Até que Ele Venha
À Sua Sombra

Capítulo 3 · 16 min de leitura

À Sua Sombra

UM BREVE DISCURSO SACRAMENTAL PROFERIDO EM MENTONE

A UNS VINTE IRMÃOS. “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.”—Salmo xci. 1.

À SUA SOMBRA.

DEVO confessar, do meu breve discurso, como o homem confessou do machado que caiu no ribeiro, que ele é emprestado. O seu esboço foi tomado de alguém que nunca se queixará de mim, pois, para grande perda da Igreja, ela deixou estes coros inferiores para cantar lá no alto. A senhorita Havergal, a última e mais formosa dos nossos poetas modernos, quando as suas notas eram mais suaves, e a sua linguagem mais sublime, foi arrebatada para engrossar a música do céu. Os seus últimos poemas foram publicados com o título “À Sua Sombra”, e o prefácio dá a razão do nome. Ela disse: “Gostaria que o título fosse ‘À Sua Sombra’. Parece-me ver quatro quadros por ele sugeridos: à sombra de uma rocha, numa planície fatigante; à sombra de uma árvore; mais perto ainda, à sombra da sua asa; mais próxima e mais achegada de todas, na sombra da sua mão. Certamente essa mão há de ser a mão traspassada, que muitas vezes nos pode apertar dolorosamente, e contudo sempre nos rodeia, nos sustenta, e nos faz sombra.”

“À Sua Sombra” é o nosso assunto desta tarde, e em poucas palavras desenvolveremos o plano bíblico que a senhorita Havergal nos legou. O nosso texto é: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” A sombra de Deus não é o refúgio ocasional, mas a constante morada do santo. Aqui encontramos não só a nossa consolação, mas a nossa habitação. Nunca deveríamos estar fora da sombra de Deus. É aos que habitam, não aos que visitam, que o Senhor promete a sua proteção. “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará:” e essa sombra o preservará do terror noturno e do mal espectral, das setas da guerra e da pestilência, da morte e da destruição. Guardados pela Onipotência, os escolhidos do Senhor estão sempre seguros; pois, habitando eles no lugar santo, junto ao propiciatório, onde outrora se aspergia o sangue, a coluna de fogo de noite, a coluna de nuvem de dia, que sempre paira sobre o santuário, os cobre também a eles. Não está escrito: “No dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão, no oculto do seu tabernáculo me esconderá”? Que melhor segurança podemos desejar? Como povo de Deus, estamos sempre sob a proteção do Altíssimo. Aonde quer que vamos, o que quer que soframos, quaisquer que sejam as nossas dificuldades, tentações, provações ou perplexidades, estamos sempre “à sombra do Onipotente.” Sobre todos os que mantêm a sua comunhão com Deus estende-se o mais terno cuidado protetor. O seu próprio Pai celestial se interpõe entre eles e os seus adversários. A experiência dos santos, ainda que estejam todos sob a sombra, contudo difere quanto à forma pela qual essa proteção lhes tem sido concedida; daí o valor das quatro figuras que agora ocuparão a nossa atenção.

I. Começaremos com o primeiro quadro que a senhorita Havergal menciona, a saber, a rocha que abriga o viajante fatigado:—“a sombra de uma grande rocha em terra sedenta” (Isaías xxxii. 2).

Ora, tenho para mim que é aqui que começamos a conhecer a sombra do nosso Senhor. Ele foi primeiramente para nós um refúgio no tempo da angústia. Fatigante era o caminho, e grande era o calor; os nossos lábios estavam ressequidos, e as nossas almas desfaleciam; buscámos abrigo, e não o encontrámos; pois estávamos no deserto do pecado e da condenação, e quem poderia trazer-nos livramento, ou sequer esperança? Então clamámos ao Senhor na nossa angústia, e ele nos conduziu à Rocha eterna, que outrora foi fendida por nós. Vimos o nosso Mediador interpor-se entre nós e o ardente calor da justiça, e saudámos o bendito anteparo. O Senhor Jesus foi para nós uma cobertura para o pecado, e assim um abrigo contra a ira. O senso do desagrado divino, que batera sobre a nossa consciência, foi removido pela remoção do próprio pecado, o qual vimos ser posto sobre Jesus, que, em nosso lugar e vez, suportou a sua pena.

A sombra de uma rocha é notavelmente refrescante, e assim foi o Senhor Jesus eminentemente consolador para nós. A sombra de uma rocha é mais densa, mais completa, e mais fresca do que qualquer outra sombra; e assim a paz que Jesus dá excede todo o entendimento, não há outra igual a ela. Nenhum raio casual atravessa a sombra da rocha, nem o calor pode penetrar como o fará, em certa medida, através da folhagem de uma floresta. Jesus é um abrigo completo, e bem-aventurados os que estão “à sua sombra.” Cuidem eles de permanecer ali, e de nunca se aventurarem a sair para responder por si mesmos, ou para afrontar as acusações de Satanás.

Como com o pecado, assim com a tristeza de toda a espécie: o Senhor é a Rocha do nosso refúgio. Nenhum sol nos ferirá, nem calor algum, porque nunca estamos fora de Cristo. Os santos sabem para onde fugir, e usam o seu privilégio.

“Quando as tribulações, como um sol ardente,

pesam sobre a sua cabeça,

para Cristo, sua poderosa Rocha, correm,

e encontram uma aprazível sombra.”

Há, contudo, algo de temor nesta grande sombra. Uma rocha é muitas vezes tão alta que chega a ser terrível, e trememos na presença da sua grandeza. A ideia da pequenez que se esconde por detrás de uma grandeza imponente está bem representada; mas não há nenhum terno pensamento de comunhão ou brandura: assim também, ao princípio, olhamos para o Senhor Jesus como o nosso abrigo do calor consumidor do castigo bem merecido, e pouco mais conhecemos. É mui agradável lembrar que este é apenas um painel do quadro quádruplo. Inexprimivelmente querida é para a minha alma a profunda e fresca sombra da rocha do meu bendito Senhor, enquanto estou nele como um pecador salvo; contudo, há mais.

II. O nosso segundo quadro, o da árvore, encontra-se no Cântico de Salomão ii. 3: “Como a macieira entre as árvores do bosque, assim é o meu amado entre os filhos. Debaixo da sua sombra me assentei com grande deleite, e o seu fruto era doce ao meu paladar.” Aqui temos não tanto o refúgio da tribulação, quanto um descanso especial em tempos de alegria. A esposa vagueia alegremente por um bosque, contemplando muitas árvores, e regozijando-se na música das aves. Uma árvore particularmente a encanta: a cidreira, com o seu fruto dourado, ganha a sua admiração, e ela se assenta debaixo da sua sombra com grande deleite; tal era para ela o seu Amado, o melhor entre os bons, o mais formoso entre os formosos, a alegria da sua alegria, a luz do seu deleite. Tal é Jesus para a alma que crê.

As doces influências de Cristo destinam-se a dar-nos um descanso feliz, e devemos valer-nos delas; “Debaixo da sua sombra me assentei.” Esta era a boa parte de Maria, que Marta quase perdeu por andar preocupada. Este é o bom e antigo caminho por onde havemos de andar, o caminho em que achamos descanso para as nossas almas. Os papistas e as pessoas de índole papista, cuja religião é toda cerimónias, ou toda obras, ou todo gemidos, ou todo sentimentos, nunca chegaram a um fim. Podemos dizer da sua religião o mesmo que da lei: que nada aperfeiçoou; mas debaixo do evangelho há algo consumado, e esse algo é a suma e a substância da nossa salvação, e por isso há descanso para nós, e devemos cantar: “Assentei-me.”

Caros amigos, é Cristo, para cada um de nós, um lugar onde nos assentar? Não me refiro a um descanso de ociosidade e de contentamento próprio,—Deus nos livre disso; mas há descanso num consciente apego a Cristo, um descanso de contentamento com ele como o nosso tudo em todos. Deus nos conceda conhecer mais disto! Esta sombra destina-se também a produzir consolo perpétuo, pois a esposa não veio apenas para debaixo dela, mas ali se assentou como quem tencionava ficar. A continuação do repouso e da alegria foi comprada para nós pela obra consumada do nosso Senhor. Debaixo da sombra ela encontrou alimento; não teve necessidade de deixá-la para encontrar uma única coisa necessária, pois a árvore que dava sombra dava também fruto; nem sequer precisou de se levantar do seu descanso, mas, permanecendo sentada, banqueteou-se com o delicioso fruto. Vós que conheceis o Senhor Jesus sabeis também o que isto significa.

A esposa nunca desejou ir além do seu Senhor. Não conhecia vida mais alta do que a de sentar-se debaixo da sombra do Amado. Passou pelo cedro, e pelo carvalho, e por toda outra árvore formosa, mas a macieira a reteve, e ali ela se assentou. “Muitos há que dizem: Quem nos mostrará o bem? Mas quanto a nós, ó Senhor, o nosso coração está firme, o nosso coração está firme, repousando em ti. Não iremos mais longe, pois tu és a nossa habitação, sentimo-nos em casa contigo, e assentamo-nos debaixo da tua sombra.” Alguns cristãos cultivam a reverência à custa do amor de criança; ajoelham-se, mas não ousam assentar-se. O nosso divino Amigo e Amado não quer que assim seja; ele não quereria que usássemos de cerimónia com ele, mas que a ele cheguemos com ousadia.

“Sejamos, pois, singelos com ele,

não retraídos, rígidos ou frios,

como se a nossa Belém pudesse ser

o que o Sinai foi outrora.”

Usemos o seu sagrado nome como uma palavra comum, como uma palavra do lar, e corramos para ele como para um querido e íntimo amigo. Debaixo da sua sombra havemos de sentir que estamos em casa, e então ele se fará em casa para nós, tornando-se alimento das nossas almas, e dando-nos refrigério espiritual enquanto descansamos. A esposa não diz aqui que se estendeu para a árvore a fim de colher o seu fruto, mas que se assentou no chão em intenso deleite, e o fruto veio até ela onde estava sentada. É maravilhoso como Cristo desce às almas que se assentam debaixo da sua sombra; se tão somente pudermos estar em casa com Cristo, ele docemente comungará connosco. Não disse ele: “Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá os desejos do teu coração”?

Nesta segunda forma da sagrada sombra, o senso de temor dá lugar ao de um deleite repousante em Cristo. Alguma vez figuraste numa cena como a de quem se assenta sob a agradável sombra da árvore frutífera? Não só possuíste segurança, mas experimentaste deleite em Cristo? Cantaste,—

“Debaixo da sua sombra me assentei,

assentei-me com grande deleite;

o seu fruto era doce ao meu paladar,

e agradável à minha vista”?

Esta é uma experiência tão necessária quanto jubilosa: necessária para muitos usos. A alegria do Senhor é a nossa força, e é quando nos deleitamos no Senhor que temos a certeza do poder na oração. Aqui a fé se desenvolve, e a esperança se aviva, enquanto o amor espalha toda a fragrância das suas doces especiarias. Oh! chegai-vos à macieira, e descobri quem é o mais formoso entre os formosos. Fazei da Luz do céu o deleite do vosso coração, e então enchei-vos de tranquilidade de alma, e deleitai-vos em completo contentamento.

III. A terceira vista do mesmo assunto é,—a sombra das suas asas,—uma preciosa palavra. Penso que o melhor exemplo dela, pois ocorre várias vezes, está naquele bendito Salmo, o sexagésimo terceiro, versículo sete:—

“Porque tu tens sido o meu auxílio, portanto à sombra das tuas asas me regozijarei.”

Não apresenta isto o nosso Senhor como a nossa confiança nas horas de abatimento? No Salmo agora aberto diante de nós, Davi fora banido dos meios de graça para uma terra seca e cansada, onde não havia água. O que é muito pior, ele estava, em certa medida, afastado de todo o gozo consciente de Deus. Ele diz: “De madrugada te buscarei. A minha alma tem sede de ti.” Ele canta antes de memórias do que de presente comunhão com Deus. Também nós chegámos a esta condição, e fomos incapazes de encontrar qualquer consolo presente. “Tu tens sido o meu auxílio,” foi a nota mais alta que pudemos tocar, e ficámos contentes por alcançá-la. Em tais momentos, a luz do rosto de Deus foi retirada, mas a nossa fé ensinou-nos a regozijar-nos à sombra das suas asas. Luz não havia nenhuma; estávamos inteiramente na sombra, mas era uma sombra quente. Sentíamos que o Deus que estivera perto devia estar perto de nós ainda, e por isso fomos aquietados. O nosso Deus não pode mudar, e portanto, assim como foi o nosso auxílio, deve ainda ser o nosso auxílio, o nosso auxílio ainda que ele lance uma sombra sobre nós, pois há de ser a sombra das suas próprias asas eternas. A metáfora deriva, evidentemente, do aninhar-se das avezinhas sob a sombra das asas de sua mãe, e o quadro é singularmente comovente e consolador. A avezinha ainda não é capaz de cuidar de si mesma, por isso se agacha debaixo da mãe, e ali está feliz e segura. Perturbai uma galinha por um momento, e vereis todos os pintainhos apinhando-se, e, com os seus piados, fazendo uma espécie de canção. Depois enfiam as cabeças nas suas penas, e parecem felizes além de toda a medida na sua morada quente. Quando estamos muito enfermos e sumamente abatidos, quando estamos atribulados com o cuidado de filhos definhados, e com os problemas de um lar necessitado, e com as tentações de Satanás, quão consolador é correr para o nosso Deus,—como os pintainhos correm para a galinha,—e esconder-nos junto ao seu coração, debaixo das suas asas. Oh, provados, achegai-vos estreitamente ao amoroso coração do vosso Senhor, escondei-vos inteiramente debaixo das suas asas! Aqui o temor desapareceu, e o próprio descanso é realçado pela ideia da confiança amorosa. As avezinhas estão seguras no amor de sua mãe, e nós, também, estamos, além de toda a medida, seguros e felizes no amoroso favor do Senhor.

IV. A última forma da sombra é a da mão, e esta, parece-me, aponta para o poder e a posição no serviço. Voltai-vos para Isaías xlix. 2:—“E fez a minha boca como uma espada aguda, na sombra da sua mão me escondeu; e me fez uma flecha polida, na sua aljava me escondeu.” Isto sem dúvida se refere ao Salvador, pois a passagem prossegue:—“E me disse: Tu és o meu servo, ó Israel, por quem hei de ser glorificado. Então eu disse: Debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças; todavia o meu direito está perante o Senhor, e o meu galardão perante o meu Deus. E agora, diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para tornar a trazer-lhe Jacó, ainda que Israel não se deixe ajuntar, contudo serei glorificado aos olhos do Senhor, e o meu Deus será a minha força. E disse: Pouco é que sejas o meu servo, para levantares as tribos de Jacó, e para restaurares os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.” O nosso Senhor Jesus Cristo foi escondido na mão de Jeová, para ser por ele usado como uma flecha polida para a derrota dos seus inimigos, e a vitória do seu povo. Contudo, visto que é Cristo, é também todos os servos de Cristo, pois qual ele é, tais também somos nós neste mundo; e, para o certificar de todo, temos a mesma expressão no versículo dezasseis do capítulo cinquenta e um, onde, falando do seu povo, ele diz: “Cobri-te com a sombra da minha mão.” Não é este um excelente texto para um ministro? Cada um de vós que disser uma palavra por Jesus terá nele a sua parte. É aqui que os que são obreiros de Cristo deveriam anelar estar,—“na sombra da sua mão,” para cumprir o seu eterno propósito. Que são quaisquer dos servos de Deus sem o seu Senhor senão armas fora da mão do guerreiro, sem poder algum para fazer coisa alguma? Devemos ser como as flechas do Senhor que ele dispara contra os seus inimigos; e tão grande é a sua mão de poder, e tão pequenos somos nós como seus instrumentos, que ele nos esconde na concavidade da sua mão, invisíveis até que nos arremesse. Como obreiros, havemos de estar escondidos na mão de Deus, ou, para citar a outra figura, “na sua aljava me escondeu:” havemos de ser invisíveis até que ele nos use. É impossível que não sejamos de algum modo conhecidos se o Senhor nos usa, mas não devemos visar ser notados, antes, pelo contrário, ainda que sejamos tão usados como o próprio maior dos apóstolos, devemos acrescentar com verdade: “ainda que nada sou.” O nosso desejo deveria ser que Cristo fosse glorificado, e que o eu fosse ocultado. Ai! há uma maneira de sempre mostrar o eu no que fazemos, e todos nós estamos demasiado prontos a cair nela. Podeis visitar os pobres de tal modo que eles sintam que o senhor ou a senhora se dignou a visitar a pobre Betsy; mas há outra maneira de fazer a mesma coisa, de sorte que o provado filho de Deus reconheça que um irmão amado ou uma querida irmã em Cristo mostrou por ela um sentimento fraterno, e falou ao seu coração. Há uma maneira de pregar, na qual um grande teólogo evidentemente exibiu o seu vasto saber e talento; e há outra maneira de pregar, na qual um fiel servo de Jesus Cristo, dependendo do seu Senhor, falou em nome do seu Mestre, e deixou atrás de si uma rica unção. Dentro da mão de Deus está o lugar da aceitação, e da segurança; e, para o serviço, é o lugar do poder, bem como do ocultamento. Deus só opera com aqueles que estão na sua mão; e quanto mais escondidos ali jazermos, tanto mais seguramente nos usará dentro em breve. Faça-nos o Senhor segundo a sua palavra: “Pus as minhas palavras na tua boca, e te cobri com a sombra da minha mão.” Neste caso, sentiremos todas as emoções anteriores combinadas: temor de que o Senhor se digne tomar-nos na sua mão, descanso e deleite por ele se dignar usar-nos, confiança de que, da fraqueza, seremos agora feitos fortes, e a isto se acrescentará a absoluta certeza de que o fim do nosso ser há de ser alcançado, pois aquilo que é impelido pela mão do Todo-Poderoso não pode falhar o seu alvo.

Estes são meros pensamentos de superfície. O assunto merece uma série de discursos. O vosso melhor proceder, meus amados amigos, será desenvolver estas sugestões por uma longa experiência pessoal de permanecer à sombra do Onipotente. Que Deus, o Espírito Santo, vos conduza a ela, e vos guarde nela, por amor de Jesus!

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