Capítulo 6 · 4 min de leitura · 5 min de escuta
William Nagenda — O pregador que navegou no sentido contrário
Quem ele foi
William Nagenda (1912–1973) era um muganda, aparentado por casamento com Simeon Nsibambi, e tornou-se o pregador que mais viajou do Avivamento da África Oriental.
Abriu mão de uma carreira no governo para entrar no ministério, uniu-se ao movimento na década de 1930 e tornou-se parte do pequeno grupo de líderes africanos — com Yosiya Kinuka, Festo Kivengere e outros — que o levaram muito além da região onde começou. Em 1947, ele e Kinuka foram à Suíça e à Grã-Bretanha. Foi a primeira de muitas viagens assim, e Nagenda passou boa parte do resto da vida nelas: pregando na Europa, na América, na Índia, em conferências, universidades e congressos missionários.
Permaneceu, o tempo todo, um pregador ao estilo de um leigo — simples, pessoal e incansavelmente preocupado em saber se quem o ouvia tinha de fato se arrependido de alguma coisa.
A missão às avessas, quarenta anos antes
Pare um instante nessa data. Em 1947, o Império Britânico ainda governava Uganda. O pressuposto de todo o empreendimento missionário, sustentado com sinceridade por gente boa, era que o cristianismo viajava da Europa para fora e que a África era o seu campo.
Nagenda e Kinuka embarcaram num navio e foram no sentido contrário, para dizer aos cristãos europeus que eles precisavam se arrepender.
Isso nem sempre foi bem recebido, e nem sempre foi bem conduzido de nenhum dos lados. A mensagem do avivamento não se suavizava conforme o público: fazia aos ingleses em Keswick as mesmas perguntas que fazia aos comerciantes em Kampala, sobre pecados específicos, nomeados e confessados. Alguns a receberam. Outros a acharam intolerável vinda de onde vinha, e disseram isso em termos que hoje são desconfortáveis de ler.
O que Nagenda demonstrou, décadas antes de alguém usar a expressão, é que a igreja africana tinha algo de que a igreja europeia precisava. Ele não argumentou isso em abstrato. Apareceu e pregou.
O custo de ser o que viaja
Vale a pena dizer com clareza que essa vida teve um preço, e os registros o mostram.
Um homem que passa seus anos em navios e nos púlpitos dos outros não está em casa. Os líderes do avivamento foram criticados, às vezes pelo próprio povo, por estarem ausentes; e o próprio movimento atravessou divisões internas duras nas décadas de 1960 e 1970 sobre exatamente quão rigorosas deveriam ser suas exigências, disputas nas quais Nagenda foi uma figura central, e nem sempre querida por todos.
Este livro não vai arrumar isso. Um movimento fundado na confissão de pecados não é um movimento de pessoas que haviam parado de pecar, e seus líderes brigaram entre si de maneiras que machucaram. A estatura de Nagenda e sua dificuldade pertencem ao mesmo homem.
O que ele nos ensina
O evangelho não pertence a quem o trouxe até você. Nagenda recebeu o cristianismo de missionários britânicos e depois foi à Grã-Bretanha pregar a eles. Gratidão a quem nos ensinou não significa ser para sempre o subalterno.
Não ajuste a mensagem ao prestígio da sala. Ele fez a Cambridge a mesma pergunta que fez a Kampala. A maioria de nós faz o contrário sem perceber.
Estar certo não torna você fácil de conviver. O rigor do avivamento, que era a sua força, podia se transformar em severidade. Se você tem uma mensagem de que as pessoas precisam, o perigo não é deixar de crer nela; é o que crer nela fará com a sua paciência para com quem não crê.
O texto por trás disso
“Pois não me envergonho do Evangelho de Cristo, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu, e também do grego.” (Romanos 1:16).
Paulo escreveu isso à igreja na capital imperial, como um provinciano que pretendia visitá-la. Toda a carreira de Nagenda é um comentário a esse versículo. A ordem no versículo diz respeito à prioridade, não à hierarquia, e a palavra que a governa é todo. Um evangelho que só consegue viajar dos poderosos para os fracos não é aquele que Paulo descreveu.
Uma oração
Senhor, eu recorto o que digo para caber na importância da sala. Dá-me uma só mensagem para todo público. Onde recebi muito, guarda-me de pensar que devo ser aprendiz para sempre; onde tenho algo a dizer, guarda-me de endurecer enquanto o digo. Amém.
Capítulo 6 concluído
William Nagenda — O pregador que navegou no sentido contrário