Sermão · 33 min de leitura· 1859 · Avançado
Cristo, Precioso para os que Creem
Charles H. Spurgeon Texto
1 Pedro 2:7
Tradução por IA — aguardando revisão nativa
“Para vós, pois, os que credes, ele é precioso.”—1 Pedro 2:7.
ESTE TEXTO ME TRAZ à lembrança o início do meu ministério. Faz cerca de oito anos que, sendo eu um rapaz de dezesseis, me levantei pela primeira vez na vida para pregar o evangelho numa casinha de campo, diante de um punhado de pessoas pobres que se haviam reunido para o culto. Sentia a minha própria incapacidade de pregar, mas me atrevi a tomar este texto: “Para vós, pois, os que credes, ele é precioso.” Não creio que pudesse ter dito coisa alguma sobre qualquer outro texto; mas Cristo era precioso para a minha alma, e eu estava no primeiro fervor do meu amor de rapaz, e não podia calar-me quando o assunto era um Jesus precioso. Eu mal acabara de escapar da servidão do Egito, e não me esquecera do grilhão rompido; ainda me lembrava daquelas chamas que pareciam arder ao redor do meu caminho, e daquele abismo devorador que abria a boca como se estivesse pronto a engolir-me. Com tudo isso ainda fresco no meu coração de rapaz, eu podia falar da preciosidade dele, que fora o meu Salvador, e me arrancara como tição do incêndio, e me pusera sobre uma rocha, e pusera na minha boca um cântico novo, e firmara os meus passos. E agora, neste dia, que direi? “Que coisas fez Deus!” Como se tornou o pequeno em mil, e o mínimo em nação poderosa? E que direi a respeito deste texto, senão que, se o Senhor Jesus era precioso então, tão precioso é ele agora? E se naquele tempo eu podia declarar que Jesus era o desejo da minha alma, que para ele eu esperava viver e por ele estaria pronto a morrer, não posso hoje dizer, sendo Deus a minha testemunha, que ele me é mais precioso neste dia do que jamais foi? Ao lembrar-me da sua misericórdia sem paralelo para com o principal dos pecadores, devo consagrar-me de novo a ele, e de novo entregar o meu coração àquele que é Senhor e Rei.
Esta observação é dita a título de introdução; pode parecer presunçosa, mas não o posso evitar. Devo dar glória a Deus no meio da grande congregação, e pagar agora os meus votos ao Senhor no meio de todos os seus santos, no meio de ti, ó Jerusalém.
O meu texto afirma um fato positivo, a saber, que Cristo é precioso para os que creem. Esta será a primeira parte do nosso discurso; depois, na segunda, procuraremos responder à pergunta: por que é Jesus Cristo tão precioso ao seu povo crente? E concluiremos declarando a prova pela qual podeis examinar-vos, para saber se sois crentes ou não; porque, se sois crentes em Cristo, então Cristo vos é precioso; e se o tendes em pouca conta, ficai certos de que não tendes nele uma fé verdadeira e salvadora.
I. Primeiramente, este é um fato positivo: PARA OS QUE CREEM, JESUS CRISTO É PRECIOSO. Em si mesmo ele é de preciosidade inestimável, pois é o próprio Deus de Deus. É, além disso, homem perfeito e sem pecado. A preciosa madeira de gofer da sua humanidade está revestida do ouro puro da sua divindade. Ele é uma mina de joias e uma montanha de pedras preciosas. Ele é totalmente desejável; mas, ai! este mundo cego não vê a sua beleza. As meretrizes pintadas — a Madame Bubble deste mundo — o mundo bem as consegue ver, e todos os homens se maravilham após ela. Esta vida, os seus prazeres, as suas concupiscências, os seus ganhos, as suas honras — estas coisas têm beleza aos olhos do homem não regenerado; mas em Cristo ele nada vê que possa admirar. Ouve o seu nome como uma palavra qualquer, olha para a sua cruz como para algo que não lhe diz respeito, despreza o seu evangelho, menospreza a sua Palavra e, talvez, descarrega ódio feroz sobre o seu povo. Mas não assim o crente. O homem que foi levado a saber que Cristo é o único fundamento sobre o qual a alma pode edificar o seu lar eterno; aquele a quem foi ensinado que Jesus Cristo é o primeiro e o último, o Alfa e o Ômega, o autor e consumador da fé — esse não pensa levianamente de Cristo. Chama-lhe toda a sua salvação e todo o seu desejo; o único glorioso e amável.
Ora, este é um fato comprovado em todas as eras do mundo. Olhai para o começo da manifestação de Cristo sobre a terra. Ou antes, poderíamos recuar ainda mais e observar como Cristo era precioso, em esperança, aos que viveram antes da sua encarnação; mas, digo eu, desde que ele veio ao mundo, que abundantes provas temos de que ele é precioso ao seu povo! Houve homens que não se recusaram a deixar casas, terras, esposa, filhos, pátria, reputação, honra e riqueza — sim, a própria vida — por amor de Cristo. Tal era o encanto que Cristo tinha para os cristãos antigos, que, se lhes cumpria renunciar ao seu patrimônio e à sua riqueza terrena por amor dele, faziam-no de bom grado e sem uma queixa. Antes, podiam dizer que o que lhes era lucro isso tinham por perda por amor de Cristo, e o estimavam como escória e esterco, contanto que ganhassem a Cristo e nele fossem achados.
Falamos disso com leveza, mas não eram sacrifícios pequenos. Que um homem deixe a companheira do seu peito, seja desprezado por aquela que devia honrá-lo, seja cuspido pelos próprios filhos, seja expulso pelos seus conterrâneos e tenha o seu nome citado como assobio, opróbrio e provérbio — não é coisa fácil de suportar; e, contudo, os cristãos dos primeiros séculos tomaram esta cruz e não só a carregaram com paciência, mas com alegria; regozijando-se nas tribulações, quando essas tribulações vinham sobre eles por amor de Cristo e do evangelho. E mais ainda: a Satanás foi permitido estender a mão e tocar o povo de Cristo, não somente nos seus bens e nas suas famílias, mas nos seus ossos e na sua carne. E vede como os discípulos de Cristo nada tiveram por perda, contanto que ganhassem a Cristo. Estirados no potro de tortura, os seus nervos distendidos apenas os fizeram cantar mais alto, como se fossem cordas de harpa, afinadas somente quando esticadas ao extremo. Foram torturados com ferros em brasa e com tenazes; as suas costas foram lavradas com açoites; mas quando encontrastes algum dos verdadeiros seguidores de Cristo recuando na hora da dor? Suportaram tudo isso e desafiaram os seus perseguidores a fazer mais, a inventar novas artes e engenhos, novas crueldades, e a experimentá-las. Cristo era tão precioso, que toda a dor do corpo não os podia levar a negá-lo; e quando enfim foram conduzidos a uma morte vergonhosa — que o machado e o cepo, que a cruz da crucificação, que a lança, que o fogo e a estaca, que o cavalo bravio e o deserto testemunhem que o crente sempre foi um homem que sofreria tudo isso, e muitíssimo mais, mas que jamais renunciaria à sua confiança em Cristo. Olhai para Policarpo diante dos leões, quando é trazido ao meio da assembleia e lhe exigem que negue o seu Deus. Milhares de olhos selvagens o contemplam do alto, e ali está ele, homem débil, sozinho na arena; mas diz-lhes que “há muitos anos conhece o seu Senhor, e ele nunca lhe fez desgosto algum, e não o negará no fim”. “Aos leões!”, gritam eles, “Aos leões!” — e os leões se lançam sobre ele, e depressa é devorado; mas tudo isso ele teria suportado nas bocas de mil leões, se tivesse mil vidas, antes que pensar coisa alguma que ofendesse a Majestade de Jesus de Nazaré. Toda a história da antiga igreja de Cristo prova que Jesus tem sido o objeto da mais alta veneração do seu povo; que nada puseram em rivalidade com ele, mas de bom grado e prontamente, sem uma queixa nem um pensamento contrário, entregaram tudo por Jesus Cristo, e se alegraram em fazê-lo.
E isto é tão verdadeiro hoje como o era então. Se amanhã se levantasse a estaca em Smithfield, o povo cristão está pronto a ser lenha para a chama. Se mais uma vez se fixasse o cepo em Tower Hill e se tirasse o machado do seu esconderijo, as cabeças do povo de Cristo seriam entregues de bom grado, se com isso pudessem coroar a cabeça de Jesus e defender a sua causa. Os que declaram que se foi o antigo valor da igreja não sabem o que dizem. A igreja professa pode ter perdido o seu vigor viril; os professos de hoje talvez não passem de anões efeminados, descendentes de pais gloriosos; mas a verdadeira igreja, os eleitos tirados do meio da igreja professa, o remanescente que Deus escolheu, estão tão apaixonados por Jesus quanto os seus santos de outrora, e estão igualmente prontos a sofrer e a morrer. Desafiamos o inferno e a sua representante encarnada, a velha Roma; que ela construa os seus calabouços, que reavive as suas inquisições, que outra vez tome poder no Estado para cortar, mutilar e queimar — ainda assim somos capazes de possuir as nossas almas em paciência. Às vezes sentimos que seria bom que voltassem os dias de perseguição, para provar de novo a igreja, e afastar a palha, e torná-la um belo monte de trigo, todo puro e limpo. Os ramos podres da floresta podem tremer diante do furacão, pois serão varridos; mas os que têm seiva dentro de si não tremem. As nossas raízes estão entrelaçadas com a Rocha Eterna, e a seiva de Cristo corre dentro de nós, e somos ramos da videira viva, e nada nos separará dele. Sabemos que nem a perseguição, nem a fome, nem a nudez, nem o perigo, nem a espada nos apartarão do amor de Cristo; porque em todas estas coisas seremos, como a igreja sempre foi, mais que vencedores por meio daquele que nos amou.
Pensa alguém que eu exagero? Notai, então: se o que eu disse não é verdade, então Cristo não tem igreja alguma; porque a igreja que não está pronta a sofrer, a sangrar e a morrer por Cristo não é a igreja de Cristo. Pois que diz ele? “Quem ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não segue após mim não é digno de mim.”—Mateus 10:37-38. Ainda que Cristo não nos ponha plenamente à prova, contudo, se somos verdadeiros, devemos estar prontos para o crisol; e se somos sinceros, ainda que tremamos ao pensar nele, não tremeremos ao suportá-lo. Muitos há que dizem no coração: “Não tenho a fé de um mártir”, e que na verdade possuem essa nobre virtude; que cheguem uma só vez ao aperto, e o mundo verá a graça que estava escondida erguer-se gigante do seu sono. A fé que suporta o sol amolecedor da prosperidade do mundo suportará também a geada cortante da perseguição do mundo. Não precisamos temer: se somos verdadeiros hoje, seremos verdadeiros sempre.
Isto não é mera ficção; muitas são as provas de que Cristo ainda é precioso. Falar-vos-ei dos que sofrem em silêncio por Cristo, que ainda hoje padecem um martírio de que não ouvimos falar, mas que é verdadeiro e real? Quantas jovens há que seguem a Cristo no meio de uma família ímpia; o pai as repreende, ri delas, zomba da sua santidade e as trespassa o coração com o seu sarcasmo! Os irmãos e as irmãs chamam-nas de “Puritana”, “Metodista” e coisas semelhantes, e dia após dia são atormentadas com aquilo que o apóstolo chama “provas de escárnios cruéis”. Mas ela suporta tudo isso; e ainda que às vezes a lágrima lhe seja arrancada dos olhos, ainda que chorasse sangue, ela “resistiria até ao sangue, combatendo contra o pecado”. Esses sofredores não ficam registrados; não entram num Livro dos Mártires. Não temos um Foxe para escrever a sua martirologia; não têm o consolo agradável à carne de saber que serão publicamente honrados; mas sofrem sozinhos e sem que ninguém o saiba, orando ainda pelos que riem deles: prostrando-se de joelhos diante de Deus em agonia, não por causa da perseguição, mas em agonia de alma pelos próprios perseguidores, para que sejam salvos. Quantos jovens assim há nas oficinas, empregados em grandes estabelecimentos, que dobram os joelhos à noite ao lado da cama, num quarto grande onde há muitos escarnecedores! Alguns de nós conhecemos isto nos dias da nossa mocidade e tivemos de suportá-lo; mas Cristo é precioso aos sofrimentos silenciosos do seu povo; esses martírios sem honra provam que a sua igreja não deixou de amá-lo, nem de tê-lo por precioso.
E quantos há também — quantos milhares de obreiros invisíveis e desconhecidos por Cristo, cujos nomes não podem ser aqui declarados! Trabalham de manhã à noite a semana inteira, e o dia do Senhor devia ser para eles um dia de descanso; mas trabalham mais nesse dia do que em qualquer outro. Visitam os leitos dos enfermos; os seus pés estão cansados, e a natureza pede repouso, mas eles entram nos antros e covis mais baixos da cidade para falar aos ignorantes e procurar espalhar o nome e a honra de Jesus onde ele não é conhecido. Muitos há assim, trabalhando arduamente por Cristo, ainda que a igreja mal o saiba. E quantos há também que provam o seu amor a Cristo pela liberalidade constante das suas ofertas! Muitos são os pobres que descobri, que se privaram disto e daquilo porque queriam servir à causa de Cristo. E muitos há também — de quando em quando os encontramos — nas camadas médias da sociedade, que dão cem vezes mais à causa de Cristo do que muitos dos ricos e abastados; e se soubésseis a que pequenas provações se sujeitam, a que expedientes recorrem para servir a Cristo, diríeis: “O homem que pode fazer isto prova claramente que Cristo lhe é precioso.” E notai isto: a razão por que a igreja não é mais laboriosa, nem mais generosa nas suas dádivas ao ofertório do Salvador, é justamente esta: porque a igreja de hoje, na sua massa e no seu volume, não é a igreja de Cristo. Há dentro dela uma igreja de Cristo; mas a igreja visível, tal como se apresenta diante de vós, não deve ser tida como a igreja de Cristo; é preciso passá-la pelo fogo e trazer a terça parte através da chama; pois este é o dia em que a escória está misturada com o ouro. Como se escureceu o ouro fino; como se foi a glória! Sião está debaixo de uma nuvem. Mas notai: ainda que não a vejais, há uma igreja, uma igreja escondida; um centro imóvel em meio ao crescimento da profissão religiosa; há vida dentro deste fungo exterior de um cristianismo que se expande; há uma vida que está por dentro; e para essa hoste escondida, essa companhia escolhida, Cristo é precioso — eles o provam todos os dias pelos seus sofrimentos pacientes, pelos seus esforços laboriosos, pelas suas ofertas constantes à igreja de Cristo. “Para vós, pois, os que credes, ele é precioso.”
Vou dizer-vos uma coisa que prova — que prova até à evidência — que Cristo ainda é precioso ao seu povo, e é esta: mandai um do povo de Cristo ouvir o pregador mais afamado da época, quem quer que seja; ele prega um sermão muito erudito, muito fino e magnífico, mas nesse sermão não há uma palavra sobre Cristo. Suponde que assim seja: o homem cristão sairá e dirá: “Não me importei nem um vintém com o discurso daquele homem.” Por quê? “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. Nada ouvi acerca de Cristo.” Mandai esse mesmo homem, na manhã do domingo, ouvir algum pregador de sebes e valas, alguém que maltrata a língua como ninguém, mas que prega Jesus Cristo — vereis as lágrimas rolando pelo rosto daquele homem, e ao sair ele dirá: “Não gosto da má gramática daquele homem; não gosto dos muitos erros que cometeu; mas oh! fez bem ao meu coração, porque falou de Cristo.” Isto, afinal, é o principal para o cristão: ele quer ouvir do seu Senhor, e se o ouve engrandecido, relevará cem defeitos. De fato, achareis que os cristãos estão todos de acordo em que o melhor sermão é o que está mais cheio de Cristo. Nunca gostam de ouvir um sermão a não ser que haja nele algo de Cristo. Um pastor galês que pregava no domingo passado na capela do meu querido irmão Jonathan George dizia que Cristo é a soma e a substância do evangelho, e desatou nesta história: um jovem havia pregado na presença de um venerando ministro e, ao terminar, foi ao velho pregador e disse: “Que achou do meu sermão?” “Um sermão bem pobre, na verdade”, disse ele. “Um sermão pobre?”, disse o jovem; “levei muito tempo a prepará-lo.” “Ah, disso não duvido.” “Mas então, o senhor não achou a minha explicação do texto muito boa?” “Oh, sim”, disse o velho pregador, “muito boa mesmo.” “Pois bem, então por que diz que é um sermão pobre? Não achou as metáforas apropriadas e os argumentos conclusivos?” “Sim, eram muito bons, até onde isso vai; mas ainda assim foi um sermão bem pobre.” “Quer dizer-me por que o considera um sermão pobre?” “Porque”, disse ele, “não havia Cristo nele.” “Ora”, disse o jovem, “Cristo não estava no texto; não devemos pregar Cristo sempre, devemos pregar o que está no texto.” Então o velho disse: “Não sabe, meu jovem, que de toda cidade, de toda aldeia e de todo povoadozinho da Inglaterra, onde quer que seja, há uma estrada para Londres?” “Sei”, disse o jovem. “Ah!”, disse o velho ministro, “pois assim também, de todo texto da Escritura há uma estrada para a metrópole das Escrituras, que é Cristo. E o seu ofício, meu caro irmão, quando chega a um texto, é dizer: ‘Ora, qual é a estrada para Cristo?’ — e então pregar um sermão que corra por essa estrada rumo à grande metrópole: Cristo. E”, disse ele, “nunca até hoje encontrei um texto que não tivesse nele uma estrada para Cristo; e se algum dia encontrar um que não a tenha, eu mesmo a farei; passarei por cima de sebes e valas, mas hei de chegar ao meu Mestre, porque o sermão não pode fazer bem algum se não houver nele o sabor de Cristo.” Ora, visto que dizeis amém a isso e declarais que o que quereis ouvir é Jesus Cristo, o texto está provado: “Para vós, pois, os que credes, ele é precioso.”
Mas se quiserdes prová-lo ainda uma vez, ide ver alguns dos nossos amigos enfermos e moribundos; ide falar-lhes da Lei da Reforma, e eles vos olharão no rosto e dirão: “Ah, eu estou partindo deste estado passageiro; muito pouco me importa se a Lei da Reforma será aprovada ou não.” Não os achareis muito interessados nesse assunto. Pois bem, sentai-vos então e falai-lhes do tempo e de como vão as colheitas: “Está boa a perspectiva do trigo este ano.” Eles dirão: “Ah, a minha colheita está amadurecendo na glória.” Introduzi o assunto mais interessante que puderdes, e um crente que jaz à beira da eternidade nada achará de precioso nele; mas sentai-vos junto ao leito desse homem — talvez esteja quase indo, quase inconsciente — e começai a falar de Jesus; mencionai aquele nome precioso, que reanima e fortalece a alma, o nome de Jesus, e vereis o seu olho brilhar, e a face pálida se avermelhará mais uma vez. “Ah”, dirá ele, “precioso Jesus! Este é o nome que acalma os meus temores e faz cessar as minhas tristezas.” Vereis que destes àquele homem um tônico poderoso, e que todo o seu corpo se reanima por um momento. Mesmo ao morrer, o pensamento de Jesus Cristo e a esperança de vê-lo o farão vivo no meio da morte, forte no meio da fraqueza e destemido no meio do tremor. E isto prova, pela experiência do povo de Deus, que para os que nele creem Cristo é, e sempre há de ser, um Cristo precioso.
II. A segunda coisa é esta: POR QUE É CRISTO PRECIOSO AO CRENTE? Observo — e passarei por estes pormenores muito brevemente, ainda que cada um merecesse um sermão longo, bem longo — que Jesus Cristo é precioso ao crente porque é intrinsecamente precioso. Mas permiti que eu vos leve aqui a um exercício de gramática; eis um adjetivo, percorramo-lo. Ele é precioso no positivo; é mais precioso do que qualquer coisa, no comparativo; é o mais precioso de todas as coisas, e o mais precioso ainda que todas as coisas fossem reunidas numa só e postas em competição com ele; assim ele é precioso no superlativo. Ora, poucas são as coisas com que se pode fazer isto. Dizeis que um homem é bom, que é bom no positivo; e dizeis que é muito melhor do que muitos outros, que é bom no comparativo; mas nunca podereis dizer com verdade de homem algum que ele é bom no superlativo, porque ainda aí ele será achado aquém da perfeição. Mas Cristo é bom no positivo, no comparativo e no superlativo.
Será ele bom no positivo? A eleição é coisa boa: ser escolhido de Deus, e precioso; mas nós somos eleitos em Cristo Jesus. A adoção é coisa boa; ser adotado na família de Deus é coisa boa — ah, mas somos adotados em Cristo Jesus e feitos co-herdeiros com ele. O perdão é coisa boa — quem o negará? — sim, mas somos perdoados pelo precioso sangue de Jesus. A justificação — não é coisa nobre ser revestido de uma justiça perfeita? — sim, mas somos justificados em Jesus. Ser guardado — não é coisa preciosa? — sim; mas somos guardados em Cristo Jesus, e conservados pelo seu poder até ao fim. A perfeição — quem dirá que não é preciosa? Pois bem, mas somos perfeitos em Cristo Jesus. A ressurreição, não é gloriosa? Ressuscitamos com ele. Subir ao alto, não é precioso? Mas ele nos ressuscitou e nos fez assentar com ele nos lugares celestiais em Cristo Jesus — de modo que Cristo há de ser bom no positivo, pois ele é todas as melhores coisas reunidas numa só. E se todas estas coisas são boas, certamente ele há de ser bom, aquele em quem, por quem, para quem e por meio de quem existem todas estas coisas preciosas.
Mas Cristo é bom no comparativo. Trazei aqui qualquer coisa e comparai-a com ele. Uma das mais brilhantes joias que podemos ter é a liberdade. Se não for livre, morra eu. Ponde-me a corda ao pescoço, mas não o grilhão ao pulso — enquanto viver, hei de ser homem livre. Não dirá o patriota que daria o seu sangue para comprar a liberdade, e que a teria por preço barato? Sim; mas ponde a liberdade lado a lado com Cristo, e eu usarei o grilhão por Cristo e me alegrarei na cadeia. O próprio apóstolo Paulo podia dizer: “Quisera a Deus que todos fôsseis tal qual eu sou” — e podia acrescentar: “exceto estas cadeias”; mas, ainda que excetuasse as cadeias para os outros, não as excetuou para si mesmo, pois se alegrava na cadeia e a tinha por marca de honra. Além da liberdade, que coisa preciosa é a vida! “Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.” Mas dai a um cristão — a um verdadeiro cristão — a escolha entre a vida e Cristo: “Não”, diz ele, “posso morrer, mas não posso negar; posso arder, mas não posso voltar atrás. Confesso a Cristo e pereço na chama; mas não posso negar a Cristo, ainda que me exalteis a um trono.” Não haveria escolha entre as duas coisas. E assim, qualquer que seja o bem terreno posto em comparação com Cristo, o testemunho do crente vem a provar que Cristo é precioso no comparativo, porque não há nada que se lhe iguale.
E depois, para subir ainda mais alto: Cristo é bom no superlativo. O superlativo de todas as coisas é o céu; e se fosse possível pôr Cristo em competição com o céu, o cristão não hesitaria um instante na sua escolha: preferiria estar na terra com Cristo a estar no céu sem ele. Antes, não sei se não iria quase tão longe quanto Rutherford, que disse: “Senhor, eu preferiria estar no inferno contigo a estar no céu sem ti; porque, se eu estivesse no céu sem ti, isso seria para mim um inferno; e se eu estivesse no inferno contigo, isso seria para mim um céu.” Podemos dizê-lo assim, e todo cristão o subscreverá. Vinde agora, mensageiros do mundo, e trazei aos ombros todos os seus tesouros. César, derrama o teu ouro numa pilha reluzente; César, deposita aqui as tuas honras num monte vistoso; aqui, Tibério, traze todos os prazeres da luxúria e do vício de Capri; Salomão, traze aqui todos os tesouros da sabedoria; Alexandre, traze todos os teus triunfos; Napoleão, traze o teu vasto império e a tua fama; ponde tudo aqui, tudo o que a terra chama bom; e agora vem tu, ó Cordeiro de Deus ensanguentado, ó Salvador ferido e incomparável, vem aqui e pisa tudo isto debaixo dos teus pés, pois que é tudo isto comparado contigo? Derramo desprezo sobre tudo. Agora estou morto para o mundo inteiro, e o mundo inteiro está morto para mim. Todo o reino da natureza é pequeno em comparação contigo, como a gota do balde comparada a um oceano sem limites. Jesus Cristo, portanto, é precioso no superlativo.
2. Que mais podemos dizer? Para responder de novo a esta pergunta: por que é Cristo mais precioso ao crente do que a qualquer outro homem? Ora, é a necessidade do crente que torna Cristo precioso para ele. Esta é uma resposta. Tivemos ultimamente uma pequena chuva, e ouso dizer que muito poucos de vós lhe ficaram gratos, visto que vos molhou um pouco na vinda para cá. Mas suponde que aquela chuva pudesse ter caído no deserto da Arábia — que coisa preciosa teria sido! Sim, cada gota de chuva teria valido uma pérola; e quanto ao aguaceiro, ainda que chovesse pó de ouro, o rico depósito não seria comparável às águas que descessem do alto. Mas qual é a razão por que a água é tão preciosa ali? Simplesmente porque é tão rara. Suponde que eu esteja na Inglaterra: há abundância de água e não a posso vender; a água é tão comum e, portanto, tão barata. Mas ponde um homem no deserto e deixai secar o odre de água; que ele chegue ao poço onde esperava achar água, e este lhe falte — não podeis conceber que aquela pequena gota de água valeria o resgate de um rei? Antes, que um homem a guardaria e a esconderia de todos os seus companheiros, porque daquela pequena gota de água dependia a sua vida? O modo de dar valor à água é avaliá-la com a língua como um tição e a boca como um forno. Então posso calcular o seu valor, quando conheço a sua falta. Assim é com Cristo. O mundano não se importa com Cristo, porque nunca teve fome e sede dele; mas o cristão tem sede de Cristo; está numa terra seca e sedenta, onde não há água, e a sua alma e a sua carne suspiram por Deus, sim, pelo Deus vivo; e como a alma sedenta que morre grita: água, água, água! — assim o cristão grita: Cristo, Cristo, Cristo! Esta é a única coisa necessária para mim, e se não a tiver, esta sede há de destruir-me.
Notai também que o crente pode ser considerado sob muitos aspectos, e sempre achareis que as suas necessidades lhe tornam Cristo querido. Eis um homem prestes a ser julgado por um crime capital. Antes de cometer o mal, costumava dizer: “Advogados, procuradores, defensores — fora com eles, para que servem?” Agora que caiu na prisão, pensa muito diferentemente. Diz ele: “Quem me dera conseguir um bom defensor para pleitear a minha causa!” — e percorre a lista para achar o melhor homem que possa defendê-lo. Por fim diz: “Eis aqui um homem; se ele pudesse pleitear a minha causa, eu poderia esperar escapar; mas não tenho dinheiro com que contratá-lo.” E diz à esposa: “Mulher, temos de vender a nossa casa”; ou: “Temos de arranjar dinheiro de algum modo, porque estou sendo julgado por minha vida e preciso de um advogado.” E que não fará uma mulher para conseguir um advogado para o marido? Ora, ela empenhará o último trapo que tiver para consegui-lo. Pois bem, não se acha o crente exatamente nessa posição? É um pobre pecador julgado por sua vida, e precisa de um advogado; e cada vez que olha para Cristo pleiteando a sua causa diante do trono do Pai, diz: “Oh, que Cristo precioso ele é para um pobre pecador arruinado pelo pecado, pois pleiteia a sua causa diante do trono!”
Mas suponde outro caso: o de um homem sorteado para o serviço militar. Em tais tempos os homens sempre procuram substitutos. Lembro-me de quando vinha o sorteio para a milícia, como cada um entrava para um clube de substitutos, a fim de que, se fosse sorteado, não tivesse de ir ele mesmo. Ora, suponde que um homem tivesse sido sorteado: quão valioso lhe seria um substituto! Pois nenhum homem em seu juízo gosta de servir de alimento à pólvora; preferiria que um homem sem miolos fosse fazer tal trabalho, mas quanto a si mesmo, avalia-se por preço alto demais. Mas suponde que ele não é apenas sorteado para soldado, mas condenado à morte. Vede aquele pobre infeliz subindo os degraus da forca; alguém lhe sussurra: “Que darias agora por um substituto? Que darias para que alguém viesse e levasse este castigo?” Vede como o seu olho revira de loucura ao pensamento. “Um substituto”, diz ele; “eu não poderia comprar um por todo o mundo. Quem seria substituto por mim, para ser lançado à eternidade em meio aos berros de uma multidão?” Mas suponde — e apenas supomos o que de fato já aconteceu — suponde que este homem visse diante de si não somente a forca e o alçapão, mas o fogo do inferno, e lhe fosse dito: “Terás de arder ali para sempre, a não ser que aches um substituto” — não seria esse um substituto precioso? Ora, notai: essa é exatamente a nossa posição. O cristão sente que o inferno estaria diante dele, se não fosse ter ele um substituto glorioso. Jesus se adiantou e disse: “Eu levarei esse castigo; derrama o inferno sobre mim, meu Pai; deixa-me beber até o fim a taça da condenação” — e ele o fez; suportou todas aquelas dores, ou o equivalente delas; sofreu em lugar do rebelde; e agora, por meio dele, o substituto, estamos absolvidos e livres. Oh, não há de ser ele um Cristo precioso?
Mas pensai ainda em Cristo, e pensai depois nas necessidades do crente. Procurarei percorrer algumas delas. O crente é uma ovelha tola. Que coisa preciosa é um pastor, e quão preciosos são os pastos verdejantes e as águas tranquilas! O crente é como uma mulher desamparada. Que coisa preciosa é um marido que a sustente, e a console, e a acaricie! O crente é um peregrino, e o sol ardente bate sobre ele. Que coisa preciosa é a sombra de uma grande rocha em terra cansada! O crente é, por natureza, um escravo cativo. Que coisa preciosa é a trombeta do jubileu e o preço do resgate que o põe em liberdade! O crente é, por natureza, um homem que se afunda e se afoga. Quão precioso lhe é aquele madeiro da graça gratuita, a cruz de Cristo, sobre o qual põe a sua pobre mão trêmula e assegura a glória! Mas que mais direi? Faltar-me-ia o tempo para contar todas as necessidades do crente e todas as correntes de amor, sempre abundantes e sempre fluentes, que manam de Cristo, a fonte que enche o crente até à borda. Ó dizei, filhos de Deus: não é ele, enquanto estais nestas terras baixas de carência e sofrimento, inconcebível, indizível e superlativamente precioso para vós?
3. Mas ainda uma vez. Olhai para o crente não apenas nas suas necessidades, mas no seu mais alto estado terreno. O crente é um homem que outrora era cego e agora vê. E que coisa preciosa é a luz para um homem que vê! Se eu, como crente, tenho olhos, quanto necessito que o sol brilhe! Se não tenho luz, o meu olho se torna um tormento, e mais me valera ter sido cego. E quando Cristo dá vista aos cegos, faz do seu povo um povo que enxerga. É então que descobrem que coisa preciosa é a vista, e quão agradável é ao homem contemplar o sol. O crente é um homem que foi vivificado. Um cadáver não precisa de roupa, pois não sente frio. Mas seja um homem vivificado, e logo se acha nu e precisa de roupa. Justamente porque o cristão é um homem vivificado, ele dá valor à veste de justiça que lhe é posta. Cristo toca os ouvidos do seu povo e os abre; mas melhor fora ao homem ser surdo do que ouvir para sempre gemidos lúgubres e assobios. E assim teria de ser, ouvindo isso sem cessar, se não fosse Cristo tocar-lhe cada dia doce música e derramar-lhe nos ouvidos correntes de melodia por meio das suas promessas. Sim, digo eu: as próprias faculdades recém-nascidas do cristão seriam canais de miséria, se não fosse Cristo. Mesmo no seu estado mais elevado, o cristão há de sentir que Cristo lhe é necessário, e então há de concluir que Cristo lhe é precioso.
Mas, crente, quão precioso te é Cristo na hora da convicção do pecado, quando ele diz: “Os teus muitos pecados te são todos perdoados.” Quão precioso te é na hora da enfermidade, quando vem a ti e diz: “Eu te arrumarei toda a cama na tua enfermidade.” Quão precioso te é no dia da provação, quando diz: “Todas as coisas cooperam para o teu bem.” Quão precioso quando os amigos são sepultados, pois ele diz: “Eu sou a ressurreição e a vida.” Quão precioso na tua velhice encanecida: “até à velhice eu serei o mesmo, e ainda até às cãs eu vos carregarei.” Quão precioso na câmara solitária da morte, pois “não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” Mas, por último, quão precioso será Cristo quando o virmos como ele é! Tudo o que aqui sabemos de Cristo é nada em comparação com o que saberemos depois. Crente, quando agora vês o rosto de Cristo, só o vês através de um véu — Cristo é tão glorioso que, como Moisés, é obrigado a pôr um véu sobre o rosto, porque o seu pobre povo, enquanto está aqui, é tão fraco que não poderia contemplá-lo face a face. E se ele é amável aqui, quando é ferido e cuspido, quão amável há de ser quando for adorado e cultuado! Se é precioso na sua cruz, quanto mais precioso quando se assenta no seu trono! Se posso chorar diante dele, e amá-lo, e viver para ele, quando o vejo como o desprezado homem de Nazaré — oh, como se ligará o meu espírito a ele, como se absorverá o meu coração em amor por ele, quando eu vir a sua face e contemplar a sua coroa de glória, quando eu ouvir o tanger dos harpistas incessantes que tocam o seu louvor! Espera um pouco, cristão. Se ele é precioso ao crente agora, quando a fé se converter em vista ele será ainda mais precioso. Sai deste salão e clama: “Ó Senhor Jesus, eu preciso amar-te, preciso servir-te melhor, preciso viver para ti; preciso estar pronto a morrer por ti — pois
’Tu és precioso para a minha alma,
Meu arrebatamento e minha confiança.’”
Isto me traz à conclusão — e aqui peço a vossa atenção solene e fervorosa, enquanto cada um por si responde a esta pergunta: meu ouvinte, Cristo é precioso para ti? Meu jovem irmão, tu que tens a mesma idade que eu, Jesus é precioso para ti na tua mocidade? Com que purificará o jovem o seu caminho? Somente atentando para ele conforme a palavra de Cristo, e andando nas suas pisadas. Vós, homens e mulheres de meia-idade, Cristo é precioso para vós? Lembrai-vos de que este mundo não passa de um sonho, e que, se não tendes algo mais satisfatório do que isso, ficareis desiludidos, ainda que tenhais êxito além dos vossos maiores desejos. E vós, homens de cabeça grisalha, que ides cambaleando para a sepultura, cuja vida é como um toco de vela quase a extinguir-se, como uma lâmpada cujo óleo se acabou: Cristo é precioso para vós, vós de cabeça calva e de cabelo branco? Jesus é precioso à vossa alma? Lembrai-vos de que da vossa resposta a esta pergunta depende a vossa condição. Tu crês, se ele te é precioso; mas se ele não te é precioso, então não sois crentes, e já estais condenados, porque não credes no Filho de Deus. Ora, qual das duas coisas é? Oh, parece-me que alguns de vós sentis que poderíeis saltar dos vossos assentos e dizer: “Sim, ele me é precioso, não o posso negar.” Houve certa vez um bom ministro que catequizava a sua classe, e disse aos jovens: “A pergunta que vou fazer é tal, que não quero que nenhum de vós responda, a não ser os que possam responder do coração.” A congregação estava reunida, e ele lhes fez esta pergunta acerca de Cristo: “Suponde que Cristo estivesse aqui e vos dissesse: ‘Tu me amas?’ — qual seria a vossa resposta?” Olhou ao redor, e correu os olhos por todos os rapazes e todas as moças, e disse: “Jesus vos fala pela primeira vez e diz: ‘Tu me amas?’ Fala uma segunda vez e diz: ‘Tu me amas?’” Houve uma pausa solene, e ninguém respondeu; e a congregação olhava para a classe; e por fim o ministro disse mais uma vez: “Jesus fala por mim uma terceira vez e diz: ‘Tu me amas?’” Levantou-se uma jovem, que não podia mais ficar sentada, e, desfazendo-se em lágrimas, disse: “Sim, Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo.” Ora, quantos há aqui que poderiam dizer isso? Não poderíeis vós agora, se fosse este o momento — ainda que ficásseis acanhados no meio de tantos —, não poderíeis, se Cristo vos fizesse a pergunta, dizer com ousadia, ainda que no meio de inimigos: “Sim, Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo”? Pois bem: se podeis dar tal resposta, ide para casa e orai para que outros sejam levados a amá-lo, porque vós mesmos estais salvos; mas se sois obrigados a calar diante de tal pergunta, oh, que Deus vos leve a buscar a Cristo, que também sejais impelidos para a cruz, que ali vejais as suas queridas feridas sangrentas, que contempleis o seu lado aberto e, caindo aos seus pés, digais: “Eu confio em ti, eu me apoio em ti, eu dependo de ti” — e ele dirá: “Eu te salvei”; e então saltareis de pé e direis: “Senhor, eu te amo, porque tu me amaste primeiro.” Seja este o fim deste sermão, e a Deus seja toda a glória.
Domínio público. Texto de origem de a edição original.