Até que Ele Venha
Desfalecer e Reviver aos Pés de Cristo

Capítulo 22 · 17 min de leitura

Desfalecer e Reviver aos Pés de Cristo

UM DISCURSO PROFERIDO NO ENCERRAMENTO DE UMA DAS CONFERÊNCIAS DO PASTORS’ COLLEGE. “E quando o vi, caí a seus pés como morto. E ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o primeiro e o último; sou aquele que vive, e fui morto; mas eis que estou vivo para todo o sempre. Amém; e tenho as chaves do inferno e da morte.”—Apocalipse i. 17, 18.

DESFALECER E REVIVER AOS PÉS DE CRISTO.

NADA temos agora em que pensar senão o nosso Senhor. Viemos a ele para que nos faça esquecer todos os outros. Não estamos aqui como ministros, ocupados com muito serviço, mas agora nos assentamos a seus pés com Maria, ou reclinamos sobre o seu peito com João. O próprio Senhor nos dá a nossa senha, ao reunirmos a nossa tropa para a última assembleia. “Fazei isto em memória de mim” é o seu amoroso mandamento. Suplicamos-lhe que encha todo o círculo da nossa memória, como o sol enche os céus e a terra de luz. Havemos de pensar somente em Jesus, e somente dele falarei. Oh, quem me dera um toque da brasa viva daquele que é o nosso Altar tão bem como o nosso Sacrifício!

O meu texto encontra-se nas palavras de João, no primeiro capítulo do Apocalipse, nos versículos dezessete e dezoito:—

“E quando o vi, caí a seus pés como morto. E ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o primeiro e o último; sou aquele que vive, e fui morto; mas eis que estou vivo para todo o sempre. Amém; e tenho as chaves do inferno e da morte.”

João era, de todos os homens, o mais familiarizado com Jesus, e o seu Senhor nunca tivera necessidade de lhe dizer: “Tu me amas?” Parece-me que, se algum homem pudesse ter-se mantido de pé na presença do Salvador glorificado, teria sido aquele discípulo a quem Jesus amava. O amor permite-nos tomar grandes liberdades: a criança sobe ao joelho do seu pai real, e ninguém a acusa de atrevimento. João tinha tal amor, e contudo nem ele conseguiu contemplar a face do Senhor da glória sem ser vencido por um santo pavor. Ainda no corpo, até mesmo João há de desfalecer se lhe for concedida uma visão prematura do Bem-amado na sua majestade. Se nos fosse permitido ver o Senhor antes que os nossos corpos sofressem aquela admirável transformação pela qual somos feitos semelhantes a Jesus, para que o vejamos como ele é, acharíamos a visão maior do que podemos suportar. Uma clara visão do esplendor celestial do nosso Senhor, enquanto estamos aqui na terra, não seria conveniente, pois não nos seria proveitoso estarmos sempre jazendo desfalecidos aos pés do nosso Redentor, havendo tanta obra a fazer.

Permiti-me, caros irmãos, tomar o meu texto fora da sua conexão, e aplicá-lo a nós mesmos, trazendo-o do trono lá do alto para a mesa aqui. Pode ser, e confio que assim será, que, ao vermos Jesus mesmo aqui, caiamos com João a seus pés como mortos. Não desfaleceremos, mas estaremos mortos em outro sentido, mui docemente mortos, enquanto a nossa vida se revela nele. Depois de havermos pensado nisso, chegaremos ao que o meu texto implica: então, possamos reviver com João, pois, se ele não tivesse revivido, jamais nos poderia ter falado do seu desmaio. Assim teremos a morte com Cristo, e a ressurreição nele. Oh, quem nos dera uma profunda experiência de ambas, pelo poder do Espírito Santo!

I. Se nos for permitido ver Cristo nos simples e instrutivos memoriais que agora estão sobre a mesa, cairemos, num sentido bendito, a seus pés como mortos.

Pois, primeiro, aqui vemos a provisão para a remoção do nosso pecado, e assim somos lembrados dele. Aqui está o pão partido porque quebrantámos a lei de Deus, e teríamos de ter sido quebrantados para sempre se não houvesse um Salvador ferido. Neste vinho vemos o sinal do sangue com que temos de ser purificados, ou então seremos coisas imundas a serem lançadas fora, nas fogueiras de Tofete, por serem abomináveis aos olhos de Deus. Visto que temos diante de nós o memorial da expiação pelo pecado, ele nos recorda a nossa morte no pecado, em que ainda estaríamos, não fora aquela graça que nos chamou à vida e à salvação. Estás a tornar-te grande? Volta a ser pequeno ao veres que não passas de escravos que foram resgatados. “Libertos de Deus” é ainda a tua verdadeira condição. Começas a pensar que, por seres santificado, tens menos necessidade da purificação diária? Ouve esta palavra: “Se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros”; e ainda assim, mesmo então, “o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” Pecamos até quando estamos na mais alta e divina comunhão, e ainda precisamos do sangue que purifica. Como isto nos humilha diante do Senhor! Havemos de ser ganhadores de pecadores, e contudo nós mesmos ainda somos pecadores, precisando tão verdadeiramente do Pão da vida como aqueles a quem o servimos.

Ah! e alguns de nós temos sido pecadores muito especiais; e, portanto, se amamos muito, é porque muito nos foi perdoado. Erramos depois de conhecermos o Salvador, e essa é uma espécie de pecaminosidade extremamente dolorosa; pecamos depois de havermos entrado no mais alto estado de gozo espiritual, e de havermos estado com ele no monte santo, e contemplado a sua glória! Isto gera um santo pejo. Bem podemos cair aos pés de Jesus, ainda que ele só se revele em pão e vinho, pois estes transmitem uma consciência da nossa pecaminosidade, ao mesmo tempo que nos recordam como o nosso Senhor enfrentou o nosso pecado, e o afastou.

Nisto caímos tão baixo quanto os mortos. Onde está o “eu”? Onde está a autoglorificação? Resta-te alguma na presença do Salvador crucificado? Enquanto em espírito comes a sua carne e bebes o seu sangue, podes gloriar-te na tua própria carne, ou sentir o orgulho do sangue e do nascimento? Ai de nós se se mistura um matiz de orgulho no nosso ministério, ou uma mácula de autolouvor no nosso êxito! Quando vemos Jesus, o nosso Salvador, o Salvador de pecadores, certamente o eu se afundará, e a humildade cairá a seus pés. Quando pensamos no Getsêmani e no Calvário, e em toda a dor e agonia do nosso grande Redentor, certamente, pelo Espírito Santo, a autoglorificação, a busca de si mesmo e a vontade própria hão de cair como que abatidas por um golpe mortal. “Quando o vi, caí a seus pés como morto.”

Aqui aprendemos também uma segunda lição. Jesus colocou sobre esta mesa alimento. O pão apresenta tudo o que é necessário, e o cálice tudo o que é abundante: provisão para todas as nossas carências e para todos os nossos justos desejos, tudo quanto necessitamos para sustento e alegria. Ora, que alma empobrecida sou eu, que não consigo prover-me a mim mesmo de pão! Quanto aos confortos, não os posso sequer imaginar; hão de me ser dados, ou nunca os provarei. Irmãos, somos comensais que vivem da generosidade do nosso grande Parente: vimos à sua mesa em busca do nosso sustento, não temos bens próprios. Aquele que alimenta os pardais alimenta as nossas almas; nas coisas espirituais, não ajuntamos em celeiros mais do que as bem-aventuradas aves; o nosso Pai celestial nos alimenta daquela “plenitude” que lhe aprouve guardar para nós em Jesus. Não poderíamos viver espiritualmente uma só hora sem aquele que não é apenas pão, mas vida; não apenas o vinho que alegra, mas a própria consolação. A nossa vida está pendente de Jesus; ele é o nosso Cabeça tão bem como o nosso alimento. Nunca deixaremos de precisar do pão natural, e espiritualmente nunca nos elevaremos acima da nossa necessidade de um Cristo presente; antes, sentiremos um anseio mais forte e uma paixão mais urgente por ele. Olhai para aquela pessoa vaidosa. Sente-se um grande homem, e reconheceis que vos é superior em dons; mas que impostor ele é, que criatura tola em sonhar ser alguém! Agora será achado em falta; pois, como nós mesmos, não é suficiente sequer para pensar alguma coisa de si próprio. Um mendigo que tem de viver de esmolas, de comer o pão da dependência, de tomar o cálice da caridade — de que tem ele para se gloriar? É ele, o grande Senhor, quem nos alimenta, quem nos dá tudo o que desfrutamos, quem é o nosso tudo em todos; e, quanto a nós, somos suplicantes — quase disse mendicantes — uma comunidade de Frades Mendicantes, tão mortos para toda riqueza espiritual pessoal quanto os que tombaram em Maratona. O escravo negro ao menos podia reivindicar o seu próprio fôlego, mas nós não podemos reivindicar sequer isso. O Espírito de Deus tem de nos dar o fôlego espiritual, ou a nossa vida expirará. Quando pensamos nisto, certamente a visão de Cristo neste pão e neste vinho, ainda que seja uma visão débil comparada com aquela que arrebatou o coração de João, nos fará cair aos pés do Redentor como mortos.

O “eu” não pode viver, pois o nosso Senhor não proveu alimento algum para o vaidoso Ego, e para o seu senhorio. Proveu tudo para a necessidade, mas nada para a jactância. Oh, bendito sentimento de autoaniquilamento! Experimentámo-lo várias vezes esta semana, quando certos daqueles escritos nos foram lidos pelos nossos irmãos; e, além disso, encolhemo-nos por completo no fulgor da alegria com que o nosso Mestre nos favoreceu. Espero que esta feliz assembleia e os seus exercícios celestiais tenham derretido o Ego dentro de nós, e o tenham feito, por um instante, escoar-se em lágrimas. Morrer para si mesmo é um sentimento bendito. Possamos todos realizá-lo! Quando somos fracos ao extremo, na consciente morte do eu, então somos fortes na plenitude do poder. Desfalecendo até à morte do eu, e perdendo toda a consciência do poder pessoal, somos introduzidos no infinito, e vivemos em Deus.

II. Consideremos agora como tornamos a viver, e assim conhecemos o Senhor como a ressurreição e a vida. João reviveu, e ele nos diz como isso aconteceu. Diz do Eternamente Bendito:—“Ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o primeiro e o último; sou aquele que vive, e fui morto; mas eis que estou vivo para todo o sempre. Amém; e tenho as chaves do inferno e da morte.”

Todas as torrentes de vida do nosso ser fluirão com força renovada se, antes de tudo, formos postos em contato com Jesus: “Ele pôs sobre mim a sua destra.” Que paciência admirável, que ele não ponha o seu pé sobre nós, e não nos pise como à lama das ruas! Jazi a seus pés como morto, e, se ele me tivesse repelido como contaminado de corrupção, eu não teria podido contestar a sua justiça. Mas nada há aqui acerca do seu pé! Esse pé foi traspassado por nós, e não pode ser que o pé que foi pregado à cruz pelo seu povo venha jamais a pisá-lo na sua ira. Ouvi estas palavras: “Ele pôs sobre mim a sua destra.” A destra da sua força e da sua glória, ele a pôs sobre o seu servo desfalecido. Era a mão de um homem. É a destra daquele que, em todas as nossas angústias, foi angustiado, que é um Irmão nascido para a adversidade. Por isso, tudo quanto se refere à sua mão tem uma influência revivificadora. A fala da simpatia, meus irmãos, é muitas vezes pouco prática, e por isso demasiado fraca para reanimar quem desfalece; o toque da simpatia é muito mais eficaz. Lembrai-vos daquela feliz história da selvagem menina negra que nunca pôde ser conquistada até que a pequena senhora se sentou junto dela, e pôs a sua mão sobre ela. Eva conquistou a pobre Topsy por aquele terno toque. A língua falhou, mas a mão alcançou a vitória. Assim foi com o nosso adorável Senhor. Mostrou-nos que era osso dos nossos ossos e carne da nossa carne; pôs-se em contato conosco, e fez-nos perceber a realidade do seu amor por nós, e então tornou-se mais que vencedor sobre nós.

Assim, sentimos que ele não era ficção, mas um Cristo real, pois ali estava a sua mão, e sentimos a suave pressão. A imposição da destra do Senhor trouxera cura aos enfermos, vista aos cegos, e até vida aos mortos, e não é coisa estranha que restaure um discípulo desfalecido. Possais todos senti-la neste mesmo momento em todo o seu poder revivificador! Que desça da destra do Senhor, não apenas a sua simpatia, por ser ele um homem como nós, mas tanto do poder da sua divindade quanto pode caber num homem, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus! Isto é possível neste instante. A Ceia do Senhor representa a entrega de todo o corpo de Cristo a nós, para entrar em nós como alimento; certamente, se penetrarmos no seu verdadeiro sentido, podemos esperar ser revividos e vitalizados; pois temos aqui mais do que um mero toque da mão: é o Cristo inteiro que entra em nós espiritualmente, e assim entra em contato com o nosso ser mais íntimo. Eu creio na “presença real”: e vós, não credes? A presença carnal é outra coisa: essa nós nem sequer desejamos. Senhor Jesus, entra agora em contato de mil mãos conosco, habitando em nós, e nós em ti!

Contudo, algo mais ainda faltava, pois o nosso Senhor Jesus, depois do toque, deu a palavra: “Não temas; eu sou o primeiro e o último.” Que diz ele? Diz porventura “Tu és”? Abri os vossos Testamentos, e vede. Exclama porventura: “Não temas; tu és o discípulo amado, João, o apóstolo e teólogo”? Nada disso encontro. Não dirigiu o seu servo a olhar para si mesmo, mas a lembrar-se do grande EU SOU, o seu Salvador e Senhor. O consolo vivo de todo filho de Deus que desfalece, de todo aquele que tem consciência de um golpe mortal no “eu” natural, está naquele majestoso “EU”, que só ele pode dizer “eu sou”. Vives porque há um “EU SOU” que tem a vida em si mesmo, e tem essa vida para ti.

“Eu sou o primeiro.” “Fui adiante de ti, e preparei o teu caminho; amei-te antes que tu me amasses; ordenei todo o teu curso na vida antes que existisses. Em toda obra de graça por ti e dentro de ti, eu sou o primeiro. Como o orvalho que vem do Senhor, não esperei pelo homem, nem me demorei pelos filhos dos homens. E eu também sou o último, aperfeiçoando o que te diz respeito, e guardando-te até ao fim. Eu sou para ti o Alfa e o Ômega, e todas as letras que há entre eles; comecei contigo, e contigo hei de terminar, se em fim se pode pensar. Marcho na vanguarda, e cerro a retaguarda. A tua preservação final procede de mim tanto quanto o teu esperançoso princípio.” Irmão, surge algum temor a respeito daquela hora sombria que ameaça chegar em breve? Que hora é essa? Jesus a conhece, e estará contigo através da noite, e até que rompa o dia. Se Jesus é para nós o princípio e o fim, que mais há? Que temos a temer, senão aquelas ímpias invenções da nossa desconfiança, aquelas superfluidades de malícia que se moldam em incredulidades, dúvidas e imaginações cruéis? Cristo exclui tudo o que nos poderia ferir, pois ele cobre todo o tempo, e todo o espaço; está acima das alturas, e abaixo das profundezas; e em toda parte ele é Amor.

Prossegui na leitura:—“Eu sou aquele que vive.” “Porque eu vivo, também vós vivereis; nenhuma morte real vos sobrevirá, pois a morte já não tem domínio sobre mim — o vosso Cabeça, a vossa Vida.” Enquanto houver um Cristo vivo no céu, nenhum crente jamais verá a morte: dormirá em Jesus, e isso é tudo, pois ainda então estará “para sempre com o Senhor.”

Prossegui:—“e fui morto.” “Portanto, ainda que morras, não descerás mais fundo do que eu desci; e serás trazido de novo à vida, assim como eu voltei do sepulcro.” Pensa em Jesus como tendo atravessado a região da sombra da morte, e não temerás seguir os seus passos. Onde haveriam os membros moribundos de repousar senão no mesmo leito com o seu Cabeça, que outrora foi moribundo?

“E eis que estou vivo para todo o sempre.” Sim, contemplai-o, e nunca deixeis de contemplá-lo: servimos a um Senhor eternamente vivo. Irmãos, voltai desta conferência para casa no poder desta grandiosa declaração! O filho querido pode adoecer, ou a preciosa esposa pode ser recolhida ao lar celestial; mas Cristo diz: “Estou vivo para todo o sempre.” O coração crente nunca poderá ser viúvo, pois o seu Esposo é o Deus vivo. O nosso Senhor Jesus não nos deixará órfãos, ele virá a nós. Aqui está, pois, a nossa alegria: não em nós mesmos, mas no fato de que ele vive para sempre para cumprir em nós e por nós o bom prazer do Pai. Avante, soldados da cruz, pois o nosso imortal Capitão vai à frente.

Lede mais uma vez:—“e tenho as chaves do inferno e da morte.” Ao meditar nestas palavras, admirei-me da pobreza e da baixeza da causa do mal; pois o seu príncipe, o diabo, não tem as chaves da sua própria casa; não se lhe podem confiar; elas estão penduradas ao cinto de Cristo. Certamente jamais irei para o inferno, pois o meu Senhor Jesus, há muito, girou a chave contra a minha entrada. As portas do inferno foram trancadas para mim quando ele morreu em meu favor. Vi-o trancar a porta, e, mais ainda, vi-o pendurar a chave ao seu cinto, e ali está ela até ao dia de hoje. Cristo tem as chaves do inferno; então, sempre que ele quiser, pode enjaular o leão devorador, e refrear o seu poder para o mal. Oh, quem dera que o dia já tivesse chegado! Ele vem, pois o dragão tem grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta. Não saiamos sozinhos a lutar com este temível adversário; falemos dele ao seu Vencedor, e roguemos-lhe que lhe encurte a corrente. Admiro as vigorosas palavras de uma mulher moribunda a quem alguém perguntou o que fazia quando era tentada pelo diabo por causa do seu pecado. Ela respondeu: “O diabo já não me tenta; veio a mim há pouco, e não gosta de mim o bastante para voltar!” “Por que não?” “Ora, ele foi-se embora porque lhe disse: Escolhida, escolhida!” “Que quisestes dizer com isso?” “Não vos lembrais de como está dito na Escritura: ‘O Senhor te repreenda, ó Satanás; o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda’?” O texto da anciã foi bem tomado, e bem conhece o inimigo a repreensão que ele encerra. Quando Josué, o sumo sacerdote, vestido de roupas sujas, estava diante do anjo, Satanás estava à sua direita para se lhe opor, mas foi silenciado ao ser-lhe dito da eleição de Deus: “O Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda.” Ah, irmãos, quando a destra de Cristo está sobre nós, o maligno se retira! Conhece muito bem o peso daquela destra.

Concluí o versículo:—“e da morte.” O nosso Senhor tem as chaves da morte, e este será para nós um fato jubiloso quando chegarem as nossas últimas horas. Se lhe dissermos: “Mestre, para onde vou eu?”, ele responde: “Eu tenho a chave da morte e do mundo dos espíritos.” Não responderemos então: “Sentimo-nos plenamente confiantes para ir aonde quer que nos conduzas, ó Senhor”? Seguiremos então os seus passos em sua companhia. Os nossos corpos descerão para o que os homens chamam de ossário, embora seja na verdade a sala onde os santos despem as suas vestes, o vestíbulo do céu, o guarda-roupa da nossa vestimenta, onde ela será purificada e aperfeiçoada. Temos um adequado traje espiritual para o intervalo, mas esperamos que os nossos corpos ressuscitem à semelhança do “Senhor que veio do céu”. Que ganho será o nosso quando retomarmos as vestes que deixámos de lado, e as acharmos tão gloriosamente transformadas, e tornadas próprias para as usarmos até na presença do nosso Senhor! Assim, se o pior temor que te assalta viesse a realizar-se, e literalmente morresses aos pés do teu Senhor, não há motivo para pavor, pois nenhum inimigo te pode fazer mal, visto que a destra divina está comprometida a livrar-te até ao fim. Demos ao Bem-amado o mais devoto e fervoroso louvor, ao participarmos agora deste festim régio. O Rei está assentado à sua mesa; dê o nosso nardo o seu mais doce perfume.

Capítulo 22 concluído

Desfalecer e Reviver aos Pés de Cristo

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