Capítulo 7 · 4 min de leitura · 5 min de escuta
Por Que a Fé? A Corda e o Tronco
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.” — Efésios 2:8–9
Por que Deus escolheu a fé, e não o amor, a paciência ou o bom comportamento, como o meio pelo qual recebemos a salvação? Spurgeon é cuidadoso — Deus não nos deve explicações —, mas oferece algumas razões. A primeira é simples: a fé foi feita para receber. Se você dá uma moeda a um pobre, coloca-a na mão dele, não no ouvido nem no pé. Ou imagine estender uma maçã a uma criancinha. “A mão da criança não faz a maçã, nem melhora a maçã, nem merece a maçã; apenas a toma.” A fé é assim. Ele cita um velho ditado: a fé é “a língua que implora o perdão, a mão que o recebe e o olho que o vê; mas não é o preço que o compra.”
Segundo, a fé dá todo o crédito a Deus. Deus não suporta o orgulho, e não vai salvar as pessoas de um jeito que as deixe se exibindo. A mão que pega um presente não espera ser agradecida por pegá-lo. Por isso a fé, diz Spurgeon, “põe a coroa sobre a cabeça certa.”
Terceiro, a fé de fato liga você a Deus. Aqui vem a imagem que ele diz que não conseguiria melhorar. Anos atrás, um barco virou acima das Cataratas do Niágara, e dois homens foram arrastados em direção à borda. As pessoas na margem lançaram uma corda boiando até eles, e os dois a agarraram. Um segurou firme e foi puxado para a segurança. O outro viu um tronco enorme passando e soltou a corda para agarrar o tronco, porque era maior e parecia mais seguro. O tronco despencou nas cataratas com ele em cima. Era grande, mas não estava preso à margem. É isso, diz Spurgeon, que confiar nas suas próprias obras ou em rituais religiosos parece — impressionante, mas sem ligação com nada. A fé pode parecer um cordão fino, mas a outra ponta está nas mãos de Deus, e é ele quem está puxando.
Quarto, a fé é a mola-mestra de tudo o que fazemos. Spurgeon observa que ele só atravessa o seu gabinete porque crê que as pernas vão sustentá-lo; as pessoas vão ao trabalho porque creem no salário. Então, quando Deus cria fé em nós, ele toma posse justamente daquilo que nos move — e daí vêm o amor, a oração, a santidade e a coragem. Ele cita uma frase antiga: “O que o óleo é para as rodas, o que os pesos são para um relógio, o que as asas são para uma ave, o que as velas são para um navio, isso a fé é para todos os deveres e serviços santos.” A fé também age pelo amor, e traz paz e alegria. E ele termina com a imagem de um velho pregador. Um servo joga o ombro contra uma porta trancada e empurra com toda a força, e ela não se mexe. Outro chega com a chave e entra direto. Tentar ser salvo pelas obras é empurrar o portão do céu. A fé, disse o velho pregador, “é a chave que abre o portão de imediato.”
Agora — do que se trata, afinal? A fé salva não porque seja impressionante, mas porque liga você Àquele que é. O tronco é tudo aquilo a que somos tentados a nos agarrar porque parece maior: ser uma boa pessoa, fazer mais do que os outros, ir à igreja, cumprir as regras, estar certo. Essas coisas não são inúteis, mas não estão presas à margem. O que tira você da correnteza é estar unido a Jesus.
Isso também acaba com dois problemas opostos. Se você tem se orgulhado da sua própria bondade, a fé não lhe dá nada de que se gabar — você só pegou o que lhe foi entregue. Se você sente que não tem nada a oferecer, a fé não pede que você ofereça nada. Uma mão vazia tem exatamente o formato certo.
Uma coisa para fazer esta semana: faça duas listas. De um lado, escreva os “troncos” em que você costuma se apoiar para se sentir bem diante de Deus — as suas notas, a sua reputação, a sua frequência à igreja, o seu jeito simpático. Do outro, escreva uma frase sobre a corda: o que Jesus fez por você. Depois ore, de forma específica, soltando a primeira lista e segurando a segunda.
Perguntas para pensar
Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.
O que aconteceu com os dois homens arrastados em direção às Cataratas do Niágara?
Os dois agarraram a corda lançada da margem. Um segurou firme e foi puxado para a segurança; o outro a soltou para agarrar um tronco grande, que despencou nas cataratas com ele porque não estava preso à margem.
Por que Spurgeon diz que a fé é feita para receber a salvação sem ficar com crédito nenhum?
Como a mão de uma criança que pega uma maçã, a fé não faz, não melhora nem merece o presente — apenas o toma. Por isso dá toda a glória a Deus e não deixa espaço para se gabar.
A que “troncos” você é tentado a se agarrar em vez da corda? Como seria soltá-los?
O ponto do capítulo: as nossas próprias obras e hábitos religiosos podem parecer maiores e mais seguros, mas não estão presos à margem. Só a fé une você a Cristo, que é quem puxa.
Capítulo 7 concluído
Por Que a Fé? A Corda e o Tronco