Homens de Oração
Watchman Nee (1903 – 1972)

Capítulo 4 · 5 min de leitura · 6 min de escuta

Watchman Nee (1903 – 1972)

Quem foi ele?

Watchman Nee — cujo nome chinês era Ni To-sheng, que significa “sino que toca” — nasceu em Foochow, na China, em 1903, numa família cristã de terceira geração. Seu avô fora o primeiro pastor congregacional chinês da província de Fujian, e sua mãe orou por um filho antes de Watchman nascer, prometendo entregá-lo a Deus. Ele foi salvo aos dezessete anos, em 1920, por meio do ministério da evangelista Dora Yu.

Três anos depois de sua conversão, Watchman já escrevia e publicava revistas teológicas, pregava por toda a China e implantava o que chamava de “igrejas locais” — congregações enraizadas no padrão do Novo Testamento e não dependentes das estruturas denominacionais ocidentais. Em 1932, essas igrejas locais já haviam se espalhado por toda a China, pela Malásia, pela Indonésia e por Singapura.

Ele publicou sua obra marcante em três volumes, O Homem Espiritual, em 1928, e seu livro mais conhecido, A Vida Cristã Normal — um dos grandes clássicos da literatura cristã —, baseou-se em palestras que deu em inglês durante suas viagens pela Europa em 1938 e 1939.

Em 1952, o governo comunista prendeu Watchman Nee por causa de sua fé. Depois de um longo julgamento, ele foi condenado em 1956 a quinze anos de prisão, mas nunca foi libertado. Passou os últimos vinte anos de sua vida na prisão e ali morreu, em 30 de maio de 1972. Quando morreu, encontraram debaixo de seu travesseiro um pequeno pedaço de papel. Nele estava escrito: “Cristo é o Filho de Deus, que morreu pela redenção dos pecadores e ressuscitou depois de três dias. Esta é a maior verdade do universo. Morro por causa da minha fé em Cristo.”

Uma grande resposta de oração

Durante uma missão evangelística na ilha de Mei-hua, junto ao litoral do sul da China, Watchman Nee e uma pequena equipe de jovens crentes enfrentaram forte oposição dos adoradores de ídolos. Aproximava-se uma festa local em honra ao ídolo Ta-wang, e os devotos do ídolo declararam com toda a confiança que o seu deus mandaria tempo bom para o dia da procissão — dando a entender que, se o Deus de Nee fosse real, Ele deveria demonstrar o Seu poder.

Nee e sua equipe oraram. Na manhã da festa, enquanto davam graças pelo café da manhã, a chuva começou a cair — fraca no início, depois torrencial. Os carregadores do ídolo tiveram dificuldade para levá-lo em procissão e tropeçaram, deixando-o cair e quebrando-lhe o queixo e o braço. O poder do ídolo sobre a ilha foi quebrado. Vários jovens se voltaram para Cristo imediatamente.

Os anciãos da aldeia declararam que o dia errado havia sido escolhido e anunciaram uma nova data para a procissão: o dia catorze. Nee e sua equipe oraram de novo, pedindo tempo bom entre as duas datas para a pregação e chuva outra vez no dia catorze. Deus respondeu com precisão: os dias de tempo bom para a pregação produziram trinta convertidos e então, exatamente no dia catorze, uma chuva torrencial caiu na hora marcada. Nee registrou: “Silenciosamente trouxemos o assunto à lembrança do Senhor. Nem um minuto atrasada, a Sua resposta veio com chuva torrencial e inundações, como antes. O poder do ídolo sobre os ilhéus foi quebrado; o inimigo foi derrotado. A oração da fé havia trazido uma grande vitória.”

Escrituras-chave

Romanos 8:26 – 27 — “O Espírito também nos ajuda em nossas fraquezas, pois não sabemos como orar como convém. Mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”

1 João 5:14 – 15 — “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve em qualquer coisa que pedimos, sabemos que temos as petições que lhe fizemos.”

Efésios 6:18 — “Orando em todo tempo no Espírito, com toda oração e súplica.”

Suas palavras sobre a oração

“Nossas orações assentam os trilhos pelos quais o poder de Deus pode vir. Como uma locomotiva poderosa, o Seu poder é irresistível, mas não pode chegar até nós sem trilhos.”

“O propósito da oração não é informar a Deus, mas expressar nossa confiança, nossa fé, nossa expectativa e o desejo do nosso coração.”

“A negligência na oração faz definhar o homem interior. Nada pode substituí-la, nem mesmo o trabalho cristão. A oração nos capacita primeiro a vencer o inimigo interiormente e depois a lidar com ele exteriormente.”

“A oração é a prova de fogo da força do homem interior. Um espírito forte é capaz de orar muito e de orar com toda a perseverança até que a resposta venha.”

“Reconheçamos isto: o fardo é o segredo da oração. Se alguém não sente dentro de si o fardo de orar por determinado assunto, dificilmente terá êxito na oração.” A oração e a Palavra de Deus “Não devemos abrir a boca apressadamente ao nos aproximarmos de Deus. Pelo contrário, primeiro precisamos pedir a Deus que nos mostre o que e como orar, antes de Lhe apresentarmos o nosso pedido. Não gastamos muito tempo no passado pedindo o que nós queríamos?

Por que não pedir agora o que Deus quer?”

“A oração segundo a vontade de Deus só é possível quando nós mesmos estamos em harmonia com a Sua vontade.”

A oração e o Espírito Santo

“A oração é trabalho. A experiência de muitos filhos de Deus demonstra que ela realiza muito mais do que qualquer outra forma de trabalho. É também uma guerra, pois é uma das armas no combate contra o inimigo. No entanto, só a oração no Espírito é verdadeiramente eficaz.”

“O fardo dado por Deus é removido assim que oramos, mas o peso que vem do inimigo não pode ser tirado a menos que lutemos e resistamos em oração.”

“Por que tantos cristãos fazem orações tão pequenas, quando o seu Deus é tão grande?”

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