Retrospecto (Para Jovens)
Só Restava uma Moeda

Capítulo 11 · 4 min de leitura · 5 min de escuta

Só Restava uma Moeda

“Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas aqueles que buscam ao SENHOR de nenhum bem terão falta.” — Salmos 34:10

A essa altura, Taylor já estava instalado em Ningpo e tinha feito algo que deixou a questão do dinheiro muito mais aguda: tinha se desligado da sociedade missionária que pagava o seu salário, porque ela tinha se endividado, e Taylor estava convencido de que as Escrituras mandavam: “Não devais nada a ninguém.” Ele dependeria diretamente de Deus — sem salário, sem campanhas para arrecadar dinheiro, sem empréstimos. Acima da lareira da casa que ele dividia com o seu colega de trabalho, o Sr. Jones, estavam pendurados dois rolos com caracteres chineses: Ebenézer — “Até aqui o Senhor nos ajudou” — e Jeová-Jiré — “O Senhor proverá”. Eles estavam prestes a ser testados até a última moeda.

Os dois homens também alimentavam os pobres — às vezes setenta pessoas na miséria vinham para o café da manhã todos os dias. E o dinheiro acabou. Acabou tão completamente que, no dia 6 de janeiro de 1858, os dois tinham uma única “caixa” — a moedinha chinesa de cobre que valia mais ou menos um vigésimo de um pêni. Havia em casa o suficiente para um café da manhã magro, e depois disso, nada: nem comida, nem dinheiro para comprar.

Decidiram, a contragosto, vender alguma coisa. A única coisa que os chineses comprariam com facilidade era um fogão de ferro que eles tinham, embora detestassem se desfazer dele. Então foram a pé até a fundição. Para chegar lá, precisavam atravessar o rio por uma ponte flutuante feita de barcos — mas, quando chegaram, a ponte tinha sumido. Tinha sido levada pela correnteza durante a noite. A única forma de atravessar agora era uma balsa, e a balsa custava duas caixas por pessoa. Eles tinham uma. O caminho estava, literalmente, fechado. Não havia nada a fazer além de dar meia-volta, ir para casa e esperar em Deus.

De volta à casa, revistaram os armários e não acharam comida — só um pacotinho de chocolate em pó, que eles prepararam com água quente e que os reanimou um pouco. O Sr. Jones tinha sido convidado para almoçar na casa de um amigo naquele dia, mas se recusou a ir e deixar Taylor passar fome sozinho. E então os dois se ajoelharam juntos e fizeram a oração mais simples que existe: dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Enquanto ainda estavam ajoelhados, chegou uma carta da Inglaterra. Dentro dela havia uma remessa de dinheiro — o suficiente não só para aquele dia, mas para os dias seguintes. O casamento de Taylor, por sinal, já estava marcado para exatamente catorze dias depois. Deus tinha deixado tudo para o último momento, e nem um pouco depois.

Não transforme isso numa promessa de que Deus sempre aparece no último segundo com dinheiro. O próprio Taylor era escrupulosamente honesto ao dizer que a sua fé “falhou muitas vezes, muitas vezes”, que a dificuldade era real e que a fome daquele dia era real. O que a história mostra não é que seguir a Deus seja financeiramente seguro — claramente não era —, mas que se pode depender de Deus até a última moeda, e que ele muitas vezes deixa você chegar até lá.

Essa é a parte que as pessoas não percebem. Taylor não tinha uma margem confortável que tornasse a confiança fácil. Ele chegou até uma única moeda, uma ponte levada pela água e uma xícara de chocolate. Deus não o poupou do vazio; foi encontrá-lo no fundo dele. E Taylor saiu dizendo que não teria perdido aquela provação por nada, porque ela lhe ensinou sobre Deus de um jeito que o conforto nunca teria ensinado.

Você provavelmente não vai chegar a um vigésimo de um pêni. Mas vai bater em limites reais — de dinheiro, de capacidade, de opções — em que realmente não consegue ver como as coisas vão se resolver, e em que toda rota de fuga é uma ponte levada pela água. A lição do chocolate não é que Deus remove esses momentos. É que ele é digno de confiança dentro deles, e que o fundo do poço muitas vezes é exatamente onde você finalmente o encontra.

Uma coisa para fazer quando você der de cara com um muro que não consegue enxergar além: em vez de correr para fabricar a sua própria saída ou entrar em pânico em silêncio, diga a necessidade com a mesma simplicidade de Taylor — “dá-nos hoje o nosso pão de cada dia” — e leve-a a Deus de forma específica antes de levá-la a qualquer outro lugar. Ele deixou dois homens adultos chegarem a uma moeda e um pacotinho de chocolate, e não os deixou cair.

Perguntas para pensar

Pense primeiro; depois toque numa pergunta para ver uma forma de respondê-la.

Por que Taylor e o Sr. Jones não conseguiram vender o fogão quando ficaram sem dinheiro?

A ponte de barcos tinha sido levada pela correnteza durante a noite, e a balsa custava duas caixas por pessoa. Eles tinham só uma caixa, então voltaram para casa e oraram.

Por que o capítulo adverte contra tratar isso como uma promessa de dinheiro no último segundo?

Taylor admitiu que a sua fé falhou muitas vezes e que a fome era real. O ponto é que se pode depender de Deus até a última moeda, e que ele muitas vezes deixa você chegar até lá, indo encontrá-lo no fundo.

Quando você dá de cara com um muro que não consegue enxergar além, o que costuma fazer primeiro?

O capítulo sugere dizer a necessidade com simplicidade, como “dá-nos hoje o nosso pão de cada dia”, e levá-la a Deus de forma específica antes de correr atrás da sua própria saída ou entrar em pânico.

Capítulo 11 concluído

Só Restava uma Moeda

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