Capítulo 9 · 7 min de leitura
Guardando o Coração: Emoções, Língua e Espírito Manso
"Mas o homem interior do coração, no incorruptível ornato de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus." 1 Pedro 3:4 O livro de Provérbios nos adverte a guardar o coração com toda a diligência, porque dele procedem as fontes da vida. Tudo o que sai da sua boca — cada palavra que você diz ao seu marido, cada correção que dá ao seu filho, cada cumprimento que oferece à vizinha, cada queixa que faz — brota primeiro do seu coração. Se o seu coração está cheio de paz, paz sairá dele. Se o seu coração está cheio de raiva, raiva sairá. Se o seu coração está cheio de amargura, palavras amargas sairão. Foi por isso que o Senhor Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração.
A mulher cristã recebeu, pela graça de Deus, um coração novo. Quando você veio a Cristo, Ele tirou o coração de pedra e lhe deu um coração de carne. Ele pôs o seu Espírito dentro de você. Ainda assim, é preciso aprender diariamente a andar no Espírito e não na carne. Velhos hábitos de raiva, ciúme, medo, autopiedade e amargura não desaparecem de um dia para o outro. Precisam ser mortificados um dia de cada vez.
Permita-me falar de algumas emoções que podem perturbar uma mulher cristã, e de como as Escrituras nos ajudam a lidar com elas.
Primeiro, a raiva. Existe uma ira que é justa — o Senhor Jesus se indignou contra os cambistas no templo. Mas a maior parte da nossa raiva não é justa. É carnal. Vem porque o nosso orgulho foi ferido, porque não fizemos o que queríamos, porque alguém nos contrariou, porque estamos cansadas. A Bíblia diz: irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Isso significa: resolva a sua raiva depressa. Vá a Deus. Confesse-a. Peça a sua ajuda. Se você feriu alguém na sua raiva, vá e faça as pazes. Não deixe a raiva ficar fervendo no seu coração. Se ficar, ela se tornará amargura, e a amargura é um veneno que mata casamentos, famílias e amizades.
Segundo, o medo. Toda mulher tem medos. Medo pela segurança dos filhos. Medo quanto à saúde. Medo da pobreza. Medo do que as pessoas vão dizer. Medo do futuro. A Bíblia nos diz vezes sem conta: não temas, porque eu sou contigo. Isaías 41:10 é um versículo precioso para guardar de memória: "Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça." Quando o medo vier, fale a palavra de Deus à sua própria alma. Ore. Confie. Lance sobre o Senhor a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de você.
Terceiro, o ciúme. Este é um pecado sutil e perigoso. É o pecado de Caim, que matou Abel porque Deus aceitou a oferta de Abel e não a dele. É o pecado de Miriã, que foi ferida de lepra quando invejou Moisés. É o pecado dos irmãos de José, que o venderam como escravo. O ciúme nasce quando nos comparamos com os outros. Ela tem uma casa melhor. Ela tem um marido melhor. Os filhos dela se comportam melhor que os meus. Ela tem mais dinheiro. Ela é mais bonita. Ela é mais respeitada na igreja. Quando esses pensamentos vierem, arrependa-se deles depressa. Alegre-se com os que se alegram. Agradeça a Deus pelo que Ele lhe deu. Não se compare. Deus tem um caminho diferente para cada uma de suas filhas.
Quarto, a amargura. O escritor aos Hebreus nos adverte a atentar bem para que nenhuma raiz de amargura brote e nos perturbe. A amargura costuma vir de uma ferida — uma mágoa profunda que nunca sarou.
Talvez um marido a tenha desapontado. Talvez um parente a tenha enganado. Talvez um pastor a tenha ferido. Talvez uma amiga a tenha traído. Se você não tratar a ferida por meio da oração, do perdão e, muitas vezes, do conselho de cristãos sábios, a ferida se torna uma raiz.
E essa raiz cresce até envenenar tudo na sua vida. Você precisa perdoar. Perdoar não significa que o que a outra pessoa fez estava certo. Nem sempre significa que vocês voltarão a ser amigas, sobretudo se ela continuar a feri-la. Perdoar significa que você a entrega a Deus e se recusa a deixar que o pecado dela continue a governar o seu coração.
Quinto, a autopiedade. Este é um pecado muito comum entre as mulheres, e muito sutil. Ele sussurra: "Ninguém me entende. Ninguém se importa comigo. Trabalho tanto e ninguém reconhece." A autopiedade concentra toda a sua atenção em você mesma. Alimenta-se de queixas silenciosas. Conduz à depressão e ao ressentimento. A cura é a adoração e o serviço. Levante os olhos ao Senhor. Conte as suas bênçãos.
E depois vá servir outra pessoa. Quando você derrama a sua vida pelos outros, o Senhor enche o seu próprio cálice.
Falemos agora da língua. A carta de Tiago diz que a língua é um fogo, um mundo de iniquidade.
Ela pode abençoar e pode amaldiçoar. Pode edificar e pode derrubar. Pode falar a verdade e pode espalhar mentiras. De todas as áreas que a mulher cristã precisa colocar sob a autoridade do Senhor, a língua talvez seja a mais importante.
Os Provérbios advertem repetidamente a respeito da mulher rixosa. Dizem que é melhor morar num canto do terraço do que com uma mulher rixosa numa casa espaçosa. Dizem que é melhor morar numa terra deserta do que com uma mulher rixosa e irritadiça. A Bíblia não é dura com as mulheres — dá as mesmas advertências aos homens, de outras formas —, mas é honesta. A esposa de língua afiada pode afastar o marido. Pode fazer com que os filhos tenham medo dela. Pode encher o lar de tensão.
Por outro lado, considere a mulher de Provérbios 31. Ela abre a sua boca com sabedoria, e a lei da bondade está na sua língua. Que descrição bonita. As palavras dela são sábias. As palavras dela são bondosas. Ela não fala para ferir. Não fala sem pensar. Não faz fofoca. Não destrói a reputação dos outros. Quando ela fala, flui sabedoria.
Deixe-me ser bem prática. Guarde a sua língua no mercado, onde as mulheres se reúnem. Não participe de fofocas sobre outras mulheres, outras famílias, outras igrejas. Se as outras começarem a fofocar, encontre um motivo para sair, ou mude de assunto com delicadeza. Guarde a sua língua em casa. Não fale asperamente com o seu marido. Não fique cobrando sem parar. Não responda aos seus filhos com raiva. Guarde a sua língua na igreja. Não critique o pastor diante dos outros. Não espalhe boatos sobre outros membros. Guarde a sua língua no celular e na internet. Muitas mulheres cristãs destruíram o seu testemunho pelo que escreveram em grupos de WhatsApp ou no Facebook.
Considere o exemplo de Maria, a mãe do nosso Senhor. Quando recebeu do anjo a notícia assustadora de que geraria o Filho de Deus sendo virgem e ainda não casada, o que ela fez? Não discutiu. Não correu para contar às vizinhas. Ela disse: "Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra." E, mais tarde, quando grandes coisas aconteceram em torno do menino Cristo — os pastores vieram, os magos vieram, profecias estranhas foram ditas —, a Bíblia diz que ela guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração. Era uma mulher de espírito quieto. Não precisava dizer tudo o que pensava. Guardava a verdade no fundo do coração e a levava a Deus em oração. É esse o tipo de espírito em que o Senhor se deleita.
Ora, um espírito manso e quieto não significa uma mulher que nunca fala. Não significa uma mulher que concorda com o pecado ou que se deixa pisar. Abigail falou com ousadia a Davi e salvou a sua casa. Ester falou com ousadia ao rei e salvou o seu povo. As filhas de Zelofeade falaram com ousadia a Moisés e receberam a sua herança. O espírito manso e quieto é um espírito sob o controle do Espírito Santo. Não fala precipitadamente. Não fala movido pela raiva. E quando fala, fala com graça e verdade ao mesmo tempo.
Uma Oração Espírito Santo, vem hoje sondar o meu coração. Mostra-me a raiva, o medo, o ciúme, a amargura e a autopiedade que deixei criar raízes em mim. Confesso a Ti estes pecados.
Lava-me com o sangue de Jesus. Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios. Dá-me o ornato de um espírito manso e quieto, precioso aos teus olhos. Que as minhas palavras tragam vida e não morte. Que o meu coração seja um lugar onde a tua paz habita. Em nome de Jesus, Amém.