Capítulo 22 · 5 min de leitura

A Vontade de Deus

Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu." — Mateus 6:10.

1. A vontade de Deus é o poder vivo a que o mundo deve a sua existência. Por meio dessa vontade, e segundo essa vontade, ele é o que é. Ele é a expressão, a manifestação ou a corporificação da vontade Divina na sua sabedoria, poder e bondade. Tudo o que tem de beleza e glória deve-o ao fato de Deus o ter querido. Assim como essa vontade o formou, também a sustenta cada dia. A criação faz, pois, aquilo para que foi destinada: manifesta a glória de Deus. “Os seres viventes dão glória, honra e ações de graças àquele que está assentado no trono, que vive para todo o sempre, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas.”

2. Isto é verdade da natureza inanimada. É ainda mais verdade das criaturas inteligentes. A Vontade Divina empreendeu a criação de uma criatura à sua própria imagem e semelhança, com o poder vivo de conhecer, aceitar e cooperar com aquela Vontade a que devia o seu ser. A bem-aventurança dos anjos não caídos consiste em ter por sua mais alta honra e felicidade poder querer e fazer exatamente o que Deus quer e faz. A glória do céu está em que ali se faz a vontade de Deus.

O pecado e a miséria dos anjos e dos homens caídos consistem simplesmente em terem-se afastado da vontade de Deus e recusado permanecer nela e fazê-la.

3. A redenção não é senão o restabelecimento da vontade de Deus no seu lugar no mundo. Para esse fim veio Cristo e mostrou, numa vida humana, como o homem só tem uma coisa para a qual viver: o fazer da vontade de Deus. Ele nos mostrou como havia um único modo de vencer a própria vontade — pela morte a ela, obedecendo à vontade de Deus até à morte. Assim ele expiou a nossa própria vontade e a venceu por nós, e abriu, através da morte e da ressurreição, um caminho para uma vida inteiramente unida à vontade de Deus e a ela consagrada.

4. A vontade redentora de Deus pode agora operar no homem caído o que a sua vontade criadora realizou, e sempre realiza, na natureza ou nos seres não caídos. Em Cristo e no seu exemplo, Deus revelou a devoção à sua vontade e o deleite nela que ele pede e espera de nós. Em Cristo e pelo seu Espírito, ele renova e toma posse da nossa vontade: opera nela tanto o querer como o realizar, tornando-nos capazes e dispostos a fazer toda a sua vontade. Ele mesmo opera todas as coisas segundo o conselho da sua vontade. “Vos aperfeiçoe em todo o bem, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável.” À medida que isto é revelado pelo Espírito Santo, crido e recebido no coração, começamos a compreender a oração: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, e desperta-se o verdadeiro desejo pela vida que ela promete.

5. Quão essencial é para o crente perceber a sua relação com a vontade de Deus e a reivindicação que ela tem sobre ele. Muitos, muitíssimos crentes não têm ideia de qual deveria ser a sua fé ou o seu sentimento a respeito da vontade de Deus. Quão poucos os que dizem: Todo o meu pensamento de bem-aventurança está em nada mais que a mais completa harmonia com a vontade de Deus. Sinto que a minha única necessidade é a entrega mantida a cada instante, para nunca, na menor coisa, fazer outra coisa senão o que Deus quer que eu faça. Pela graça de Deus, cada hora da minha vida pode ser um viver na vontade de Deus, e fazê-la como é feita no céu.

6. Somente quando uma fé viva na Vontade Divina, que realiza cada vez mais os seus propósitos em nós, domina o coração é que teremos a coragem de crer na resposta à oração que o nosso Senhor nos ensinou. Somente quando vemos que é por meio de Jesus Cristo que se realiza esta operação da vontade de Deus em nós é que compreenderemos como é a estreita união com ele que dá a confiança de que Deus operará tudo em nós. E somente esta confiança em Deus, por meio de Jesus Cristo, nos assegurará que também nós podemos fazer a nossa parte, e que a nossa débil vontade na terra pode, de fato, sempre corresponder e cooperar com a vontade de Deus. Aceitemos o nosso destino e a nossa obrigação como a única coisa que o nosso coração deseja: que em tudo se faça em nós e por nós a vontade de Deus, assim como é feita no céu; essa fé vencerá o mundo.

7. A vontade não pode ser desligada da sua união viva com o Pai aqui, nem da presença viva do Bendito Filho. É somente pela orientação divina dada por meio do Espírito Santo que a vontade de Deus, na sua beleza, na sua aplicação à vida diária, na sua revelação sempre crescente, pode ser verdadeiramente conhecida. Este ensino será dado, não aos sábios e entendidos, mas aos pequeninos, aos homens de disposição infantil, que estão dispostos a esperar e a depender do que lhes é dado. A orientação Divina conduzirá pela vereda da vontade de Deus.

8. A nossa união secreta com Deus é o lugar onde repetimos e aprendemos as grandes lições… o Deus a quem adoro pede de mim a perfeita união com a sua vontade… A minha adoração significa: “Tenho prazer em fazer a tua vontade, ó meu Deus.” A hora matinal, o aposento interior, a união secreta com Deus — à medida que neles se busca e se cultiva o conhecimento da vontade de Deus, o poder de realizá-la, e a inteira e alegre entrega de fazer tudo o que Deus quer, o nosso estudo da palavra de Deus e a nossa oração trarão a sua verdadeira e plena bênção.

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