Capítulo 2 · 18 min de leitura
Orientações Práticas
Já consideramos os fundamentos bíblicos da doutrina da cura pela fé em Deus. Segue-se, então, a questão prática: como pode alguém que crê plenamente nessa doutrina receber a bênção e apropriar-se da cura?
1. Esteja plenamente persuadido da PALAVRA DE DEUS nesta matéria.
Este é o único fundamento seguro de uma fé racional e bíblica. A sua fé precisa repousar sobre os grandes princípios e promessas da Bíblia, ou jamais poderá suportar as provas das oposições e tribulações que certamente virão. É preciso estar tão certo de que isto faz parte do Evangelho e da redenção de Cristo que todos os ensinos e raciocínios dos melhores homens não possam abalá-lo. A maior parte dos fracassos práticos da fé nesta matéria resulta de convicções deficientes ou duvidosas quanto à Palavra Divina. Seja permitido ao autor mencionar o caso de uma senhora que havia abraçado plenamente esta verdade e aceitado Cristo como o seu Médico. Foi imediatamente muito fortalecida, tanto no espírito como no corpo, e o seu coração transbordante muito se alegrava em anunciar a boa nova a todos os seus amigos. Entre outros, encontrou-se com o seu pastor e falou-lhe da sua fé e da sua bênção. Para sua surpresa, ele de imediato se opôs a tais ideias, advertiu-a contra este novo fanatismo e disse-lhe que aquelas promessas nas quais ela descansava não eram para nós, mas somente para os Apóstolos e para a era apostólica. Ela ouviu, questionou, cedeu e abandonou a sua confiança. Em menos de um mês, quando o autor a viu novamente, havia caído em tão grande abatimento que mal sabia se ainda cria ou não na Bíblia. Se aquelas promessas eram para os Apóstolos, argumentava ela, por que todas as demais promessas da Bíblia também não seriam apenas para eles? Foi convidada a passar um tempo examinando o ensino da Palavra de Deus. As promessas de cura, desde o Êxodo até Tiago, foram cuidadosamente comparadas e cada questão foi ponderada com calma, até que a verdade se tornou tão manifesta, e a sua evidência tão avassaladora, que ela só pôde dizer: "Eu sei que está aqui, e sei que é verdade, ainda que o mundo inteiro a negue." Então ajoelhou-se e pediu ao Senhor perdão pela sua fraqueza e incredulidade, renovou a sua solene profissão de fé e consagração, e reivindicou de novo a promessa de cura e o batismo do Espírito Santo. Desde aquele dia tem sido restaurada e abençoada com todas as bênçãos espirituais, a ponto de o próprio pastor que a fez tropeçar ter sido forçado a reconhecer que isto é o dedo de Deus. Mas o ponto de partida de toda a sua bênção foi o momento em que ela plenamente aceitou e descansou na Palavra de Deus.
2. Esteja plenamente convicto da VONTADE DE DEUS DE CURÁ-LO.
A maior parte das pessoas está bastante disposta a admitir o poder de Cristo para curar. O próprio diabo admite isso. A verdadeira fé implica igual confiança na disposição de Deus para responder a esta oração da fé. Qualquer dúvida quanto a este ponto certamente paralisará a nossa oração por uma cura definida. Se houver qualquer questão a este respeito, não pode haver certeza alguma na nossa expectativa. Uma mera confiança vaga na possível aceitação da nossa oração não é forte o bastante para lutar contra as forças da doença e da morte. A oração por cura, "se for da Sua vontade," não traz consigo nenhuma reivindicação diante da qual Satanás abandone o seu domínio. Esta é uma matéria a respeito da qual devemos conhecer a Sua vontade antes de pedir, e então quê-la e reivindicá-la porque é a Sua vontade. Deu-nos Ele algum meio pelo qual possamos conhecer a Sua vontade? Certamente que sim. Se o Senhor Jesus a comprou para nós na Sua redenção, então há de ser a vontade de Deus que a tenhamos, pois toda a obra redentora de Cristo foi simplesmente a execução da vontade do Pai. Se Jesus a prometeu a nós, então há de ser a Sua vontade que a recebamos, pois como podemos conhecer a Sua vontade senão pela Sua palavra? Mais ainda: se Jesus no-la legou no Novo Testamento, que é simplesmente o SEU ÚLTIMO TESTAMENTO, então ela é apenas um dos legados da vontade do nosso Irmão, e toda questão de vontade deve cessar. A Palavra de Deus é, para sempre, o padrão da Sua vontade, e essa palavra "declarou imutavelmente que é o maior desejo de Deus e o Seu inalterável princípio de ação e vontade retribuir a cada homem conforme ele crer, e especialmente salvar todos os que receberem Cristo pela fé, e curar todos os que a receberem por fé semelhante. Ninguém pensa em pedir perdão "se o Senhor quiser." Tampouco devemos lançar dúvida mais forte alguma sobre a Sua promessa de redenção física. Ambas são livremente oferecidas a todo coração confiante que as aceite. Um caso muito notável ocorreu recentemente à observação do autor. Uma senhora, bastante destacada na obra cristã, havia recebido oração e sido ungida para a cura. Voltou algumas semanas depois dizendo que não estava melhor. Perguntaram-lhe se havia crido plenamente. "Sim," respondeu ela, "cri que seria curada se fosse do Seu agrado, e, se não, estou disposta a que seja de outro modo." "Mas," foi a resposta, "não podemos conhecer o agrado de Deus nesta matéria pela Sua própria palavra, e pedir com plena expectativa da bênção? Na verdade, devemos pedir alguma coisa a Deus antes de termos razão para crer que é a Sua vontade? Não é a Sua palavra a manifestação da Sua vontade, e, depois de a ter tão plenamente prometido, não é uma afronta e um escárnio insinuar uma dúvida quanto à Sua disposição?" Ela partiu, e logo na manhã seguinte reivindicou a promessa. Disse ao Senhor que agora não apenas cria que Ele podia, mas que queria, e que de fato removia o mal. Em menos de meia hora ele havia desaparecido por completo e visivelmente — e era um tumor externo de tamanho considerável, a respeito do qual não podia haver imaginação nem engano. Há muita incredulidade sutil, muitas vezes, na oração "Seja feita a Tua vontade." Essa bendita petição exprime, na verdade, a mais alta medida do amor e da bênção Divinos. Nada de mais bondoso pode vir sobre nós do que essa vontade. E, contudo, muitas vezes a pedimos como se fosse a mão de ferro de um déspota cruel e um destino inexorável.
3. Tenha o cuidado de estar você mesmo EM RETIDÃO DIANTE DE DEUS.
Se a sua enfermidade lhe sobreveio por causa de algum pecado, tenha o cuidado de se arrepender inteiramente e confessar os seus pecados, e de fazer plena restituição, tanto quanto estiver ao seu alcance. Se ela foi uma disciplina destinada a separá-lo de algum mal, apresente-se de imediato a Deus em franco autojulgamento e consagração, e reivindique dele a graça de santificá-lo e de conservá-lo santo. Um coração impuro é uma fonte constante de doença. Um espírito santificado é em si mesmo tão saudável quanto é santo. Ao mesmo tempo, não deixe Satanás paralisar a sua fé lançando-o de volta sobre a sua indignidade e dizendo-lhe que você não é bom o bastante para reivindicar isto. Jamais podemos merecer qualquer das misericórdias de Deus. O único apelo é o nome, os méritos e a justiça de Cristo. Mas podemos renunciar ao pecado conhecido, podemos andar de modo a agradar a Deus. Podemos julgar em nós mesmos e afastar tudo aquilo que Deus nos mostra ser errado. No momento em que fazemos isso, estamos perdoados. "Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados." "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça." Não espere sentir o perdão ou a alegria, mas volte inteiramente a sua vontade para Deus, e creia de imediato que é aceito; então chegue-se com um coração verdadeiro, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água pura.
É totalmente inútil tentarmos exercer fé por nós mesmos ou por outros diante de uma transgressão voluntária e em desafio à correção que Deus quis que respeitássemos e à qual nos submetêssemos. Mas, quando recebemos a Sua correção e nos voltamos para Ele com corações humildes e obedientes, Ele graciosamente removerá a mão da dor e fará do toque da cura o penhor do Seu amor perdoador. "A oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis."
Muitas vezes a nossa enfermidade não passa de uma malária moral, contraída por nos aventurarmos no território de Satanás. Não podemos ser curados enquanto não saímos do lugar proibido e voltamos a pisar em terreno santo. De modo que esta questão do nosso estado pessoal, embora não seja uma condição da cura, é um elemento muito importante nela. O grande propósito de Deus em todo o Seu trato conosco é o nosso mais alto bem-estar e a nossa saúde espiritual. Ao cristão que sofre, portanto, não há melhor conselho do que a antiga exortação: "Esquadrinhemos os nossos caminhos, e investiguemos, e voltemos para o Senhor. Porque não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens. Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca."
O autor ilustraria isto referindo-se novamente a um episódio real: um membro da sua própria família foi subitamente acometido por uma doença violenta e perigosa. Tratava-se de uma criança pequena, tão nova que era certo não poder ser por causa de qualquer falta ou pecado seu. Em meio a violentas convulsões, prontamente se dispensaram todos os remédios humanos, e o caso foi apresentado a Deus em oração e unção. Alívio imediato foi concedido, mas o mal não foi de todo removido, e naquela noite ocorreu de novo uma recaída muito ameaçadora, e a oração da fé parecia deparar-se com uma pavorosa nuvem de estorvo. De imediato ficou profundamente impressionado no seu coração que algo estava seriamente errado da parte de algum membro da família. Fez-se uma busca sincera, e por fim verificou-se que assim era de fato. Uma pessoa havia pecado gravemente e o encobrira. Mas agora fez-se uma confissão profunda e completa, e o erro foi solenemente reparado diante de Deus, e o Seu perdão foi buscado e reivindicado. Então todo o fardo se desfez, e a inocente sofredora foi instantaneamente curada, e na manhã seguinte levantou-se com a mais admirável saúde e vivacidade, e desde então não voltou a adoecer gravemente.
4. Tendo-se tornado plenamente persuadido da Palavra de Deus, da Vontade de Deus e da sua própria aceitação pessoal diante de Deus, AGORA ENTREGUE O SEU CORPO A ELE E REIVINDIQUE A SUA PROMESSA DE CURA em nome de Jesus, por simples fé. Não apenas a peça, mas, humilde e firmemente, reivindique-a como o penhor da Sua aliança, como a sua herança, como um direito de redenção comprado, como algo já plenamente oferecido a você no Evangelho, e que só aguarda a sua aceitação para tornar efetiva a sua posse. Há uma grande diferença entre pedir e reivindicar, entre desejar e tomar. Você precisa tomar Cristo como o seu Médico — não como uma experiência, não como um futuro talvez, mas como uma realidade presente. Você precisa crer que Ele, agora, segundo a Sua promessa, toca a sua vida com a Sua Mão Todo-Poderosa e vivifica as fontes do seu ser com a Sua força. Não creia apenas que Ele o fará, mas reivindique e creia que Ele o toca agora e começa a obra de cura no seu corpo. E siga adiante tendo-a por consumada, reconhecendo-o e louvando-o por ela. É bom preparar-se para este solene ato de entrega e de fé apropriadora. Deve ser um passo muito deliberado e final, e, pela própria natureza das coisas, não pode ser repetido. Como a cerimônia do casamento, é o assinalar e o selar de uma grande transação, e o seu valor depende da realidade da união que ele sela. Antes de darmos este passo, devemos ponderar cuidadosamente cada questão e então considerá-las como para sempre resolvidas, e depois avançar solene, definitiva e irrevogavelmente para um novo terreno, sobre a promessa de Deus, com a profunda convicção de que é para sempre. Isto dá grande força e descanso ao coração, e fecha a porta contra mil dúvidas e tentações. Daquele momento em diante, a dúvida deve ser tida como absolutamente fora de questão, e até mesmo o próprio pensamento de recuar ou de recorrer aos antigos meios como inadmissível. É claro que tal pessoa abandonará de imediato todos os remédios e tratamentos médicos. Deus tornou-se o Médico, e Ele não dará a Sua glória a outro. Deus curou, e toda tentativa humana de ajudar implicaria uma dúvida quanto à realidade da cura. Quanto mais completamente este ato de fé puder ser uma entrega total, tanto mais poder terá. Se você tiver alguma dúvida quanto à sua fé para isto, faça disso um objeto especial de preparação e oração. Peça a Deus que lhe dê fé especial para este ato. Todas as nossas graças devem vir dele, e a fé entre as demais. Nada temos de nós mesmos, e até a nossa própria fé não é senão a graça do próprio Cristo dentro de nós. Podemos exercê-la, e até aí se estende a nossa responsabilidade; mas Ele é quem deve concedê-la, e nós simplesmente a vestimos e a usamos como vinda dele. E isto torna o exercício de uma fé forte uma possibilidade muito simples e bendita. Jesus não nos diz: Tende vós mesmos grande fé. Mas diz-nos: Tende a fé de Deus. Isso é melhor. A fé de Deus é totalmente suficiente, e podemos tê-la e usá-la. Podemos tomar Cristo por nossa fé, assim como o tomamos para a nossa justificação, para as nossas vitórias sobre a tentação, para a nossa santificação. Podemos assim descansar docemente na certeza de que a nossa fé não deixou de satisfazer as exigências da promessa, pois foi a própria fé de Cristo. Simplesmente vimos em Seu nome e o apresentamos como a nossa oferta perfeita, o nosso apelo, a nossa fé, o nosso advogado, a nossa justiça, e tudo — e simplesmente e totalmente recebemos, por amor de Cristo, a nossa própria fé, nada mais do que o simples aceitar do Seu dom gratuito de graça. Vinde, então, e reivindicai a Sua promessa; e, tendo feito isso, crede, segundo a Sua palavra, que já a recebestes.
5. AJA A SUA FÉ. "Levanta-te, toma o teu leito, e anda." Não para mostrar a sua fé, nem para exibir a sua coragem, mas por causa da sua fé, comece a agir como quem está curado. Trate Cristo como se confiasse nele, tentando, em Seu nome e força, o que seria impossível nas suas próprias forças; e Ele não lhe faltará, se você realmente confiar nele e continuar a agir a sua fé de modo constante e corajoso. Mas é da máxima importância que você tenha o cuidado de não fazer isto com base na fé ou na palavra de qualquer outra pessoa. Não se levante do leito nem ande sobre o seu pé aleijado porque alguém lhe diz que o faça. Isso não é fé, mas presunção. Ele certamente lhe dirá que o faça, mas há de ser como vindo do SEU SENHOR; e, se você anda com Ele e nele confia, conhecerá a Sua voz. A sua oração, como a de Pedro, deve ser: "Senhor, manda-me ir ter contigo por cima das águas," e Ele certamente o mandará, se há de curá-lo; mas nesta grande e solene obra, cada um de nós precisa conhecer e ver o Senhor por si mesmo. E então, quando você sair para agir a sua fé, tenha o cuidado de não começar a observar o resultado, nem a olhar para os sintomas, nem a ver se se sustenta. Você precisa ignorar todos os sintomas e ver somente a Ele ali diante de você, todo-poderoso para sustentá-lo e livrá-lo de cair. O homem que desenterra a sua semente para ver se está crescendo em breve a matará pela raiz. O verdadeiro agricultor confia na natureza e a deixa crescer em silêncio. Confiemos, pois, em Deus, dispostos até a ver a resposta sepultada como aquela semente, e morrendo no solo escuro do desânimo, sabendo que "se morrer, dá muito fruto."
6. ESTEJA PREPARADO PARA AS PROVAS DA FÉ. Não espere sempre a remoção imediata dos sintomas. Não pense neles. Simplesmente ignore-os e prossiga, reivindicando a realidade que está por detrás e por baixo de todos os sintomas. Lembre-se de que a saúde que você reivindicou não é a sua própria força natural, mas a vida de Jesus manifestada na sua carne mortal; e, portanto, a velha vida natural pode ainda estar cercada de muitas enfermidades, mas por detrás dela, ao lado dela e contra ela está a vida totalmente suficiente de Cristo para sustentar o seu corpo. "Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus." Mas "Cristo é a vossa vida;" e a vida que agora vive na carne, vive-a na fé do Filho de Deus, que o amou e se entregou a si mesmo por você. Não se admire, pois, se a natureza ainda muitas vezes lhe faltar. A Sua cura não é natureza, é graça, é Cristo, é a vida corporal do Senhor ressuscitado. É a energia vital do corpo que subiu à destra de Deus; e ela nunca desfalece e nunca falha aos que nela confiam. É CRISTO QUEM É A SUA VIDA; o corpo de Cristo para o seu corpo, assim como o Seu Espírito foi para o seu espírito. Portanto, não se admire se houver provas. Elas vêm para mostrar a sua necessidade de Cristo e lançá-lo de volta sobre Ele. E conhecer isto, e assim revestir-se da Sua força na nossa fraqueza, e viver nela momento a momento, é a cura perfeita. Além disso, as provas sempre testam e fortalecem a fé na proporção em que ela é real; ela precisa mostrar-se genuína, para que Deus possa vindicar diante de todo o universo a recompensa que lhe dá. É assim que Deus aumenta a nossa fé, impondo-lhe exigências maiores e compelindo-nos a reivindicar e a exercer mais graça. "Como a águia desperta o seu ninho" e lança os seus filhotes no ar para obrigá-los a estender as suas pequenas asas, e os adestra a voar, assim Deus muitas vezes nos afasta de todos os nossos próprios apoios e confianças para nos obrigar a estender os braços e as asas da fé. Não fosse o sacrifício de Isaque, Abraão nunca poderia ter alcançado, como alcançou, a fé da ressurreição.
Mas, sejam quais forem os sintomas, devemos crer firmemente que por detrás de todos os sintomas Deus está realizando a Sua própria grande restauração. "Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia."
7. USE A SUA NOVA FORÇA E SAÚDE PARA DEUS, e tenha o cuidado de obedecer à vontade do Mestre. Esta força dada por Cristo é coisa muito sagrada. É a Vida de ressurreição de Cristo em nós. E deve ser gasta como Ele mesmo a gastaria. Não pode ser desperdiçada em pecado e egoísmo: deve ser dada a Deus, "sacrifício vivo." A força faltará onde for consagrada ao mundo, e o pecado sempre trará castigo corporal. Podemos, comumente, esperar ter saúde e prosperar, assim como a nossa alma prospera.
Tampouco nos basta usá-la para nós mesmos; devemos testemunhá-la a outros. Devemos anunciá-la ao mundo. Devemos ser testemunhas destemidas e fiéis do Evangelho da plena redenção. Muitas vezes o testemunho terá de ser dado nas circunstâncias mais penosas, a pessoas que o desprezarão com a maior soberba. Mas o Mestre ordena, e a igreja precisa, que todo o conselho de Deus seja anunciado. E o mundo precisa deste Evangelho de cura. As nações pagãs precisam dele como evidência do cristianismo. A incredulidade precisa dele como resposta ao seu materialismo. A grande obra das Missões Estrangeiras precisa dele como introdução do Evangelho entre os gentios. O próximo grande movimento missionário incorporará, e deve incorporar, esta poderosa verdade. E esta verdade será para a obra de propagar o Evangelho infinitamente mais do que a obra das missões médicas tem sido no passado. Esta não é uma fé que possamos guardar para nós mesmos. É um grande e solene depósito, e nós, que o recebemos, devemos unir-nos para usá-lo para a glória de Deus, para testemunho da verdade e para a propagação do Evangelho, assim como as línguas do Pentecostes foram usadas nos antigos dias do cristianismo. Estas maravilhosas manifestações do poder de Deus, que começamos a ver, são sinais significativos do fim. São os precursores da Grande Manifestação. Assim como marcaram o período da Sua presença na terra, assim acompanham o Seu retorno. E nos ordenam que nos preparemos, em solene fervor, para o Seu Advento. Com os nossos olhos já não postos no túmulo, mas nos céus que se abrem, e com os nossos corações já sentindo algumas das pulsações daquela vida de ressurreição, cabe-nos vigiar e trabalhar como nenhum outro pode; não nos poupando em ansioso cuidado de nós mesmos, mas trabalhando no Seu grande poder, a tempo e fora de tempo, e verificando ser verdade que "quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de Cristo e do Evangelho, guardá-la-á para a vida eterna."
Assim, reivindiquemos, guardemos e consagremos este grande dom do Evangelho e da graça de Deus. E agora, "o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará."
Capítulo 2 concluído
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