Capítulo 5 · 51 min de leitura
Tradução por IA — aguardando revisão nativa
A Pessoa e Obra do Espírito Santo Como Revelada em Seus Nomes
Pelo menos vinte e cinco nomes diferentes são usados no Antigo e no Novo Testamento ao se falar do Espírito Santo. Há o mais profundo significado nesses nomes. Pelo estudo cuidadoso deles, encontramos uma revelação maravilhosa da Pessoa e da obra do Espírito Santo.
I. O Espírito O nome mais simples pelo qual o Espírito Santo é mencionado na Bíblia é “O Espírito”. Este nome é também usado como base de outros nomes, de modo que começamos nosso estudo com ele. As palavras grega e hebraica assim traduzidas significam literalmente “Fôlego” ou “Vento”. Ambos os pensamentos estão no nome tal como aplicado ao Espírito Santo.
a) O pensamento do fôlego é ressaltado em João 20:22, onde lemos: “Tendo dito isso, soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebam o Espírito Santo!’” Ele também é sugerido em Gênesis 2:7: “O SENHOR Deus formou o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem se tornou uma alma vivente.” Isto se torna mais evidente quando comparamos com isto o Salmos 104:30: “Tu envias o teu Espírito e eles são criados. Tu renovas a face da terra.” E Jó 33:4: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida.” Qual é o significado deste nome do ponto de vista dessas passagens? O Espírito é o exalar de Deus, a sua vida mais íntima saindo em forma pessoal para vivificar. Quando recebemos o Espírito Santo, recebemos a vida mais íntima do próprio Deus para habitar de maneira pessoal em nós. Quando captamos este pensamento, ele é avassalador em sua solenidade. Pare e pense apenas o que significa ter a vida mais íntima daquele Ser infinito e eterno a quem chamamos Deus, habitando de maneira pessoal em você. Quão solene, quão terrível e, contudo, indizivelmente gloriosa se torna a vida quando percebemos isto.
b). O pensamento do Espírito Santo como “o Vento” é ressaltado em João 3:6-8: “O que é nascido da carne é carne. O que é nascido do Espírito é espírito. Não se maravilhe de eu lhe ter dito: ‘Vocês precisam nascer de novo.’ O vento sopra onde quer, e você ouve o seu som, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” Em grego, é a mesma palavra que é traduzida em uma parte desta passagem como “Espírito” e na outra parte como “vento”. E parece que a palavra deveria ser traduzida do mesmo modo em ambas as partes da passagem. Ela então diria: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito; não se maravilhe de eu lhe ter dito: ‘Vocês precisam nascer de novo; o vento sopra onde quer, e você ouve o seu som, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do ‘Vento’.’” O pleno significado deste nome tal como aplicado ao Espírito Santo, ou Vento Santo, pode estar além do nosso alcance de compreensão, mas podemos ver ao menos isto do seu sentido: (1) O Espírito, como o vento, é soberano. “O vento sopra onde quer” (João 3:8). Você não pode ditar ao vento. Ele faz como quer. Assim também é com o Espírito Santo: Ele é soberano, não podemos ditar-Lhe. Ele “distribui a cada um” individualmente “como ele deseja” (1 Coríntios 12:11). Quando o vento está soprando do norte, você pode ansiar que ele sopre do sul, mas por mais que clame ruidosamente ao vento: “Sopra do sul”, ele continuará soprando bem do norte. Mas, embora você não possa ditar ao vento, embora ele sopre como quer, você pode aprender as leis que governam os movimentos do vento e, colocando-se em harmonia com essas leis, pode fazer o vento executar o seu trabalho. Você pode erguer o seu moinho de vento de modo que, para qualquer lado que o vento sopre, as rodas girem e o vento moa o seu grão ou bombeie a sua água. Assim também, embora não possamos ditar ao Espírito Santo, podemos aprender as leis das suas operações e, colocando-nos em harmonia com essas leis, acima de tudo submetendo as nossas vontades de maneira absoluta à Sua vontade soberana, o soberano Espírito de Deus operará por meio de nós e realizará a Sua obra gloriosa por nosso intermédio.
(2) O Espírito, como o vento, é invisível, mas perceptível e real, e poderoso. Você ouve o som do vento (João 3:8), mas o vento em si você nunca vê. Você ouve a voz do Espírito, mas Ele é sempre invisível. (A palavra traduzida como “som” em João 3:8 é a palavra que em outros lugares é traduzida como “voz”.)
Não apenas ouvimos a voz do vento, mas também vemos os seus poderosos efeitos. Sentimos o sopro do vento em nossas faces, vemos a poeira e as folhas voando diante do vento, vemos as embarcações no mar impelidas velozmente rumo aos seus portos, mas o vento em si permanece invisível. Assim também é com o Espírito; sentimos o Seu sopro sobre as nossas almas, vemos as poderosas coisas que Ele faz, mas a Ele mesmo não vemos. Ele é invisível, mas é real e perceptível.
Jamais esquecerei uma hora solene na Chicago Avenue Church, em Chicago, quando o Dr. W. W. White fazia um discurso de despedida antes de partir para a Índia, para trabalhar entre os estudantes de lá. De repente, sem qualquer aviso aparente, o lugar se encheu de uma Presença terrível e gloriosa. Para mim, era muito real, mas surgiu em minha mente a pergunta: “Isto é meramente subjetivo, apenas um sentimento meu, ou há aqui uma Presença objetiva?” Depois de a reunião terminar, perguntei a diferentes pessoas se estavam conscientes de alguma coisa e descobri que, no mesmo ponto da reunião, elas também, embora não vissem ninguém, tornaram-se distintamente conscientes de uma Presença avassaladora, a Presença do Espírito Santo. Embora muitos anos tenham se passado, alguns falam daquela hora até hoje.
Em outra ocasião, em minha própria casa, em Chicago, quando eu estava ajoelhado em oração com um amigo íntimo, enquanto orávamos, pareceu como se uma Presença invisível e terrível entrasse na sala. Compreendi o que Elifaz quis dizer quando declarou: “Então um espírito passou diante do meu rosto. Os pelos do meu corpo se arrepiaram.” (Jó 4:15). O momento foi avassalador, mas tão glorioso quanto era terrível. Estas são apenas duas ilustrações, das quais muitas poderiam ser dadas. Nenhum de nós jamais viu o Espírito Santo, mas de Sua presença temos estado distintamente conscientes. Do Seu poder poderoso temos sido testemunhas, e da Sua realidade não podemos duvidar. Alguns nos dizem que não creem em nada que não possam ver. Nenhum deles jamais viu o vento, mas todos creem no vento. Sentiram o vento e viram os seus efeitos; e assim também nós, sem sombra de dúvida, sentimos a poderosa presença do Espírito e testemunhamos as Suas poderosas operações.
(3) O Espírito, como o vento, é misterioso. Você não pode dizer de onde ele vem ou para onde vai.
Nada na natureza é mais misterioso do que o vento. Mas mais misterioso ainda é o Espírito Santo em Suas operações. Ouvimos como, súbita e inesperadamente, em comunidades muito distantes umas das outras, Ele começa a realizar a Sua poderosa obra. Sem dúvida, há razões ocultas pelas quais Ele assim inicia a Sua obra, mas muitas vezes essas razões nos são completamente indescobríveis. Não sabemos de onde Ele vem ou para onde vai. Não podemos dizer onde, em seguida, Ele manifestará o Seu poder poderoso e cheio de graça.
(4) O Espírito, como o vento, é essencial. Sem vento, isto é, “ar em movimento”, não há vida, e por isso Jesus diz: “Em verdade, em verdade lhe digo que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus.” Se o vento cessasse de soprar por uma única hora, a maior parte da vida sobre esta terra deixaria de existir. Repetidas vezes, quando os relatórios de saúde das diferentes cidades dos Estados Unidos são divulgados, tem-se verificado que as cinco cidades mais saudáveis dos Estados Unidos eram cinco cidades situadas junto aos Grandes Lagos. Muitos têm se surpreendido com esse relatório quando visitaram algumas dessas cidades e constataram que estavam longe de ser as cidades mais limpas, ou as mais higiênicas em seu arranjo geral, e, contudo, ano após ano, esse relatório se repetiu. A explicação é simplesmente esta: é o vento soprando dos lagos que trouxe vida e saúde às cidades. Assim também, quando o Espírito cessa de soprar em qualquer coração, ou qualquer igreja, ou qualquer comunidade, sobrevém a morte; mas, quando o Espírito sopra continuamente sobre o indivíduo, ou a igreja, ou a comunidade, há abundante vida e saúde espiritual.
(5) Intimamente relacionado ao pensamento anterior, como o vento, o Espírito Santo dá vida. Este pensamento aparece repetidas vezes nas Escrituras. Por exemplo, lemos em João 6:63: “É o espírito quem dá vida. A carne para nada aproveita. As palavras que eu lhes digo são espírito e são vida.” “A letra mata, mas o Espírito vivifica.” Talvez a passagem mais sugestiva sobre este ponto seja Ezequiel 37:8-10: “Eu olhei, e eis que havia tendões sobre eles, e a carne cresceu, e a pele os cobriu por cima; mas não havia fôlego neles. Então ele me disse: ‘Profetize ao fôlego; profetize, filho do homem, e diga ao fôlego: Assim diz o Senhor DEUS: Venha dos quatro ventos, ó fôlego, e sopre sobre estes mortos, para que vivam.’
Então profetizei conforme ele me ordenou, e o fôlego entrou neles, e eles viveram, e se colocaram em pé, um exército extremamente grande.” (João 3-5). Israel, na visão do profeta, era apenas ossos, muitíssimos e muito secos, até que o profeta lhes proclamou a palavra de Deus; então houve um ruído e um tremor, e os ossos se ajuntaram, osso a seu osso, e os tendões e a carne subiram sobre os ossos, mas ainda não havia vida; porém, quando o vento soprou, o fôlego do Espírito de Deus, então “eles se colocaram em pé, um exército extremamente grande”. Toda a vida no crente individual, no mestre, no pregador e na igreja é obra do Espírito Santo.
Às vezes você travará conhecimento com um homem e, ao ouvi-lo falar e observar a sua conduta, sente-se repelido e enojado. Tudo nele declara que é um homem morto, um cadáver moral, e não apenas morto, mas em rápida decomposição. Você se afasta dele o mais depressa que pode. Meses depois, encontra-o novamente. Você hesita em falar com ele; deseja sair da sua própria presença, mas fala com ele, e ele não proferiu muitas frases antes que você note uma mudança maravilhosa. A sua conversa é doce, sadia e edificante; tudo na sua maneira de ser é atraente e agradável. Logo você descobre que toda a conduta e a vida do homem foram transformadas. Ele já não é um cadáver em decomposição, mas um filho vivo de Deus. O que aconteceu? O Vento de Deus soprou sobre ele; ele recebeu o Espírito Santo, o Vento Santo.
Em um tranquilo dia de sábado, você visita uma igreja. Tudo nas disposições exteriores da igreja é tudo o que se poderia desejar. Há um templo atraente, um órgão dispendioso, um coro talentoso e um pregador erudito. O culto é bem organizado, mas não faz muito que você está na assembleia antes de ser forçado a ver que não há vida, que é tudo forma, e que nada está sendo realizado para Deus ou para o homem. Você vai embora com o coração pesado. Meses depois, você tem de visitar a igreja novamente; as disposições exteriores da igreja estão praticamente como eram antes, mas o culto não avançou muito antes que você note uma grande diferença. Há um novo poder no canto, um novo espírito na oração, uma nova força na pregação; tudo na igreja transborda da vida de Deus. O que aconteceu?
O Vento de Deus soprou sobre aquela igreja; o Espírito Santo, o Vento Santo, veio.
Um dia, você vai ouvir um pregador de cujas capacidades ouviu grandes relatos. Ao levantar-se para pregar, você logo percebe que nada em excesso se disse em louvor às suas capacidades do ponto de vista meramente intelectual e sugestivo. A sua expressão é impecável, o seu estilo belo, a sua lógica irrepreensível, a sua ortodoxia acima de qualquer crítica. É um deleite intelectual ouvi-lo e, contudo, apesar de tudo, enquanto ele prega, você não pode evitar um sentimento de tristeza, pois não há força real, poder e realidade de espécie alguma na pregação do homem. Você vai embora com o coração pesado ao pensar nesse desperdício de capacidades magníficas. Meses, talvez anos, se passam, e você novamente se encontra ouvindo este célebre pregador, mas que mudança! A mesma dicção impecável, o belo estilo, a lógica irrepreensível, a habilidosa elocução, a sã ortodoxia, mas agora há algo mais, há realidade, vida, força, poder na pregação. Homens e mulheres ficam sem fôlego enquanto ele fala, pecadores curvados com lágrimas de arrependimento, feridos em seus corações pela convicção do pecado; homens e mulheres, meninos e meninas renunciam ao seu egoísmo, ao seu pecado e à sua mundanidade, e aceitam Jesus Cristo e entregam-Lhe as suas vidas.
O que aconteceu? O Vento de Deus soprou sobre aquele homem. Ele foi cheio do Vento Santo.
(6) Como o vento, o Espírito Santo é irresistível. Lemos em Atos 1:8: “Mas vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês. E serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.” Quando esta promessa do nosso Senhor se cumpriu em Estêvão, lemos: “Mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava.” Um homem cheio do Espírito Santo é transformado em um ciclone. O que pode resistir diante do vento? Quando St. Cloud, Minnesota, foi atingida por um ciclone anos atrás, o vento ergueu vagões de carga carregados e os arremessou para longe dos trilhos. Arrancou uma ponte de ferro de suas fundações, torceu-a toda e a lançou fora.
Quando um ciclone mais tarde atingiu St. Louis, Missouri, cortou postes de telégrafo de trinta centímetros de diâmetro como se fossem canudos de cachimbo. Cortou árvores enormes rente à raiz, cortou o canto dos edifícios de tijolos por onde passou como se tivessem sido cortados por uma faca; nada podia resistir diante dele; e assim, nada pode resistir diante de um pregador da Palavra cheio do Espírito. Ninguém pode resistir à sabedoria e ao Espírito pelo qual ele fala. O Vento de Deus tomou posse de Charles G. Finney, um advogado do interior desconhecido, e o enviou por todo o estado de Nova York, depois pela Nova Inglaterra, depois pela Inglaterra, ceifando homens fortes por sua irresistível lógica dada pelo Espírito.
Certa noite, em Rochester, dezenas de advogados, liderados pelo juiz do Tribunal de Apelações, saíram dos bancos e se prostraram nos corredores e entregaram as suas vidas a Deus. O Vento de Deus tomou posse de D. L.
Moody, um jovem homem de negócios sem instrução de Chicago, e, no poder deste Vento irresistível, homens e mulheres e jovens foram ceifados diante das suas palavras e trazidos, em humilde confissão e entrega do pecado, aos pés de Jesus Cristo, e, cheios da vida de Deus, têm sido desde então as colunas nas igrejas da Grã-Bretanha e por todo o mundo. A grande necessidade hoje, nos indivíduos, nas igrejas e nos pregadores, é que o Vento de Deus sopre sobre nós. Grande parte da dificuldade que muitos encontram com João 3:5 — “Jesus respondeu: ‘Em verdade, em verdade lhe digo que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus’” — desapareceria se apenas tivéssemos em mente que “Espírito” significa “Vento” e traduzíssemos o versículo literalmente por inteiro: “A menos que alguém nasça da água e do Vento, não pode entrar no Reino de Deus.” O pensamento então pareceria ser: “A menos que alguém nasça do poder purificador e vivificador do Espírito (ou então da Palavra purificadora — João 15:3, Efésios 5:26, Tiago 1:18, 1 Pedro 1:23 — e do poder vivificador do Espírito Santo).”
II. O Espírito de Deus O Espírito Santo é frequentemente mencionado na Bíblia como o Espírito de Deus. Por exemplo, lemos em 1 Coríntios 3:16: “Vocês não sabem que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?”
Neste nome, temos o mesmo pensamento essencial que no nome anterior, mas com esta adição: que a Sua origem, natureza e poder divinos são enfatizados. Ele não é meramente “O Vento”, como visto acima, mas “O Vento de Deus”.
III. O Espírito de Jeová Este nome é usado do Espírito Santo em Isaías 11:2, A. R. V.: “E o Espírito de Jeová repousará sobre ele.” O pensamento do nome é, naturalmente, essencialmente o mesmo que o precedente, com a exceção de que Deus é aqui concebido como o Deus da Aliança de Israel. Assim se fala dele na conexão em que o nome é encontrado; e, naturalmente, a Bíblia, seguindo aquela infalível exatidão que sempre exibe no uso dos diferentes nomes de Deus, nesta conexão fala do Espírito como o Espírito de Jeová, e não meramente como o Espírito de Deus.
IV. O Espírito do Senhor Jeová O Espírito Santo é chamado de o Espírito do Senhor Jeová em Isaías 61:1-3, A. R. V.: “O Espírito do Senhor Jeová está sobre Mim; porque Jeová me ungiu para pregar boas-novas aos humildes; Ele me enviou para ligar as feridas dos quebrantados de coração, para proclamar liberdade aos cativos, etc.” O Espírito Santo é aqui mencionado não meramente como o Espírito de Jeová, mas como o Espírito do Senhor Jeová, por causa da relação em que o próprio Deus é mencionado nesta conexão, não meramente como Jeová, o Deus da aliança de Israel, mas como Jeová, o Senhor de Israel, tanto quanto o Deus que guarda a sua aliança. O nome do Espírito é ainda mais expressivo do que o nome “O Espírito de Deus”.
V. O Espírito do Deus Vivo O Espírito Santo é chamado de “O Espírito do Deus vivo” em 2 Coríntios 3:3: “ficando evidente que vocês são uma carta de Cristo, ministrada por nós, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas que são corações de carne.” Qual é o significado deste nome? Ele se torna claro pelo contexto. O Apóstolo Paulo está traçando um contraste entre a Palavra de Deus escrita com tinta no papel e a Palavra de Deus escrita em “tábuas que são corações de carne” pelo Espírito Santo, que nesta conexão é chamado de “o Espírito do Deus vivo”, porque Ele faz de Deus uma realidade viva em nossa experiência pessoal, em vez de um mero conceito intelectual. Muitos creem em Deus e são perfeitamente ortodoxos em sua concepção de Deus, mas, afinal, Deus é para eles apenas uma proposição intelectual e teológica. É obra do Espírito Santo fazer de Deus algo muitíssimo mais do que uma noção teológica, por mais ortodoxa que seja; Ele é o Espírito do Deus vivo, e é obra Sua fazer de Deus um Deus vivo para nós, um Ser a quem conhecemos, com quem temos convívio pessoal, um Ser mais real para nós do que o mais íntimo amigo humano que temos.
Você tem um Deus real? Pois bem, você pode ter. O Espírito Santo é o Espírito do Deus vivo, e Ele é capaz e está pronto para dar a você um Deus vivo, para tornar Deus real em sua experiência pessoal. Muitos têm um Deus que outrora viveu e agiu e falou, um Deus que viveu e agiu na criação do universo, que talvez tenha vivido e agido nos dias de Moisés e Elias e Jesus Cristo e dos Apóstolos, mas que não vive nem age mais.
Se é que Ele existe, retirou-se de qualquer parte ativa na natureza ou na história do homem. Criou a natureza e deu-lhe as suas leis e poderes, e agora a deixa correr por si mesma. Criou o homem e deu-lhe várias capacidades, mas agora o deixou trabalhar o seu próprio destino. Podem ir além disto: podem crer em um Deus que falou a Abraão, Moisés, Davi, Isaías, Jesus e os Apóstolos, mas que não fala mais. Podemos ler na Bíblia o que Ele falou a esses vários homens, mas não podemos esperar que Ele fale conosco.
Em contraste com estes, é obra do Espírito Santo, o Espírito do Deus vivo, dar-nos a conhecer um Deus que vive e age e fala hoje, um Deus que está pronto a chegar tão perto de nós quanto chegou de Abraão, Moisés, Isaías, dos Apóstolos ou do próprio Jesus. Não que Ele tenha novas revelações a fazer, pois guiou os Apóstolos a toda a verdade (João 16:13); mas, embora tenha havido uma revelação completa da verdade de Deus feita na Bíblia, ainda assim Deus vive hoje e nos falará tão diretamente quanto falou aos Seus escolhidos de outrora. Feliz é o homem que conhece o Espírito Santo como o Espírito do Deus vivo, e que, por consequência, tem um Deus real, um Deus que vive hoje, um Deus de quem ele pode depender hoje para agir em seu favor, um Deus com quem desfruta de íntima comunhão pessoal, um Deus a quem pode elevar a sua voz em oração e que lhe responde falando.
VI. O Espírito de Cristo Em Romanos 8:9: “Vocês, porém, não estão na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vocês.
Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” O Espírito Santo é chamado de o Espírito de Cristo. O Espírito de Cristo nesta passagem não significa um espírito semelhante ao de Cristo. Significa algo muito mais do que isso; significa aquilo que está por trás de um espírito semelhante ao de Cristo; é um nome do Espírito Santo. Por que o Espírito Santo é chamado de o Espírito de Cristo? Por várias razões: (1) Porque Ele é o dom de Cristo. O Espírito Santo não é meramente o dom do Pai, mas também o dom do Filho. Lemos em João 20:22 que Jesus “soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebam o Espírito Santo!’”
O Espírito Santo é, portanto, o sopro de Cristo, assim como o sopro de Deus, o Pai. É Cristo quem sopra sobre nós e nos comunica o Espírito Santo. Em João 14:15 e nos versículos seguintes, Jesus nos ensina que é em resposta à Sua oração que o Pai nos dá o Espírito Santo. Em Atos 2:33 lemos que Jesus, “Sendo, portanto, exaltado à destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo”, o derrama sobre os crentes; isto é, que Jesus, tendo sido exaltado à destra de Deus, em resposta à Sua oração, recebe do Pai o Espírito Santo e derrama sobre a Igreja Aquele que recebeu do Pai.
Em Mateus 3:11 lemos que é Jesus quem batiza com o Espírito Santo. Em João 7:37-39, Jesus convida todos os que têm sede a virem a Ele e beberem, e o contexto deixa claro que a água que Ele dá é o Espírito Santo, que se torna, naqueles que O recebem, uma fonte de vida e de poder que flui para os outros. É o Cristo glorificado quem dá à Igreja o Espírito Santo. No quarto capítulo de João e no décimo versículo, Jesus declara que Ele é Aquele que dá a água viva, o Espírito Santo. Em todas essas passagens, Cristo é apresentado como Aquele que dá o Espírito Santo, de modo que o Espírito Santo é chamado de “o Espírito de Cristo”.
(2) Mas há uma razão mais profunda pela qual o Espírito Santo é chamado de “o Espírito de Cristo”, isto é, porque é obra do Espírito Santo revelar-nos Cristo. Em João 16:14 lemos: “Ele (isto é, o Espírito Santo) me glorificará, pois tomará do que é meu e o anunciará a vocês.” De modo semelhante, em João 15:26 está escrito: “Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele testemunhará a meu respeito.” Esta é a obra do Espírito Santo: testemunhar de Cristo e revelar Jesus Cristo aos homens. E, como o revelador de Cristo, Ele é chamado de “o Espírito de Cristo”.
(3) Mas há uma razão ainda mais profunda pela qual o Espírito Santo é chamado de o Espírito de Cristo, e é porque é obra Sua formar Cristo como uma presença viva dentro de nós. Em Efésios 3:16-17, o Apóstolo Paulo ora ao Pai para que Ele conceda aos crentes, de acordo com as riquezas da sua glória, que sejam fortalecidos com poder por meio do seu Espírito no ser interior, para que Cristo habite em seus corações por meio da fé.
Esta, então, é a obra do Espírito Santo: fazer com que Cristo habite em nossos corações, formar o Cristo vivo dentro de nós. Assim como o Espírito Santo, literal e fisicamente, formou Jesus Cristo no ventre da virgem Maria (Lucas 1:35), assim o Espírito Santo, espiritualmente, forma Jesus Cristo dentro de nossos corações hoje.
Em João 14:16-18, Jesus disse aos Seus discípulos que, quando o Espírito Santo viesse, Ele mesmo viria; isto é, o resultado da vinda do Espírito Santo para habitar em seus corações seria a vinda do próprio Cristo. É privilégio de todo crente em Cristo ter o Cristo vivo formado pelo poder do Espírito Santo em seu próprio coração e, portanto, o Espírito Santo que assim forma Cristo dentro do coração é chamado de o Espírito de Cristo. Quão maravilhoso! Quão glorioso é o significado deste nome! Meditemos nele até o compreendermos, tanto quanto é possível compreendê-lo, e até nos regozijarmos grandemente na glória dele.
VII. O Espírito de Jesus Cristo O Espírito Santo é chamado de o Espírito de Jesus Cristo em Filipenses 1:19: “Pois sei que isso resultará em minha salvação, por meio das orações de vocês e do suprimento do Espírito de Jesus Cristo.” O Espírito não é meramente o Espírito do Verbo eterno, mas o Espírito do Verbo encarnado. Não meramente o Espírito de Cristo, mas o Espírito de Jesus Cristo. É o Homem Jesus, exaltado à destra do Pai, quem recebe e envia o Espírito. Assim lemos em Atos 2:32-33: “A este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. 33 Sendo, portanto, exaltado à destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, ele derramou isto que vocês agora veem e ouvem.”
VIII. O Espírito de Jesus O Espírito Santo é chamado de o Espírito de Jesus em Atos 16:6-7: “Tendo passado pela região da Frígia e da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia. 7 Quando chegaram defronte da Mísia, tentaram ir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lhes permitiu.” Pelo uso deste nome, “O Espírito de Jesus”, o pensamento da relação do Espírito com o Homem Jesus é ainda mais claro do que no nome que o precede, o Espírito de Jesus Cristo.
IX. O Espírito de Seu Filho O Espírito Santo é chamado de o Espírito de Seu Filho em Gálatas 4:6: “E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos seus corações, clamando: ‘Aba, Pai!’” Vemos pelo contexto (vs. 4, 5) que este nome é dado ao Espírito Santo em especial conexão com o Seu testemunho da filiação do crente.
É “o Espírito de Seu Filho” quem testifica da nossa filiação.
O pensamento é que o Espírito Santo é filial, um Espírito que produz em nós um senso de filiação. Se recebemos o Espírito Santo, já não pensamos em Deus como se estivéssemos servindo sob coação e escravidão, mas somos filhos vivendo em alegre liberdade. Não tememos a Deus; confiamos Nele e nos regozijamos Nele. Quando recebemos o Espírito Santo, não recebemos outra vez um espírito de escravidão para o temor, mas um Espírito de adoção, por meio do qual clamamos: Aba, Pai (Romanos 8:15). Este nome do Espírito Santo é um dos mais sugestivos de todos. Fazemos bem em considerá-lo demoradamente até percebermos a alegre plenitude do seu significado. Voltaremos a ele quando chegarmos ao estudo da obra do Espírito Santo.
X. O Espírito Santo Este nome é de ocorrência muito frequente, e o nome com que a maioria de nós é mais familiarizada. Uma das passagens mais conhecidas em que o nome é usado é Lucas 11:13: “Se vocês, então, sendo maus, sabem dar boas dádivas aos seus filhos, quanto mais o seu Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem?” Este nome enfatiza o caráter moral essencial do Espírito. Ele é santo em Si mesmo. Estamos tão familiarizados com o nome que deixamos de pesar o seu significado. Se apenas percebêssemos mais profunda e constantemente que Ele é o Espírito Santo. Faríamos bem se, como os serafins na visão de Isaías, nos prostrássemos em Sua presença e clamássemos: “Santo, santo, santo.” E, contudo, quão irrefletidamente muitas vezes falamos Dele e oramos por Ele.
Oramos para que Ele venha às nossas igrejas e aos nossos corações, mas o que Ele encontraria se viesse ali? Não encontraria muita coisa que Lhe seria penosa e angustiante? O que pensaríamos se mulheres vis, do mais baixo antro de iniquidade de uma grande cidade, fossem à mulher mais pura da cidade e a convidassem a vir viver com elas em sua repugnante perversidade, sem intenção alguma de mudar os seus maus caminhos? Mas isso não seria tão chocante quanto você e eu pedirmos ao Espírito Santo que venha habitar em nossos corações quando não temos intenção de abandonar a nossa impureza, ou o nosso egoísmo, ou a nossa mundanidade, ou o nosso pecado. Não seria tão chocante quanto é para nós convidar o Espírito Santo a vir às nossas igrejas quando elas estão cheias de mundanidade e egoísmo e contenda e inveja e orgulho, e de tudo o que é profano.
Mas, se as pessoas do lugar mais baixo e mais perverso fossem à mulher mais pura e mais semelhante a Cristo, pedindo-lhe que fosse habitar com elas para pôr fora tudo o que é perverso e dar a esta mulher santa e semelhante a Cristo o controle inteiro do lugar, ela iria. E, por mais pecadores e egoístas e imperfeitos que sejamos, o infinitamente Santo Espírito está pronto a vir e fazer a Sua habitação em nosso coração, se Lhe entregarmos o controle absoluto de nossas vidas e permitirmos que Ele traga tudo — no pensamento, na fantasia, no sentimento, no propósito, na imaginação e na ação — à obediência à Sua vontade. O infinitamente Santo Espírito está pronto a vir às nossas igrejas, por mais imperfeitas e mundanas que sejam agora, se estivermos dispostos a pôr o controle absoluto de tudo em Suas mãos. Mas jamais esqueçamos que Ele é o Espírito Santo e, quando oramos por Ele, oremos por Ele como tal.
XI. O Espírito Santo da Promessa O Espírito Santo é chamado de o Espírito Santo da promessa em Efésios 1:13: “Nele também vocês, tendo ouvido a palavra da verdade, as Boas Novas da sua salvação — em quem, tendo também crido, vocês foram selados com o Espírito Santo prometido.” Temos aqui o mesmo nome dado acima, com o pensamento adicional de que este Espírito Santo é a grande promessa do Pai e do Filho. O Espírito Santo é a grande promessa de Deus, que tudo abrange, para a era presente; a única coisa pela qual Jesus mandou os discípulos esperarem, após a Sua ascensão, antes de empreenderem a Sua obra, era “a promessa do Pai”, isto é, o Espírito Santo (Atos 1:4-5). A grande promessa do Pai, até a vinda de Cristo, era o vindouro Salvador e Rei que faria a expiação; mas, quando Jesus veio e morreu a Sua morte expiatória na cruz do Calvário, e ressuscitou e ascendeu à destra do Pai, então a segunda grande promessa do Pai foi o Espírito Santo, para tomar o lugar do nosso Senhor ausente. (Ver também Atos 2:33.)
XII. O Espírito de Santidade O Espírito Santo é chamado de o Espírito de santidade em Romanos 1:4: “E foi declarado Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor.” À primeira vista, pode parecer que não há diferença essencial entre os dois nomes, o Espírito Santo e o Espírito de santidade. Mas há uma diferença acentuada. O nome do Espírito Santo, como já foi dito, enfatiza o caráter moral essencial do Espírito como santo, mas o nome do Espírito de santidade ressalta o pensamento de que o Espírito Santo não é meramente santo em Si mesmo, mas comunica santidade a outros. A perfeita santidade que Ele possui, Ele a comunica àqueles que O recebem (1 Pedro 1:2).
XIII. O Espírito de Juízo O Espírito Santo é chamado de o Espírito de juízo em Isaías 4:4: “quando o Senhor tiver lavado a imundície das filhas de Sião, e tiver purificado o sangue de Jerusalém do meio dela, pelo espírito de justiça e pelo espírito de fogo.” Há dois nomes do Espírito Santo nesta passagem: primeiro, o Espírito de juízo. O Espírito Santo é assim chamado porque é obra Sua trazer o pecado à luz, convencer do pecado (João 16:7-9). Quando o Espírito Santo vem a nós, a primeira coisa que Ele faz é abrir os nossos olhos para vermos os nossos pecados como Deus os vê. Ele julga o nosso pecado. (Trataremos disto mais detidamente ao estudar João 16:7-11, quando considerarmos a obra do Espírito Santo.)
XIV. O Espírito de Fogo Este nome é usado na passagem que acabamos de citar acima. (Ver XIII.) Este nome enfatiza a Sua obra de sondar, refinar, consumir a escória, iluminar e vitalizar. O Espírito Santo é como um fogo no coração em que habita; e, assim como o fogo prova e refina e consome e ilumina e aquece e vitaliza, assim faz Ele. No contexto, é a obra purificadora do Espírito Santo que é especialmente enfatizada (Isaías 4:3-4).
XV. O Espírito da Verdade O Espírito Santo é chamado de o Espírito da verdade em João 14:17: “o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece. Vocês o conhecem, porque ele vive com vocês e estará em vocês.” (João 15:26, João 16:13). O Espírito Santo é chamado de o Espírito da verdade porque é obra do Espírito Santo comunicar a verdade, transmitir a verdade, àqueles que O recebem. Isto aparece na passagem dada acima e, se possível, aparece ainda mais claramente em João 16:13: “quando ele, o Espírito da verdade, vier, ele os guiará a toda a verdade, pois não falará de si mesmo; mas tudo o que ouvir, ele falará. Ele lhes anunciará as coisas que estão por vir.” Toda verdade procede do Espírito Santo. É somente à medida que Ele nos ensina que chegamos a conhecer a verdade.
XVI. O Espírito de Sabedoria e Entendimento O Espírito Santo é chamado de o Espírito de sabedoria e entendimento em Isaías 11:2: “O Espírito do SENHOR repousará sobre ele: o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de poder, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.” O significado do nome é tão claro que não precisa de explicação. É evidente, tanto pelas palavras usadas como pelo contexto, que é obra do Espírito Santo comunicar sabedoria e entendimento àqueles que O recebem. Aqueles que recebem o Espírito Santo recebem o Espírito “de poder, de amor e de domínio próprio”, ou de são bom senso (2 Timóteo 1:7).
XVII. O Espírito de Conselho e Poder Encontramos este nome usado do Espírito Santo na passagem dada sob o título anterior. O sentido deste nome também é óbvio: o Espírito Santo é chamado de “o Espírito de conselho e poder” porque nos dá conselho em todos os nossos planos e força para executá-los (Atos 8:29; 16:6-7; 1:8). É nosso privilégio ter o conselho de Deus em todos os nossos planos e a força de Deus em toda a obra que empreendemos para Ele. Nós os recebemos ao receber o Espírito Santo, o Espírito de conselho e poder.
XVIII. O Espírito de Conhecimento e Temor do SENHOR Este nome é também usado na passagem dada acima (Isaías 11:2). O significado deste nome também é óbvio. É obra do Espírito Santo comunicar-nos conhecimento e gerar em nós uma reverência pelo SENHOR, aquela reverência que se revela acima de tudo na obediência aos Seus mandamentos. Aquele que recebe o Espírito Santo encontra o seu prazer no temor do SENHOR. (Ver Isaías 11:3.) Os três nomes sugestivos que acabamos de dar referem-se especialmente à graciosa obra do Espírito Santo no servo do Senhor, isto é, Jesus Cristo (Isaías 11:1-5).
XIX. O Espírito de Vida O Espírito Santo é chamado de o Espírito de vida em Romanos 8:2: “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” O Espírito Santo é chamado de o Espírito de vida porque é obra Sua comunicar vida (João 6:63; Ezequiel 37:1-10). No contexto em que o nome se encontra na passagem dada acima, começando lá no sétimo capítulo de Romanos, no sétimo versículo, Paulo está traçando um contraste entre a lei de Moisés fora do homem — santa e justa e boa, é verdade, mas impotente — e o vivo Espírito de Deus no coração, comunicando vida espiritual e moral ao crente e capacitando-o assim a cumprir as exigências da lei de Deus; de modo que o que a lei sozinha não podia fazer, por ser fraca por causa da carne, o Espírito de Deus, comunicando vida ao crente e habitando em seu coração, o capacita a fazer, para que a justiça da lei se cumpra naqueles que andam não segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Ver Romanos 2:4-8.) O Espírito Santo é, portanto, chamado de “o Espírito de vida”, porque comunica vida espiritual e a consequente vitória sobre o pecado àqueles que O recebem.
XX. O Óleo de Alegria O Espírito Santo é chamado de o “óleo de alegria” em Hebreus 1:9: “Você amou a justiça e odiou a iniquidade; por isso Deus, o seu Deus, o ungiu com o óleo de alegria, acima dos seus companheiros.” Alguém poderá perguntar que razão temos para supor que “o óleo de alegria” nesta passagem é um nome do Espírito Santo. A resposta se encontra em uma comparação de Hebreus 1:9 com Atos 10:38 e Lucas 4:18. Em Atos 10:38 lemos “como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder”, e em Lucas 4:18 o próprio Jesus é registrado dizendo: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas-novas aos pobres”, etc.
Em ambas essas passagens, é-nos dito que foi o Espírito Santo com o qual Jesus foi ungido, e, como na passagem de Hebreus se nos diz que foi com o óleo de alegria que Ele foi ungido, então, naturalmente, a única conclusão possível é que o óleo de alegria significa o Espírito Santo. Que nome belo e sugestivo é para Aquele cujo fruto é, primeiro, “amor”, depois “alegria” (Gálatas 5:22). O Espírito Santo se torna uma fonte de alegria sem limites para aqueles que O recebem; Ele de tal modo enche e satisfaz a alma que a alma que O recebe nunca mais terá sede (João 4:14). Por maiores que sejam as aflições com que o crente recebe a Palavra, ainda assim ele terá “a alegria do Espírito Santo” (1 Tessalonicenses 1:6).
No Dia de Pentecostes, quando os discípulos foram batizados com o Espírito Santo, ficaram tão cheios de alegria extática que outros, ao olhá-los, pensaram que estivessem embriagados. Disseram: “Estes homens estão cheios de vinho novo.” E Paulo estabelece uma comparação entre a embriaguez anormal que vem pelo excesso de vinho e o saudável júbilo, do qual não vem reação alguma, que vem de ser cheio do Espírito (Efésios 5:18-20). Quando Deus unge alguém com o Espírito Santo, é como se Ele quebrasse uma preciosa caixa de alabastro de óleo de alegria acima da sua cabeça, até que ele escorra até a orla das suas vestes, e a pessoa inteira fique impregnada de uma alegria indizível e cheia de glória.
XXI. O Espírito de Graça O Espírito Santo é chamado de “o Espírito de graça” em Hebreus 10:29: “De quão pior castigo vocês acham que será julgado digno aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, e considerou profano o sangue da aliança com o qual foi santificado, e insultou o Espírito da graça?” Este nome revela que é obra do Espírito Santo administrar e aplicar a graça de Deus. Ele é gracioso, é verdade, mas o nome significa muito mais do que isso; significa que Ele torna nossa, experimentalmente, a multiforme graça de Deus. Somente pela obra do Espírito de graça em nossos corações somos capazes de apropriar para nós mesmos aquela infinita plenitude de graça que Deus, desde o princípio, nos concedeu em Jesus Cristo. Ela é nossa desde o início, no que diz respeito a pertencer-nos, mas só é nossa experimentalmente à medida que a reivindicamos pelo poder do Espírito de graça.
XXII. O Espírito de Graça e Súplica O Espírito Santo é chamado de “o Espírito de graça e súplica” em Zacarias 12:10: “Derramarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém o espírito de graça e de súplica. Eles olharão para mim a quem traspassaram; e prantearão por ele como quem pranteia por seu filho único, e chorarão amargamente por ele como quem chora por seu primogênito.” A expressão “o Espírito de graça e súplica” nesta passagem é, sem sombra de dúvida, um nome do Espírito Santo.
O nome “o Espírito de graça” já o tivemos sob o título anterior, mas aqui há um pensamento adicional daquela operação da graça que nos leva a orar intensamente. O Espírito Santo é assim chamado porque é Ele quem ensina a orar. Afinal, toda verdadeira oração é no Espírito (Judas 1:20). Nós, por nós mesmos, não sabemos orar como convém, mas é obra do Espírito Santo de intercessão interceder por nós com gemidos inexprimíveis e conduzir-nos na oração segundo a vontade de Deus (Romanos 8:26-27). O segredo de toda oração verdadeira e eficaz é conhecer o Espírito Santo como “o Espírito de graça e súplica”.
XXIII. O Espírito de Glória O Espírito Santo é chamado de “o Espírito de glória” em 1 Pedro 4:14: “Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, são bem-aventurados, porque o Espírito da glória e de Deus repousa sobre vocês. Da parte deles ele é blasfemado, mas da parte de vocês ele é glorificado.” Este nome não ensina meramente que o Espírito Santo é infinitamente glorioso em Si mesmo, mas antes ensina que Ele nos comunica a glória de Deus, assim como o Espírito da verdade nos comunica a verdade, e como o Espírito de vida nos comunica vida, e como o Espírito de sabedoria, entendimento, conselho, poder e conhecimento, e do temor do Senhor, nos comunica sabedoria e entendimento e conselho e poder e conhecimento e o temor do Senhor, e como o Espírito de graça aplica e administra a nós a multiforme graça de Deus, assim o Espírito de glória é o administrador, para nós, da glória de Deus.
No versículo imediatamente anterior, lemos: “Mas, na medida em que participam dos sofrimentos de Cristo, alegrem-se, para que também se alegrem e exultem quando a sua glória for revelada.” É nesta conexão que Ele é chamado de o Espírito de glória. Encontramos uma conexão semelhante entre os sofrimentos que suportamos e a glória que o Espírito Santo nos comunica em Romanos 8:16-17: “O próprio Espírito testemunha com o nosso espírito que somos filhos de Deus; e, se filhos, então herdeiros — herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se de fato sofremos com ele, para que também sejamos glorificados com ele.” O Espírito Santo é o administrador da glória, assim como da graça, ou, antes, da graça que culmina em glória.
XXIV. O Espírito Eterno O Espírito Santo é chamado de “o Espírito eterno” em Hebreus 9:14: “quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno ofereceu a si mesmo sem defeito a Deus, purificará a consciência de vocês das obras mortas para servir ao Deus vivo?” A eternidade, a Deidade e a infinita majestade do Espírito Santo são ressaltadas por este nome.
XXV. O Consolador O Espírito Santo é chamado de “o Consolador” repetidas vezes nas Escrituras. Por exemplo, em João 14:26 (KJV), lemos: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes lembrará de tudo o que eu disse a vocês.” E em João 15:26 (KJV): “Quando vier o Consolador, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele testemunhará a meu respeito.” (Ver também João 16:27.) A palavra traduzida como “Consolador” nessas passagens significa isso, mas significa muito mais além disso.
É uma palavra difícil de traduzir adequadamente por uma única palavra em inglês. Os tradutores da Versão Revista tiveram dificuldade em decidir por qual palavra verter a palavra grega assim traduzida. Sugeriram, na margem da Versão Revista, “advogado”, “ajudador” e uma simples transposição da palavra grega para o inglês, “Paracleto”. A palavra traduzida como “Consolador” significa literalmente “alguém chamado para junto de outro”, sendo a ideia a de alguém bem à mão para tomar a parte de outro. É a mesma palavra que é traduzida como “advogado” em 1 João 2:1: “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem.
E, se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo.” Mas “advogado”, tal como agora o entendemos, não transmite toda a força da palavra grega assim vertida.
Historicamente, “advogado” significa quase a mesma coisa. Advogado vem do latim (“advocatus”) e significa “alguém chamado a outro para tomar a sua parte”, mas, no nosso uso moderno, a palavra adquiriu um sentido restrito. A palavra grega traduzida como “Consolador” (Parakletos) significa “alguém chamado para o lado”, isto é, alguém chamado a permanecer constantemente ao lado de outro e que está sempre pronto a estar ao nosso lado e a tomar a nossa parte em tudo aquilo em que a sua ajuda é necessária.
É um nome maravilhosamente terno e expressivo para o Santo. Às vezes, quando pensamos no Espírito Santo, Ele parece estar tão distante, mas, quando pensamos no Parakletos, ou, em português claro, no nosso “Que-fica-ao-Lado” ou no nosso “Que-toma-a-nossa-Parte”, quão perto Ele está! Até o momento em que Jesus fez esta promessa aos discípulos, Ele havia sido o Parakletos deles. Quando estavam em qualquer emergência ou dificuldade, voltavam-se para Ele.
Em uma ocasião, por exemplo, os discípulos estavam em dúvida quanto a como orar, e voltaram-se para Jesus e disseram: “Senhor, ensina-nos a orar.” E o Senhor lhes ensinou a maravilhosa oração que atravessou os séculos (Lucas 11:1-4). Em outra ocasião, Pedro estava afundando nas ondas da Galileia e clamou: “Senhor, salva-me!”, e imediatamente Jesus estendeu a mão e o segurou e o salvou (Mateus 14:30-31). Em toda extremidade, voltavam-se para Ele. Assim também agora que Jesus se foi para o Pai, temos outra Pessoa, tão Divina quanto Ele, tão sábia quanto Ele, tão forte quanto Ele, tão amorosa quanto Ele, tão terna quanto Ele, tão pronta e tão capaz de ajudar, que está sempre bem ao nosso lado.
Sim, melhor ainda, que habita em nosso coração, que tomará a nossa causa e nos ajudará, se apenas confiarmos que Ele o fará.
Se a verdade do Espírito Santo, tal como delineada no nome “Parakletos”, uma vez entra em nosso coração e ali permanece, banirá toda solidão para sempre; pois como podemos jamais estar sós quando o melhor de todos os Amigos está sempre conosco? Nestes últimos oito anos, fui chamado a suportar o que naturalmente seria uma vida muito solitária. Na maior parte do tempo, estou separado de minha esposa e de meus filhos pelos chamados do dever. Por dezoito meses consecutivos, estive separado de quase toda a minha família por muitos milhares de quilômetros. A solidão teria sido insuportável não fosse o único Amigo todo-suficiente, que estava sempre comigo.
Recordo-me de certa noite andando de um lado para o outro no convés de um vapor açoitado pela tempestade nos Mares do Sul. A maior parte de minha família estava a 18.000 milhas de distância; o membro restante da minha família não estava comigo. Os oficiais estavam ocupados na ponte de comando, e eu andava sozinho pelo convés, e veio-me o pensamento: “Aqui você está totalmente sozinho.” Então veio outro pensamento: “Não estou sozinho; ao meu lado, enquanto ando por este convés na solidão e na tempestade, anda o Espírito Santo”, e Ele foi suficiente. Disse algo parecido com isto certa vez em uma conferência bíblica em St. Paul. Um médico veio a mim ao fim da reunião e disse com brandura: “Quero agradecer-lhe por aquele pensamento sobre o Espírito Santo estar sempre conosco. Sou médico. Muitas vezes tenho de dirigir para longe, pelo interior, na noite e na tempestade, para atender um caso, e tenho estado muitas vezes tão só, mas nunca mais estarei só.
Saberei sempre que ao meu lado, em minha carruagem de médico, o Espírito Santo vai comigo.” Se este pensamento do Espírito Santo como o Paracleto sempre presente uma vez entra em seu coração e ali permanece, banirá todo medo para sempre. Como podemos ter medo diante de qualquer ameaça, se este Ser Divino está ao nosso lado para nos aconselhar e tomar a nossa parte? Pode haver uma multidão furiosa ao nosso redor, ou uma tempestade ameaçadora, mas isso não importa. Ele se coloca entre nós, tanto na multidão quanto na tempestade. Certa noite, eu havia prometido caminhar seis quilômetros até a casa de um amigo, após uma sessão noturna de uma conferência. O caminho seguia pela margem de um lago.
Quando parti para a casa do meu amigo, aproximava-se uma tempestade de trovões. Eu não havia contado com isso, mas, como havia prometido, senti que devia ir.
O caminho seguia pela beira do lago, muitas vezes bem perto da borda, às vezes o lago estava junto ao caminho, e às vezes muitos metros abaixo. A noite estava tão escura com as nuvens que não se podia ver adiante. De quando em quando, havia um clarão ofuscante de relâmpago, no qual se podia ver onde o caminho fora levado pela erosão, e então ficava mais negro do que nunca. Podia-se ouvir o lago bramir lá embaixo. Parecia um lugar perigoso para caminhar, mas naquela mesma semana eu havia falado sobre a Personalidade do Espírito Santo e sobre o Espírito Santo como um Amigo sempre presente, e veio-me o pensamento: “O que foi que você estava dizendo às pessoas no discurso sobre o Espírito Santo como um Amigo sempre presente?” E então disse a mim mesmo: “Entre mim e o lago fervente e a beira do caminho anda o Espírito Santo”, e segui em frente, destemido e alegre.
Quando estávamos em Londres, uma jovem compareceu à reunião certa tarde no Royal Albert Hall.
Ela tinha um medo anormal do escuro. Não conseguia entrar sozinha em um quarto escuro, mas o pensamento do Espírito Santo como um Amigo sempre presente penetrou em sua mente. Foi para casa e contou à mãe que pensamento maravilhoso ouvira naquele dia, e como ele banira para sempre todo o medo dela. Já estava escurecendo muito na tarde de inverno londrina, e a mãe ergueu os olhos e disse: “Muito bem, vejamos se é real. Sobe ao alto da casa e tranca-te sozinha em um quarto escuro.” Ela imediatamente se pôs de pé, subiu apressada as escadas, entrou em um quarto escuro e fechou a porta, e sentou-se.
Todo o medo havia desaparecido e, como ela escreveu no dia seguinte, o quarto inteiro parecia estar cheio de uma glória maravilhosa, a glória da presença do Espírito Santo.
No pensamento do Espírito Santo como o Paracleto, há também uma cura para a insônia. Por dois anos terríveis, sofri de insônia. Noite após noite, eu ia para a cama quase morto de sono, parecia que eu devia dormir, mas não conseguia dormir; oh, a agonia daqueles dois anos! Parecia que eu perderia a razão se não obtivesse alívio. O alívio veio por fim, e por anos segui adiante sem o menor indício de transtorno de insônia. Então, certa noite, recolhi-me ao meu quarto no Instituto, deitei-me esperando adormecer em um instante, como de costume, mas mal minha cabeça tocara o travesseiro quando percebi que a insônia estava de volta. Quem alguma vez a teve, jamais a esquece e jamais se engana a respeito dela. Parecia que a insônia estava sentada na cabeceira dos pés da minha cama, sorrindo maliciosamente para mim e dizendo: “Estou de volta por mais dois anos.” “Oh”, pensei, “mais dois anos terríveis de insônia.”
Naquela mesma manhã, eu havia lecionado aos nossos alunos no Instituto sobre a Personalidade do Espírito Santo e o Espírito Santo como um Amigo sempre presente, e no mesmo instante veio-me o pensamento: “Sobre o que você estava falando aos alunos esta manhã? O que você lhes estava dizendo?” E ergui os olhos e disse: “Ó bendito Espírito de Deus, tu estás aqui, não estou sozinho. Se tens algo a me dizer,” e Ele começou a abrir-me algumas das coisas profundas e preciosas acerca do meu Senhor e Salvador, coisas que encheram a minha alma de alegria e descanso, e a próxima coisa de que me dei conta foi que eu estava dormindo até a manhã seguinte. Assim, sempre que a insônia me sobreveio desde então, simplesmente lembrei-me de que o Espírito Santo estava ali, e ergui os olhos para Ele, para que me falasse e me ensinasse, e Ele o fez, e a insônia pôs-se em fuga.
No pensamento do Espírito Santo como o Paracleto, há uma cura para o coração partido. Quantos corações doloridos e partidos há neste nosso mundo, tão cheio de morte e de separação daqueles que mais ternamente amamos. Quantas mulheres há que, alguns anos atrás, ou alguns meses, ou algumas semanas atrás, não tinham cuidado algum, nenhuma preocupação, pois ao seu lado estava um marido cristão tão sábio e forte que a esposa depositava toda a responsabilidade sobre ele e caminhava despreocupada pela vida, satisfeita com o amor e a companhia dele. Mas, em um dia terrível, ele lhe foi tirado. Ela ficou sozinha, e todos os cuidados e responsabilidades recaíram sobre ela. Quão vazio tem estado aquele coração desde então; quão vazio tem estado o mundo inteiro.
Ela apenas se arrastou pela vida e pelos seus deveres o melhor que pôde, com um coração dolorido e quase partido. Mas há Um, se ela ao menos o soubesse, mais sábio e mais amoroso do que o mais terno marido, Um disposto a carregar por ela todos os cuidados e responsabilidades da vida, Um que é capaz, se ela apenas O deixar, de encher cada recanto e canto do seu coração vazio e dolorido; esse Um é o Paracleto. Eu disse algo parecido com isto no St. Andrew’s Hall, em Glasgow. Ao fim da reunião, uma mulher cristã de rosto triste, trajando vestes de viúva, veio a mim quando eu saía do salão para a sala de recepção. Ela apressou-se até mim e disse: “Dr. Torrey, hoje é o aniversário da morte do meu querido marido.
Faz exatamente um ano hoje que ele me foi tirado. Vim hoje para ver se o senhor poderia dizer algumas palavras que me ajudassem. O senhor me deu justamente a palavra de que preciso. Nunca mais me sentirei só.” Passou-se um ano e meio. Eu estava no iate de um amigo nos lagos do Clyde. Certo dia, um pequeno bote partiu da margem e chegou ao lado do iate. Uma das primeiras a subir pela lateral do iate foi esta viúva. Ela apressou-se até mim e a primeira coisa que disse foi: “O pensamento que o senhor me deu naquele dia no St. Andrew’s Hall, no aniversário da partida do meu marido, tem estado comigo desde então, e o Espírito Santo de fato me satisfaz e enche o meu coração.”
Mas é em nosso trabalho para o nosso Mestre que o pensamento do Espírito Santo como o Paracleto vem com a maior utilidade. Creio que é permissível ilustrá-lo com a minha própria experiência. Entrei no ministério porque fui forçado a isso. Por anos, recusei-me a ser cristão porque estava determinado a não ser pregador, e temia que, se me entregasse a Cristo, teria de entrar no ministério. Minha conversão dependeu da minha rendição a Ele neste ponto. Na noite em que me rendi, não disse: “Aceitarei a Cristo”, ou “Abandonarei o pecado”, ou algo desse tipo; simplesmente clamei: “Tira este fardo terrível do meu coração, e eu pregarei o Evangelho.” Mas ninguém poderia ser menos apto, por temperamento natural, para o ministério do que eu.
Desde a primeira infância, eu era tímido. Mesmo depois de ter entrado no Yale College, quando ia para casa no verão e minha mãe me chamava para conhecer as suas amigas, eu ficava tão apavorado que, quando pensava que falava, não emitia som audível. Quando as suas amigas iam embora, minha mãe perguntava: “Por que você não disse nada a elas?” E eu respondia que supunha ter dito, mas minha mãe dizia: “Você não emitiu um só som.” Pense em um jovem assim entrando no ministério. Nunca reuni coragem sequer para falar em uma reunião pública de oração até depois de estar no seminário teológico. Então senti que, se eu fosse entrar no ministério, precisava ser capaz de ao menos falar em uma reunião de oração.
Aprendi de cor um pequeno trecho para dizer, mas, quando a hora chegou, esqueci grande parte dele em meu terror. No momento crítico, agarrei o encosto do banco à minha frente e me pus de pé às pressas, e me segurei no banco. Um Niágara parecia subir de um lado e outro descer do outro; minha voz vacilou. Repeti o quanto consegui lembrar e me sentei. Pense em um homem assim entrando no ministério. Nos primeiros dias do meu ministério, eu escrevia os meus sermões por inteiro e os decorava, levantava-me e torcia um botão até tê-lo repetido o melhor que podia, e então me deixava cair de volta na cadeira do púlpito, com uma sensação de alívio por aquilo ter acabado por mais uma semana. Não posso dizer-lhe o que sofri naqueles primeiros dias do meu ministério. Mas veio o dia feliz em que passei a conhecer o Espírito Santo como o Paracleto.
Quando o pensamento tomou posse de mim de que, quando eu me levantava para pregar, havia Outro que estava ao meu lado; de que, enquanto a audiência me via, Deus O via; e de que a responsabilidade estava toda sobre Ele, e de que Ele era abundantemente capaz de arcar com ela e cuidar de tudo, e de que tudo o que eu tinha a fazer era manter-me para trás, o mais fora de vista possível, e deixá-Lo fazer a obra. Agora não tenho medo de pregar; a pregação é a maior alegria da minha vida e, às vezes, quando me levanto para falar e percebo que Ele está ali, que toda a responsabilidade está sobre Ele, tamanha alegria enche o meu coração que mal consigo conter-me de gritar e saltar. Ele está igualmente pronto a nos ajudar em toda a nossa obra — classes de escola dominical, trabalho pessoal e em toda outra área do esforço cristão.
Muitos hesitam em falar a outros sobre aceitar a Cristo. Têm medo de não dizer a coisa certa; temem fazer mais mal do que bem. Você certamente o fará se o fizer por si mesmo, mas, se apenas crer no Paracleto e confiar que Ele o dirá, e o dirá à Sua maneira, você nunca causará dano, mas sempre fará o bem. Pode parecer, na ocasião, que você não realizou nada, mas talvez, anos depois, você descubra que realizou muito e, mesmo que não o descubra neste mundo, você o descobrirá na eternidade.
Há muitas maneiras pelas quais o Paracleto está ao nosso lado e nos ajuda, das quais falaremos demoradamente quando chegarmos ao estudo da Sua obra. Ele está ao nosso lado quando oramos (Romanos 8:26-27), quando estudamos a Palavra (João 14:26; João 16:12-14), quando fazemos trabalho pessoal (Atos 8:29), quando pregamos ou ensinamos (1 Coríntios 2:4), quando somos tentados (Romanos 8:2), quando deixamos este mundo (Atos 7:54-60). Fixemos firmemente este pensamento, agora e para sempre: que o Espírito Santo é Um chamado ao nosso lado para tomar a nossa parte.