Capítulo 20 · 6 min de leitura

O Estudante da Bíblia

Mas o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite." Salmos 1:2. Ergue-se por toda parte um forte clamor por mais e mais verdadeiro estudo da Bíblia. Evangelistas como o Sr. Moody e muitos outros comprovaram quanto poder há na pregação extraída diretamente da palavra de Deus e inspirada pela fé no seu poder. Cristãos fervorosos têm perguntado: "Por que os nossos ministros não podem falar do mesmo modo, dando à própria palavra de Deus um lugar maior?" Muitos ministros jovens saíram do seminário confessando que tinham sido ensinados em tudo, menos no conhecimento de como estudar por si mesmos a Palavra e, depois, como despertar e ajudar outros a estudá-la.

Em algumas de nossas Igrejas manifestou-se o desejo de suprir essa necessidade na formação dos ministros. Poderia parecer coisa muito simples encontrar bons homens para empreender essa obra; e, no entanto, tem-se verificado que é difícil para homens com formação teológica voltar-se para a simplicidade e o apelo direto à Palavra de Deus, tão necessários para mostrar aos mais jovens o caminho de fazer da Escritura a única fonte do seu conhecimento e ensino. No Movimento Estudantil dos nossos dias, louvado seja Deus.

Ao estudo da Bíblia foi dado o lugar de destaque. Há uma admirável oportunidade, assim como há uma grande necessidade, de orientá-lo de modo que traga plena bênção às vidas individuais, dando à palavra de Deus o seu verdadeiro lugar na obra que se há de fazer para ele. Consideremos os princípios que estão na base dessa exigência de mais estudo da Bíblia, e somente na fidelidade aos quais ela pode ser verdadeiramente cumprida. 1. A Palavra de Deus é a Única Revelação Autêntica da Vontade de Deus. Todas as declarações humanas da verdade Divina, por mais corretas que sejam, são deficientes e trazem certa medida de autoridade humana. Na palavra, a voz de Deus fala diretamente conosco. Todo filho de Deus é chamado à união direta com o Pai, por meio da Palavra. Assim como Deus revela nela todo o seu coração e a sua graça, o seu filho pode, se a receber de Deus, fazer entrar no seu próprio coração e ser toda a vida e o poder que há na palavra. Sabemos como poucos relatos de segunda mão de mensagens ou acontecimentos merecem plena confiança. Pouquíssimos homens relatam com exatidão o que ouviram. Todo crente tem o direito e o chamado de estar em comunicação direta com Deus. É na palavra que Deus se revelou, é na palavra que ele ainda revela a si mesmo a cada pessoa.

2. Esta palavra de Deus é uma palavra viva. Traz em si um poder vivificante Divino. A expressão humana da verdade é muitas vezes apenas uma concepção ou imagem da verdade, que apela à mente e tem pouco ou nenhum efeito. A fé de que ela é a própria palavra de Deus, e de que nela há presença e poder, é que a torna eficaz. Toda vida ou espírito cria para si uma forma na qual se manifesta.

As palavras com que Deus escolheu revestir os seus próprios pensamentos Divinos são inspiradas por Deus, e a vida de Deus habita nelas. Deus não é Deus de mortos, mas de vivos. A palavra não foi inspirada apenas quando dada pela primeira vez: o Espírito de Deus ainda sopra nela. Deus ainda está na sua palavra e com ela. Os cristãos e os mestres precisam crer nisso. Isso os levará a dar à simples palavra Divina uma confiança que nenhum ensino humano pode ter.

3. Somente o próprio Deus pode, e certamente há de ser, o Intérprete da sua própria palavra. A verdade Divina precisa de um Mestre Divino. A compreensão espiritual das coisas espirituais só pode vir do Espírito Santo. Quanto mais profunda a convicção do caráter singular da palavra, essencialmente diferente de, e infinitamente superior a, toda compreensão meramente humana, tanto mais urgentemente se sentirá a necessidade de um ensino sobrenatural, diretamente Divino. E tanto mais se operará a bênção que é o grande propósito da palavra. A alma será levada a buscar o próprio Deus, e será conduzida a encontrá-lo no Espírito Santo que habita no coração. À medida que esse Espírito, no qual Deus, de modo tão admirável, entrou na nossa própria vida e se identificou com ela, é esperado e nele se confia, ele nos fará conhecer a sabedoria no íntimo, no coração e na disposição. A palavra lida em oração e guardada no coração com essa fé será, por meio do Espírito, luz e vida dentro de nós.

4. A palavra, então, nos traz à mais estreita e íntima comunhão com Deus — unidade de vontade e de vida. Na palavra Deus revelou todo o seu coração e toda a sua vontade: na sua lei e nos seus preceitos, o que ele quer que façamos; na sua redenção e nas suas promessas, o que ele quer fazer por nós. À medida que aceitamos essa vontade na palavra como vinda do próprio Deus, e nos entregamos à sua ação, aprendemos a conhecer a Deus na sua vontade, no poder da qual ele opera em nós, e na qual se conhece o seu amor condescendente. E a palavra realiza o seu mais rico propósito à medida que nos enche da reverência e da dependência que provêm da presença e da proximidade Divinas. Nada menos que isto deve ser o nosso alvo, e pode ser a nossa experiência, em todo o nosso estudo da Bíblia.

Tomemos agora novamente estes quatro pensamentos e façamos a aplicação prática. Na Sagrada Escritura temos as próprias palavras com que o Santo Deus falou e nas quais ele fala conosco. Estas palavras estão hoje cheias da vida de Deus. Deus está nelas e torna conhecidos a sua presença e o seu poder àqueles que o buscam nelas. Àqueles que pedem e esperam o ensino do Espírito Santo que habita em nós, o Espírito revelará o sentido espiritual e o poder da palavra. A palavra é assim destinada a ser, todos os dias, o meio da revelação do próprio Deus à alma e da comunhão com ele. Aprendemos a aplicar estas verdades? Compreendemos que a palavra sempre diz “Busca a Deus”? Escuta a Deus. Espera em Deus. Deus falará contigo. Deixa que Deus te ensine?

Tudo o que ouvimos sobre mais ensino e mais estudo da Bíblia deve conduzir a esta única coisa. Devemos ser homens, e devemos ajudar a formar outros para serem homens, para os quais a palavra nunca esteja separada do próprio Deus vivo, e que vivam como homens a quem Deus, no céu, fala todos os dias e o dia todo.

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