Capítulo 13 · 19 min de leitura · 24 min de escuta
O Batismo do Espírito Santo
Há uma condição para o sucesso em levar pessoas a Cristo que é de importância tão capital, e tão pouco compreendida, que exige um capítulo à parte. Refiro-me ao Batismo do Espírito Santo. Em Atos 1.5; Lucas 24.49 (comp. Atos 1.8) e Atos 2.4 encontramos três expressões: “batizados no Espírito Santo,” “revestidos do poder do alto” e “cheios do Espírito Santo.” Comparando cuidadosamente estas e outras passagens relacionadas, veremos que essas diversas expressões se referem a uma única e mesma experiência. Essa experiência, como veremos à medida que avançarmos no estudo deste assunto, é uma condição absolutamente necessária para um serviço aceitável e eficaz para Cristo.
1. O que é o Batismo do Espírito Santo?
1. É uma operação definida e distinta do Espírito Santo, a respeito da qual a pessoa pode saber se foi ou não realizada nela. Isso fica evidente pelo fato de que Jesus ordenou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que tivessem recebido esse revestimento de poder (Lucas 24.49, comp. Atos 1.8); e, se não fosse uma operação definida e distinta a respeito da qual pudessem saber se a tinham recebido ou não, é claro que eles não saberiam quando essa ordem de Cristo havia sido cumprida e quando estavam prontos para começar a dar o seu testemunho.
2. É uma operação do Espírito Santo distinta da sua obra regeneradora. Isso se vê em Atos 1.5, onde se diz aos discípulos: “vocês serão batizados no Espírito Santo daqui a não muitos dias.” Mas por João 15.3; 13.10 sabemos que os discípulos já estavam regenerados. Vê-se também em Atos 8.15, 16, onde nos é falado de alguns que já tinham crido e sido batizados com água, mas sobre os quais o Espírito Santo ainda não havia descido. A mesma coisa é mostrada em Atos 19.1‒6, onde nos é falado de alguns que eram discípulos, mas que não tinham recebido o Espírito Santo depois que creram. Portanto, uma pessoa pode ser regenerada pelo Espírito Santo sem ser batizada com o Espírito Santo. Tal pessoa está salva, mas ainda não está preparada para o serviço. Todo crente tem o Espírito Santo, Romanos 8.9, mas nem todo crente tem o Batismo do Espírito Santo (Atos 8.12‒16; 19.1‒2). Veremos em breve que todo crente pode ter o Batismo do Espírito Santo.
3. O Batismo do Espírito Santo está sempre ligado ao testemunho ou ao serviço (veja 1 Coríntios 12.4‒13; Atos 1.5‒8; Lucas 24.49; Atos 2.4; 4.8, 31; 7.55; 9.17, 20; 10.45‒46; 19.6.) O Batismo do Espírito Santo não tem referência direta à purificação do pecado. Este é um ponto importante a ter em mente por muitas razões. Há uma linha de ensino sobre este assunto que leva as pessoas a esperar que, se receberem o Batismo do Espírito Santo, a velha natureza carnal será erradicada. Não há uma só linha das Escrituras que apoie essa posição. Como foi dito acima, e como qualquer um pode aprender por si mesmo se examinar todas as passagens em que o Batismo do Espírito Santo é mencionado, ele está sempre ligado ao testemunho e ao serviço. É verdade que vem acompanhado de uma grande elevação moral e espiritual e pressupõe, como veremos, uma entrega total da vontade a Cristo, mas o seu propósito primeiro e imediato é preparar para o serviço. Teremos uma ideia mais definida do que é o Batismo do Espírito Santo se considerarmos as suas manifestações e resultados conforme apresentados na Bíblia. (a.) Vejamos primeiro a passagem que entra em mais detalhes sobre este assunto, 1 Coríntios 12.4‒13. Vemos logo que as manifestações ou resultados do Batismo do Espírito Santo não são exatamente os mesmos em todas as pessoas. Por exemplo, o Batismo do Espírito Santo não fará de todo aquele que o recebe um evangelista ou mestre bem-sucedido. Pode ser concedido um dom bem diferente. Esse fato é muitas vezes esquecido, e o resultado é muita decepção e dúvida. As manifestações ou resultados variam conforme as linhas de serviço para as quais Deus chamou cada pessoa. Um recebe o dom de evangelista, outro de mestre, outro de governo, outro de auxílio, outro de mãe (1 Coríntios 12.28‒31; Efésios 4.8, 11.) (b.) 1 Coríntios 12.7, 11. Haverá algum dom em todos os casos. Não o mesmo dom, mas algum dom: de evangelista, de pastor, de mestre ou algum outro. (c.) 1 Coríntios 12.11. O próprio Espírito Santo é quem decide qual será o dom ou os dons que concederá a cada pessoa. Não cabe a nós escolher algum lugar de serviço e depois pedir ao Espírito Santo que nos capacite para esse serviço, nem escolher algum dom e depois pedir ao Espírito que nos conceda esse dom. Cabe a nós pôr-nos inteiramente à disposição do Espírito Santo, para que Ele nos envie para onde “Ele quiser,” para a linha de serviço que “Ele quiser” (Atos 13.2,) e nos conceda o dom que “Ele quiser.” Ele é absolutamente soberano, e a nossa posição correta é a de entrega absoluta e incondicional a Ele. É aqui que muitos perdem a bênção e encontram decepção. Conheço um homem muito sincero e abnegado que abandonou um negócio lucrativo e assumiu a obra de evangelista. Ele tinha ouvido falar do Batismo do Espírito Santo e fora levado a supor que, se o recebesse, isso o capacitaria para a obra de evangelista. O homem viajou mais de quatro mil milhas até este país, mas a obra não se abriu para ele. Ficou em grande perplexidade e dúvida até ser levado a ver que não lhe cabia escolher a obra de evangelista, por melhor que fosse essa obra, e depois esperar que o Espírito Santo o capacitasse para essa obra escolhida por ele mesmo. Entregou-se para ser enviado a qualquer obra que o Espírito quisesse. Na obra para a qual foi enviado, o poder do Espírito veio sobre ele, e ele recebeu exatamente esse dom de evangelista que tanto havia desejado. (d.) Atos 1.5, 8. O Batismo do Espírito Santo sempre concede poder para o serviço, os serviços para os quais Deus nos chama. Em certa cidade havia um rapaz sem instrução que foi levado a Cristo. Na sua ocupação muito humilde ele começou a testemunhar de Jesus. Foi avançando passo a passo na obra de Cristo. Minha atenção foi chamada para ele por um cavalheiro que se interessava por ele e que disse que gostaria que eu o conhecesse. O cavalheiro o trouxe a Chicago, e certa noite eu o convidei para falar numa das nossas tendas. Ficava num bairro extremamente difícil. Naquela mesma tenda, certa vez, uma turba organizada entrou para desfazer a reunião. Era um auditório difícil de prender. O rapaz começou de um modo que me pareceu muito banal, e eu temi ter cometido um erro ao convidá-lo para falar; mas orei e observei o auditório. Não havia nada de notável no seu discurso à medida que prosseguia — exceto os erros de gramática. Mas notei que todas as pessoas estavam ouvindo. Continuaram ouvindo até o fim. Quando perguntei se havia alguém que desejava aceitar a Cristo, pessoas se levantaram em diferentes partes da tenda para indicar que sim. Refletindo sobre tudo isso, contei os fatos a um homem que conhecia o pregador de antes. “É sempre assim, aonde quer que ele vá” foi a resposta. Qual era a explicação? Aquele rapaz sem instrução havia recebido o Batismo do Espírito Santo e havia recebido poder. Certa noite, ao final de uma palestra sobre o Batismo do Espírito Santo, um pastor veio até mim na plataforma e disse: “Preciso desse poder; o senhor não quer orar por mim?” “Vamos nos ajoelhar aqui mesmo, agora”, respondi, e assim fizemos. Algumas semanas depois encontrei um cavalheiro que estivera ali perto. “Lembra-se”, disse ele, “do pastor com quem o senhor orou em New Britain? Ele voltou para a sua igreja; a igreja fica lotada aos domingos à noite, grande parte do auditório são rapazes, e ele está tendo conversões continuamente.” Ele havia recebido o Batismo do Espírito Santo e “poder.” (e.) Atos 4.29‒31. O Batismo do Espírito Santo sempre concede ousadia no testemunho e no serviço. Pedro é um exemplo notável disso. Compare o Pedro de Atos 4.8‒12 com o Pedro de Marcos 14.66‒72. Talvez alguém que leia este livro tenha grande desejo de falar a outros e ganhá-los para Cristo, mas uma timidez insuperável se interpõe no caminho. Se você tão somente receber o Batismo do Espírito Santo, tudo isso será vencido.
Estamos agora em condições de definir o Batismo do Espírito Santo. O Batismo do Espírito Santo é o Espírito de Deus descendo sobre o crente, tomando posse das suas faculdades, concedendo-lhe dons que não são naturalmente seus, mas que o capacitam para o serviço para o qual Deus o chamou.
2. A necessidade do Batismo do Espírito Santo como preparação para a obra cristã.
(1.) Em Lucas 24.49, Jesus ordenou aos apóstolos que permanecessem em Jerusalém até que fossem “revestidos do poder do alto.” Esses homens tinham sido designados para ser testemunhas da vida, morte e ressurreição de Cristo. (Lucas 24.45‒48; Atos 1.22; 10.39‒41.) Eles tinham recebido o que pareceria um preparo esplêndido e suficiente para essa obra. Por mais de três anos haviam estado na escola do melhor dos mestres, o próprio Jesus. Tinham sido testemunhas oculares dos seus milagres, morte, sepultamento, ressurreição e ascensão. Mas ainda faltava uma coisa. E essa necessidade era de importância tão vital que Jesus não lhes permitiria começar a obra que lhes fora designada até que ela tivesse sido suprida. Essa necessidade era o Batismo do Espírito Santo. Se os apóstolos, com o seu preparo sem igual para o serviço, não tiveram permissão para entrar nesse serviço até que todo o seu outro preparo fosse completado pelo Batismo do Espírito Santo, que audaciosa presunção é para qualquer um de nós, com o nosso preparo inferior, ousar fazê-lo! Mas isso não é tudo: nem mesmo o próprio Jesus iniciou o seu ministério até ser ungido de modo especial com o Espírito Santo e com poder. (Atos 10.38, comp. Lucas 3.22 e 4.1, 14). Este batismo é uma preparação absolutamente essencial para a obra cristã. É ignorância das claras exigências da Palavra de Deus, ou a mais audaciosa presunção da nossa parte, tentarmos fazer a obra de Cristo antes de sabermos que fomos Batizados com o Espírito Santo.
(2.) É privilégio de todo crente ser batizado com o Espírito Santo. Isso se vê em Atos 2.39, R. V. “Pois a promessa é para vocês e para os seus filhos, e para todos os que estão longe, para tantos quantos o Senhor nosso Deus chamar para si.” O contexto, o uso da palavra “promessa” neste capítulo e no anterior (cap. 1.4; 2.16, 33.) e o uso da expressão “dom do Espírito Santo” ao longo de todo o livro provam de modo conclusivo que “a promessa” deste versículo significa a promessa do Batismo do Espírito Santo; e o versículo nos diz que essa promessa é para todos, em todas as épocas da história da Igreja, que Deus chamar para si, isto é, para todo crente. Se não temos esse batismo, a culpa é nossa. Ele é para nós, e somos responsáveis diante de Deus por toda a obra que poderíamos ter feito e por todas as almas que poderíamos ter ganhado se fôssemos assim batizados, e somos culpados na medida em que a obra não é feita e as almas não são ganhas.
3. Como podemos obter o Batismo do Espírito Santo?
Chegamos agora à questão prática: como podemos obter esse Batismo do Espírito Santo, que é uma necessidade tão absoluta na nossa obra para Cristo? Felizmente, a resposta a essa pergunta é apresentada com muita clareza na Bíblia.
(1) “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos pecados, e receberão o dom do Espírito Santo” (Atos 2.38 R. V.) O primeiro passo para obter esse Batismo é o arrependimento. Arrependimento significa “uma mudança de mente”: uma mudança de mente a respeito do pecado, a respeito de Deus e, neste caso especialmente (como mostra o contexto), uma mudança de mente a respeito de Cristo. Uma verdadeira mudança de mente, que leva à ação — a nos afastarmos de todo pecado, a nos voltarmos para Deus, a deixarmos de rejeitar Jesus Cristo para aceitá-lo. O segundo passo é a confissão da nossa renúncia ao pecado e da nossa aceitação de Jesus Cristo, da maneira determinada por Deus: pelo batismo em nome de Jesus Cristo. O Batismo com o Espírito Santo, em pelo menos um caso (Atos 10.44‒48), precedeu o batismo com água, mas esse foi claramente um caso excepcional, e Deus diz: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos pecados, e receberão o dom do Espírito Santo,” (Atos 2.38, R. V.)
(2) “O Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem.” (Atos 5.32). A condição aqui declarada para o dom do Espírito Santo é que nós “lhe obedeçamos.” Obediência significa mais do que o mero cumprimento de algumas das coisas que Deus nos manda fazer. Significa a entrega total da nossa vontade, de nós mesmos e de tudo o que temos, a Ele. Significa que vamos a Ele e dizemos de coração: “Aqui estou, sou teu, tu me compraste por preço, reconheço que sou propriedade tua. Toma-me, faze de mim o que quiseres, envia-me para onde quiseres, usa-me como Tu quiseres.” Essa entrega total de nós mesmos a Deus é a condição para recebermos o Batismo do Espírito Santo, e é nesse ponto que muitos perdem essa bênção. Ao final de uma conferência, um cavalheiro correu até a plataforma e disse que havia uma senhora em grande aflição que desejava falar comigo. Passou-se uma hora até que eu conseguisse chegar até ela, mas a encontrei ainda em grande sofrimento mental, na intensidade do seu desejo pelo Batismo do Espírito Santo. Outros haviam conversado com ela, mas parecia não ter adiantado nada. Sentei-me atrás dela e disse: “A sua vontade está inteiramente entregue?” Ela não sabia. “A senhora deseja ser uma obreira cristã, não deseja?” “Sim.” “Está disposta a voltar para Baltimore e ser empregada doméstica, se for a vontade de Deus?” “Não!” “A senhora nunca receberá essa bênção enquanto a sua própria vontade não for inteiramente deposta.” “Não consigo depô-la.” “Gostaria que Deus a depusesse pela senhora?” “Sim.” “Pois bem, vamos pedir a Ele que o faça.” Assim fizemos; Ele ouviu a oração, a vontade foi deposta, o Batismo do Espírito Santo foi recebido e ela saiu da igreja alegrando-se.
Obediência significa também fazer, em todas as coisas, grandes e pequenas, a vontade de Deus conforme revelada na sua Palavra ou pelo seu Espírito. Qualquer recusa em fazer o que Deus nos manda fazer, qualquer prática consciente daquilo que Ele nos proíbe, mesmo em coisas muito pequenas, é suficiente para nos excluir dessa bênção. Se houver alguma coisa, por menor que seja, que nos venha à mente para nos perturbar enquanto oramos sobre este assunto, devemos acertá-la com Deus imediatamente. O Sr. Finney conta de uma mulher que, em grande agonia, orou durante dias pelo Batismo do Espírito Santo, mas não recebeu resposta. Por fim, enquanto orava certa noite, levou a mão à cabeça, tirou um pequeno enfeite que sempre lhe vinha à mente quando orava e o lançou para longe. Imediatamente recebeu a bênção tão desejada. Parecia uma coisa muito pequena, mas era um ponto de controvérsia com Deus e impedia a bênção.
(3.) “Quanto mais o seu Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem?” (Lucas 11.13.)
(a.) É preciso haver oração definida por esse Batismo. Diz-se muitas vezes que o Espírito Santo já está aqui, que todo crente tem o Espírito e que, portanto, não devemos orar pelo Espírito Santo. Esse argumento ignora a distinção entre ter o Espírito Santo e ter essa operação específica do Espírito Santo. (veja 1. 2.) Contradiz também o claro ensino da Palavra de Deus de que Ele dá “o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem.” Além disso, mostra-se falacioso pelo fato de que o Batismo do Espírito Santo, no livro de Atos, foi dado constantemente em conexão com a oração e em resposta a ela. (Atos 1.14; 2.1‒4; 4.31; 8.15,17.)
(b.) A oração implica desejo. Não há verdadeira oração pelo Batismo do Espírito a menos que haja um desejo profundo por ele. Enquanto alguém pensa que pode se arranjar de algum modo sem essa bênção, não é provável que a receba; mas, quando chega ao ponto de sentir que precisa tê-la, custe o que custar, está bem adiantado no caminho para recebê-la. Muitos ministros do evangelho e outros obreiros foram levados a um ponto em que sentiram que não podiam continuar o seu ministério sem esse dom, e então o dom logo veio, e o caráter do seu trabalho foi inteiramente transformado.
(c.) Para ser eficaz, a oração deve ser feita com fé (Marcos 11.24). Tiago diz a respeito da oração por sabedoria: “Peça, porém, com fé, sem duvidar de nada, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Pois esse homem não deve pensar que receberá alguma coisa do Senhor.” (Tiago 1.6, 7.) O mesmo princípio, é claro, vale para a oração pelo Espírito Santo. É exatamente nesse ponto que muitos perdem a bênção. Como nos aproximar de Deus com fé é ensinado com clareza em 1 João 5.14, 15. “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos.” Quando pedimos a Ele o Batismo do Espírito Santo, sabemos que pedimos algo segundo a sua vontade, pois está definitivamente prometido na sua Palavra. Portanto, sabemos que “ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve, sabemos que alcançamos a petição” que lhe fizemos. Assim, tão logo eu tenha certeza de que cumpri as condições acima declaradas para o dom do Espírito Santo, e o tenha pedido a Deus, tenho o direito de considerar essa bênção minha — a oração foi ouvida e tenho a petição que lhe fiz — e de me levantar e entrar no meu trabalho, certo de que nele se verá o poder do Espírito. “Mas”, dirá alguém, “não devemos esperar nenhuma manifestação?” Sim, mas onde? No serviço. Quando sei, com base na autoridade da Palavra de Deus, que a minha oração foi ouvida, tenho o direito de entrar em qualquer serviço para o qual Ele me chame e esperar confiantemente a manifestação do poder do Espírito nesse serviço. É um erro esperar ou procurar, como tantos fazem, a manifestação em choques elétricos ou em experiências emocionais peculiares. Elas podem acompanhar o Batismo do Espírito Santo, e muitas vezes o acompanham. Mas a Bíblia nos ensina claramente (1 Coríntios 12.4‒11) que o lugar onde procurar as manifestações é o serviço, e as manifestações mais importantes, confiáveis e bíblicas encontram-se no nosso trabalho. “Não devemos esperar”, poderão perguntar, “até sabermos que recebemos o Batismo do Espírito Santo?” Com toda a certeza; mas como havemos de saber? Do mesmo modo pelo qual sabemos que estamos salvos: pelo testemunho da Palavra de Deus. Quando sei que cumpri as condições e pedi esse dom, que é “segundo a sua vontade”, sei pela Palavra de Deus (1 João 5.14, 15.) que a minha oração foi ouvida e que tenho a petição que lhe fiz. Tenho o direito de me levantar sem nenhuma outra evidência além da evidência todo-suficiente da Palavra de Deus e entrar no serviço para o qual Deus me chama. “Os primeiros discípulos não esperaram dez dias?”, poderão perguntar ainda. Sim, e a razão é dada claramente em Atos 2.1 — “Ao chegar o dia de Pentecostes.” Nos tipos do A. T., o dia de Pentecostes havia sido designado como o dia, na economia de Deus, para o primeiro derramamento do Espírito Santo e a oferta das primícias (a Igreja), e por isso o Espírito Santo não podia ser dado antes daquele dia. (Levítico 23.9‒17.) Mas, depois que o Espírito foi dado uma vez, não encontramos nenhum período prolongado de espera da parte daqueles que buscavam essa bênção. (Atos 4.31; 8.15, 17; 9.17, 20; 19.6.) Hoje as pessoas são obrigadas a esperar, mas somente porque não cumpriram as condições, ou não creem e não reivindicam a bênção simplesmente com base na Palavra de Deus. No momento em que cumprimos as condições e reivindicamos a bênção, ela é nossa. (Marcos 11.24 R.V.) Qualquer filho de Deus pode deixar este livro de lado, cumprir as condições, pedir a bênção, reivindicá-la e tê-la. Numa Escola de Verão de Estudantes em Lake Geneva, depois de uma palestra de F. B. Meyer sobre o Batismo do Espírito Santo, um estudante ficou para conversar comigo. Disse que já tinha ouvido falar disso antes e que vinha buscando-o havia meses, mas não conseguia obtê-lo. Descobri que a sua vontade não estava entregue, mas isso logo foi resolvido. Então eu disse: “Vamos nos ajoelhar e pedir a Deus o Batismo do Espírito Santo.” Ele assim fez. Aquela petição era “segundo a sua vontade?”, perguntei. “Sim.” “A oração foi ouvida?” Depois de alguma hesitação: “Deve ter sido.” “Você tem o que pediu a Ele?” “Não estou sentindo.” Li 1 João 5.15 na Bíblia que estava aberta diante de nós: “E, se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos.” “A oração foi ouvida?” “Sim.” “Você tem o que pediu?” “Devo ter, pois Deus o diz.” Levantamo-nos e logo nos separamos. Voltando à escola alguns dias depois, encontrei o rapaz novamente. Seu rosto agora resplandecia, e ele sabia que tinha recebido aquilo que a princípio aceitara somente com base na simples Palavra de Deus.
4. A Repetição do Batismo do Espírito Santo.
É preciso dizer mais uma coisa antes de deixarmos este assunto. O Batismo do Espírito Santo é uma experiência que precisa ser repetida com frequência. Isso se vê comparando Atos 2.4 — onde Pedro, com outros, ficou cheio do Espírito Santo — com Atos 4.8 — onde Pedro ficou cheio novamente — e com Atos 4.31, onde Pedro, com outros, ficou cheio mais uma vez. Uma nova plenitude é necessária e deve ser buscada para cada nova emergência do serviço cristão. Há muitos que um dia conheceram por experiência o que significava o Batismo do Espírito Santo e que hoje tentam trabalhar no poder daquela antiga experiência, e estão trabalhando sem Deus. Eles precisam, e têm de receber, um novo Batismo antes que Deus possa usá-los.
Capítulo 13 concluído
O Batismo do Espírito Santo