Capítulo 28 · 4 min de leitura
A Renovação Diária — Seu Custo
Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. 2 Coríntios 4:16.
«E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.» Romanos 12:2.
Não é coisa pequena nem fácil ser um cristão adulto e forte. Do lado de Deus, isso significa que custou a vida ao Filho de Deus, que é preciso o poderoso poder de Deus para criar de novo um homem, e que nada menos que o incessante cuidado diário do Espírito Santo pode manter essa vida.
Do lado do homem, isso exige que, quando o novo homem é vestido, o velho homem seja despido. Todas as disposições, hábitos e prazeres da nossa própria natureza, que constituem a vida na qual temos vivido, devem ser postos de lado. Tudo o que temos pelo nosso nascimento de Adão deve ser vendido, se quisermos possuir a pérola de grande valor.
Se alguém quer vir após Cristo, deve negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz, deixar tudo e seguir Cristo pelo caminho em que Ele andou. Deve lançar fora não somente todo pecado, mas tudo — por mais necessário, legítimo e precioso que seja — que possa tornar-se ocasião de pecado; deve arrancar o olho ou cortar a mão. Deve odiar a sua própria vida, perdê-la, se quiser viver no «poder de uma vida indissolúvel». É coisa solene, muito mais solene do que a maioria pensa, ser um verdadeiro cristão.
Isto é especialmente verdadeiro quanto à renovação diária do homem interior. Paulo fala dela como sendo acompanhada e condicionada pela decadência do homem exterior. Toda a epístola (2 Coríntios) nos mostra como a comunhão dos sofrimentos de Cristo, até à conformidade com a sua morte, foi o segredo da sua vida em poder e bênção para as igrejas. Trazendo sempre no corpo a mortificação de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo. Porque nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste na nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida.
A experiência plena da vida em Cristo, na nossa pessoa, no nosso corpo e na nossa obra em favor dos outros, depende da nossa comunhão no seu sofrimento e na sua morte. Não pode haver larga medida de renovação do homem interior sem o sacrifício, sem a decadência do homem exterior.
Para ser cheia do céu, a vida precisa ser esvaziada da terra. Temos a mesma verdade no nosso segundo texto: «Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento.» Uma casa velha pode ser reformada e, ainda assim, conservar muito da sua velha aparência; ou a renovação pode ser tão completa que as pessoas exclamem: que transformação! A renovação da mente pelo Espírito Santo significa uma transformação inteira, uma maneira inteiramente diferente de pensar, julgar e decidir. A mente carnal cede lugar a um «entendimento espiritual» (Colossenses 1:9; 1 João 5:20). Essa transformação não se obtém senão ao custo de renunciar a tudo o que é da natureza. «Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos.»
Por natureza, somos deste mundo. Quando renovados pela graça, ainda estamos no mundo, sujeitos à influência sutil e onipresente da qual não podemos retirar-nos. E, o que é mais, o mundo ainda está em nós, como o fermento da natureza que nada pode expurgar senão o poderoso poder do Espírito Santo, enchendo-nos da vida do céu.
Deixemos que estas verdades nos tomem profundamente e nos dominem. A transformação divina, pela renovação diária da nossa mente na imagem daquele que está muito acima, não pode avançar em nós mais depressa nem mais longe do que o nosso empenho em ser libertados de todo vestígio de conformidade com este mundo. O lado negativo — «Não vos conformeis com este mundo» — precisa ser enfatizado tão fortemente quanto o positivo — «transformai-vos». O espírito deste mundo e o Espírito de Deus disputam a posse do nosso ser. Somente à medida que o primeiro é conhecido, renunciado e lançado fora, pode o Espírito celestial entrar e realizar a sua bendita obra de renovar e transformar.
O mundo inteiro e tudo o que é do espírito mundano deve ser abandonado. A vida inteira e tudo o que é do próprio eu deve ser perdido. Esta renovação diária do homem interior custa muito — isto é, enquanto estamos hesitando, ou tentando fazê-la com as nossas próprias forças. Uma vez que realmente aprendemos que o Espírito Santo faz tudo, e que, na fé da força do Senhor Jesus, entregamos tudo, a renovação torna-se o crescimento simples, natural, saudável e alegre da vida celestial em nós.
O aposento secreto torna-se, então, o lugar pelo qual ansiamos diariamente, para louvar a Deus pelo que Ele fez, e está fazendo, e pelo que sabemos que fará. Dia após dia entregamo-nos de novo ao bendito Senhor, que disse: «Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.» A renovação do Espírito Santo torna-se uma das mais bem-aventuradas verdades da nossa vida cristã diária.