Susanna Wesley
O Lar Reconstruído

Capítulo 9 · 18 min de leitura

O Lar Reconstruído

O Reitor de Epworth não era homem de fazer as coisas pela metade e, ainda que o fosse, o reparo ou a reconstrução de uma casa paroquial é assunto que passa pela atenção dos Comissários Eclesiásticos e deve ser feito no estilo que estes julgam conveniente. O reinado da rainha Ana foi uma época em que o tijolo vermelho era geralmente empregado em todas as construções novas de alguma pretensão, se nos guiarmos pelas casas pitorescas e sólidas que, em muitas cidades inglesas, datam do seu tempo.

As fundações da antiga morada foram escavadas, e usaram-se tijolos para as paredes em lugar das antigas ripas e reboco. A casa provavelmente não era mais espaçosa do que a sua antecessora — teria sido obra de supererrogação torná-la assim; mas a velha casa paroquial, com os seus cinco vãos, comportara ampla acomodação para uma família numerosa, e a nova em nada lhe ficava atrás. Havia três andares; isto é, sala de jantar, sala de estar, escritório e dependências domésticas no andar térreo, quartos de dormir acima e um grande sótão ou desvão sobre tudo. A casa ainda está de pé e, quando há alguns meses as suas paredes foram despidas a fim de serem novamente empapeladas, eis que vieram à luz, num dos aposentos, pela própria letra da Sra. Wesley, os nomes, as idades e as medidas de altura de todos os filhos vivos quando a família tomou posse da nova casa. Sem dúvida os que tinham estado ausentes haviam crescido muito, e era matéria de natural interesse paterno ver exatamente as respectivas alturas. Muitos pais e mães tomaram tais medidas dos seus meninos e meninas e deleitaram-se em comparar as notas da sua estatura em várias idades.

Plantaram-se árvores de fruto para se estenderem pela frente e pelos fundos da nova casa paroquial; amoreiras, cerejeiras e pereiras no jardim, e nogueiras no campo ou horta adjacente. Isto era, de fato, plantar para a posteridade! A reconstrução parece ter sido concluída dentro do ano e custou quatrocentas libras, uma soma terrível de dinheiro para um pobre clérigo que não tinha companhia de seguro contra incêndio para o ajudar. Então os filhos foram reunidos, e a mãe retomou mais uma vez o seu trabalho diário de ensiná-los. Não foi tudo tão tranquilo como antes de terem sido dispersos; ela encontrou muitos maus hábitos a corrigir e, além disso, a disciplina do lar tinha sido rompida, e os seus laços tiveram de ser reapertados e talvez algo tensionados. Foi então que ela começou o costume de cantar um hino ou salmo antes de iniciar as lições pela manhã ou depois de as encerrar à tarde; e foi então, também, que parece ter usado, como livros de texto para a instrução religiosa, as exposições dos princípios da religião revelada e do ser e das perfeições de Deus, que escrevera para o seu filho mais velho pouco depois de ele ir para Westminster, e as do Credo dos Apóstolos e dos Dez Mandamentos, que preparara durante o ano de relativo ócio que passou em aposentos alugados enquanto a casa paroquial estava sendo reconstruída.

O Reitor esteve ausente durante grande parte do primeiro ano que a esposa e a família passaram na nova casa. Seu cérebro ocupado nunca foi deixado enferrujar ou vegetar e, naturalmente, ele se alegrava em ganhar o que pudesse com a pena.

Acontecimentos de considerável importância política tinham lugar em Londres durante 1709 e, por várias causas, o Duque de Marlborough vinha perdendo a sua popularidade. A nação estava se cansando da guerra com a França, que o Deão Swift declarava ter custado "seis milhões em suprimentos e quase cinquenta milhões em dívidas"; e Marlborough, que por muito tempo estivera na posição de um "homem tory promovendo medidas whig", como diz Lord Beaconsfield, era acusado de continuar a luta com Louis Quatorze para seu próprio enriquecimento e engrandecimento. Os tories o consideravam um traidor do seu partido e agravavam cada pequeno incidente que pudesse fortalecer o próprio poder. O Dr. Henry Sacheverell, reitor de St. Saviour, em Southwark, era um clérigo da Alta Igreja popular e proeminente daquele tempo, tacanho e violento, especialmente contra os Dissidentes. Nas sessões judiciais de verão em Derby, pregou um sermão muito inflamado diante dos juízes e, no dia 5 de novembro, na Catedral de St. Paul, declamou de maneira sumamente incendiária contra a tolerância e os Dissidentes, que eram evidentemente a sua aversão predileta; declarou que a Igreja estava em perigo por inimigos declarados e falsos amigos; e, ao todo, levantou tamanha comoção que os seus sermões, que foram publicados sob a proteção do Lord Mayor e amplamente divulgados, foram denunciados à Câmara dos Comuns como contendo posições contrárias aos princípios da Revolução, do Governo e da sucessão protestante. Os dois sermões, que continham grande quantidade de injúrias a personagens proeminentes, foram declarados libelos escandalosos e sediciosos; e o Dr. Sacheverell, sendo levado à barra da Câmara, reconheceu ser o autor deles e foi entregue à custódia do vice-porteiro da vara negra, sendo a fiança recusada a princípio, mas depois concedida. O julgamento teve início em Westminster Hall no dia 27 de fevereiro de 1710 e durou três semanas, comparecendo a rainha Ana todos os dias numa cadeirinha de arruar como espectadora, e a populaça apinhando o salão e os seus acessos, comportando-se como se Sacheverell fosse um santo e um mártir. A excitação foi tão grande que culminou num motim, durante o qual se fez bastante estrago, em consequência do que alguns cabeças foram presos e, depois, julgados por alta traição. A rainha, em seu coração, favorecia o Doutor; os seus capelães o exaltavam como o campeão da Igreja; e, quando o seu advogado terminou a defesa, ele próprio se levantou e proferiu um discurso, no qual justificou solenemente as suas intenções para com Sua Majestade e o seu Governo, e falou em termos sumamente respeitosos da Revolução e da sucessão protestante. Sustentou a doutrina da não resistência em todas as circunstâncias como uma máxima da Igreja da Inglaterra e, com muitos toques de pathos, esforçou-se por excitar a compaixão do auditório. Que esse discurso fosse composição do Reitor de Epworth parece ter sido universalmente reconhecido em Lincolnshire e, em anos posteriores, John Wesley declarou positivamente que seu pai era o seu autor. Provavelmente foi pago, de alguma forma, por prepará-lo, embora talvez, como um velho cavalo de guerra, tenha farejado a batalha de longe e feito a sua parte no combate gratuitamente.

Tendo-se provado tão bom porta-voz do seu partido, o clero da diocese o escolheu mais uma vez como seu representante na Convocação; assim viajou para Londres em novembro de 1710, por mais que mal o pudesse custear, e assim fez por sete invernos sucessivos, enquanto a sua família em casa carecia de roupas, alimento e, de fato, de todas as coisas necessárias à vida. A Sra. Wesley sofria muito de fraqueza e, possivelmente, da umidade inevitável numa casa habitada antes de estar devidamente curada; e, segundo a sua filha Emilia, de nutrição e vestuário insuficientes. Sem dúvida o marido e pai esperava que, estando em Londres, encontraria emprego literário, e poderia razoavelmente ter esperado algum auxílio pecuniário do partido a que tão zelosamente servia.

Apesar da fraqueza e do cansaço, a mãe prosseguia na luta e, à medida que os pequenos confortos da sua família neste mundo diminuíam, a sua ansiedade pela felicidade deles num estado futuro crescia e se fortalecia. Na ausência do Sr. Wesley, Emilia, provavelmente revolvendo o escritório dele à procura de um livro para ler, deparou com o relato de uma missão dinamarquesa em Tranquebar, escrito pelos dois homens devotos e santos que nela haviam trabalhado. As missões eram então incomuns, e a história trazia consigo a emoção de um interesse novo, e desviava os pensamentos da mãe do que a rodeava. Emilia, que era boa leitora — o irmão John dizia que a melhor que jamais ouvira, quando o livro por acaso eram os poemas de Milton —, leu-o em voz alta, e a própria Sra. Wesley contou ao marido como aquilo a afetara.

" Pouco depois de você ir para Londres," escreveu ela a ele, " Emilia encontrou no seu escritório o relato dos missionários dinamarqueses, o qual, nunca o tendo visto, desejei que ela o lesse para mim. Nunca, penso eu, fui mais tocada por coisa alguma do que pela narração das suas viagens, e fiquei extremamente contente com o nobre desígnio em que estavam empenhados. Os seus labores refrescaram a minha alma além da medida, e não pude deixar de passar boa parte daquela noite louvando e adorando a bondade Divina por inspirar aqueles homens bons com tão ardente zelo pela Sua glória. Por alguns dias mal pude pensar ou falar de outra coisa. Veio-me então à mente — embora eu não seja homem nem ministro do Evangelho, contudo, se eu fosse inspirada com um verdadeiro zelo pela Sua glória e desejasse realmente a salvação das almas — que eu poderia fazer mais do que faço. Pensei que poderia viver de maneira mais exemplar, poderia orar mais pelo povo e falar com mais calor àqueles com quem tenho oportunidade de conversar. Contudo, resolvi começar pelos meus próprios filhos e, por conseguinte, propus e observei o seguinte método: tomo tal porção de tempo quanto melhor possa dispensar cada noite para conversar com cada filho a sós, sobre algo que se relacione com os seus principais (pessoais?) interesses. Na segunda-feira falo com Molly, na terça com Hetty, na quarta com Nancy, na quinta com Jacky, na sexta com Patty, no sábado com Charles; e com Emily e Sukey juntas no domingo./' O resultado das suas conversas com " Jacky " está registrado nas suas Meditações Privadas sob o título " Filho John," e datado de 17 de maio de 1711. Tão profundamente foram trabalhados os sentimentos religiosos da criança que seu pai lhe permitiu tornar-se comungante com apenas oito anos de idade; mas a sabedoria de assim excitar um menino a uma devoção precoce numa época em que a natureza pretende que ele seja simplesmente um jovem animal saudável pode ser posta em dúvida. Neste caso a reação sobreveio pouco depois de ele sair de casa para a escola e, dos onze aos vinte e dois anos, parece ter sido como os outros jovens, e nem ter feito qualquer profissão especial de religião, nem ter contemplado entrar para a Igreja.

Não há dúvida de que, desde o tempo em que se estabeleceram na nova reitoria e reuniram o seu rebanho, a Sra. Wesley e o marido, quando em casa, concentravam a atenção na educação de John, para que ele partisse com bom pé e fosse motivo de crédito para si e para eles ao ingressar numa escola pública. Era um rapazinho dado à discussão, propenso a deliberação muito serena e a muita argumentação. Um dos seus biógrafos conta que, se lhe perguntassem entre as refeições se aceitaria um pedaço de pão ou fruta, ele responderia, com fria indiferença: "Agradeço-lhe, vou pensar nisso"; mas isto está algo em desacordo com a regra aceita da mãe de que a nenhum filho era permitido comer coisa alguma entre as refeições. Seu impetuoso pai ficou, numa ocasião, de tal modo provocado com o menino que exclamou: " Filho, você pensa levar tudo à força de argumento; mas há de descobrir quão pouco jamais se faz no mundo pelo raciocínio cerrado." Esse característico amor à argumentação, que sempre torna difícil ensinar e governar uma criança, é ainda ilustrado pela observação jocosa e afetuosa do Sr. Wesley à esposa: " Confesso, querida, que creio que o nosso Jack não atenderia às mais prementes necessidades da natureza, a não ser que pudesse dar uma razão para isso."

Mas, fosse o que fosse que a Sra. Wesley encontrasse para a ocupar, ainda arranjava tempo para escrever ao filho mais velho, ainda que a carta fosse curta; e há uma epístola, datada de pouco depois da reunião da família, que exibe o único sinal de petulância observável na sua correspondência: — "Epworth, 7 de abril de 1710. ~"CARO SAMMY, " Pensei que já teria tido notícias suas antes de agora, mas vejo que você não pensa em mim como eu penso em você. Deveras, creio que você ficaria muito tranquilo se nunca mais tivesse notícias minhas; mas eu, de minha parte, não posso ficar satisfeita sem escrever de quando em quando, embora não tão amiúde quanto quereria.

" Enviei-lhe uma carta que mandei à sua irmã Sukey em Gainsborough, que eu gostaria que você lesse e copiasse, se tiver tempo. [Esta era provavelmente a exposição do Credo dos Apóstolos anteriormente mencionada.] "Quando tenho o meu ócio, penso que não poderia estar melhor empregada do que escrevendo algo que possa ser útil aos meus filhos; e, embora eu saiba que há abundância de bons livros em que estes assuntos são tratados mais plena e acuradamente do que eu posso pretender escrever, ainda assim quero crer que os meus filhos hão de dar algum apreço ao que faço por eles, por mais humilde que seja o desempenho, visto que sabem que vem de sua mãe, que está, talvez, mais preocupada com a felicidade eterna deles do que qualquer pessoa no mundo. Assim como você teve a minha juventude e o meu vigor empregados no seu serviço, assim espero que você não despreze o pouco que posso fazer nos meus anos declinantes; mas que, por amor de mim, leia cuidadosamente estes papéis, ainda que seja apenas para o incitar a um desempenho mais digno do seu próprio.

" SUSANNA WESLEY."

Durante o verão seguinte, Samuel, então com vinte anos de idade e um erudito de quem Westminster justamente se orgulhava, atraiu a atenção do Dr. Sprat, Bispo de Rochester e prebendário de Westminster, que ele próprio fora, na juventude, um distinto erudito de Westminster. Era idoso e nutria um sentimento afetuoso pelo rapaz cujo avô fora seu amigo de faculdade e cujo pai recebera a ordenação de suas mãos. Levou-o para a sua casa de campo como leitor. Samuel não apreciou a sua nova posição e chegou a queixar-se dela ao pai, chamando o Bispo de " um amigo pouco amigável/' O seu primeiro patrono logo morreu, sendo sucedido na sé de Rochester pelo Dr. Atterbury, Deão de Westminster, que se interessou por Samuel tanto quanto o seu predecessor o fizera, e conquistou-lhe a afeição e o partidarismo de modo tão completo que perduraram por toda a vida, sem se diminuírem pelas circunstâncias que por fim levaram ao exílio do Bispo. Este prelado, quando em Oxford, estivera em Christ Church; e foi por seu conselho e persuasão que Samuel Wesley se matriculou como estudante naquele colégio em 1711. Seu pai e sua mãe teriam de ser mais que mortais se não tivessem sentido alguma medida de orgulho pelo rapaz, que assim conquistara a amizade de dois homens que eram tanto eruditos maduros como altos dignitários da Igreja. Não há, contudo, traço de exultação de nenhum dos lados e, no início de dezembro, Samuel escreveu à mãe uma carta começando por "Cara Mãe," em vez do formal " Senhora " da época. Isto parece tê-la tocado e acrescentou calor à epístola que a gravidade de mudança tão grande e iminente como deixar a escola e ir para Oxford suscitou: — " Quinta-feira, 28 de dezembro de 1710. CARO SAMMY, " Fico muito mais satisfeita com o começo da sua carta do que com o que você costumava me enviar, pois não gosto de distância nem de cerimônia; há mais amor e ternura no nome de mãe do que em todos os títulos lisonjeiros do mundo.

" Pretendo escrever ao seu pai sobre a sua vinda, mas ainda assim não seria mau que você também falasse disso. Talvez os nossos desejos unidos venham a persuadi-lo mais depressa a conceder o nosso pedido, embora eu não creia que ele seja de todo avesso a isso."

Esta é a única vez em que a Sra. Wesley, na sua corajosa aceitação do inevitável, alude a um desejo de ver o amado filho de quem estivera tanto tempo separada.

" Alegro-me de todo o coração por você já ter recebido, e por tencionar receber novamente, o Santo Sacramento; pois nada há mais próprio ou eficaz para fortalecer e refrescar a mente do que a participação frequente dessa bendita ordenança.

" Você se queixa de ser instável e inconstante nos caminhos da virtude. Ai! que cristão também não o é? Estou certa de que eu, acima de todos, sou a mais inapta para aconselhar em tal caso; contudo, já que não posso deixar de dizer algo, já que o amo como à minha própria alma, esforçar-me-ei por fazer o melhor que puder; e talvez, enquanto escrevo, eu aprenda, e, instruindo-o, ensine a mim mesma.

"Lamento que você esteja sob a necessidade de conversar com aqueles que não são dos melhores; mas devemos tomar o mundo como o encontramos, visto que é uma.

felicidade permitida a muito poucos escolherem a sua companhia. Contudo, para que a comparação de si mesmo com outros que são piores não venha a ser ocasião de você cair em demasiada vaidade, faria bem em às vezes acalentar pensamentos como estes: ' Embora eu conheça o meu próprio nascimento e educação, e esteja consciente de ter tido grandes vantagens, quão pouco sei, contudo, das circunstâncias dos outros. Talvez os pais deles fossem viciosos, ou não cuidassem cedo das suas mentes, para instilar os princípios da virtude nos seus tenros anos; mas os deixassem seguir as próprias inclinações até ser tarde demais para os recuperar. Estou certa de que eles tiveram tantas ofertas de graça, tantos e tão fortes impulsos do Espírito Santo, quantos eu tive? Pecam eles contra convicção tão clara como eu? Ou pesam sobre eles os votos de Deus como sobre mim? Foram eles tão solenemente consagrados a Ele no seu nascimento como eu fui? ' Você teve o exemplo de um pai que serviu a Deus desde a juventude e, embora eu não possa recomendar-lhe o meu, pois é mau demais para ser imitado, decerto orações fervorosas por muitos anos, e algum pequeno bom conselho, não faltaram. " Mas se, apesar de tudo, o amor-próprio o inclinar à parcialidade no seu próprio caso, considere seriamente os seus muitos sentimentos, dos quais o mundo não pode tomar conhecimento por serem tão íntimos, e se ainda, por comparação, você parecer melhor do que os outros são, então pergunte a si mesmo quem é que o faz diferente; e dê a Deus todo o louvor, visto que de nós mesmos nada podemos fazer. É Ele quem opera em nós tanto o querer como o fazer, segundo a sua boa vontade; e se, em algum momento, você tiver vãmente atribuído a si mesmo a glória de algum bom desempenho, humilhe-se por isso diante de Deus, e dê a Ele a glória da sua graça para o futuro.

" Estou apertada de papel e de tempo, portanto devo concluir. Deus Todo-Poderoso o abençoe e o preserve de todo mal. Adeus.

" SUSANNA WESLEY."

Grande parte desta carta foi omitida por ser exclusivamente uma dissertação teológica. De fato, em nenhuma das epístolas da Sra. Wesley a religião é apresentada num aspecto menos atraente, pois ela representa Deus como um senhor severo que dispensa estrita retribuição a todos os que se desviam do caminho reto e sumamente estreito da retidão. Ela teria sido decerto uma mulher mais feliz se a sua atitude mental tivesse sido a do teólogo alemão cuja oração vespertina, após muitas horas de labor no serviço do seu Senhor, era: " Senhor, tudo está como sempre entre mim e ti," antes de se deitar para o seu sono pacífico e bem merecido.

Há apenas uma ou duas indicações do que se passou em Epworth durante os anos de 1811 e 1812. A Sra. Wesley deve ter empregado grande parte do seu ócio escrevendo um manuscrito de sessenta páginas em quarto, intitulado ' ' Uma Conferência Religiosa entre a Mãe e Emilia/' em cujo exterior estavam os textos: " Escrevo-vos, filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja achado em vós," e " ' Que aquilo que se semeia em fraqueza seja ressuscitado em poder.' Escrito para uso dos meus filhos, 1711-12."

Na primavera de abril de 1712, enquanto o Sr. Wesley estava ausente em Londres, cinco dos filhos tiveram varíola, que era então um flagelo muito mais terrível do que em nossos dias. As mãos da mãe devem ter estado muito cheias; mas ela parece nunca ter contraído a infecção, ainda que a família tenha sido visitada por ela pelo menos numa outra ocasião. Escreveu ao marido ausente: "Jack suportou a sua doença valentemente, como um homem e, deveras, um cristão, sem qualquer queixa." É provável que ou tenham tido a moléstia numa forma branda, ou que se tenham tomado meios muito eficazes para impedir que ficassem quaisquer marcas permanentes; pois toda a família tinha a reputação de ser bonita, e ninguém faz menção, nem há qualquer tradição remanescente, de terem ficado marcados. Poder-se-á dizer, talvez, que, na ausência de inoculação ou vacinação, essa desfiguração era comum demais para suscitar qualquer comentário; mas deve-se lembrar que a esposa de Charles Wesley teve varíola em 1753, quando morava em Bristol e, embora se tivesse deitado uma jovem realmente bela de vinte e seis anos, ergueu-se daquele leito de enfermidade tão desfigurada que se tornou quase proverbial pela sua feiúra pelo resto da vida.

Capítulo 9 concluído

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