja o contempla com grande pasmo e deleite. Há pouco o seguira, chorando, até à cruz, e pranteara o seu corpo no túmulo; mas agora o vê verdadeiramente ressuscitado, tendo destruído a morte, e aquele que tinha o poder da morte—isto é, o diabo. Sai ao seu encontro com cânticos de júbilo, como as filhas de Israel saíram a receber Davi, quando voltou do vale com a cabeça do gigante na mão e o sangue escorrendo-lhe pelas vestes. O coro da igreja divide-se em dois grupos, que cantam um ao outro em estrofes alternadas. O grupo da direita começa o glorioso colóquio—“Quem é este que vem de Edom?” e o da esquerda toma a pergunta e a repete com uma variação—“com vestes tintas de Bozra?” “Este que é glorioso na sua vestidura?” prossegue o grupo da direita—“glorioso apesar das tribulações que suportou?” “Que marcha na grandeza da sua força?” responde o da esquerda—“força bastante para desatrancar as portas da sepultura e libertar os cativos da corrupção?” O celestial Conquistador faz uma pausa, e lança sobre a companhia das filhas de Sião um olhar de infinita benignidade; e com voz de melodia angélica, e mais que angélica majestade, responde—“Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar!” De novo irrompe o cântico, como o som de muitas águas, da direita—“Por que estás vermelho na tua vestidura?” e a resposta ressoa de volta em trovão melodioso, da esquerda—“E as tuas vestes como as daquele que pisa no lagar?” O herói divino responde:—“Eu sozinho pisei o lagar, e dos povos ninguém houve comigo. Até Pedro me deixou, com toda a sua coragem e afeição; e quanto a João, falar de amor é tudo o que ele consegue fazer. Triunfei sobre principados e potestades. Estou ferido, mas eles estão vencidos. Vede o sangue que perdi! vede os despojos que ganhei! Agora montarei o meu cavalo branco, e perseguirei Satanás, e demolirei o seu reino, e o enviarei de volta à terra das trevas em cadeias eternas, e todos os seus aliados serão desterrados com ele para sempre. O meu próprio braço, que alcançou a vitória no Calvário e trouxe a salvação, do sepulcro, a todo o meu povo, ainda é forte o bastante para empunhar o cetro de ouro do amor e quebrar os meus inimigos no campo do Armagedom. Destruirei as obras do diabo, e demolirei todas as suas hostes; despedaçá-los-ei como a um vaso de oleiro. Porque o dia da vingança está no meu coração, e o ano dos meus redimidos é chegado. A minha compaixão se comove pelos cativos do pecado e da morte; o meu furor se acende contra os tiranos que os oprimem. É tempo de eu abrir as prisões e romper os grilhões. Devo ajuntar a mim o meu povo. Devo buscar o que se perdeu e reconduzir o que foi afugentado. Devo pensar o que estava quebrado e fortalecer o que estava fraco; mas destruirei o gordo e o forte; apascentá-los-ei com juízo; os pisarei na minha ira, e os esmagarei no meu furor, e farei descer à terra a sua força, e mancharei toda a minha vestidura com o seu sangue!”

Fujamos da ira que há de vir! Eis que o sol se ergueu alto no dia da vingança! Que não sejamos achados entre os inimigos do Messias, para que não venhamos a cair como vítimas da sua justa indignação no campo do Armagedom! Escapemos por nossa vida, pois a tempestade de fogo da sua ira arderá até ao mais profundo inferno! Oremos por graça para nos apoderarmos da salvação dos seus redimidos! É uma salvação livre, plena, perfeita, gloriosa e eterna. Voltai, ó exilados resgatados da felicidade, voltai à vossa herança perdida! Agora é o ano do jubileu. Vinde a Jesus, para que as vossas dívidas sejam canceladas, os vossos pecados perdoados e as vossas pessoas justificadas! Vinde, pois o Conquistador dos vossos inimigos está no trono! Vinde, pois as trombetas da misericórdia estão soando! Vinde, pois tudo já está pronto!

Escrituras neste sermão Isaías 63:1

Domínio público. Texto de origem de a edição original.