Capítulo 6 · 5 min de leitura
Amy Carmichael — A Missionária Que Orava Sem Cessar
Quem Ela Foi
Amy Beatrice Carmichael nasceu em 16 de dezembro de 1867, em Millisle, no condado de Down, na Irlanda, a mais velha de sete filhos de uma família presbiteriana profundamente devota. Depois de uma profunda experiência espiritual na juventude, entregou-se ao trabalho missionário, servindo por breve tempo no Japão e no Ceilão antes de chegar ao sul da Índia em 1895 — onde permaneceu pelos cinquenta e cinco anos seguintes sem uma única licença. Fundou a Comunidade de Dohnavur, em Tâmil Nadu, a princípio para resgatar meninas da prostituição nos templos, e que veio a crescer até tornar-se uma comunidade de mais de novecentas pessoas, oferecendo um lar a crianças que não tinham para onde ir. Passou os últimos vinte anos de vida em grande parte acamada, após uma queda grave em 1931, escrevendo de seu quarto mais de trinta livros de poesia e devoção que se tornaram amados clássicos espirituais pelo mundo inteiro. Faleceu em 1951, aos oitenta e três anos, sem jamais ter deixado a Índia depois de ali chegar pela primeira vez.
O Cerne de Seu Ensino sobre a Oração
A vida de oração de Amy Carmichael era a arquitetura oculta de tudo o que se via em Dohnavur. Ela descrevia a oração como a obra primordial da comunidade, mais fundamental do que alimentar as crianças, ensinar nas escolas ou construir as casas. Toda decisão importante era tomada de joelhos. Por cada criança recebida na comunidade orava-se pelo nome. Toda crise era enfrentada primeiro na oração, antes de ser enfrentada na ação. Ela dizia a seus colaboradores: “A oração é o coração do nosso dia. Tire a oração, e o dia desmoronaria, ficaria oco como uma cana vazia.”
A convicção fundamental de Carmichael era que a vida cristã, em sua essência, é a vida de Cristo prolongada por meio do crente que a Ele se entregou. Ela extraía isso diretamente da declaração de Paulo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim.
E a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20). Se Cristo vivia nela, então a oração dela era a oração dEle. Seu amor pelas crianças de Dohnavur era o amor dEle estendido por meio de suas mãos. Seu sofrimento era participação nos sofrimentos dEle. Essa integração de identidade com Cristo não era, para Carmichael, uma abstração mística, mas verdade diária, prática, firme — o chão sólido debaixo de tudo o que ela fazia.
Sua maneira de interceder era marcada por extraordinária especificidade e persistência.
Orava por cada criança em particular, por suas lutas espirituais específicas, pelas comunidades de onde tinham vindo e pelas fortalezas culturais que mantinham aquelas comunidades em trevas espirituais. Tinha a certeza de que esse tipo de intercessão dirigida e persistente era o que Lucas descreveu ao registrar a instrução de Jesus: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Lucas 10:2). Ela não era apenas uma trabalhadora na seara, mas alguém que insistia em pedir mais trabalhadores, escrevendo cartas ao mundo todo em busca de reforços e sustentando esses pedidos em oração muito depois de as cartas terem sido enviadas.
Seus anos acamada não foram, segundo ela mesma dizia, uma diminuição de sua vida de oração, mas a intensificação dela. Quando já não podia percorrer o complexo, visitar as crianças ou participar das reuniões, ainda podia orar — e orava, por horas a cada dia. Encontrava profundo consolo no caráter do Deus a quem se dirigia: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça” (Isaías 41:10). O mesmo Deus que a sustentara ao longo de cinquenta anos de serviço missionário ativo era plenamente capaz de tornar igualmente fecundos os seus anos de quietude imposta.
Ela cria nisso e escreveu, de sua cama, livros que apresentaram a milhares de leitores a vida de oração que ela vivera.
A visão de Carmichael sobre o preço do discipulado era destemida. Deixara a Irlanda sabendo que talvez jamais voltasse. Vira crianças morrerem em seus braços. Fora incompreendida, combatida e desgastada por décadas de guerra espiritual. Ainda assim, apegava-se às palavras de Jesus sem vacilar: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23). A cruz, escreveu ela, não era apenas uma metáfora para o incômodo. Era a disposição de ser gasto por inteiro no serviço dAquele que foi gasto por inteiro por você. Sua vida de oração era a forma interior desse gasto — a entrega diária e completa de si mesma a Deus em comunhão, antes de entregar-se à obra dEle no serviço.
Seu ensino final, destilado de toda uma vida entregue sem reservas, era este: pode-se confiar tudo a Deus. Tudo o que Ele permite — a dor, a perda, a limitação, os longos anos sem fruto visível — está operando em vista de algo que o amor preparou. Apegava-se à grande confiança de Paulo: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28). Ela pusera essa promessa à prova em condições severas o bastante para refutá-la, e a encontrara verdadeira. Essa confiança alimentou sua oração até o último suspiro.
Uma Oração
Senhor Jesus, que te deste sem reservas por nós, ensina-nos a entregar-nos sem reservas a ti. Onde nos apegamos ao conforto e à conveniência, afrouxa o nosso aperto. Onde somos tentados a medir o nosso valor pelo que realizamos, lembra-nos de que a maior obra se faz de joelhos. Que a vida que vivemos seja a tua — vivida pela fé, sustentada pela oração, gasta no amor. Amém.